"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 5

No mês passado disse a respeito das DGAE como elemento fundamental para Implementação do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade.

A imagem que conduz todas as DGAE 2026-2032 é a imagem da TENDA DO ENCONTRO. Esta imagem não substitui a imagem da CASA com os quatro pilares das DGAE 2019-2023, mas amplia a dimensão missionária da ação evangelizadora das nossas comunidades eclesiais, pois esta imagem mostra mais nitidamente uma Igreja em movimento. “Esta tenda, sustentada pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade, é espaço de comunhão, participação e missão. Como o povo que a habita SAÍMOS rumo às periferias geográficas e existenciais.” (DGAE 2026-2032 n. 9) Importante, também é as estacas que sustentam a tenda. Não pode ser qualquer outro tipo de estaca.

Algumas imagens bíblicas adotadas nas DGAE podem ser inspiradoras para nossa compreensão e ação missionária.

A primeira é a imagem da tenda na experiência do povo de Israel no Êxodo. Estar na tenda significava ter proteção. Estar num espaço de acolhida, hospitalidade e lugar de reflexão sobre a aliança com Deus. Estar na tenda significava disponibilidade de colocar-se sempre a caminho, não de acordo com a própria vontade, mas em obediência à Palavra de Deus proclamada por Moisés e seguir para o destino seguinte, conforme à vontade do próprio Deus. “A flexibilidade ou mobilidade da tenda…indica a necessidade de atenção, discernimento, abertura e disponibilidade por parte do povo em seu caminhar por este mundo em constante mudança, respondendo aos sinais por meio dos quais o Senhor fala e indica novos passos.” (DGAE, 11) Alguns autores patrísticos compararam Maria como a tenda da reunião, pois ela foi coberta  pelo poder do “Altíssimo” e foi obediente em seguir pelos caminhos da vontade de Deus.

A segunda imagem foi aquela utilizada na fase continental do Sínodo: Is 54,2, “Alargue o espaço da tua tenda.”. Trata-se de um texto do dêutero Isaias, profeta que animava o povo a retornar para Jerusalém, reconstruí-la e viver sua missão. Não se tratava somente de retornar, reconstruir e continuar “a vidinha de sempre”. Tratava-se na realidade de continuar o projeto de Deus que era mais amplo e envolvia, ainda que em sombras, a missão de Jerusalém acolher todos os povos. Era preciso ter a consciência de não ser um povo voltado para dentro de si mesmo. Daí a necessidade de alargar o espaço da tenda. “Hoje, assumir, para a Igreja, a imagem de uma tenda disposta a alargar seus espaços é recordar a identidade do Povo de Deus peregrino, aberto à graça de Deus e sustentado pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade.” (DGAE, 12)

A terceira citação é a imagem, se bem que não se trata bem de uma imagem, mas do próprio cumprimento das promessas de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Este “habitou” tem como tradução literal “e armou a sua tenda”. Jesus é a morada de Deus junto à humanidade e assume a nossa humanidade como sua tenda. Na sombra de sua tenda Ele acolhe a nossa fragilidade marcada pelo pecado e caminha conosco, conduzindo-nos por caminhos de vida eterna. Ele conquistou-nos a vida eterna no sacrifício da Cruz, onde Ele mesmo foi sacerdote, altar e vítima; Sumo e eterno sacerdote, é o único Mediador da nossa salvação. Na Cruz, do seu lado aberto pela lança, nasce a Igreja, seu Corpo, que possui a missão de continuar no mundo a Sua Obra redentora. Ora, a Igreja, Corpo de Cristo, como o Cristo no seu corpo, é a tenda  “que alarga seus espaços ao propor a fé àqueles que não são batizados ou que se afastaram da Igreja, acolhendo-os enquanto os acompanha na esperança do encontro com Jesus Cristo. (DGAE, 14). Não somente se alarga nesta direção. Esta Igreja, que acontece e se torna presente nas comunidades eclesiais missionárias, deseja aproximar-se de todos aqueles que sofrem com o egoísmo, fruto do pecado, e causa de tantas mazelas sociais. Enfim, alargar-se rumo às periferias geográficas e sociais.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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