Diocese de Guarulhos

SÃO PAULO - BRASIL

“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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Artigos Vida Presbiteral

Formação Permanente dos Presbíteros

“Cuidando de quem cuida”

Entre os dias 07 e 10 de novembro, na Cidade de Passa Quatro, nós presbíteros da Diocese de Guarulhos nos retiramos para a semana anual de Atualização do Clero, na qual pudemos viver a experiência formativa e de convivência da fraternidade presbiteral.

Este ano assumimos duas temáticas que se interligam para a vida de nossos sacerdotes: Prevenção e Saúde / Fraternidade Presbiteral. Para a exposição e desenvolvimento destes assuntos, convidamos o Dr. Paulo Celso Fontão (Médico da Família e Comunidade) e Dom Cícero (bispo auxiliar de São Paulo – Região Episcopal Belém).

Dr. Paulo em sua reflexão buscou ter uma conversa familiar com os presentes sobre a construção de uma saúde melhor, “cuidando de quem cuida”, para melhor exercer a missão confiada: “primeiro em você” – um chamado de atenção para não nos esquecermos dos devidos cuidados que nós sacerdotes precisamos também ter conosco, pois chamados a cuidar do povo de Deus a nós confiado precisamos de condições físicas, psíquicas, emocionais e espirituais.

A periodicidade em consultas médicas, alimentação saudável, medicação devida, equilíbrio emocional, atividades físicas, lazer, alegrar-se com o outro, repouso e boa noite de sono são algumas das atitudes que não devem ser negligenciadas pelos presbíteros e pelo povo em geral. O reconhecimento dos próprios limites deve ser percebido para que em meio à necessidade se possa desacelerar para que não exista um esgotamento até mesmo diante da missão e da vida.

Dom Cícero, na linha do cuidado com a saúde no relacionamento fraterno entre os presbíteros refletiu muito sobre a comunhão como um ideal a ser alcançado para sermos verdadeiros irmãos na vivência da ajuda mútua pela arte do encontro, apesar de tanto desencontro na vida, como afirmara Vinicius de Moraes.

Não se fechar em uma vida individualista torna saudável a nossa vocação. Saber agir com amabilidade nos cura e cura a tantos em nossas relações humanas. Pensar em si e pensar no outro com amor, com atitudes amorosas de respeito e estima. Respeitar como o outro é. Mesmo diante do confronto de ideias, o respeito e estima são indispensáveis. Lutar pelo outro e aprender a optar por ele. Saber somar com humildade apesar das imperfeições, como disse Bruno Forte: “Humildade é deixar que o outro seja”. Isso é maturidade, é crescimento. Saber quem somos e permitir com que os outros nos veja e adentre a nossa vida, sem exclusões ou fechamentos, com abertura aos irmãos padres, ao bispo e ao povo de Deus, como uma resposta ao chamado de Deus Trindade, comunhão plena de Amor.

Pe. Thiago R. dos Santos

Pastoral Presbiteral

 

Confira as fotos da atualização do Clero da Diocese:

Semana de Atualização do Clero 2022
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Artigos Bíblia

A MONARQUIA UNIDA I: SAUL

≈1030 – 1010 a.C. (1 Sm 7,2 – 15, 31. 18-31)

Israel viveu sob o regime da Confederação das Tribos por quase 200 anos (1230 a.C. – 1030 a.C.).

Algumas vezes, as tribos se desentendiam quanto à defesa (Jz 5, 16 – 17 e 12, 1 – 7), à unidade (Jz 20) e quanto à fé (Jz 18).

Até houve uma tímida forma de governo centralizado em algumas tribos da região Central e do Norte de Canaã (Jz 9).

Surge a necessidade de um governo centralizado e estável, ou seja, a monarquia. Algumas causas contribuíram para isso:

– o crescimento das dificuldades internas (unidade entre as tribos) e externas (invasões de filisteus; ver 1Sm 4, 10 – 11);

– novas técnicas agrícolas trazidas pelo ferro (machado, foices, etc) e uso do boi na agricultura;

– produção de excedente e melhoria em algumas condições de vida (a escavação e caiação de poços também ajudaram nesta prosperidade);

– prestígio de algumas tribos mais privilegiadas e desigualdades econômicas e sociais;

– Influências: “reis” em Canaã: algumas cidades eram reinos independentes entre si, embora, vassalos dos egípcios por algum tempo; cidades costeiras da Síria, Fenícia, Sidônia e outras eram relativamente independentes umas das outras;

– reinos hostis, que antes, tinham sido grupos de tribos: Edom, Amon (amonitas: 1Sm 11, 1 – 11; 2 Sm 10, 1) e Moab (Nm 21, 11 – 15; 22, 4.10; Jz 3, 12 -30): esses reinos passaram rapidamente do estado tribal para a constituição de um estado organizado, autônomo e com um rei;

– necessidade de uma união maior contra filisteus e amonitas: os filisteus traziam a tecnologia do uso do ferro em armas e eram bem organizados militarmente;

– Samuel, último juiz, estava velho e seus filhos, corruptos, não puderam mais governar o povo (ver 1Sm 7, 3 – 9; 12, 2; 8, 1 – 3); porém, podemos constatar posturas conflituosas no mesmo texto de 1Sm: pró-monarquia (9, 15 – 10, 8) X contra a monarquia ( 8 e 10, 17 – 24);

Por isso, mesmo contra a monarquia, Samuel, orientado por Deus, resolve atender aos apelos dos anciãos do povo para constituir um governo central (rei).

Temos três narrativas sobre a escolha de Saul: a unção secreta(1Sm 9, 1 – 10, 8), a escolha por sorteio (1Sm 10, 9 – 27) e a aclamação do povo ( 1Sm 11, 1 – 15).

Na verdade, Saul não foi necessariamente um “rei” (melek); foi mais chefe de recrutamento tribal (nagid); apenas mantinha uma tropa defensiva.

Em sua época, constatamos uma frágil centralização do poder político:

– Saul não chegou a governar todas as tribos (1Sm 10, 14 – 16. 26s.; 11, 12)

– falta de autoridade: não criou uma organização estatal (nação) e nem constituiu uma corte;

– não constituiu Gabaá capital de um reino e nem construiu palácio – não houve uma estrutura burocrática;

– não teve funcionários estáveis e nem promoveu mudanças no culto ou na vida religiosa (tradição oral, ainda);

– viveu em conflito com Samuel (representante do grupo anti-monárquico);

– mostrou impotência contra os filisteus: seu exército não tinha condições de combatê-los e vencê-los;

– limites pessoais do rei (1Sm 16, 14 – 23): mostrou relativo desequilíbrio na condução de momentos de conflitos em sua vida;

– divisões na família: seu próprio filho Jônatas era a favor de Davi (ver 1Sm 22, 7 – 8);

– infidelidade e desobediência à Palavra de Deus: Saul quis passar acima da autoridade de Samuel, mas não teve sucesso em seu empreendimento (1Sm 13, 7b – 14; 14, 24 – 34; 15, 10 – 30 e 31, 1 – 13).

– causou insatisfação do povo: enquanto isso, Davi adquiria a simpatia do povo pelos combates e vitórias empreendidas em suas batalhas (1Sm 22, 2);

– perdeu o apoio e a confiança de Davi que, de guerreiro seu, passou a ser concorrente (1Sm 18, 5 – 8.11; 19, 10);

– matou sacerdotes em Nob, que eram a favor de Davi, manchando de sangue seu governo: essa atrocidade de Saul foi determinante para sua queda e ruína (1Sm 22, 6 – 23).

– morto na batalha de Gelboé (1Sm 31, 8 – 13), daí a autoridade militar ser a grande marca do governo de Saul.

Saul foi incapaz no plano político (1Sm 31), indigno no plano religioso (1Sm 15, 10 – 31) e desequilibrado no plano psíquico (1Sm 19, 8 – 24); perde, aos poucos, o prestígio inicial;

 

Pe. Éder Aparecido Monteiro – Vigário Paroquial – Paróquia Sta. Cruz Pres. Dutra

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Artigos Liturgia

Advento, o que esperamos?

A liturgia do advento contém uma autêntica espiritualidade litúrgica, centrada na vinda do Senhor e sua espera; a vinda do Senhor na carne e no fim dos tempos, assim como sua constante presença na Igreja que é prefigurada de modo particular em Maria, virgem, mãe da esperança.

Palavras chaves do advento são espera e esperança, vigilância e acolhimento. A espera e a esperança que a liturgia do advento nos inspira não nos deixam tranquilos e sossegados no mundo e na história em que vivemos. Ela nos inquieta, porque tem dentro de si um dinamismo que mexe conosco e nos impulsiona. O clamor pela vinda e chegada de Cristo novamente à história humana acompanha o drama dos filhos da nova e eterna aliança, que desde a manifestação plena de Deus em Jesus Cristo, exclamam pressurosos: Maranathá! Vem, Senhor Jesus!

Estas atitudes de espera e esperança do advento são tão grandes e importantes que não podemos perdê-las. Devemos nos dar um tempo e ajudar também nossos irmãos, para que possam abrir-se os corações, precisamente no advento, para o Senhor que vem. Se ele vier sem encontrar os corações abertos, ele não pode entrar. A liturgia do advento oferece a melhor ajuda para que aconteça esta abertura.

Devemos também valorizar os símbolos que nos falam da vinda do Senhor, como por exemplo a coroa do advento, que nos mostra a aproximação e o brilho, cada semana mais forte, da luz que está vindo ao mundo. A árvore do natal e o presépio devem nos lembrar que o Salvador, a luz do mundo, nasceu.

Quando falta Deus, falta a esperança. Tudo perde sentido. Deus conhece o coração do homem. Sabe que quem O rejeita não conheceu o seu verdadeiro rosto, e por isso não cessa de bater à nossa porta, como peregrino humilde em busca de acolhimento. O Senhor concede um novo tempo à humanidade: precisamente para que todos possam chegar a conhecê-lo!

Advento quer dizer que o Senhor vem. Mas ele chega à medida em que o esperamos e nos abrimos para ele.

 

Padre Fernando Gonçalves

Comissão Diocesana de Liturgia

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Artigos Falando da Vida

Finalmente um Natal de Paz

Aprendendo com as crises.

Passados dois anos de pandemia e de quase 700 mil mortes, será que estamos prontos para sentarmos novamente à mesa e celebrarmos o Natal em família? Com alguns cuidados, a resposta seria sim, afinal mesmo com o aumento de casos verificado nas últimas semanas, a pandemia está sob relativo controle e não oferece os perigos de antes. Todavia, as sequelas das brigas causadas pelas discussões envolvendo preferências partidárias nas últimas eleições, ainda são um desafio a ser vencido.

É certo que estamos vivendo uma crise política que afeta as relações sociais, mas analisando o conceito de crise, temos razões para ficarmos esperançosos de que poderemos colher frutos dos conflitos gerados pela pandemia e também pela política. A palavra crise vem do grego krisis e significa mudança súbita.  Conhecemos várias modalidades em que a palavra é empregada: crise econômica, crise afetiva, crise nervosa, crise política, etc. Em Psicologia, crise define um momento de sofrimento intenso, podendo ser o ponto de partida para uma mudança efetiva na vida da pessoa. Portanto, crise não é algo negativo, pois está relacionado à ideia de transformação.

Se com a crise de saúde aprendemos a seguir protocolos a fim de proteger o outro e também a nós mesmos, da mesma forma podemos aprender com as crises que provocaram desavenças e fizeram membros de família se separarem fisicamente ou deixarem de se seguir nas mídias sociais. Creio que, no atual momento, cabe aqui fazer uma pergunta: esse combate político valeu a pena? O que na verdade estamos buscando? Ter paz ou ter razão? O vazio que vai ficar em muitas mesas na ceia de Natal tem de ser o ponto de partida para a discussão que verdadeiramente vale a pena ser feita.

Será que não estamos atirando no alvo errado? Será que não temos inimigos em comum como a fome, a miséria, a violência, a degradação do meio ambiente e será que além da política não existem outras formas de combatê-los? Se percebêssemos que, em última análise fazemos parte de uma mesma família chamada humanidade, que habitamos a mesma casa chamada Terra e que compartilhamos os mesmos objetivos, poderíamos nos reunir numa mesma mesa e celebrar o Natal como irmãos. A verdade é que mais importante do que esse jogo insano, no qual não existem vencedores, existe a paz em família que deve triunfar acima de tudo.

 

Romildo R.Almeida

Psicólogo clínico

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Artigos Vocação e Seminário

Seguir a Jesus Cristo é uma graça!

Idealizada há exatos 15 anos, a Conferência Episcopal de Aparecida realizou um novo impulso pastoral em toda Igreja na América Latina e no Caribe. Desde a compreensão mais profunda de que somos discípulos e missionários até a configuração de uma comunidade eclesial que ultrapassa a vivência de uma pastoral de manutenção, Aparecida muito nos ensinou e ensina sobre o ser cristão em nossas ações pastorais ainda nos dias de hoje.

Se nos atentarmos, o Documento de Aparecida – a publicação em síntese das reflexões da Conferência –, no seu parágrafo 18, nos diz que, no respeito à vocação dos batizados, “conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher”. Nessa reflexão, podemos inferir que a alegria do cristão, daquele que é discípulo de Jesus, é anunciar e viver a Boa Nova.

Em uma sociedade de rápidos compartilhamentos, em que transmitimos e retransmitimos tantas informações, devemos perguntar como está o anúncio de Jesus Cristo na realidade em que estou inserido. Em consonância com Aparecida, a resposta a tal inquietação deve ser a de que, se todos somos chamados a sermos discípulos da verdade de Jesus, a alegria de ser cristão é uma consequência pelas profissões de fé e de caridade que prático própria da vocação a pertença a Cristo: seja no presencial ou no virtual, o nosso agir deve corresponder aos ensinamentos de Jesus e de sua Igreja.

Recordando, à exemplo, o tema do Viva a Vida 2022, “vocação é anunciar o amor”, e refletindo as inspirações de Aparecida, pode-se compreender que, uma vez respondido o chamado de Deus, os vocacionados são aqueles que vivem as mesmas qualidades do Senhor onde quer que estejam, seja ela as virtudes da misericórdia, da caridade, da fé, da humildade, da esperança ou das demais outras.

Dentro das incertezas que um novo ano possa apresentar, almejemos aqui o que é certo, respondendo o apelo de que, nos próximos meses, possamos viver a nossa vocação, anunciando o Amor com alegria àqueles que mais necessitam.

Feliz Ano Novo!

 

Sem. Edson Vitor

3º ano de Teologia

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Artigos Vida Presbiteral

Ser Padre Vale a Vida! – VIII

Chegamos ao final de nossa caminhada iniciada desde o mês de Março. Tivemos a oportunidade de refletirmos sobre a Vocação Sacerdotal. Foi uma verdadeira jornada que nos rendeu grandes aprendizados e uma paixão ainda maior por eles. Um ministério tão grande e, ao mesmo tempo, dado a homens tão frágeis: “trazemos tesouro em vaso de barro”. Mas, nosso Senhor o quis assim, e assim será para todo o sempre.

Hoje, nossa diocese conta com cerca de 80 sacerdotes que, espalhados em nosso território diocesano, ajudam nosso Bispo Dom Edmilson com o pastoreio do povo de Deus. Todos os anos temos novas ordenações e rezamos sempre ao Pai de Misericórdia para que sua messe seja sempre dotada de operários.

Pedi, pois, ao dono da messe que envie operários para a sua messe,” a ordem de Jesus expressa a necessidade de que o reino seja anunciado. Perceberam com que urgência Nosso Senhor fala da necessidade de anunciar o reino? Pois é irmãos, o mundo tem necessidade de sacerdotes e Sacerdotes segundo o coração de Jesus.

O que falta aos nossos jovens para que respondam a esse chamado tão belo?

Primeiro, falta escutar o chamado. Rezemos, pois, assim: ‘Ó Deus, que suscitais a escuta ao povo de Israel, retirai a cera dos ouvidos de nossos jovens para que escutem o Teu chamado’. Falta também ousadia e resposta, rezemos assim: ‘Ó Deus, não sejam medrosos os que chamastes e nem apegados a si mesmos e ao mundo, inspirai a eles a paresia, a resposta generosa a exemplo da Virgem’. Falta-lhes ainda a confiança, rezemos assim: ‘Ó Deus, que dissestes não tenhais medo, fazei que nossos jovens vivam a linda aventura de uma vida toda entregue a Deus na confiança’.

Não pode a Igreja, em seus leigos e leigas, se esquecer de que os sacerdotes precisam de orações. Há vários padres à frente de batalhas terríveis e muitas vezes se sentem sozinhos e solitários. Falta o apoio da comunidade. Falta a oração. Falta o engajamento nos mais diversos serviços. Sejamos uma rede solidária na construção do Reino de Deus.

Prestemos também nossas homenagens com orações aos que já partiram ao encontro da recompensa eterna. Lembremos com carinho os nossos bispos falecidos como também os nossos sacerdotes. Eles construíram um legado de fé e de obras que não devem ser esquecidas. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e que a luz perpétua brilhe para eles!

 

Padre Cristiano Sousa

Representante dos Presbíteros

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Artigos Voz do Pastor

Sagrada Família: Exemplo de Amor

A vida em família está enraizada no matrimônio: a primeira vocação que aparece na Bíblia doada ao ser humano. Deus que é amor, cria o ser humano à sua imagem e, para que o ser humano viva a sua vocação de ser imagem do Deus que é amor, comunhão perfeita de pessoas (Pai, Filho, Espírito Santo), cria o ser humano homem e mulher, para que sendo um para o outro no amor e na comunhão, sejam verdadeiramente imagem de Deus. Esta maravilhosa vocação é danificada nas origens pelo pecado. No entanto, Deus não desiste da sua obra e na plenitude dos tempos, em Jesus Cristo, sua obra é restaurada. Em Jesus Cristo a família torna-se boa notícia (evangelho), pois é lugar onde se gera para o amor, educa-se para o amor e no dia a dia se combate para que o amor seja sempre vitorioso.

Nossa época está marcada pelo individualismo e subjetivismo e isso influencia profundamente a vida familiar. É preciso que os cristãos entendam e vivenciem a vocação matrimonial/familiar como um dom a este mundo e um verdadeiro evangelho.

Estamos encerrando o Ano Diocesano da Família, que tem como lema: “Família: lugar da Palavra, da oração e do partir o pão”. Alguns eventos diocesanos nos ajudaram a refletir sobre o evangelho da família: a abertura deste ano em 08 de dezembro de 2021 que abriu para as paróquias a possibilidade de tantos eventos paroquiais; a Semana Diocesana de formação, no mês de julho, que procurou expor o ensinamento da Igreja sobre o Matrimônio e a família; a Semana Nacional da Família, em agosto, que proporcionou momentos de encontro e reflexão nas paróquias; o Congresso Diocesano da Família, nos dias 30 de setembro e 01 de outubro, que tocou em alguns problemas específicos de Pastoral Familiar. Neste mês de dezembro, a Novena do Natal, “Em família acolhemos o Verbo de Deus na oração partilhando o pão”, permite-nos abrir os nossos lares como locais privilegiados para a vivência do Mistério da Encarnação. No próximo dia 30 de dezembro, festa da Sagrada Família, celebraremos a Eucaristia, encerrando este ano, colocando no Mistério Pascal todos os projetos que Deus suscitou em nossos corações. Este último momento do Ano Diocesano da Família, será na Paróquia NS de Fátima, do Jardim Tranquilidade, às 20h.

Não podemos perder de vista que o projeto de Deus para o matrimônio e a família está enraizado no Sacramento do Matrimônio. A vivência deste Sacramento na sociedade e na Igreja pelos casais cristãos, unidos pelos laços do Sacramento do Matrimônio, é e sempre será um anúncio alegre primordial do “evangelho da família.”

Não esqueçamos, porém, que tantas feridas ocorridas e que ocorrem no seio das famílias, geram tantas formas de situações familiares que não correspondem objetivamente a este projeto de Deus. Algumas situações são, humanamente falando, irremediáveis. Estarão estas situações excluídas do amor de Deus? Serão indignos, os que vivem nesta situação, de se chamarem família? Pior ainda: estarão excluídos do anúncio do Evangelho? De modo algum. A Exortação pós-sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco, nos chama a toda uma ação pastoral: “Acompanhar, discernir, e integrar a fragilidade”, tal como é o título do capítulo oitavo da Exortação, que deve ser traduzido em nossa pastoral familiar como proximidade, discernimento, misericórdia, integração. Ninguém está excluído do amor de Deus. Apesar dos pesares, do peso e da dor, ninguém está excluído de deixar-se guiar pela palavra e pela alegria do Evangelho. Todos podem viver e testemunhar, mesmo em situações especiais, o Evangelho da família.

A família constitui-se como protagonista da ação pastoral através do anúncio explícito do Evangelho e da herança de múltiplas formas de testemunho: a solidariedade para com os pobres, a abertura à diversidade de pessoas, a preservação da criação, a solidariedade moral e material para com as demais famílias, principalmente para com as mais necessitadas, o esforço pela promoção do bem comum, também  mediante a transformação das estruturas sociais injustas, a partir do espaço no qual ela vive, pondo em prática as obras de misericórdia corporais e espirituais.”  (AL 290)

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano de Guarulhos

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Artigos Enfoque Pastoral

“Em tudo dai graças!” (1Tes 5,18)

Amados diocesanos, estamos chegando ao término de mais um ano e somos todos convidados a dar graças ao Senhor por nos permitir, aos poucos, retomar nossas diversas atividades pastorais, serviços e movimentos em nível paroquial e diocesano, ao longo deste ano que se encerra. “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.” (1Tes 5,16-18).

Nesta que é a última edição do ano da Folha Diocesana, quero agradecer a todos assessores e coordenadores diocesanos das pastorais, movimentos, e serviços diocesanos. Agradeço também a todos que, em suas paróquias, aos poucos retornaram às atividades pastorais e assim, dinamizando a vida em sua comunidade. No decorrer deste período, grandes desafios foram enfrentados, e felizmente sobre a condução de nosso bispo Dom Edmilson, devemos render graças ao Senhor que cuida do seu povo através da sua Igreja e Seu amor sempre fiel.

Este ano, também, tivemos nossa XI Assembleia Diocesana, a consulta do sínodo dos bispos de 2023, os desdobramentos da Assembleia Diocesana nas paróquias e nas foranias. Momentos estes, já frutuosos, e que nos preparam para viver um novo ano cheios do Amor de Deus em nossas vidas, comunidades e nas mais diversas atividades pastorais paróquias e diocesanas.

Em foco pastoral neste mês, temos os nossos grupos de rua que já iniciaram a Novena de Natal nas casas e nas igrejas. Este ano a novena, tem como intenção principal as famílias, o que nos dá a graça e a oportunidade de retornarmos os pequenos grupos de reflexão nas casas, não só com a novena mas também com o santo terço e a leitura orante. Coragem!

Roguemos a Virgem Imaculada, padroeira de nossa Diocese e da Cidade, para que sejamos dóceis à Palavra de Deus, e que Cristo Jesus, Palavra Eterna do Pai, habite em nós e gere em nós a conversão, a vida Eterna. Um feliz e abençoado Natal a todos e um Ano Novo cheio de bençãos e felicidade a todos.

 

Pe. Marcelo Dias Soares

Coordenador Diocesano de Pastoral

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Artigos Vocação e Seminário

2023: O terceiro Ano Vocacional no Brasil

É com grande alegria que do dia 20 de novembro de 2022 a 26 de novembro de 2023 se celebrará o terceiro Ano Vocacional da Igreja no Brasil. Tal iniciativa vide comemorar os 40 anos do primeiro ano temático dedicado à reflexão, oração e promoção das vocações no país. O tema para esse Ano Vocacional é “Vocação: Graça e Missão” – com inspiração no Documento Final do Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” – e o lema é “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-33).

O subsídio preparatório para a vivência do Ano Vocacional indica que “‘vocação’ é iniciativa de Deus, é mistério, é graça, é experiência de encontro com Jesus, é fascínio e alegria, é assombro, é sensibilidade ao apelo, é inconformidade, é resposta pessoal, é envolvimento comunitário, é missão, é tarefa, é serviço, é disposição para o sacrifício, é entrega da vida, é coragem e determinação, é esperança e convicção firme, é testemunho de fé”. De fato, o chamado de Deus envolve todos esses aspectos: é graça, pois plenifica o homem; e é missão, pois nos impulsiona a anunciar essa mesma benevolência.

Nesse sentido, torna-se pertinente o lema escolhido para o Ano Vocacional, pois recorda os discípulos de Emaús e, assimilando à vida do vocacionado, tem o seu coração ardente ao escutar a Palavra do Ressuscitado e os pés que se colocam a caminho para anunciar o encontro com o Cristo.

“Desejamos que o Ano Vocacional ajude cada pessoa a acolher o chamado de Jesus como graça e seja uma oportunidade para que mais e mais corações ardam e que os pés se ponham a caminho, em saída missionária”, nos aponta o subsídio. Que possamos viver bem esse ano dedicado às vocações na Igreja no Brasil.

Aproveitamos a oportunidade para convidá-los para a abertura do Ano Vocacional em nossa Diocese. Será no dia 20 de novembro às 11h na Catedral Nossa Senhora da Conceição. Participe conosco desse importante momento!

 

Sem. Edson Vitor – 3º ano de teologia

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Artigos Movimentos Diocesanos PAB

Pastoral Afro dentro e fora da Diocese

O mês de outubro foi de agenda cheia para a PAB – Pastoral Afro Brasileira. As atividades iniciaram no final do mês de setembro, com a participação das agentes do grupo Filhos de São Benedito, Valéria e Rozana, além do assessor da pastoral, Padre Valdocir Aparecido Raphael, da 10ª Edição do Congresso Nacional de Entidades Negras Católicas (CONENC) realizada em Salvador – BA, nos dias 22 a 25, representando a Diocese de Guarulhos neste importante encontro de lideranças afrobrasileiras de toda a Igreja.  No dia 04 de outubro, os membros da PAB participaram da missa de Rito Romano Inculturado e Adaptado ao Estilo Afro Brasileiro, realizada no salão paroquial do Santuário de Nossa Senhora do Bonsucesso, presidida pelo Padre Allan Cristian e animada pelos Filhos de São Benedito, que fechou o tríduo do padroeiro. No dia 07 de outubro, a missa inculturada foi realizada na Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Cocaia, animada pelos Filhos de Mariama. Orlando Junior, dos Herdeiros de Nhá Chica e Francisvaldo Vieira, coordenador diocesano, estiveram dia 19 de outubro no Santuário Nacional de Aparecida para a gravação do programa “Sabor em Vida”, da TV Aparecida, cuja entrevista será exibida dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Gratidão a Deus por todos estes momentos de partilha de experiência de fé.  Venha você também fazer parte desta história participando das atividades que serão realizadas no mês de novembro, dedicado a consciência negra, confira a agenda ao lado, traga a família e venha com muita alegria.

Axé!

 Elen Oliveira – Pastoral Afro-Brasileira