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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Da condenação ao acolhimento: a esperança cristã diante do suicídio

O Jubileu Ordinário de 2025, convocado pelo Papa Francisco sob o lema Peregrinos de Esperança, recordou à Igreja que anunciar Cristo Ressuscitado significa também reacender a esperança diante das experiências humanas mais profundas de sofrimento. Entre elas, o suicídio permanece como um dos maiores desafios da atualidade, exigindo uma reflexão que una fidelidade ao Evangelho da vida, sensibilidade diante da dor humana e compromisso concreto com a promoção da dignidade da pessoa.

Ao longo da história, o suicídio recebeu diferentes interpretações culturais, filosóficas e religiosas. Entretanto, trata-se de um fenômeno complexo, que não pode ser reduzido a uma única causa, pois envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais, espirituais e comunitárias. A própria sociologia demonstra que a ruptura dos vínculos humanos e a perda do sentido da existência podem contribuir significativamente para o agravamento do sofrimento[1].

Desde os primeiros séculos, a Igreja proclamou a vida como dom sagrado confiado por Deus. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino ofereceram importantes fundamentos para a reflexão moral cristã, reafirmando a inviolabilidade da vida humana. Posteriormente, com o desenvolvimento da Teologia Moral, especialmente após o Concílio Vaticano II, a Igreja passou a contemplar com maior profundidade as circunstâncias concretas vividas por quem enfrenta intenso sofrimento psíquico. Sem relativizar o valor da vida, reconhece a complexidade dessas situações e as confia à infinita misericórdia de Deus[2].

Nesse horizonte, a virtude teologal da esperança apresenta-se como um caminho privilegiado para a promoção da vida. Ela não elimina imediatamente a dor, mas restitui-lhe um sentido. Quando o sofrimento parece obscurecer todo horizonte, a esperança cristã recorda que nenhuma pessoa está abandonada por Deus. Como afirma a bula Spes non confundit, a esperança “não decepciona” (Rm 5,5), porque nasce do amor divino e sustenta o ser humano mesmo nas noites mais escuras. Bento XVI acrescenta que ela transforma o presente, abrindo a vida para um futuro sustentado pela fidelidade de Deus[3].

Promover essa esperança exige atitudes concretas. A prevenção do suicídio não depende exclusivamente da intervenção clínica nem apenas da prática religiosa isolada, mas da integração entre acompanhamento espiritual, cuidado psicológico, fortalecimento dos vínculos comunitários e cultivo da virtude da esperança. Fé e ciência não competem entre si; ao contrário, colaboram na promoção integral da pessoa humana, favorecendo uma autêntica cultura do cuidado.

Assim, o caminho da condenação ao acolhimento expressa o amadurecimento pastoral da Igreja diante de uma realidade profundamente humana. Promover a esperança é, hoje, uma das formas mais concretas de promover a vida. Toda comunidade cristã torna-se verdadeiro sinal do Evangelho quando transforma o acolhimento em presença, a escuta em cuidado e a esperança em compromisso cotidiano com aqueles que sofrem.

[1] DURKHEIM, Émile. O Suicídio: Estudo de sociologia. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2000. MARTINS, Fran. Anualmente, mais de 700 mil pessoas cometem suicídio, segundo OMS. Gov.br: Ministério da Saúde, 2022.

[2] AGOSTINHO, Santo. Cidade de Deus I. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2016. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.V. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2011. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.VI. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2012. CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição pastoral Gaudium et Spes. 1965. CATECISMO da Igreja Católica. Brasília: CNBB, 2022.

[3] FRANCISCO, Papa. Spes non Confundit: Bula de proclamação do jubileu ordinário 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024. BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica Spe Salvi: sobre a esperança cristã. São Paulo: Loyola, 2007.

 

Luis Henrique da Silva Santos

Diácono – Diocese de Guarulhos

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Diocese de Guarulhos lança a obra “Um Barco Pronto para Partir” em noite marcante de resgate histórico e debate pastoral

O Centro Diocesano de Pastoral de Guarulhos foi palco de uma noite memorável de resgate da memória eclesial e reflexão histórica. Trata-se do lançamento solene do livro “Um barco pronto para partir: A missão dos padres canadenses em Guarulhos”, obra organizada pelo estimado Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo. O evento reuniu clérigos, intelectuais, agentes pastorais e fiéis para celebrar a contribuição dos missionários canadenses na construção da Igreja local.

A cerimônia foi aberta pelo Padre Marcos Vinícius, que acolheu o público. A oração inicial e a condução da leitura bíblica foram realizadas pelo Diácono Luis Henrique e pela Irmã Clarícia Gramarin, preparando o ambiente para uma noite de profunda comunhão e reflexão.

Para debater os múltiplos aspectos da obra, formou-se uma rica roda de conversa mediada pelo Padre Marcos Vinícius, contando com a presença de personalidades de destaque da Igreja, da cultura e do meio acadêmico:

  • Dom Edmilson Amador Caetano: Bispo Diocesano de Guarulhos, responsável pela apresentação oficial da obra.
  • Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo: Organizador da obra e autor do prefácio, que compartilhou o processo de resgate histórico.
  • Padre Marcelo Dias Soares: Coordenador Diocesano de Pastoral, responsável pelos discursos de agradecimento e orientações finais.
  • Wellington Alves: Jornalista, que abordou o panorama sobre “O tempo de Exceção no Brasil”.
  • Orlando Fantazzini: Advogado, que contribuiu com reflexões sobre a “Pastoral dos Direitos Humanos”.
  • Caetana Cecília: Socióloga e educadora musical, que palestrou sobre “A renovação Pastoral à Luz do Concílio Vaticano II”.

O evento contou ainda com uma emocionante participação por vídeo do Padre Raimundo Forget, que partilhou sua experiência missionária viva.

A obra do Padre Frizzo é definida por seu caráter comunitário e colaborativo, concebida como um verdadeiro mutirão de memória viva. Como ressalta a mensagem de encerramento do encontro:

“Tecer a bela colcha de retalhos. Creio que desse modo seja mais agradável a apresentação desse trabalho. Tudo feito em mutirão. Analisando tudo que fizeram, nos cabe confirmar: Missão realizada!”.

Após o encerramento da cerimônia, que contou com a bênção final e envio proferidos por Dom Edmilson Amador Caetano, os autores e organizadores realizaram a concorrida sessão de autógrafos.

 

Confira alguns registros da noite de lançamento:

Lançamento do Livro "Um barco pronto para partir" - Pe. Frizzo
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Lançamento do Livro: ‘Um Barco Pronto para Partir’

A Missão dos Padres Canadenses em Guarulhos

Organização: Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo


 

Caríssimos irmãos da Diocese de Guarulhos, Paz e bem!

A Diocese de Guarulhos, como toda Igreja Particular, nasceu da vontade de   Deus e se desenvolveu sob a condução do Espírito Santo, que ao longo da história suscitou vocações, ministérios e carismas   para a edificação do   seu    povo.   Entre aqueles    que generosamente    responderam    a    esse    chamado, destacam-se os missionários canadenses que, entre os anos de 1960 e 1993, contribuíram significativamente para a evangelização, a    promoção   humana   e a estruturação pastoral de muitas comunidades    que compõem hoje a história de nossa Diocese.

Com grande alegria, convidamos a todos para o lançamento do livro Um Barco Pronto para Partir — A Missão   dos Padres    Canadenses   em    Guarulhos, organizado pelo Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo no dia 31 de julho das 2026 às 20h no CDP A obra reúne relatos, testemunhos e reflexões de pessoas que viveram de perto essa extraordinária experiência missionária, tornando-se não apenas narradores, mas verdadeiros protagonistas de uma história que continua a inspirar a caminhada da Igreja em nossa cidade.

Como recorda Dom Edmilson na apresentação da obra, os missionários canadenses   são reconhecidos como verdadeiros “pais fundadores” de muitas de nossas comunidades. Seu trabalho ultrapassou os limites da ação sacramental, alcançando a   formação de lideranças, a promoção da dignidade humana, o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base, a defesa dos mais pobres e a construção das estruturas pastorais que contribuíram para o nascimento e o desenvolvimento da Diocese de Guarulhos.

0 livro nos convida a revisitar uma Igreja profundamente   marcada pelo   espírito do Concilio Vaticano II, pela opção preferencial pelos pobres, pela missão em saída e pelo   compromisso   com a transformação evangélica da sociedade. Como escreve o Pe. Frizzo em seu prefácio, trata-se de um conjunto de narrativas de testemunhas que não contam apenas a história de outros, mas compartilham suas próprias experiências de fé, trabalho, luta, esperança e compromisso com o Reino de Deus.

Mais do que um registro histórico, esta publicação constitui um verdadeiro patrimônio da memória eclesial de Guarulhos.  Ao    conhecer   as trajetórias   desses missionários e religiosas, somos convidados a renovar nossa própria vocação pastoral, fortalecendo o ardor missionário, a comunhão e o compromisso com as comunidades que hoje nos são confiadas.

Participar deste lançamento é uma oportunidade privilegiada para agradecer a Deus pelo legado recebido, homenagear aqueles que construíram os alicerces de nossa Diocese e renovar em nós o desejo de continuar navegando, guiados pelo Espírito Santo, rumo aos desafios do presente e do futuro.

Neste dia, quem adquirir um exemplar da obra ‘Um Barco Pronto para Partir’, receberá a dedicatória do organizador, Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo, e, se possível, também   dos   demais colaboradores e testemunhas que contribuíram para a construção deste importante obra.  Será uma ocasião singular para preservar não apenas um livro, mas um pedaço vivo da história de nossa Diocese, enriquecido pela assinatura daqueles que ajudaram a escrevê-la.

Contamos com a presença fraterna de todos os padres e diáconos para este importante momento de memória, gratidão e celebração da história de nossa Igreja Particular.

 “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4,20).

Fraternalmente,

Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo

 

Lançamento do Livro:

‘Um Barco Pronto para Partir’ — A Missão dos Padres Canadenses em Guarulhos

Organização: Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo

Data: Sexta-feira, 31 de julho

Horário: às 20h

Local: CDP – Centro Diocesano de Pastoral

Av. Gilberto Dini, 519 – Bom Clima

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Os pobres seguem sendo invisíveis

Qual o nosso comportamento diante de uma pessoa que reside na rua? Por qual motivo, apesar de serem tantos, são invisíveis aos nossos olhares? Existe uma política municipal de inclusão?

Esses e outros temas, como as causas que levam as pessoas a residirem na rua, serão refletidos no próximo dia 15 de abril, em aula organizada pelo Escola de Fé e Política Dom Joaquim Justino Carreira.

Organizada em oito núcleos e, em diferentes paróquias, a Pastoral do Povo de Rua distribui diariamente cerca de 200 marmitas aos moradores. O aumento do aluguel, o endividamento das famílias e as constantes ordens judiciais de despejos estão na raiz do aumento da população de rua.

Em Guarulhos cerca de duas mil pessoas residem nessa situação e não encontram, segundo a coordenação da Pastoral, nenhuma ação política para diminuir o problema.

A aula, on-line,  acontece dia 15 de abril, às 19h30 com a presença do assessor nacional Luiz Kohara e poderá ser acompanhada no endereço:

https: meet.google.com/ygi-usqp-kio

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Encontros com grupos de comunidades vivenciam prática de espiritualidade

No mês de março, a equipe de subsídios da Leitura Orante da Diocese de Guarulhos (juntamente com nosso Bispo diocesano), promoveu encontros com os grupos das comunidades que vivenciam essa prática tão rica de espiritualidade. Estiveram presentes representantes das foranias Aparecida, Carmo, Rosário, Bonsucesso e Fátima, em momentos marcados pela escuta, partilha e comunhão. As integrantes da equipe tiveram a oportunidade de acolher diversos depoimentos dos participantes, que expressaram, com profundidade, experiências significativas de encontro com a Palavra de Deus, além de apresentarem sugestões que contribuirão para o fortalecimento dessa caminhada nas comunidades.

Durante os encontros, também foi proporcionado um momento formativo sobre a Sinodalidade, tema que orienta as meditações e orações da Leitura Orante ao longo deste ano. A reflexão destacou a importância de caminhar juntos, como Igreja, valorizando a escuta, a participação e a corresponsabilidade de todos. Assim, os encontros não apenas fortaleceram os vínculos entre a equipe e os grupos, mas também renovaram o compromisso de seguir promovendo uma espiritualidade enraizada na Palavra e vivida em comunhão.

Leia e faça a Leitura Orante da Palavra de Deus:

Acesse: https://diocesedeguarulhos.org.br/leitura-orante/

Kátia NeumanEquipe Diocesana da Leitura Orante

Encontros Leitura Orante com Grupos
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Mês da Bíblia 2025: Carta aos Romanos

O Mês da Bíblia é destinado a quem quer alimentar sua fé em Jesus Cristo e vivenciá-la comunitariamente, em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Em 2025, o Mês da Bíblia será focado na Carta aos Romanos com o inspirador lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Esse lema, escolhido em uníssono com o Grupo de Reflexão Bíblico Catequética (GREBICAT), ganhou ainda mais significado com a escolha do Papa Francisco para o Jubileu da Encarnação de 2025, demonstrando uma maravilhosa convergência espiritual.

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

Setembro é o mês dedicado, pela Igreja no Brasil, ao aprofundamento da Palavra de Deus. Em 2025, o Mês da Bíblia tem como texto inspirador a Carta aos Romanos, uma das obras mais influentes de São Paulo e um marco da teologia cristã primitiva. O lema escolhido, “A esperança não decepciona” (Rm 5,5), convida nossas comunidades educativas a redescobrir que a vida encontra sentido no amor de Deus, revelado em Cristo e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

Tradicionalmente atribuída a São Paulo, a carta é datada entre os anos 55 e 58 d.C., provavelmente escrita em Corinto, embora alguns estudiosos levantem a hipótese de que tenha sido redigida por um discípulo ou membro da comunidade de Roma, devido à sua densidade e estilo teológico. Diferente de outras cartas, Paulo escreve para uma comunidade que não havia fundado, formada por gentios, judeus, prosélitos e tementes a Deus. Esse grupo vivia tensões internas após a volta dos judeus expulsos de Roma pelo Edito de Cláudio (49 d.C.), o que gerava dificuldades de convivência e de unidade no seguimento de Jesus.

A carta possui também objetivos práticos: Paulo planejava levar uma coleta a Jerusalém, buscava ser acolhido pelos romanos e receber apoio para sua futura missão na Espanha. No entanto, mais do que
uma carta de apresentação, trata-se de uma profunda reflexão teológica. Nela, Paulo reafirma que a justificação não vem das obras da Lei, mas da fé em Jesus Cristo, dom gratuito que alcança todos os povos. Destaca ainda o papel de Israel no plano salvífico de Deus, mantendo viva a esperança de sua plena adesão a Cristo, e apresenta as consequências éticas da fé: uma vida marcada pela caridade, pela fraternidade e pela superação de divisões.

O coração da mensagem é a certeza de que “a esperança não decepciona”, porque se enraíza no amor de Deus que nada pode separar do ser humano (cf. Rm 8,39). Esse amor foi revelado em Cristo e é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A Carta aos Romanos, portanto, não é apenas um tratado teológico, mas uma convocação a viver a fé como comunhão, reconciliação e testemunho de esperança em meio às tensões e desafios da vida comunitária.

3 grandes temas pastorais para o mês da Bíblia 2025

Esperança

A Carta aos Romanos nos apresenta a esperança como alicerce da vida cristã: “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Reconhecendo que a vida está marcada por desafios, sofrimentos e limites, Paulo lembra que a esperança cristã não é ingênua nem frágil: ela se ancora na paz com Deus e na certeza de que nada pode nos separar do Seu amor (Rm 8,39).

Essa esperança transforma a vida pessoal e comunitária, sustentando educadores e estudantes a caminhar firmes como peregrinos, confiantes de que a vida tem sentido porque está enraizada no dom de Cristo.

Reconciliação

Em Cristo, Deus nos oferece a reconciliação: somos justificados pela fé e restaurados na amizade com Ele (Rm 5,1-11). A reconciliação não é apenas uma experiência interior, mas um chamado a refazer laços rompidos, a vencer divisões e a superar preconceitos. Paulo lembra à comunidade de Roma que Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2,11), convidando judeus e gentios a se acolherem mutuamente.

Liberdade

Um dos pontos mais fortes da Carta é o anúncio da verdadeira liberdade: em Cristo, somos libertos do pecado, da lei e da morte para viver na novidade do Espírito (Rm 6–8). O batismo é a grande porta dessa experiência: morrer para o pecado e viver para Deus em Cristo (Rm 6,4). Essa liberdade não se confunde com autonomia individualista, mas se realiza no serviço e no amor ao próximo (Rm 13,8-10).

3 DIMENSÕES PARA O USO DA BÍBLIA

1. Oração: a Palavra que gera encontro

A primeira dimensão da animação bíblica é a oração, pois a Sagrada Escritura não é apenas um texto a ser estudado, mas lugar de encontro com Jesus Cristo, Palavra viva do Pai. O contato orante com a Escritura transforma a leitura em diálogo, onde se fala com Deus antes de falar de Deus. Isso gera silêncio interior, escuta atenta e disponibilidade para deixar-se conduzir pelo Espírito.

2. Formação: a Palavra que ilumina a mente e a vida

A segunda dimensão é a formação, porque a Palavra de Deus precisa ser compreendida com maturidade e responsabilidade. A Bíblia é Palavra viva, mas escrita em contextos históricos, sociais e culturais diferentes; exige, portanto, interpretação adequada, em diálogo com a teologia, as ciências e a realidade atual. A formação bíblica liberta do fundamentalismo, abre horizontes para o pensamento crítico e oferece critérios evangélicos para discernir a vida.

3. Anúncio: a Palavra que envia em missão

Por fim, a animação bíblica encontra seu dinamismo pleno no anúncio. A Palavra, quando rezada e assimilada, impele ao testemunho e à evangelização inculturada. O discípulo missionário não guarda para si o encontro com Cristo: anuncia-o em gestos e palavras, contextualizando a Boa-nova na cultura, na linguagem e nas necessidades do tempo presente. Para a escola católica, essa dimensão se concretiza no compromisso educativo que ultrapassa as fronteiras da sala de aula, formando sujeitos capazes de viver e anunciar a esperança cristã no mundo, com sensibilidade pastoral e abertura à diversidade.

Fonte:

Associação Nacional de Educação Católica do Brasil – ANEC

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O Documento Final do Sínodo deve ser acolhido como magistério pontifício

O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, aprovado pelo Papa Francisco em 26 de outubro passado, “participa do Magistério ordinário do Sucessor de Pedro e, como tal, peço que seja acolhido”. O Papa, na Nota de acompanhamento do Documento, assinada no domingo, 24 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, e divulgada na segunda-feira (25/11), reafirma, como disse na ocasião da aprovação, que o documento “não é estritamente normativo” e que “sua aplicação exigirá diversas mediações”. Porém, “isso não significa que não comprometa desde já as Igrejas a fazer escolhas coerentes com o que nele está indicado”. De fato, o documento em si “representa uma forma de exercício do ensinamento autêntico do Bispo de Roma, que traz traços de novidade”, mas corresponde ao que foi afirmado por Francisco em outubro de 2015 sobre a sinodalidade, que é “o quadro interpretativo adequado para compreender o ministério hierárquico”.

Comunhão, participação e missão

O Pontífice confirma que o caminho do Sínodo, iniciado por ele em outubro de 2021, no qual a Igreja, ouvindo o Espírito Santo, foi chamada a “ler sua própria experiência e identificar os passos a serem dados para viver a comunhão, realizar a participação e promover a missão que Jesus Cristo lhe confiou”, prossegue nas Igrejas locais, aproveitando-se precisamente do Documento Final. Um texto que foi “votado e aprovado pela Assembleia em todas as suas partes”, e que também o Papa Francisco aprovou e, ao assiná-lo, ordenou sua publicação, “unindo-me ao ‘nós’ da Assembleia”.

Os temas confiados aos dez grupos de estudo

Recordando o que foi declarado em 26 de outubro, o Papa reitera que “é necessário tempo para chegar a escolhas que envolvam toda a Igreja”, e que “isso vale especialmente para os temas confiados aos dez grupos de estudo, aos quais outros poderão ser acrescentados, tendo em vista as decisões necessárias”. E enfatiza novamente, citando o que escreveu na Exortação pós-sinodal Amoris laetitia, que “nem todas as discussões doutrinárias, morais ou pastorais precisam ser resolvidas com intervenções do magistério”. Assim como “em cada país ou região, podem ser buscadas soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais”.

As indicações que já podem ser acolhidas nas Igrejas locais

Francisco acrescenta que o Documento Final contém indicações que “já podem ser acolhidas agora nas Igrejas locais e nos agrupamentos de Igrejas, levando em conta os diferentes contextos, o que já foi feito e o que ainda resta a fazer para aprender e desenvolver cada vez melhor o estilo próprio da Igreja sinodal missionária”. A partir de agora, escreve o Pontífice, “na relação prevista para a visita ad limina, cada bispo cuidará de relatar quais escolhas foram feitas na Igreja local a ele confiada em relação ao que é indicado no Documento Final, quais dificuldades foram encontradas, e quais foram os frutos”.

As palavras compartilhadas devem ser acompanhadas por ações

A tarefa de acompanhar esta “fase de implementação” do caminho sinodal, conclui o Papa Francisco, é confiada à Secretaria Geral do Sínodo junto com os Dicastérios da Cúria Romana. E ele reafirma ainda, como disse em 26 de outubro, que o caminho sinodal da Igreja Católica “precisa que as palavras compartilhadas sejam acompanhadas por ações”. O Espírito Santo, dom do Ressuscitado, é sua oração final: “sustente e oriente toda a Igreja neste caminho”.

Encontro de Dom Edmilson com os membros das paróquias e comunidades da  Diocese

Entre os dias 26 e 30 de maio nosso Bispo, Dom Edmilson Amador Caetano esteve reunido com os membros de comunidades e CPP’s das paróquias de todas as Foranias da Diocese, para explanar um pouco sobre a implantação do Sínodo dos Bispos em nossa Diocese e realização de algumas questões a serem tratadas em cada comunidade/paróquias e suas realidades.
Confira as questões a serem tratadas pelas paróquias na íntegra:
1.  Quais os itinerários de Iniciação Cristã (e formação permanente na fé) temos em nossa comunidade, além da catequese para a recepção dos Sacramentos? Em qual deles está a minha experiência pessoal?
2.   Quais elementos da espiritualidade sinodal estão presentes em nossa comunidade quais estão deficientes ou ausentes?
3.   O que temos em nossas comunidades que nos faz estar juntos e decidir juntos a vivência da missão da Igreja?
4.   O que falta em nossas comunidades que nos faz estar juntos e decidir juntos a vivência da missão da Igreja?
5.  Evangelizar é a missão essencial da Igreja. Evangelizar “todos, todos, todos”. De quem desses “todos” não estamos tão próximos?
6.   O que temos em nossas comunidades que nos faz estar próximos dos mais pobres e dos excluídos na obra da evangelização?
7.  O que não temos em nossas comunidades que estão impedindo de estar mais próximos dos pobres e excluídos na obra da evangelização?
Confira o Documento Final na íntegra:
diocesedeguarulhos.org.br/subsidios-diocesanos/
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“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28)

O objetivo do presente artigo é tratar sobre a saudação do enviado de Deus a Maria: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Além disso, aborda a importância de manter a esperança e a alegria, fundamentadas em Cristo Jesus, diante de um cenário social marcado pelo individualismo, isolamento e desvalorização dos valores comunitários. Traz palavras do Papa Francisco que motivam os cristãos a serem mensageiros da Alegria do Evangelho.

Para dar sentido e renovar a alegria dos missionários/as do Caminho, como verdadeiros sujeitos eclesiais, “os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido” (Documento de Aparecida, 41).

A Bem-Aventurada Virgem Maria escutou a Palavra, acolheu-a no coração e deu frutos. Ela é a primeira discipula-missionária cristã. A discípula mais perfeita do Senhor. Seu itinerário é a partir de Cristo. “Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai” (Documento de Aparecida, 266).

Diante disso, Maria, quando foi saudada pelo enviado de Deus, tentou  entender o significado daquela saudação (cf. Lc 1,29): “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28).

A saudação que está no Evangelho de Lucas 1,28: “Alegra-te”, é bem conhecida pelos cristãos, por estar no início da Oração da Ave-Maria. A saudação usual em grego (chaíre) corresponde ao latim ave (seja próspero) e ao hebraico shalom (paz) – tem a mesma raiz de “se alegrar” e “encontrar graça” (Lc 1,28.30). Em grego, as palavras “graça”, “gratuidade”, “bondade”, “beleza” e “dom” são aparentadas entre si: descrevem Deus e o seu relacionamento conosco.

“Alegre-se, Maria” (cf. Lc, 1,28) está no contexto da Encarnação de Jesus e também mostra a vocação de Maria e sua resposta generosa. Maria é chamada a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus (Lc 1,14.44.58;2,10). Compromisso que nasce do Batismo, isto é,  de todos os cristãos – Povo de Deus a caminho.

A alegria não foi somente para Maria, mas para o Povo de Deus que ela representa. “Com razão afirmam os santos Padres que Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e com inteira obediência. Como diz Santo Irineu, ‘pela obediência, ela tornou-se causa de salvação para si mesma e para todo o gênero humano” (Lumen Gentium, 56).

A expressão “o Senhor está contigo” (Lc 1,28) quer dizer: tu terás uma missão exigente, mas o Senhor estará ao teu lado, dando-lhe força para realizar o que ele te pede.

A alegria de Maria, anunciada pelo enviado de Deus, expressa pelo evangelista Lucas, irrompe da ação do Espírito Santo que a faz conceber Jesus. Portanto, a Mãe de Deus, como mulher de fé, ao cantar o seu Magnificat louva a Deus pela salvação recebida ao mesmo tempo que recorda a ação e Deus e a sua fidelidade aos pequenos e aos pobres.

No Magnificat,  os cristãos se deparam com a espiritualidade de Maria. Por isso,  a Bem-Aventurada Virgem Maria, discípula missionária de Jesus Cristo, é modelo para todos os cristãos que, alicerçados na esperança, encontram, na Mãe de Deus, a sua testemunha mais fiel.

Diante do atual contexto social atual, onde a realidade para o ser humano se tornou cada vez mais sem brilho e complexa, verifica-se uma forte tendência ao individualismo. Os meios de comunicação invadiram todos os espaços e conversas, inclusive na intimidade dos lares, estimulando competições e distorções dos valores da vida e dos relacionamentos.

A falta de cuidado com a Ecologia Integral, criação de Deus; a ausência de espírito comunitário que provoca isolamento; o desinteresse pelo zelo e cuidado com a dignidade da pessoa humana; e o medo que paralisa, são alguns dos aspectos que dificultam uma dinâmica frutífera na vida comunitária.

Estes, entre outros, aspectos da atualidade tem tentado “roubar” a alegria e a esperança de muitos cristãos. É preciso resistir às tentações e permanecer com Jesus, na profecia e na resistência.

O Santo padre, Papa Francisco comentou que pouco a pouco, o que ele denominou de “psicologia do túmulo”, transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como “o mais precioso elixir do demônio” (Evangelli Gaudium, 83).

Para o pontífice, os cristãos chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, insiste Francisco: “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!”. Ao perceber as tristezas e aridez no que se concerne à fé, “Não deixem que lhes nos roubem a esperança” e “Não deixemos que nos roubem a Comunidade” (Evangelli Gaudium 86, 86 e 89). Aos jovens, disse o Pontífice: “Não tenham medo de sonhar grandes coisas”.

Se a alegria que vem do Senhor muitas vezes é substituída por prazeres momentâneos e passageiros, por medos e desafios, “olhemos para Maria, voltemos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto”, enquanto caminhamos neste mundo como Peregrinos de Esperança, rumo a uma Igreja Povo de Deus, em estilo sinodal.

“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você”. Certamente Maria conhecia o Salmos 100;  Salmo 16,11; Salmo 33,20-22; Salmo 32,11 que tratam sobre a Alegria. Você não os conhece? Será uma excelente oportunidade para ler, meditar e partilhar esta alegria com sua família, seus amigos e na Comunidade: Povo de Deus, missionários da alegria.

 

Celia Soares de Sousa,

Cristã leiga e teóloga

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O profeta Ezequiel crítica a prática dos falsos pastores

Deportado, já, na primeira leva à Babilônia, no ano de 597 a.C., por ocasião do cerco imposto ao governo do reino de Judá, Ezequiel não poupa tintas para criticar o modo da elite judaíta fazer política. Estamos nos anos de 597 a 587 a.C., período em que a província é governada por uma junta administrativa liderada por Sedecias.

Sedecias, frágil e manipulado pelas lideranças ao seu redor, mostra-se incapaz de evitar a catástrofe imposta pelos exércitos caldeus, no ano de 587 a.C. Sua morte é um exemplo da violência que se abateu sobre os habitantes, quando Nabucodonosor, em pessoa, comanda seu exército impondo total ruína da província, conforme o relato exposto em 2Rs 25,8-10:

“No quinto mês, no dia sete – era o décimo nono ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia, -, Nabuzardã, comandante da guarda, oficial do rei de Babilônia, fez sua entrada em Jerusalém. Incendiou o Templo de Javé, o palácio real e todas as casas de Jerusalém. E todo o exército caldeu que acompanhava o comandante da guarda destruiu as muralhas que rodeavam Jerusalém”.

Juntamente com a corte do rei Joaquin, Ezequiel parte à região de Tel-Abib, às margens do rio Cobar, afluente do Eufrates, no ano de 597 a.C. Para os redatores do livro dos Reis, dez mil notáveis e mil artesãos – entalhadores, marceneiros, ourives, padeiros – formam a comunidade dos exilados (2Rs 24,14-16), que será nutrida pelas mensagens catequéticas dos profetas Jeremias, Ezequiel e Isaías (Ez 1,3; 3,15-21; 16; 22; Is 42,22-45; 44,9-20; Jr 28,2-17; Sl 137). Mesmo na condição de rei derrotado e deportado, Joaquin e seus mais diretos colaboradores, não perderam seus títulos e nem deixaram de ser tratados como membros da realeza do reino de Judá. Nas escavações arqueológicas de 1930, próximas da porta da deusa Ishtar, foi encontrada uma inscrição com o seguinte registro: “6 litros de óleo para Joaquin, rei da terra de Judá, 2½ litros para os 5 príncipes de Judá e mais 4 litros para os 8 homens de Judá”. O profeta Jeremias indica benevolência ao rei Joaquin sob os comandos do rei Evil-Merodac que “falou-lhe com bondade e lhe concedeu um assento superior ao dos outros reis que estavam com ele na Babilônia” (Jr 52, 31-34).

Com a destruição da cidade e do seu templo, as instâncias de poder deixam de existir, agora, no arrasado reino de Judá.  A interferência bélica babilônica foi precisa e planejada, pois as pequenas e médias cidades, que davam proteção a capital Jerusalém, não foram destruídas. A região de Benjamim e as cidades de Gibeon, Masfa, Betel, Ramat Rahel e Belém, promissoras na produção agrícola, cultivo de oliveiras, criação de ovelhas e tâmaras serão preservadas. Ramat Rahel, Masfa, Belém sediarão importantes centros de arrecadação tributária, produção de cerâmicas, sede de governo regional e subvenção de alimentos, integrando-se ao grande Império.

É nesse contexto de dez anos de governo chefiado por Sedecias, que encontramos a conjuntura social capaz de justificar as denúncias de abandono do “rebanho de Israel”, tão fortemente exposta na profecia de Ezequiel 34,1-16. A falta de tática e honestidade política de Sedecias estão presentes nas palavras do profeta. Pertencente ao grupo de sacerdotes exilados na primeira deportação, não é difícil imaginar que as tratativas espalhafatosas de Sedecias na esfera da administração da província de Judá, não chegaram ao conhecimento do profeta Ezequiel. A elite e seu governante se deixam levar pelos caminhos do assédio político. Inebriados pelas vantagens oferecidas pelo poder, agora, encontram-se cegos diante do sofrimento do povo. Aqui entre a denúncia de Ezequiel contra os pastores de si mesmo instalados em Israel.

O rebanho sofre. Padece por falta de pastor. Encontra-se abandonado e, assim, entregue como alimento às feras do campo que, sem proteção, agora, disperso entre “montes e colinas elevados” (v. 6), amarga os anos vividos no exílio babilônico:

“Ai dos pastores de Israel que pastoreiam a si mesmos! Não é do rebanho que os pastores deveriam cuidar? A gorda [ovelha] vós comeis  e a lã vós vestis a gorda sacrificais, do rebanho não cuidais. As enfraquecidas não fortalecestes, as que adoeceram não procurastes curar, as que se fraturaram, não enfaixastes, as que se dispersaram, não trouxestes de volta, as que se perderam, não fostes procurar, as dominais com violência e brutalidade. Elas se dispersaram, por falta de pastor. E se tornaram alimento para todas as feras dispersas no campo. O meu rebanho se dispersou por todos os montes”. (Ez 34,2-6).

Nota-se que ao descrever a penosa situação do rebanho a insistência no uso do verbo dispersar, três vezes recorrente (v. 5a-b, 6), abre e conclui esta parte da narrativa.  O rebanho sofre. Padece por falta de pastor. Encontra-se abandonado e, assim, entregue como alimento às feras do campo que, sem proteção, agora, disperso entre “montes e colinas elevados” (v. 6), amarga os anos vividos no exílio babilônico.

Sedecias em nada amenizou nas taxas de impostos cobradas junto aos grupos de agricultores e criadores de gados. Na sua estratégia política de aproximação com o Egito, no dia a dia, camponeses e agricultores sentiram o peso das elevadas taxas tributárias. O profeta Jeremias, árduo defensor de uma constante submissão aos planos traçados pelo Império Babilônico às regiões da Síria e Palestina, não só teria alertado, como presenciou anos de forte sofrimento imposto ao povo, durante e após os dias que sucederam a administração de Sedecias:

Os pastores perderam o bom senso e deixaram de procurar Javé. Por isso não tiveram sucesso, e o rebanho que eles conduziam se espalhou. Ouçam o barulho que avança do norte. Ele vem fazer das cidades de Judá um lugar arrasado, um abrigo de chacais. (Jr 10,21-22).

O trabalho de cuidar, oferecer boas pastagens, garantir ao rebanho segurança e água, legitima uma profissão muito conhecida na cultura dos povos mesopotâmicos. A profissão de pastor é compreendida como sinônimo de zelador, cuidador. O sentimento nacional de pertença à realeza exilada, ao deus que os acompanhou mudando sua tenda para junto dos exilados, justificam as severas críticas aos planos gananciosos da classe dirigente de Jerusalém, nos anos vividos pelo profeta Ezequiel.

 

Pe. Frizzo

acfrizzo@uol.com.br

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Vamos no Encontro da Leitura Orante?

É provável que você já tenha ouvido falar ou já tenha sido convidada/o para a Leitura Orante da Palavra de Deus ou Lectio Divina!

Lectio Divina quer dizer leitura divina. Outros traduzem leitura orante. Ela indica a prática de leitura que os cristãos fazem da Bíblia para alimentar a sua fé, sua esperança, o seu amor e compromisso.

A Dei Verbum (Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação Divina) afirma que “a Lectio Divina é tão antiga quanto a própria Igreja, que vive da Palavra de Deus e dela depende como a água de sua fonte (DV, n. 07.20.21). É a leitura crente e orante da Palavra de Deus, feita a partir da fé em Jesus, que disse: “O Espírito vos recordará tudo o que eu disse e vos introduzirá na verdade plena” (Jo 14,26).

A expressão Lectio Divina vem de Orígenes (+253). Ele diz que, para ler a Bíblia com proveito, é necessário um esforço de atenção e de assiduidade. O monge Guigo (1150) sistematizou a Lectio Divina em quatro degraus, isso no século XII: Leitura, Meditação, Oração e Contemplação. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento. A meditação é uma diligente atividade da mente que, com a ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta. A oração é o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo que afaste os males e conceda as coisas boas. A contemplação é a elevação da mente sobre si mesma que, suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna”.

O objetivo da Lectio Divina é o objetivo da própria Bíblia: “Comunicar a sabedoria que leva à salvação ela fé em Jesus Cristo” (2Tm 3,16-17); “proporcionar perseverança, consolo e esperança” (Rm 15,4); ajudar-nos a aprender dos erros dos antepassados (cf. 1Cor 10, 6-10).

A Diocese de Guarulhos, sob a orientação do Bispo Dom Edmilson Amador Caetano, tem a alegria de publicar uma série de encontros dedicados à Leitura Orante da Palavra de Deus. Neste ano, o foco será o Ano Santo do Jubileu Ordinário “Peregrinos de Esperança”.

Encontre o livreto que contém os Encontros previstos para fevereiro, maio e junho nas paróquias e nas comunidades. Organize e participe de reuniões com famílias, pastorais, grupos e a comunidade. A Equipe Diocesana da Leitura Orante está disponível para orientar e apoiar encontros de Lectio Divina.

Para aprofundar o assunto visite os Documentos da Igreja no Brasil: Documentos 97 e 111 da CNBB.

Confira e faça a Leitura Orante:

Leitura Orante

 

Celia Soares de Sousa

Cristã leiga e teóloga