"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 4

Em nossa caminhada diocesana da Implementação do Sínodo dos Bispos 2021-2024, temos um elemento novo e enriquecedor: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE) 2026-2032. O Documento Final do Sínodo é assumido pelas DGAE com direcionamentos concretos para a realidade do Brasil. Os CFPs do mês de maio trataram em cada Forania sobre este assunto.

Os dois primeiros itens do Objetivo Geral  das DGAE permanecem inalterados em relação às DGAE anteriores, e não podiam ter outro enunciado: Evangelizar – Anunciando Jesus Cristo.

O terceiro item explicita a novidade destas DGAE: como Igreja Sinodal. A sinodalidade da Igreja está voltada para a missão. Não teria sentido se a orientação fosse outra. O espírito missionário já é revelado de modo novo no primeiro capítulo, onde a Igreja nos é apresentada como a  Tenda do Encontro. A tenda é fixada por cordas e estacas e assim permanece firme. Esta Tenda é firmada pelas estacas das virtudes teologais, dons infusos por  Deus, fé, esperança e caridade. A tenda tem sempre possibilidade de ser alargada, firmando-se nestas estacas, e ser lugar da acolhida, da hospitalidade, da comunhão com o Deus Uno e Trino. Por outro lado, por ser desmontável e peregrina, ela é imagem da Igreja em saída para ir em missão às várias periferias geográficas e existenciais. Somos peregrinos e trabalhamos na esperança do Reino de Deus. Nessa perspectiva, habitando a tenda da Igreja, buscamos o Eterno entre as coisas que passam, pois não temos aqui morada permanente (Hb 13,14).

A Igreja Sinodal, missionária, por sua vez não se move sem antes escutar os sinais dos tempos, sinais de esperança já presentes na habitação desta tenda e sem dar-se conta de situações persistentes que ainda atrapalham a missão da Igreja. O segundo capítulo das DGAE nos oferecem este panorama.

A Igreja sinodal tem um discernimento que lhe é peculiar e é também toda fonte da sua espiritualidade como, de modo especial, está no primeiro capítulo do Documento Final: Comunhão, Participação e Missão. E esta tríade sinodal é tratada no terceiro capítulo das DGAE que tem por título Discernimento para uma Igreja Sinodal. Entretanto, esta Igreja Sinodal exige conversões radicais do coração e do modo de ser para que seja bem vivenciada a tríade comunhão, participação e missão. As DGAE para tanto, num capítulo especial, o capítulo 6, assumem os capítulos 2,3 e 4 do Documento Final. A este capítulo é dado o título de Compromissos Sinodais e retomam  a conversão das relações, a conversão dos processos e a conversão dos vínculos. O discernimento para uma Igreja Sinodal é inexistente caso não existam estas três conversões.

Quem é esta Igreja Sinodal em missão? É o Povo de Deus em Missão. Este é o título do quarto capítulo das DGAE. Quando criança participei de um movimento infanto-juvenil chamado Juventude Cristã em Marcha que traduzia bem o pensamento da Igreja Povo de Deus, propagado pelo Concilio Vaticano II. Em alguns lugares até se dizia, Igreja, Povo de Deus em marcha. Este “marchar” é indicador do estar em movimento contínuo na missão. Este Povo de Deus é caracterizado pelos seus Organismos (de modo específico no Brasil) e pelas várias iniciativas e missões dentro de cada Organismo, a saber, CNLB (laicato), CNIS (Institutos seculares), CRB (religiosos), CND (Diáconos). CNP (presbíteros) CNBB (bispos).Os membros de cada um destes organismos da Igreja que é sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos (4º elemento do Objetivo Geral), vivem concretamente em comunidades de discípulos missionários (5º elemento do Objetivo Geral).

Alimentada pela Palavra e pelos Sacramentos, geradora de novos filhos na fé, reunida em comunidades vivas, celebrante dos mistérios da salvação e comprometida com a vida plena para todos, a Igreja expressa como abrigo (tenda) fecundo e sempre aberto. Sobre este argumento temos o quinto capítulo das DGAE: Caminhos da Missão. Os caminhos da missão são modos concretos de armar a tenda no hoje da história, não apenas ações, para que nela todos encontrem lugar, sentido e envio na missão. Um destes caminhos, incluído no serviço pleno à vida para todos, está o sexto item do Objetivo Geral: fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres.

            Toda a riqueza desta frutífera união do Documento Final do Sínodo e das DGAE, possui um limite. Nada é definitivo. Estamos a caminho. Provavelmente em 2032 teremos novas DGAE, pois como aponta o sétimo item do Objetivo Geral estamos a caminho da plenitude do Reino de Deus.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo Diocesano

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