SÃO PAULO - BRASIL

“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

SÃO PAULO - BRASIL

"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 8

“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

            Ainda desta vez vamos continuar refletindo sobre as situações que ainda desafiam a evangelização em nossa diocese, seguindo o indicado nas DGAE 27: frágil sintonia com as orientações da CNBB e a resistência ao Concílio Vaticano II; os limites do diálogo com os jovens e adolescentes; a pouca interlocução com os pobres como sujeitos da evangelização.

            Existe uma mentalidade em alguns fiéis da nossa Igreja – e isso também acontece em Guarulhos- de que a CNBB tem uma opção político-partidária e age desta maneira nas diretrizes pastorais no Brasil. Isso faz com que – às vezes – alguns irmãos e irmãs propaguem esta mentalidade de fragilizar o escutar a Conferência Espicopal. É sempre dificultoso até mesmo fazer despertar o interesse pelas DGAE, como está acontecendo agora neste momento de escuta em nossa diocese. Alinhado a esta mentalidade aparece – ainda que sem fundamento teológico – a resistência ao Concílio Vaticano II. Graças a Deus, o interesse na participação na última Semana Diocesana de Formação, lança como que uma luz, pois o Catecismo da Igreja Católica é fruto do Concílio Vaticano II. Estamos na região metropolitana e alguns se interessam – não somente pela celebração da Eucaristia no rito antigo – mas alinham-se com as ideias de distorção dos documentos do Vaticano II e, pior, aceitam as opiniões sedevacantistas. Deixam de participar das celebrações e instruções em nossas paróquias para irem em outros lugares participar de associações contrárias à fé da Igreja una, santa, católica e apostólica.

No início de 2020 tivemos a alegria – a partir da Exortação Apostólica pós sinodal Christus Vivit, do Papa Francisco -de realizar uma Assembleia Diocesana de Pastoral especialmente voltada para a Pastoral Juvenil. Infelizmente, a pandemia Covid 19, impossibilitou-nos de levar adiante as prioridades escolhidas. Depois de 02 anos ou de 06 anos, como agora, muitas coisas precisam ser revistas, pois os jovens de 06 anos atrás, na sua maioria, não são mais jovens. Os jovens estão presentes em nossas paróquias. São atuantes. Em muitas situações não se sentem ou não são considerados como protagonistas da evangelização. Muitas comunidades têm dificuldades em aceitar a diversidade das expressões juvenis que hoje aparecem. Dificulta também termos um Setor Juventude diocesano que ajuda neste diálogo com os jovens. O diálogo com os adolescentes também apresenta dificuldades. Progredimos na catequese, mas o pós Crisma ainda não encontrou um eixo de coesão dos adolescentes na comunidade.

O Papa Leão XIV admiravelmente brindou-nos com a “Dilexi te”, uma Exortação Apostólica que fala-nos sobre o amor para com os pobres. O importante é compreender que não se trata simplesmente de uma obra social ou promoção humana para a Igreja. Para além disso, é preciso ter presente que a evangélica opção preferencial pelos pobres, é instrumento de evangelização, a partir dos pobres e com os pobres. Temos várias pastorais sociais na diocese que trabalham com os pobres e também com situações de pobreza existencial. Entretanto, falta-nos ainda ter uma maior interlocução com os pobres como sujeitos da evangelização. Eu também preciso passar por esta conversão evangelizadora e encontrar caminhos pastorais. A propósito as DGAE, no caminho para a missão “Serviço à vida plena para todos”(134-160), especifica a evangélica opção preferencial pelos pobres (136-147) e no número 147 dá-nos preciosas indicações pastorais.

Que as nossas comunidades prossigam animadas na escuta recíproca em bendizer a Deus pelos sinais pastorais de esperança e identificar as situações que desafiam ainda a evangelização. Este será o material para o instrumento de trabalho da Assembleia Eclesial Diocesana de 2027.


 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 7

“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

As DGAE 2026-2032 são o instrumento principal no Brasil para a Implementação do Sínodo. A reflexão que pode ser haurida a partir delas servirá para criar uma espécie de “instrumento de trabalho” para a nossa Assembleia Eclesial Diocesana que deveremos realizar no primeiro semestre de 2027. No mês passado propus a reflexão dos sinais de esperança que devem marcar nossa caminhada e experiência de um Deus que caminha conosco. Agora, haurindo das mesmas DGAE, temos que corajosamente  refletir sobre situações que ainda desafiam a evangelização. A “tenda peregrina” da diocese de Guarulhos possui e possui muitas situações que nos desafiam na evangelização. As DGAE a partir do número 27 apresentam tantas das situações que persistem desafiando a evangelização.  Proponho aqui para reflexão algumas situações que, creio, sejam mais candentes em nossa diocese.

É patente ouvir nas paróquias a realidade do enfraquecimento do sentido comunitário, pois tal compromisso implica numa atitude de pertença e responsabilidade com a ação evangelizadora de uma comunidade. Eu mesmo já ouvi pessoas dizerem que são “diocesanas”, pois participam da Eucaristia, novenas, cercos de Jericó e outras celebrações em toda a diocese, mas não têm disposição e tempo de assumirem compromisso com uma comunidade concreta. Outras vão atrás de onde está este ou aquele padre. Assim, temos agentes de pastorais em nossas comunidades sobrecarregados no servir. Além disso, temos as pessoas que – ao menos isso – participam da Eucaristia em suas comunidades, mas não querem saber de envolvimento com a comunidade. Isso também reflete numa outra situação desafiadora para a comunidade que é o ser Igreja em estado permanente de missão. Aqui, em muitos locais, temos um retrocesso, pois esta proposta foi impulsionada pela Conferência de Aparecida em 2007.

É doloroso, mas é verdade, que o contratestemunho de membros da comunidade, inclusive consagrados e ministros ordenados, tem afastado pessoas, de modo especial os irmãos e irmãs mais fracos na fé. Em muitas destas situações aparece o clericalismo, tanto por parte dos ministros ordenados, como por parte dos cristãos leigos e leigas. No entanto, é preciso maturidade para compreender que todos somos pecadores em processo de conversão. O centro da comunidade deve ser o Cristo. As pessoas passam, mas o Cristo é para sempre. Na comunidade sempre podemos encontrar a graça da Palavra e dos Sacramentos. Esta situação causa outro desafio: o enfraquecimento da vida fraterna e da comunhão, pois gera divisões na comunidade.

Os leigos e leigas, por vocação própria, são chamados a serem o fermento do Reino na sociedade.

“A missão própria dos cristãos leigos e leigas os envia a atuar de modo transformador nos muitos espaços onde a vida acontece: na família, no trabalho e na economia; na cultura e educação; nas artes e ciências; na política e comunicação…(DGAE 72).

Acrescentemos aqui a participação política, não somente aquela partidária, mas aquela em que há envolvimento nas políticas públicas. Vemos em nossas comunidades a diminuição de agentes de pastoral junto às pastorais sociais e, assim, mesmo dentro das comunidades assistimos ao frágil protagonismo de parte dos cristãos leigos e leigas.

Ainda no próximo mês vou retomar esta temática. Ainda que o número de desafios seja maior que os sinais de esperança, a Esperança é sempre maior, pois “ela não decepciona”.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo Diocesano de Guarulhos

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 6

As DGAE 2026-2032 são o instrumento principal no Brasil para a Implementação do Sínodo. A reflexão que pode ser haurida a partir delas servirá para criar uma espécie de “instrumento de trabalho” para a nossa Assembleia Eclesial Diocesana que deveremos realizar no primeiro semestre de 2027.

            “Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

Com estas palavras se abre o capítulo segundo das Diretrizes. Este capítulo é fundamental para o discernimento no encaminhamento da missão. Primeiramente são elencados (19-26) os sinais de esperança em geral na Igreja no Brasil, que também se fazem presentes em nossa diocese.

A força da Palavra e da Eucaristia se faz presente de modo especial em nossas comunidades que se reúnem para a celebração do domingo, dia do Senhor. O Senhor tem nos agraciado com um número crescente de ordenações presbiterais, possibilitando a celebração eucarística dominical em grande parte das nossas comunidades. Onde não é possível isso semanalmente, temos a celebração da Palavra. E, com relação à Palavra de Deus, tem crescido também o número dos grupos de reflexão que semanalmente se reúnem para a Leitura Orante da Palavra de Deus, além da reflexão da Palavra de Deus estar presente de maneira central em todos os encontros de programação pastoral. Em algumas comunidades existe a celebração da Palavra durante os dias de semana. Todos os nossos encontros catequéticos para crianças, jovens e adultos partem de alguma forma da Leitura Orante da Palavra de Deus. Nos últimos dois anos nossa Semana Diocesana de Formação versou sobre o tema da centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja.

A força da Palavra na pregação catequética tem dado seus frutos em nossa catequese de Iniciação à vida cristã  de inspiração catecumenal, com catequistas que se aprimoram na formação e catequizandos aproximando-se dos Sacramentos com maior consciência e inserção na vida pastoral das comunidades. Merece destaque o crescimento de participantes na catequese para adultos. Na Páscoa deste ano foram batizados em nossas comunidades mais de 500 catecúmenos.

Evidentemente todo este ardor catequético, não somente para os Sacramentos, mas na evangelização em geral, através de tantos carismas de evangelização presentes na diocese, deve-se ao protagonismo dos leigos e leigas. Há 09 anos temos na diocese o CNLB Guarulhos, Organismo Eclesial, que tem trabalhado especificamente na conscientização da vocação laical, como vocação específica e autônoma na vida da Igreja.

A piedade popular nas suas mais diversas manifestações não deixam de estar presentes em nossas comunidades e grupos de reflexão. Tem sido ao longo dos anos de grande valor, levando a uma participação mais consciente na vivência dos valores do Reino de Deus e participação na Liturgia. O Ano Santo de 2025, com as peregrinações aos três santuários diocesanos (Bonsucesso, Bom Jesus da Cabeça, São Judas) ajudou na espiritualidade de sermos Igreja peregrina e em saída. Os Santuários têm se tornado cada vez mais um local de crescimento espiritual para os fiéis.

            As pastorais sociais – apesar das atuais deficiências – está enraizada na caminhada histórica das nossas comunidades. Não existe uma paróquia sequer em nossa diocese que não tenha ações concretas para vivência da dimensão sociotransformadora do Evangelho. Nossas comunidades não têm sido omissas em serem solidárias nas crises e tragédias. A Cáritas diocesana tem procurado realizar sua missão em algumas situações e está passando por uma reestruturação para melhor servir. Dentro ainda da dimensão sociotransformadora do Evangelho não podemos deixar de mencionar a existência de iniciativas e eventos presentes em nossa diocese que defendem a vida desde a sua concepção até o seu fim natural.

            Seguramente além destes tópicos citados pelas DGAE, cada comunidade poderá enxergar em sua caminhada, tantos outros sinais de esperança que testemunham a força de Deus e sua graça agindo em nós.

Entretanto, o mesmo capítulo segundo das DGAE, elencam  situações que persistem e continuam desafiando-nos na evangelização e transmissão  da fé, tanto no Brasil, como em nossa diocese. (cf DGAE 27-40).  Este é um assunto extenso e deve ser deixado para uma ulterior reflexão.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 5

No mês passado disse a respeito das DGAE como elemento fundamental para Implementação do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade.

A imagem que conduz todas as DGAE 2026-2032 é a imagem da TENDA DO ENCONTRO. Esta imagem não substitui a imagem da CASA com os quatro pilares das DGAE 2019-2023, mas amplia a dimensão missionária da ação evangelizadora das nossas comunidades eclesiais, pois esta imagem mostra mais nitidamente uma Igreja em movimento. “Esta tenda, sustentada pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade, é espaço de comunhão, participação e missão. Como o povo que a habita SAÍMOS rumo às periferias geográficas e existenciais.” (DGAE 2026-2032 n. 9) Importante, também é as estacas que sustentam a tenda. Não pode ser qualquer outro tipo de estaca.

Algumas imagens bíblicas adotadas nas DGAE podem ser inspiradoras para nossa compreensão e ação missionária.

A primeira é a imagem da tenda na experiência do povo de Israel no Êxodo. Estar na tenda significava ter proteção. Estar num espaço de acolhida, hospitalidade e lugar de reflexão sobre a aliança com Deus. Estar na tenda significava disponibilidade de colocar-se sempre a caminho, não de acordo com a própria vontade, mas em obediência à Palavra de Deus proclamada por Moisés e seguir para o destino seguinte, conforme à vontade do próprio Deus. “A flexibilidade ou mobilidade da tenda…indica a necessidade de atenção, discernimento, abertura e disponibilidade por parte do povo em seu caminhar por este mundo em constante mudança, respondendo aos sinais por meio dos quais o Senhor fala e indica novos passos.” (DGAE, 11) Alguns autores patrísticos compararam Maria como a tenda da reunião, pois ela foi coberta  pelo poder do “Altíssimo” e foi obediente em seguir pelos caminhos da vontade de Deus.

A segunda imagem foi aquela utilizada na fase continental do Sínodo: Is 54,2, “Alargue o espaço da tua tenda.”. Trata-se de um texto do dêutero Isaias, profeta que animava o povo a retornar para Jerusalém, reconstruí-la e viver sua missão. Não se tratava somente de retornar, reconstruir e continuar “a vidinha de sempre”. Tratava-se na realidade de continuar o projeto de Deus que era mais amplo e envolvia, ainda que em sombras, a missão de Jerusalém acolher todos os povos. Era preciso ter a consciência de não ser um povo voltado para dentro de si mesmo. Daí a necessidade de alargar o espaço da tenda. “Hoje, assumir, para a Igreja, a imagem de uma tenda disposta a alargar seus espaços é recordar a identidade do Povo de Deus peregrino, aberto à graça de Deus e sustentado pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade.” (DGAE, 12)

A terceira citação é a imagem, se bem que não se trata bem de uma imagem, mas do próprio cumprimento das promessas de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Este “habitou” tem como tradução literal “e armou a sua tenda”. Jesus é a morada de Deus junto à humanidade e assume a nossa humanidade como sua tenda. Na sombra de sua tenda Ele acolhe a nossa fragilidade marcada pelo pecado e caminha conosco, conduzindo-nos por caminhos de vida eterna. Ele conquistou-nos a vida eterna no sacrifício da Cruz, onde Ele mesmo foi sacerdote, altar e vítima; Sumo e eterno sacerdote, é o único Mediador da nossa salvação. Na Cruz, do seu lado aberto pela lança, nasce a Igreja, seu Corpo, que possui a missão de continuar no mundo a Sua Obra redentora. Ora, a Igreja, Corpo de Cristo, como o Cristo no seu corpo, é a tenda  “que alarga seus espaços ao propor a fé àqueles que não são batizados ou que se afastaram da Igreja, acolhendo-os enquanto os acompanha na esperança do encontro com Jesus Cristo. (DGAE, 14). Não somente se alarga nesta direção. Esta Igreja, que acontece e se torna presente nas comunidades eclesiais missionárias, deseja aproximar-se de todos aqueles que sofrem com o egoísmo, fruto do pecado, e causa de tantas mazelas sociais. Enfim, alargar-se rumo às periferias geográficas e sociais.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 4

Em nossa caminhada diocesana da Implementação do Sínodo dos Bispos 2021-2024, temos um elemento novo e enriquecedor: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE) 2026-2032. O Documento Final do Sínodo é assumido pelas DGAE com direcionamentos concretos para a realidade do Brasil. Os CFPs do mês de maio trataram em cada Forania sobre este assunto.

Os dois primeiros itens do Objetivo Geral  das DGAE permanecem inalterados em relação às DGAE anteriores, e não podiam ter outro enunciado: Evangelizar – Anunciando Jesus Cristo.

O terceiro item explicita a novidade destas DGAE: como Igreja Sinodal. A sinodalidade da Igreja está voltada para a missão. Não teria sentido se a orientação fosse outra. O espírito missionário já é revelado de modo novo no primeiro capítulo, onde a Igreja nos é apresentada como a  Tenda do Encontro. A tenda é fixada por cordas e estacas e assim permanece firme. Esta Tenda é firmada pelas estacas das virtudes teologais, dons infusos por  Deus, fé, esperança e caridade. A tenda tem sempre possibilidade de ser alargada, firmando-se nestas estacas, e ser lugar da acolhida, da hospitalidade, da comunhão com o Deus Uno e Trino. Por outro lado, por ser desmontável e peregrina, ela é imagem da Igreja em saída para ir em missão às várias periferias geográficas e existenciais. Somos peregrinos e trabalhamos na esperança do Reino de Deus. Nessa perspectiva, habitando a tenda da Igreja, buscamos o Eterno entre as coisas que passam, pois não temos aqui morada permanente (Hb 13,14).

A Igreja Sinodal, missionária, por sua vez não se move sem antes escutar os sinais dos tempos, sinais de esperança já presentes na habitação desta tenda e sem dar-se conta de situações persistentes que ainda atrapalham a missão da Igreja. O segundo capítulo das DGAE nos oferecem este panorama.

A Igreja sinodal tem um discernimento que lhe é peculiar e é também toda fonte da sua espiritualidade como, de modo especial, está no primeiro capítulo do Documento Final: Comunhão, Participação e Missão. E esta tríade sinodal é tratada no terceiro capítulo das DGAE que tem por título Discernimento para uma Igreja Sinodal. Entretanto, esta Igreja Sinodal exige conversões radicais do coração e do modo de ser para que seja bem vivenciada a tríade comunhão, participação e missão. As DGAE para tanto, num capítulo especial, o capítulo 6, assumem os capítulos 2,3 e 4 do Documento Final. A este capítulo é dado o título de Compromissos Sinodais e retomam  a conversão das relações, a conversão dos processos e a conversão dos vínculos. O discernimento para uma Igreja Sinodal é inexistente caso não existam estas três conversões.

Quem é esta Igreja Sinodal em missão? É o Povo de Deus em Missão. Este é o título do quarto capítulo das DGAE. Quando criança participei de um movimento infanto-juvenil chamado Juventude Cristã em Marcha que traduzia bem o pensamento da Igreja Povo de Deus, propagado pelo Concilio Vaticano II. Em alguns lugares até se dizia, Igreja, Povo de Deus em marcha. Este “marchar” é indicador do estar em movimento contínuo na missão. Este Povo de Deus é caracterizado pelos seus Organismos (de modo específico no Brasil) e pelas várias iniciativas e missões dentro de cada Organismo, a saber, CNLB (laicato), CNIS (Institutos seculares), CRB (religiosos), CND (Diáconos). CNP (presbíteros) CNBB (bispos).Os membros de cada um destes organismos da Igreja que é sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos (4º elemento do Objetivo Geral), vivem concretamente em comunidades de discípulos missionários (5º elemento do Objetivo Geral).

Alimentada pela Palavra e pelos Sacramentos, geradora de novos filhos na fé, reunida em comunidades vivas, celebrante dos mistérios da salvação e comprometida com a vida plena para todos, a Igreja expressa como abrigo (tenda) fecundo e sempre aberto. Sobre este argumento temos o quinto capítulo das DGAE: Caminhos da Missão. Os caminhos da missão são modos concretos de armar a tenda no hoje da história, não apenas ações, para que nela todos encontrem lugar, sentido e envio na missão. Um destes caminhos, incluído no serviço pleno à vida para todos, está o sexto item do Objetivo Geral: fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres.

            Toda a riqueza desta frutífera união do Documento Final do Sínodo e das DGAE, possui um limite. Nada é definitivo. Estamos a caminho. Provavelmente em 2032 teremos novas DGAE, pois como aponta o sétimo item do Objetivo Geral estamos a caminho da plenitude do Reino de Deus.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo Diocesano

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 3

O escopo de ser Igreja Sinodal é a missão da Igreja. Não uma missão que alimenta uma pastoral de conservação ou mera manutenção do que já estamos vivendo pastoralmente. Precisamos alargar a abrangência dos destinatários da missão.

            No último artigo lembrei que a primeira atitude importante no ser Igreja Sinodal é a escuta. Não se trata de escutar o outro simplesmente. Trata-se de escutar à luz da Palavra de Deus. Para escutar precisamos ter o “ouvido” do nosso coração purificado pela Palavra de Deus. Recordava da importância da Leitura Orante da Palavra de Deus. No entanto, para o contato com a Palavra, esta é apenas um instrumento. Os caminhos da missão devem ser iluminados primeiramente e antes de tudo pela Palavra. Que cada um possa refletir sobre o que está fazendo para educar o “ouvido” do coração à escuta da Palavra.

É preciso, sim, ter formação bíblica!  Tivemos dois anos de Escola Diocesana de Formação tratando da importância das Escrituras. Você participou? Há quase duas décadas temos a Escola da Palavra que teve início e continua a existir na Forania Aparecida e com tantas outras modalidades está presente nas outras foranias. Você já participou? A Escola Diocesana de Ministérios, no seu currículo, oferece também em sua grade o estudo dos vários livros das Escrituras. A formação da Escola Diocesana de Catequese, na formação dos catequistas tem ensinado a centralidade da Palavra como “material primeiro” de cada encontro catequético. A formação ajuda as lideranças das comunidades a formar equipes litúrgicas e de celebração mais enraizadas na Palavra. Ajuda também a preparar melhor os coordenadores de grupos de rua e reflexão, pois todos os nossos encontros devem partir da Palavra.

Apesar de já ter tocado no assunto anteriormente, mas vale recordar como a Leitura Orante da Palavra ajuda a interpretar a própria história à luz da fé e a discernir os caminhos da missão. Para tanto é preciso recolocar a centralidade da Palavra na vida da comunidade, não somente na preparação das celebrações mas, de modo especial, nas reuniões de decisões da comunidade. Você cultiva a Leitura Orante pessoal? Participa de momentos de Leitura Orante em sua comunidade? Celebra a Palavra?

Evidentemente não temos em nossa diocese todos os instrumentos para a formação no entendimento, escuta e oração com a Palavra de Deus. Que cada irmão e irmã veja o que está presente em sua comunidade e o que não está. Veja se estas formações diocesanas e os subsídios da Leitura Orante Palavra de Deus são divulgados em sua comunidade. Analise se existe uma formação centrada na Palavra de Deus para as equipes de liturgia e de celebração, ou se apenas se reúnem (quando não combinam somente por Whatsapp) para distribuírem tarefas. Os agentes de pastoral, de modo especial os das Pastorais Sociais, cuja ação pastoral tem como destinatário na maioria das vezes, os afastados e excluídos têm buscado formação bíblica e este contato orante com as Escrituras? Os pobres e excluídos têm, antes de qualquer coisa, o direito de receberem o anúncio da Palavra de Deus? Não somos simplesmente assistentes sociais ou uma ONG

A Palavra precisa ser anunciada. Em sua comunidade, por exemplo, existe o Ministério da Visitação que leva o anúncio da Palavra nas famílias, visitando-as periodicamente? Há uma preocupação em anunciar Jesus Cristo aos afastados?

Estamos em tempo de escuta para a implementação do Sínodo em nossa diocese. Caso tenha uma sugestão de como poderíamos melhorar a formação com subsídios e outros instrumentos, faça a caridade de se manifestar.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 2

Pode-se dizer que o elemento básico para a vivência de “Por um Igreja Sinodal  – Comunhão, Participação, Missão” é a ESCUTA. Foi assim que o Papa Francisco deu o “ponta pé inicial” lá em 2021, quando na fase diocesana determinou que as pessoas das comunidades, de outras comunidades cristãs e da sociedade fossem escutadas. Os capítulo II do Documento Final ao tratar da “conversão das relações” esclarece a necessidade de que todos, na variedade de carismas e ministérios existentes em nossas comunidades, como também as mais variadas situações de nosso mundo sejam escutadas. O Espírito Santo não deixa de falar em tudo e em todos. Nos processos da caminhada sinodal, para que se obtenha um verdadeiro discernimento eclesial, é preciso a ESCUTA. O Documento Final no capítulo III fala para tanto, da necessidade da conversão dos processos.

Será que na “conversão das relações”, bem como na “conversão dos processos” basta ter a paciência de ouvir os outros e a realidade e seguir um “método”?  Será suficiente um novo modo de proceder e a estratégia? É verdade,  o Espírito fala pela boca de nossos irmãos e irmãs de comunidade, bem como através da história e dos sinais do tempo. Basta a nossa inteligência para enxergar retamente todas estas coisas?

Não. Todas estas conversões necessitam de uma ESCUTA PRIMORDIAL, A ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS.

“A escuta da Palavra de Deus é o ponto de partida e o critério de todo o discernimento eclesial. De fato, as Sagradas Escrituras testemunham que Deus falou ao seu Povo, a ponto de nos dar, em Jesus, a plenitude de toda a Revelação (cf. DV 2), e indicam os lugares onde podemos ouvir a sua voz”  (Documento Final 83).

A própria compreensão da vivência “Por uma Igreja Sinodal” tem que ser iluminada pela Palavra de Deus. A escuta e iluminação da Palavra em nossas vidas nos leva à oração. Orar é entrar em comunhão com Deus e dispor-se a realizar a vontade de Deus. É adorar o Pai em espírito e verdade (cf. Jo 4,23).

Nenhum processo sinodal pode ter início sem a Leitura Orante da Palavra de Deus. Já temos mais de 10 anos que estamos tentando implantar esta prática na diocese de Guarulhos. Vários irmãos e irmãs têm experimentado a doçura deste encontro com a Palavra. Infelizmente, outros tantos irmãos desanimaram no caminho, outros sequer ousaram tentar começar. Temos uma equipe incansável e dedicada que todos os anos seguindo as temáticas que determino, rezam, estudam e se dedicam em preparar este “pão” da Palavra para os grupos de reflexão.

Neste ano a temática da Leitura Orante trata exatamente dos fundamentos bíblicos da espiritualidade sinodal. No mês de março a Equipe diocesana da Leitura Orante, encontrou-se com a coordenação dos grupos que estão fazendo esta caminhada para a motivação dos encontros.

A devoção e piedade popular que motivam as reuniões de nossos grupos de reflexão, são de grande importância. No entanto, mais importante é contato orante com a Palavra de Deus. Sem a Palavra de Deus nossa devoção e piedade correm o risco de ficarem vazias, desencarnadas da fé e missão da Igreja e, em alguns casos, podem ser alienantes.

A diocese está oferecendo este material. Aproveite. Deixe-se iluminar primeiramente pela Palavra de Deus nesta nossa caminhada sinodal.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano

Categorias
Artigos Destaques Voz do Pastor

Mensagem de Páscoa 2026 – Dom Edmilson Amador Caetano

“um grande tremor de terra…o anjo retirou a pedra e sentou-se nela…sua aparência era como um relâmpago…os guardas ficaram com tanto medo do anjo, que tremeram e ficaram como mortos…”(Mt 28, 2-4)


A solenidade pascal que celebramos não se repete existencialmente. Cada Páscoa é única em nossa vida, em nossa história. A Solenidade Pascal deste ano nos encontra com tantos acontecimentos que não são fáceis de discernir no momento, como os fenômenos apresentados pelo evangelista Mateus no relato da ressurreição: uma guerra que explode no Oriente Médio e que nos atinge de tantas formas; um ano eleitoral onde não predomina a arte da política, mas, novamente, uma disputa polarizada e polarizante, semeando divisões e discórdias, longe do bem comum; pastoralmente muitos estranham a implementação do caminho sinodal; a Campanha da Fraternidade atacada, pois para alguns grupos falar do pobre, direito à terra, teto e trabalho, são coisas de “esquerda”; diante dos conflitos muitos de nossos irmãos e irmãs de comunidade preferem trancar-se no interior da espiritualidade dentro das igrejas e sentem medo de ser Igreja em saída…

“Não tenhais medo” (Mt 28,5.10)

É o que anjo e Jesus diz às mulheres diante de tanta confusão aparente. O medo imobilizou os soldados do sepulcro. O medo – que é falta da vivência da fé – também nos imobiliza na caminhada sermos Igreja Sinodal na comunhão, participação e missão.

Deixemos que o anúncio da Ressureição que as mulheres receberam do Anjo, que é o mesmo anúncio que recebemos na proclamação da Palavra nesta Solenidade Pascal, nos tire do imobilismo. A presença do Cristo Ressuscitado nos encoraje para o anúncio e retorno à Galileia.

“  Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à nossa frente na Galileia. Lá vós o vereis.” (Mt 28,7.10)

A Galileia é o lugar onde Jesus passou a infância, adolescência, juventude e chegou à idade adulta. A maioria dos discípulos era da Galileia. O início do ministério público de Jesus, após o batismo no Jordão, foi a partir dos confins da Galileia. Os primeiros sinais do Reino, como nas Bodas de Caná, foram realizados na Galileia. Em Cafarnaum, na Galileia, estava a casa de Jesus e seus discípulos. Junto ao Mar da Galileia Jesus fez as multiplicações dos pães e ensinou seus discípulos a missionarem. Da Galileia Jesus vai para Jerusalém para entregar a sua vida. Voltando à Galileia Jesus ressuscitado envia os discípulos em missão prometendo que, com poder, está com eles todos os dias até final dos tempos.

Na Galileia Jesus chamou os seus primeiros discípulos.

Na nossa Galileia Jesus também nos chamou e colocou-nos na sua comunidade.

Nesta celebração pascal de 2026 voltemos à Galileia, sem medo,  para vermos o Cristo ressuscitado. Não fiquemos aterrados e aterrorizados diante da cruz de cada dia, da crueldade do mundo em guerra, da corrupção que nos rodeia, da miséria que fere a dignidade do ser humano, das forças e ideias que querem negar a caminhada da Igreja à luz do Concilio Vaticano II, dos que querem desistir de uma Igreja missionária encarnada…

Voltemos à Galileia. Voltemos ao primeiro amor, onde e quando o Senhor com voz potente tocou o nosso coração e compreendamos que a Cruz não é derrota, mas vitória. Voltemos à Galileia onde com a comunidade dos discípulos – aquela onde o Senhor nos inseriu e vimos os seus sinais – assim compreenderemos que o Senhor vitorioso está conosco. Voltemos à Galileia e retomemos a nossa vida em comunidade e tenhamos renovada consciência de sermos comunidade eclesial missionária. Voltemos à Galileia e não nos deixemos  dominar pela preguiça e comodismo. Voltemos à Galileia e não deixemos que as vozes dos falsos profetas, apregoadores de desgraça e divisão, distancie-nos da comunidade e da celebração da Eucaristia, fazendo-nos duvidar da força e do poder do Espírito do ressuscitado.

Não pode haver Feliz Páscoa se não voltarmos à Galileia.

Alegria! O Senhor ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano de Guarulhos

Categorias
Artigos Destaques Diocese Voz do Pastor

Nota do Bispo Diocesano sobre a lavagem da Catedral Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos

No dia 21 de março, dia Nacional das Tradições Afro-brasileiras, aconteceu a terceira edição da chamada Lavagem da Catedral de Guarulhos. Vários católicos de Guarulhos e de fora de Guarulhos, manifestaram-se contrários ao evento nas redes sociais. Algumas manifestações foram ofensivas aos participantes das religiões de matriz africana e aos católicos. A estes últimos por permitirem tal celebração na porta da Catedral.

            Primeiramente quero fazer saber que este ato foi pacifica e respeitosamente combinado com a Igreja, para que não houvesse importunação durante alguma celebração na Catedral.

            Em segundo lugar, além do evento ter sido realizado em um espaço público (mesmo que a frente da igreja pertença à Catedral), isto é, um espaço que é comum a todos, não se tratou de uma celebração inter-religiosa e nem mesmo uma manifestação de sincretismo religioso por parte da Igreja Católica. As portas da Catedral  permaneceram abertas e o espaço celebrativo católico foi totalmente respeitado.

            Por fim, quero lembrar aos católicos, que vivemos sob a orientação do Concílio Vaticano II, que na Declaração Nostra Aetate fala das sementes do Verbo de Deus presentes em todas as expressões religiosas não cristãs, bem como da necessidade de vivermos em espírito de fraternidade com todas as religiões. Além disso, o mesmo Concílio Vaticano II, na Declaração Dignitatis Humanae fala magistralmente sobre o direito da liberdade religiosa a todas as comunidades da sociedade.

            Neste mundo marcado por guerras, até mesmo de origem religiosa, e num País, onde oficialmente no passado oprimiu-se manifestações religiosas não católicas e, hoje, em virtude da chamada laicidade do Estado tenta-se sufocar a maneira de cada religião exprimir publicamente a sua crença, não cabe  aos católicos quererem propagar ideias de repressão às religiões não cristãs. Vivamos em nossas comunidades a nossa fé cristã e católica e sempre que necessário, manifestemos de modo celebrativo nos lugares públicos. Temos direito a isso.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano de Guarulhos

Categorias
Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024)

Uma das últimas orientações do Papa Francisco a toda Igreja, ainda quando estava internado no hospital, em fevereiro de 2025, foi autorizar a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos dar prosseguimento à Implementação do Sínodo dos bispos (2021-2024), a partir do Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, participação, missão.

A coordenação deste trabalho, em cada diocese, cabe ao bispo diocesano, assessorado por uma Equipe Diocesana do Sínodo. Esta equipe já existia desde 2021e agora foi ampliada. Este trabalho tem sido feito, com busca de discernimento, de maneira incessante, mas paulatinamente. Não se tata de uma técnica ou modismo que deva ser implantado rapidamente, mas de uma identidade da Igreja que precisa ser redescoberta e estabelecida solidamente, ancorada em bases espirituais inalienáveis.

Para fazer conhecer este Documento Final tivemos até agora (março 2026) três reuniões com os membros dos CPPs. Estas reuniões foram realizadas nas Foranias. De cada uma destas reuniões foram entregues tarefas às paróquias para que, experimentando uma prática sinodal, de alguma maneira fossem sendo encontradas respostas pastorais. Da primeira reunião, após explicitação do primeiro capítulo do Documento Final, os membros do CPP levaram como “lição de casa” um questionário. A segunda reunião foi a devolutiva desse questionário e a “lição de casa”, foi para cada CPP, já com alguma prática sinodal, que escolhesse um dos aspectos pastorais levantados através do questionário, em toda diocese, e deste aspecto fizesse brotar um processo pastoral para que fosse implantado na paróquia. Na terceira reunião, foram apresentados os capítulos segundo e terceiro do Documento Final. E, iniciando um processo de modo sinodal, foi iniciada a revisão dos Estatutos do CPP, em vigor desde 2017 em nossa diocese.

Por que escolhi os membros dos CPPs?  Fiz esta escolha por tratar-se de irmãos e irmãs que estão, juntamente com os pastores de cada paróquia, à frente do discernimento e organização do trabalho evangelizador em cada comunidade. Desta forma, muito mais que com palestras e cursos, possam ir trabalhando esta mentalidade em nossas comunidades.

Alguém pode perguntar ou objetar: Por que não se faz um curso ou Semana Diocesana de Formação sobre este Documento Final? Porque diferentemente de outros documentos do Magistério da Igreja, este documento deve ser aprendido através da experiência, de aspectos mais sensíveis a cada realidade diocesana e conforme o discernimento que vá sendo feito à luz dos sinais dos tempos.

A propósito, a Comissão Diocesana de Pastoral (CODIPA), escutando alguns irmãos e irmãs, achou por bem dar um enfoque mais doutrinal à Semana Diocesana de Formação. O povo tem sede de que seja melhor explicitado os conteúdos da nossa fé. Assim sendo, a partir deste ano iremos, com critério e sem pressa, apresentar/estudar na Semana Diocesana de Formação os conteúdos do Catecismo da Igreja Católica: Creio, Liturgia e Sacramentos, Moral e Oração. Seguramente serão argumentos para mais de uma década.  Vejo nesta escolha uma convergência interessante de acontecimentos. O Catecismo da Igreja Católica atual surgiu após um Sínodo dos bispos em 1985 (20 anos do término do Concílio Vaticano II) e a implementação do Sínodo, assim chamado sobre “a sinodalidade” começa a acontecer no ano em que se celebrou os 60 anos do término do Concílio Vaticano II.

Ao longo deste ano, nesta coluna, irei falando sobre pontos que julgo capitais para a vivência desta Igreja Sinodal dentro da nossa realidade diocesana.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano