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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Mês da Bíblia 2025: Carta aos Romanos

O Mês da Bíblia é destinado a quem quer alimentar sua fé em Jesus Cristo e vivenciá-la comunitariamente, em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Em 2025, o Mês da Bíblia será focado na Carta aos Romanos com o inspirador lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Esse lema, escolhido em uníssono com o Grupo de Reflexão Bíblico Catequética (GREBICAT), ganhou ainda mais significado com a escolha do Papa Francisco para o Jubileu da Encarnação de 2025, demonstrando uma maravilhosa convergência espiritual.

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

Setembro é o mês dedicado, pela Igreja no Brasil, ao aprofundamento da Palavra de Deus. Em 2025, o Mês da Bíblia tem como texto inspirador a Carta aos Romanos, uma das obras mais influentes de São Paulo e um marco da teologia cristã primitiva. O lema escolhido, “A esperança não decepciona” (Rm 5,5), convida nossas comunidades educativas a redescobrir que a vida encontra sentido no amor de Deus, revelado em Cristo e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

Tradicionalmente atribuída a São Paulo, a carta é datada entre os anos 55 e 58 d.C., provavelmente escrita em Corinto, embora alguns estudiosos levantem a hipótese de que tenha sido redigida por um discípulo ou membro da comunidade de Roma, devido à sua densidade e estilo teológico. Diferente de outras cartas, Paulo escreve para uma comunidade que não havia fundado, formada por gentios, judeus, prosélitos e tementes a Deus. Esse grupo vivia tensões internas após a volta dos judeus expulsos de Roma pelo Edito de Cláudio (49 d.C.), o que gerava dificuldades de convivência e de unidade no seguimento de Jesus.

A carta possui também objetivos práticos: Paulo planejava levar uma coleta a Jerusalém, buscava ser acolhido pelos romanos e receber apoio para sua futura missão na Espanha. No entanto, mais do que
uma carta de apresentação, trata-se de uma profunda reflexão teológica. Nela, Paulo reafirma que a justificação não vem das obras da Lei, mas da fé em Jesus Cristo, dom gratuito que alcança todos os povos. Destaca ainda o papel de Israel no plano salvífico de Deus, mantendo viva a esperança de sua plena adesão a Cristo, e apresenta as consequências éticas da fé: uma vida marcada pela caridade, pela fraternidade e pela superação de divisões.

O coração da mensagem é a certeza de que “a esperança não decepciona”, porque se enraíza no amor de Deus que nada pode separar do ser humano (cf. Rm 8,39). Esse amor foi revelado em Cristo e é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A Carta aos Romanos, portanto, não é apenas um tratado teológico, mas uma convocação a viver a fé como comunhão, reconciliação e testemunho de esperança em meio às tensões e desafios da vida comunitária.

3 grandes temas pastorais para o mês da Bíblia 2025

Esperança

A Carta aos Romanos nos apresenta a esperança como alicerce da vida cristã: “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Reconhecendo que a vida está marcada por desafios, sofrimentos e limites, Paulo lembra que a esperança cristã não é ingênua nem frágil: ela se ancora na paz com Deus e na certeza de que nada pode nos separar do Seu amor (Rm 8,39).

Essa esperança transforma a vida pessoal e comunitária, sustentando educadores e estudantes a caminhar firmes como peregrinos, confiantes de que a vida tem sentido porque está enraizada no dom de Cristo.

Reconciliação

Em Cristo, Deus nos oferece a reconciliação: somos justificados pela fé e restaurados na amizade com Ele (Rm 5,1-11). A reconciliação não é apenas uma experiência interior, mas um chamado a refazer laços rompidos, a vencer divisões e a superar preconceitos. Paulo lembra à comunidade de Roma que Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2,11), convidando judeus e gentios a se acolherem mutuamente.

Liberdade

Um dos pontos mais fortes da Carta é o anúncio da verdadeira liberdade: em Cristo, somos libertos do pecado, da lei e da morte para viver na novidade do Espírito (Rm 6–8). O batismo é a grande porta dessa experiência: morrer para o pecado e viver para Deus em Cristo (Rm 6,4). Essa liberdade não se confunde com autonomia individualista, mas se realiza no serviço e no amor ao próximo (Rm 13,8-10).

3 DIMENSÕES PARA O USO DA BÍBLIA

1. Oração: a Palavra que gera encontro

A primeira dimensão da animação bíblica é a oração, pois a Sagrada Escritura não é apenas um texto a ser estudado, mas lugar de encontro com Jesus Cristo, Palavra viva do Pai. O contato orante com a Escritura transforma a leitura em diálogo, onde se fala com Deus antes de falar de Deus. Isso gera silêncio interior, escuta atenta e disponibilidade para deixar-se conduzir pelo Espírito.

2. Formação: a Palavra que ilumina a mente e a vida

A segunda dimensão é a formação, porque a Palavra de Deus precisa ser compreendida com maturidade e responsabilidade. A Bíblia é Palavra viva, mas escrita em contextos históricos, sociais e culturais diferentes; exige, portanto, interpretação adequada, em diálogo com a teologia, as ciências e a realidade atual. A formação bíblica liberta do fundamentalismo, abre horizontes para o pensamento crítico e oferece critérios evangélicos para discernir a vida.

3. Anúncio: a Palavra que envia em missão

Por fim, a animação bíblica encontra seu dinamismo pleno no anúncio. A Palavra, quando rezada e assimilada, impele ao testemunho e à evangelização inculturada. O discípulo missionário não guarda para si o encontro com Cristo: anuncia-o em gestos e palavras, contextualizando a Boa-nova na cultura, na linguagem e nas necessidades do tempo presente. Para a escola católica, essa dimensão se concretiza no compromisso educativo que ultrapassa as fronteiras da sala de aula, formando sujeitos capazes de viver e anunciar a esperança cristã no mundo, com sensibilidade pastoral e abertura à diversidade.

Fonte:

Associação Nacional de Educação Católica do Brasil – ANEC

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Artigos Enfoque Pastoral

O mês da Bíblia e a força da Palavra de Deus

“Minha palavra não voltará para mim vazia; ela fará o que eu desejo e cumprirá o propósito para o qual a enviei.” (Isaías 55, 11)

Amados diocesanos, neste mês dedicado à Bíblia, somos convidados a agradecer ao Senhor por sua Palavra, que é como a chuva que desce do céu, rega a terra e a faz produzir. Ela germina em nós a conversão e nos faz dar frutos de salvação.

Setembro se tornou o Mês da Bíblia no Brasil por uma bela tradição, em homenagem a São Jerônimo, cuja festa é celebrada no dia 30 de setembro. No século V, a pedido do Papa Dâmaso, ele traduziu a Bíblia para o latim, em um trabalho que marcou a história da Igreja. A iniciativa de dedicar um mês à Bíblia surgiu em 1971, em Belo Horizonte, durante a preparação de uma semana bíblica. A ideia, ecumênica, se espalhou pelo país a partir de 1974, com o apoio do Serviço de Animação Bíblica (SAB), consolidando-se como uma tradição em nível nacional.

Celebrar o Mês da Bíblia é um convite da Igreja para que aprofundemos nosso conhecimento da Palavra de Deus, para que a amemos e, acima de tudo, para que a leiamos, meditemos e rezemos diariamente. O contato constante com as Sagradas Escrituras é essencial para que, como discípulos missionários, nos firmemos em Cristo e possamos testemunhá-lo em um mundo tão sedento de Sua presença. O Documento de Aparecida nos lembra: “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo. Se queremos ser discípulos e missionários de Jesus Cristo, é indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus. É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida cristã na rocha da Palavra de Deus” (DAp 247).

Em nossa Diocese, temos várias iniciativas que incentivam os fiéis a fazer uso das Escrituras. Entre elas, destacam-se: ESCOLA DA PALAVRA: Presente em diversas paróquias e organizada por foranias; ESCOLA DE MINISTÉRIO: Um espaço de formação que introduz os leigos no pensamento teológico, bíblico e doutrinal; LEITURA ORANTE DA BÍBLIA: Um material impresso e distribuído semestralmente para as paróquias.

A Igreja nos ensina a Lectio Divina, a leitura orante, uma prática diária para que a Palavra do Senhor penetre em nosso coração e nos transforme. A leitura orante da Bíblia nos permite meditar, refletir e rezar ao mesmo tempo. Convido cada um de vocês a praticar essa experiência. A Lectio Divina segue quatro passos: 1º) Leitura: Esforce-se para entender o texto. O que o texto está dizendo? 2º) Meditação: Pergunte-se: “O que Deus, por meio deste texto, está me dizendo hoje?” 3º) Oração: Expresse a Deus o que o texto o inspira a dizer a Ele. 4º) Contemplação: É o momento de enxergar, saborear e agir. A contemplação nos ajuda a ver o mundo com novos olhos.

Roguemos à Virgem Maria que sejamos dóceis à Palavra de Deus, para que Cristo Jesus, a Palavra Eterna do Pai, habite em nós e gere conversão e vida eterna.

Pe. Marcelo Dias Soares

Coordenador Diocesano de Pastoral

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Artigos Voz do Pastor

Dois Jovens Santos neste Ano Jubilar: Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati

O Ano Jubilar que estamos vivendo está repleto de imagens e acontecimentos que somos chamados a contemplar e ver a ação de Deus. Entre o final de julho e começo de agosto pudemos assistir o Jubileu dos jovens em Roma. Aquela imagem da multidão de jovens em Tor Vergata, seguramente, faz-nos acreditar que, sim, podemos ser peregrinos de esperança.

Temos um outro acontecimento ligado à juventude que é a canonização do Beato Carlo Acutis, que deveria ter acontecido no dia 27 de abril, mas em virtude da morte do Papa Francisco, foi, posteriormente, transferida para o dia 07 de setembro.

Carlo Acutis (1991-2006), jovem adolescente, que viveu entre o final do século XX e início do século XXI, é um santo que inspira a nossa juventude tão “antenada” com as novas tecnologias. Afinal, ele não foi somente um jovem gamer, mas serviu-se de seu conhecimento técnico de informática para favorecer a obra da evangelização em sua paróquia, na Igreja e na sociedade.

No entanto, a sua santidade não vem dos seus conhecimentos tecnológicos e do trabalho que realizou. A santidade é dom de Deus. Dom que Carlo soube acolher com o impulso do Espírito Santo. Ele, de família católica tradicional, mas nem tanto “praticante”, acolheu o chamado de Deus e na infância, adolescência e início da sua juventude, esforçou-se por ser fiel a Deus e à Igreja. Este seu esforço e fidelidade foram elementos para uma caminhada de conversão para toda sua família.  Sua vida desde a infância foi permeada de catequese, oração e adoração, e profundo sentido da força da Eucaristia, celebrada e acolhida como caminho para o céu.

Que os nossos jovens possam olhar para São Carlo Acutis não simplesmente como gamer, antenado no mundo digital, mas como aquele no qual Deus, propõe um caminho de santidade para hoje!

Entretanto, a Providência Divina, através do Papa Leão, nos presenteia com outra canonização na mesma celebração do dia 07 de setembro, a do Beato Pier Giorgio Frassati  (1901-1925).

Também ele, proveniente de família católica “tradicional”. Educado em colégios católicos, desde a infância, adolescência e juventude destaca-se  – diferentemente da sua família – numa vida eclesial mais engajada: comunhão diária, Cruzada Eucarística, Liga Eucarística, Companhia do Santissimo Sacramento. Congregação Mariana, Confraria do Santo Rosário. Ação Católica. Terciário dominicano, Conferência de São Vicente. Todos movimentos eclesiais que congregavam jovens na Itália do início do século XX. Como Acutis fará um século depois, acolhe o chamado de Deus e busca ser fiel a ele. Sua biografia diz que sua mãe temia que ele fosse querer ser padre, mas há testemunhos de que ele teria dito preferir ser leigo para poder estar mais perto de realidades que ferem a dignidade da pessoa humana.

Era conhecedor da cultura clássica, com destaque para a Divina Comédia, de Dante Aleghieri. A sua experiência de fé possui fundamentos  bíblicos (Novo Testamento) e leituras de Santo Agostinho e Santa Catarina de Sena. Amava esportes e alpinismo. Estava prestes a tornar-se engenheiro na área da mineração quando faleceu. Esta escolha ele o fez para poder estar mais perto de uma das classe trabalhadoras mais sofrida na sua realidade.

A sua família era abastada. Seu pai foi fundador de um dos jornais mais fortes da Itália, em Turim, “La Stampa”. Pier Giorgio diante dos acontecimentos sociais do seu tempo, sempre buscou ler os fatos através do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja (lembremos que fazia poucos anos que Leão XIII havia escrito a Rerum Novarum). Esta leitura se torna concreta nele diante do forte avanço da industrialização em Turim, do flagelo da gripe espanhola, dos horrores da I Guerra mundial e do avanço do fascismo na Itália. Para estar mais engajado politicamente inscreveu-se no Partido Popular e se desliga de uma organização universitária onde estava inscrito, por discordar dela devido a condescendência, da mesma, com as ideias fascistas.

Dois santos propostos como exemplos e intercessores para a Igreja e, de modo especial, para juventude. A nossa juventude está sendo “bombardeada” por tantas  ideias através das novas tecnologias e por tantas ideologias de polarizações sociais e políticas. A grande tentação é alienar-se ou tomar  “partido” buscando refúgio onde se encontra mais seguranças humanas.

Dois jovens – cada um no seu tempo – souberam encontrar caminhos dentro de uma vida eclesial comprometida espiritual, intelectual e socialmente.

Dois jovens que são colocados como padroeiros do nosso VIVA A VIDA, que chega à sua 20ª edição, no mesmo dia da canonização de ambos.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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Artigos Editorial

A esperança que não decepciona é comprovada através da Ação da Igreja no Mundo

Caríssimos irmãos e irmãs, cultivadores da Palavra de Deus, a esperança não decepciona! Esse é o tema da edição de setembro, mês da Bíblia, mês da Palavra de Deus:

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tivemos acesso, pela fé, a graça na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não é só.  Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança a virtude comprovada, a vitude comprovada a esperança. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,1-5).

Os eventos e artigos em destaque nesta edição, confirmam a eficácia da Palavra de Deus através da Igreja que tem por missão alimentar a esperança ao longo da história.

Esperança de alcançar a santidade, como notamos no artigo de Dom Edmilson, quando nos convida a refletir sobre a canonização de dois jovens realizada na solene liturgia do dia sete de setembro de dois mil e vinte cinco na praça de São Pedro. Esperança de que o serviço da Igreja como promoção do Reino de Deus aqui e agora, contribui com a promoção integral da pessoa humana na sociedade, assim ressaltou a comenda de homenagem da Universidade Guarulhos (UNG) a Dom Edmilson Amador Caetano, como bispo na cidade de Guarulhos.

Esperança de que a juventude é o futuro, e o melhor futuro, e não uma decepção, não um futuro de nem nem, mas jovens comprometidos com verdadeiras ações transformadoras através de uma vocação consciente e realizada, é o que confirmou o evento do vigésimo Viva a Vida com a presença significativa de jovens acolhidos e animados pelos representantes das diversas vocações a serviço da juventude reunida no Centro Diocesano de Pastoral. Um dia incrível de evangelização e experiência profunda da sinodalidade que é a unidade na diversidade. Esperança alimentada pelas pastorais e organismos sociais da Igreja que, em todo o Brasil, gritaram forte como peregrinos de esperança: A vida está em primeiro lugar e devemos cuidar da casa comum e da democracia como luta de todo dia na sociedade.

Como podemos perceber, os sinais de esperança são inúmeros, porém é importante ter consciência de que nem todos estão dispostos a promoverem a esperança e acabam promovendo desesperança, dor e sofrimento diante de algumas situações inesperadas ao longo da vida, por isso o psicólogo Romildo faz um alerta em seu artigo: É preciso aprender a perder, porque os fracassos fazem parte da vida e isso nos testemunha os santos que na terra passaram por momentos de fracassos, mas que não os impediram de alcançar o céu e se tornarem nossos intercessores nos momentos mais difíceis junto a Deus Pai, o Todo-Poderoso, para que não percamos a esperança, que nunca nos decepciona.

Não esqueça que a revista diocesana é uma fonte de esperança, por isso leia com atenção e compartilhe, e quando desejar nos envie por e-mail sua opinião e experiência de fazer parte deste maravilhoso veículo de comunicação diocesana. Que a Senhora Aparecida, Rainha e padroeira do Brasil confirme nossa esperança através da 11ª Romaria Diocesana.

Pe. Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos Destaques Diocese Forania Rosário

Forania Rosário realiza Peregrinação Jubilar ao Santuário Bom Jesus da Cabeça

No dia 02 de agosto, no Santuário Bom Jesus da Cabeça, aconteceu a Peregrinação Jubilar dos membros dos CPPs das Paróquias da Forania Rosário.

Contamos com a presença de sacerdotes, diácono, religiosas e o povo de Deus que fez sua visita à Igreja Jubilar para celebrar, refletir e vivenciar esse Ano Santo da Esperança.

Confira alguns registros:

Peregrinação Jubilar - Forania Rosário
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Artigos Falando da Vida

Será que eu tenho TDAH?

Por que tantas pessoas acham que têm um Transtorno?

Em meio a tantas informações na Internet a respeito de saúde mental, principalmente de TDAH, é bem provável que a maioria dos leitores cheguem a uma conclusão precipitada a respeito do tema. O mesmo ocorre com outras queixas na área da Psicologia como Depressão, Ansiedade, Bipolaridade e até o Transtorno do Espectro Autista. Basta ler sobre os sintomas, responder a um questionário e chegamos à conclusão que temos tal Transtorno. Afinal, como saber se é um caso real que precisa de um tratamento clínico ou trata-se apenas de características normais da nossa personalidade?

A principal diferença está no nível de sofrimento que o distúrbio causa em nossa vida. Os Transtornos de personalidade são disfunções que envolvem padrões persistentes e generalizados no modo de pensar, perceber e reagir. Eles causam sofrimento significativo à pessoa e prejudicam sua capacidade funcional. O TDAH, por exemplo, (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), começa na infância e pode acompanhar o indivíduo em toda a sua trajetória de vida, comprometendo sua carreira profissional e relacionamentos sócio afetivos. É caracterizado por perda de foco, inquietação, impaciência, oscilações de humor, etc.

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, o TDAH atinge entre 5% a 8% da população mundial e o seu diagnóstico não é simples. Infelizmente, não existe um exame técnico incontestável para a identificação de quaisquer transtornos mentais; os diagnósticos são feitos através da descrição do paciente e da aplicação de testes psicológicos cujos resultados não são conclusivos. O grande número de pessoas que, ultimamente, afirmam ter TDAH, Autismo ou outros Transtornos, pode ser devido às campanhas como janeiro branco e setembro amarelo que trazem conscientização e informações sobre saúde mental.

Por outro lado, a vida agitada que levamos com trânsito caótico, insegurança, preocupações, leva a nossa mente a funcionar no modo automático a fim de se adaptar ao excesso de demandas. A perda de foco, procrastinação e inquietação, são muito mais consequências dessa mente sobrecarregada, do que TDAH ou outros Transtornos. Remédios não vão devolver o foco, é preciso tomar consciência da natureza da nossa mente e reduzir o stress da vida moderna. Eu mesmo, tentando encontrar uma conclusão para esse artigo, me deparei com a dificuldade de manter o foco e fiquei improdutivo por longo tempo. Então, percebi que era hora de parar e relaxar. É exatamente isso que precisamos fazer, dar uma parada, respirar e tomar consciência de que somos seres humanos, não máquinas.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

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Artigos Vocação e Seminário

Celebremos 20 anos de esperança nas vocações!

Neste Ano Jubilar, o Viva a Viva celebra 20 anos de realização em nossa Diocese. Da ideia à celebração! O Viva a Vida é o grande evento celebrativo da Diocese, que reúne vocações, carismas e diversas dimensões da juventude de nossas comunidades. De um começo modesto, hoje o Viva a Vida convoca em todo o seu dia de evento as mais inúmeras expressões vocacionais presentes em Guarulhos, em um espaço que passam centenas de pessoas, incluindo jovens à procura de respostas sobre suas inquietações pessoais.

Acredito que cada pessoa em nossa Diocese tem uma história com o Viva a Vida: seja servindo nos stands, nas feiras vocacionais, nas dinâmicas de um palco sempre presente em todas as edições, seja pela Santa Missa como o ápice celebrativo de todo o evento. Mesmo não sendo jovem ao longo destas duas décadas de existência, todo diocesano de Guarulhos tem uma boa lembrança marcada no Viva a Vida.

O lema que foi escolhido para o Viva a Vida deste ano é também celebrativo: “20 anos de esperança na vocação”. Além de marcar o tempo da caminhada na vida da Igreja em Guarulhos, o lema lembra-nos a importância do Viva a Vida: ter sempre esperança na vocação! Em consonância com o ano jubilar, a esperança sempre moveu – e moverá – a organização, articulação e participação no/do Viva a Vida a cada ano.

Jesus nos Evangelhos pede-nos que peçamos para o Senhor da messe para que envie mais operários para a messe (cf. Mt 9,37; Lc 10,2). O Viva a Vida é o resultado para essa esperança de Deus no seu convite a tantos jovens para responder concretamente ao seu chamado. Quantas pessoas em nossos eventos, ao longo desses 20 anos, não descobriram a sua vocação ou foram impactadas a “avançar para águas mais profundas e lançar as suas redes” (cf. Lc 5,4) onde o Senhor propõe…

A animação vocacional é parte essencial de todas a pastoral. Sendo assim, cada fiel de nossas paróquias, comunidades e movimentos são convidados a participarem do Viva a Vida. Não é somente um evento para a juventude, mas nele reúnem-se todas as expressões vocacionas de nossa Diocese – seja ela sacerdotal, religiosa, consagrada, familiar ou leiga. Se a vocação é um dom para todas as pessoas, então o Viva a Vida é um evento para toda a nossa Diocese.

Celebrar os 20 anos do Viva a Vida torna-se, de fato, um louvor, uma ação de graças a Deus por tudo o que foi vivido, construído e discernido ao longo dessas duas décadas. Ter esperança na vocação, ter esperança no Viva a Vida é realizar a vontade de Deus em fazer-se ouvir nos corações humanos o apelo para a santidade em cada vocação específica em nossa Diocese. Louvemos a Deus por tanto bem realizado nos 20 anos de Viva a Vida. Que os beatos Carlos Acutis e Pier Giorgio Frassati – que providencialmente serão canonizados no dia do Viva a Vida deste ano – possam interceder pela juventude da Diocese de Guarulhos e serem modelos para todos aqueles que se inflama no coração a esperança da vocação.

 

Padre Edson Vitor

Coord. Serviço de Animação Vocacional de Guarulhos

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Artigos Vida Presbiteral

Mês Vocacional traz apelos à escuta, discernimento e compromisso com o chamado de Deus

Neste mês de agosto de 2025, a Igreja no Brasil celebra o Mês Vocacional em sintonia com o Ano Jubilar. Trata-se de um tempo especial para a escuta de Deus, o discernimento pessoal e a renovação do compromisso com a vocação recebida. O tema deste ano — “Peregrinos porque chamados” — inspira-se na caminhada de fé do cristão, que vive em constante busca e resposta ao chamado de Deus. O lema, retirado da Carta de São Paulo aos Romanos, “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5), recorda que toda vocação nasce do amor gratuito de Deus e se sustenta na esperança ativa.

Em artigo publicado neste contexto, o arcebispo de Natal (RN), dom João Santos Cardoso, destaca que a vocação é dom e resposta, enraizada na fé e sustentada pela esperança.

“A vocação amadurece através do compromisso quotidiano de fidelidade ao Evangelho, na oração, no discernimento e no serviço”, afirma o arcebispo, ao recordar a mensagem do Papa Francisco para o 62º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, na qual o Pontífice sublinha que “toda vocação é animada pela esperança, que se traduz em confiança na Providência”.

Dom João chama atenção especialmente para a vocação sacerdotal, que considera essencial para a vida e missão da Igreja. Segundo ele, o sacerdote é chamado a ser alter Christus, presença sacramental de Cristo no meio do povo, responsável por presidir os sacramentos, anunciar a Palavra e conduzir o povo de Deus com esperança e compaixão.

“A vocação sacerdotal é belíssima, embora exigente”, diz ele, ao reforçar que a Igreja deve investir numa pastoral vocacional acolhedora e perseverante, especialmente junto aos jovens que enfrentam incertezas e crises de sentido.

Também refletindo sobre o Mês Vocacional, o arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa, enfatiza que todas as formas de serviço na Igreja devem ser compreendidas como verdadeiras vocações.

“É vocação o matrimônio, o sacerdócio, a vida religiosa e missionária, a consagração nas novas comunidades e o Ministério das Virgens. É preciso que as famílias reconheçam e acolham o chamado como dom”, defende o arcebispo.

Para dom Alberto, promover uma cultura vocacional passa pelo testemunho das comunidades, pela vivência litúrgica bem celebrada e pelo acolhimento nas paróquias.

“Uma pessoa bem acolhida acaba se envolvendo, descobrindo seus dons e colocando-os a serviço”, afirma. Ele também destaca a importância de chamar diretamente os jovens para a missão, como incentivou São João Paulo II: “As vocações existem. O que falta é trato e carinho”.

Os dois arcebispos reforçam a necessidade de cultivar a oração como base da cultura vocacional. Citando o Evangelho de Mateus, dom Alberto conclui: “Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para sua colheita!”.

O Mês Vocacional de 2025 é, assim, uma oportunidade privilegiada para toda a Igreja no Brasil renovar sua disposição em ser terra fértil para as vocações, reconhecendo que cada batizado é chamado a ser sinal de esperança no mundo.

Fonte: CNBB

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Artigos Enfoque Pastoral

Hora da Família 2025 – É tempo de Júbilo

O subsídio Hora da Família 2025 é preparado pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) para a celebração da Semana Nacional da Família, no mês de agosto, e vem acompanhado com as celebrações da Semana Nacional da Vida, realizada em outubro.

Neste ano, a iniciativa está em sintonia com a celebração do Ano Jubilar com o tema: “É tempo de Júbilo em nossa vida”, com o lema “Ora a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5)”. A Semana Nacional da Família em 2025 será celebrada nas paróquias e dioceses de todo o país entre os dias 10 e 16 de agosto.

“Somos chamados a ser sinais papáveis de esperança para muitos irmãos e irmãs que vivem em condições de dificuldades. A família vive momentos de grande turbulência”, ressalta o bispo de Ponta Grossa e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Bruno Elizeu Versari.

“Penso nos jovens que desejam constituir família como um caminho de santidade; enfrentam muitos ventos contrários. Penso nos casais dos primeiros anos de vida matrimonial que ainda estão se conhecendo; o amor exige passos seguros e decisivos. Penso nos casais que se dedicam para a família e já completam seu jubileu. Deus seja louvado. Foi Deus que nos conduziu até aqui. Penso nas famílias que vivem uma nova união; muitos são os sofrimentos por decisões precipitadas. Penso nas famílias que tem dificuldade na educação dos filhos devido à interferência de terceiros que não são bem-intencionados. Inúmeras são as situações que permeiam a realidade das famílias”, enumera o bispo.

O casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Alisson e Solange Schila, convida a viver este momento intensamente reunidos em família. “É um subsídio que já entrou na casa de milhares de famílias pelo Brasil. Deixe que ele entre na sua e ajude através da vivência da palavra e dos testemunhos possa transformar nossas vidas”, motiva o casal.

A Semana Nacional da Família ocorre no Mês Vocacional, em agosto, e tem início no segundo domingo, dia 10. Para a celebração, são oferecidos oito encontros: um para cada dia da semana e um roteiro para o Dia dos Pais. Confira:

  • CELEBRAÇÃO DO DIA DOS PAIS

1º Encontro – É TEMPO DE JÚBILO EM NOSSA VIDA

2º Encontro – JÚBILO NA VIDA

3º Encontro – JÚBILO NA COMUNIDADE

4º Encontro – JÚBILO NO MATRIMÔNIO!

5º Encontro – JUBILEU NA IGREJA

6º Encontro – JÚBILO NA VOCAÇÃO

7º Encontro – MARIA, MÃE DA ESPERANÇA, CAMINHA CONOSCO

Fonte: Portal Vida e Família

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Artigos Voz do Pastor

As peregrinações do Ano Santo: expressão do ser Peregrino de Esperança

Em maio de 2024 o Papa Francisco publicou a Bula de convocação do Ano Santo Jubilar de 2025. No refletir sobre ela e apresentá-la à diocese, veio em meu coração o desejo de fazer a Peregrinação a Roma. Pela minha idade é bem possível que seja o último Ano Santo Jubilar em que possa fazer esta peregrinação. Uma vez visto na programação que haveria uma data específica para o Jubileu dos bispos, preparei-me na agenda, no espírito e economicamente para esta viagem. Com alegria, então, pude estar em Roma nos dias 23 a 30 junho.

O Papa Leão XIV ao saudar os bispos no dia do Jubileu dos Bispos, disse-nos: “Aprecio e admiro o vosso empenho em vir como peregrinos a Roma, sabendo muito bem quão prementes são as exigências do ministério. Mas cada um de vós, como eu, antes de ser pastor, é ovelha do rebanho do Senhor!…somos os primeiros a serem convidados a atravessar a Porta Santa, símbolo de Cristo Salvador. Para guiar a Igreja confiada a nossos cuidados, devemos deixar-nos renovar profundamente por Ele, o Bom Pastor, para nos conformarmos plenamente ao Seu coração e ao Seu mistério de amor.” Estas palavras tocaram-me de modo especial, pois exprimiam todo o sentido de estar ali, naquele momento e naqueles dias. Foi exatamente com este espírito que passei pelas Portas Santas das quatro Basílicas papais de Roma.

Quero, pois, partilhar com os meus diocesanos algumas experiências destes dias de peregrinação.

            Já. na segunda-feira, dia 23 de junho, após breve repouso da viagem, peregrinei a duas Igrejas jubilares de Roma. A primeira foi a Basílica de São João do Latrão, catedral do Papa e considerada mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo. Lá, primeiramente, participei do Sacramento da misericórdia de Deus para os pecadores. Ali, nas orações próprias para lucrar as indulgências, rezei pela caminhada sinodal da nossa diocese, pelos passos corajosos que pastoralmente somos chamados a dar. Não pude deixar de colocar nas minhas orações a comunhão do presbitério e a comunhão do bispo com o presbitério. Rezei pela minha conversão pessoal e pastoral. De lá dirigi-me à Basílica de Santa Cruz in Gerusalemme, cujo inícios remontam ao século IV e que, desde então, custodiam as relíquias da Cruz de Cristo, trazidas desde a Terra Santa por Santa Helena. Os monges cistercienses, da minha Congregação, foram responsáveis por esta Basílica até 2010, por quase 500 anos. Ali residi por 02 anos e meio, durante meus estudos em Roma e também fui vigário paroquial. Ao rezar diante das relíquias da Cruz, não pude deixar de pensar nos tantos rostos sofredores dos irmãos e irmãs de nossa diocese. Jesus, o homem das dores, conhecedor de todas as misérias, se faz presente no rosto dos pobres e sofredores. Como o meu, o nosso coração, precisa se abrir à grandeza do mistério da Cruz, para amarmos na dimensão da Cruz e tomar cada dia a nossa cruz.

Dia 24 de junho, terça-feira, foi o dia de ir à periferia de Roma: Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor. Neste lugar pedi especialmente pelos movimentos marianos da nossa diocese: Terço dos homens, Mães que oram pelos filhos, Movimento Sacerdotal Mariano, Consagração a Nossa Senhora, terço das mulheres e tantas outras expressões marianas que temos. A última igreja onde peregrinei neste dia foi a Basílica de Santa Maria Maior. Ali, juntamente com outros peregrinos presentes, pude rezar o santo terço, pedindo a todos nós, a exemplo da Virgem Maria, a obediência da fé. Esta Basílica papal, tem recebido peregrinos (e turistas também) de modo excepcional neste Ano Jubilar, pois nela se encontra sepultado o saudoso Papa Francisco. Impressionante a fila que se forma para passar diante do local onde o seu corpo está sepultado. Neste dia, também, entre a minha ida ao Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor e a Basílica de Santa Maria Maior, peregrinei também à Basílica de São Lourenço al Verano, local do martírio do Diácono São Lourenço. Logicamente, aí, detive-me em oração pela nossa Escola Diaconal São Lourenço e pelos diáconos permanentes da nossa diocese e suas famílias.

Dia 25 de junho foi o dia do Jubileu dos Bispos. Acredito que éramos mais de 800 bispos em peregrinação. Todos nós, já paramentados para a celebração da Eucaristia, adentramos à Basílica de São Pedro, passando pela Porta Santa. A Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Ouellet, Prefeito emérito do Dicastério para os bispos, pois o Papa estava na audiência geral com o povo na Praça de São Pedro. Após a celebração da Eucaristia o Papa Leão XIV veio encontrar-nos no altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro. A maneira como nos saudou já disse acima. A sua audiência para nós foi uma verdadeira catequese, pois exortou-nos a ser peregrinos de esperança para vivermos o dom profético que somos chamados a exercer, sendo construtores da unidade, como homens de fé, esperança e caridade pastoral. Exortou-nos ainda em cultivar virtudes humanas indispensáveis para a nossa missão: prudência pastoral, pobreza evangélica e a continência perfeita no celibato por causa do Reino dos Céus. As palavras do Papa Leão foram encorajadoras para mim, pois ser profeta se torna mesmo, cada vez mais, nadar contra a corrente No final da audiência, foi muito significativo, juntamente com Pedro (o Papa) e junto ao túmulo de Pedro cantarmos a profissão da fé, o Creio.

Quinta-feira, 26 de junho, foi o dia de peregrinar à Basílica de São Paulo Fora dos Muros. Neste lugar onde está sepultado o Apóstolo Paulo, coloquei intenções especiais pelo nosso COMIDI, mas também por todas as pastorais e movimentos da nossa diocese para que tenhamos uma verdadeira e corajosa conversão missionária. Coloquei nas orações os padres que estão servindo em outras dioceses e também os nossos dois missionários ad gentes, Pe. Salvador, Helena e a família em missão do Caminho Neocatecumenal, Ariel, Daniela e seus seis filhos.

Na noite deste dia foi celebrada uma vigília vocacional na Basílica de São Pedro. O testemunho de um seminarista nigeriano, estudante em Roma, tocou a todos, pois sofreu perseguição por causa da fé, junto com alguns outros companheiros de seminário na Nigéria. Eles foram ridicularizados pelos seus sequestradores e um dos seus companheiros de seminário foi cruelmente assassinado por ter falado sobre a fé cristã e ter ensinado o Pai Nosso a um dos carcereiros. Pensei em nossos seminaristas que devem sempre se preparar nestes momentos de formação para que estejam sempre preparados para dar a razão da própria fé. Esta vigília preparava a solene ordenação presbiteral que foi realizada no dia seguinte, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, presidida pelo Papa Leão XIV.

No sábado, dia 28 de junho, juntamente com o nosso seminarista Sebastião, peregrinamos à Basílica de São Sebastião ad catacumbas, local também de peregrinação jubilar. Rezando na basílica e visitando as catacumbas, coloquei nas minhas intenções todos que oferecem suas vidas pela evangelização em nossa diocese. Não deixei de colocar nas minhas intenções todos que, por pertencerem à Igreja e evangelizarem, são perseguidos, muitos começando a partir das próprias famílias.

Domingo dia 29 de junho, solenidade do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, tive a alegria de poder concelebrar com o Papa Leão. Nesta celebração, o Santo Padre impôs o pálio a 54 novos arcebispos. A grande experiência mística nesta celebração, foi poder atualizar na minha vida o dom da unidade e comunhão na Igreja. De fato, o Santo Padre, em sua homilia sublinhou que, apesar dos conflitos na obra evangelizadora, Pedro e Paulo, viveram a comunhão eclesial e a vitalidade da fé. “Caríssimos, a história de Pedro e Paulo ensina-nos que a comunhão a que o Senhor nos chama é uma harmonia de vozes e rostos, e não apaga a liberdade de cada um. Os nossos Padroeiros percorreram caminhos diferentes, tiveram ideias diferentes, por vezes confrontaram-se e discordaram com franqueza evangélica. Mas isso não os impediu de viver a concordia apostolorum, ou seja, uma viva comunhão no Espírito, uma sintonia fecunda na diversidade. Como afirma Santo Agostinho, «temos um só dia para as Paixões dos dois Apóstolos. Eles eram dois e formavam um só ser. Embora tivessem sofrido em dias diferentes, eles formavam um só ser» (Sermão 295, 7.7).”

Dia 30 de junho: dia de retornar a Guarulhos com o coração agradecido. Esta ação de graças pude exprimir num longo momento de oração na igreja paroquial Nossa Senhora de Loreto (que também é igreja jubilar). Esta igreja paroquial fica dentro do Aeroporto Internacional de Roma, em Fiumicino.

Ainda que seja difícil a todos irem a Roma, temos os lugares de peregrinação em nossa diocese. Espero que esta minha experiência possa animar os irmãos e irmãs, que ainda não fizeram sua peregrinação jubilar que o façam. Recordando nossas igrejas jubilares: Catedral Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, Santuário Nossa Senhora do Bonsucesso, Santuário Bom Jesus da Cabeça, Santuário São Judas Tadeu e paróquia Santa Terezinha. A nossa Romaria diocesana deste ano, dia 20 de setembro, também será a nossa peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, também igreja jubilar.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano