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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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A morte nos ensina a viver

Uma reflexão sobre a finitude, a esperança e a comunhão dos santos.


 

Caríssimos irmãos,

Iniciamos o mês de novembro e, aos poucos, nos aproximamos do encerramento do ano litúrgico e, consequentemente, do ano civil. Em breve, iniciaremos o Advento, a Novena de Natal e os preparativos para as celebrações de fim de ano, além do tão esperado período de férias e descanso.

Novembro também é marcado por importantes campanhas de conscientização sobre a saúde masculina e por uma celebração muito significativa para a nossa fé: a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. É justamente sobre a morte, a finitude humana e a esperança cristã que gostaria de refletir com vocês.

Ao longo da história, diferentes áreas do conhecimento, como a Antropologia, a Psicologia, a Filosofia, a Sociologia e a Teologia, dedicaram-se a compreender a morte, os limites da existência humana e aquilo que pode existir para além dela.

Falar sobre a morte, entretanto, nem sempre é fácil. Muitas vezes, o assunto provoca desconforto e acaba se tornando um verdadeiro tabu, algo que evitamos colocar à mesa ou discutir abertamente.

Desde a infância, somos apresentados à morte, mas nem sempre de maneira adequada. Para amenizar a dor das crianças, utilizamos expressões fantasiosas, dizendo que a pessoa querida virou uma estrelinha, foi viajar ou que Deus precisou dela no céu. Na juventude, a morte costuma ser percebida como algo distante, pois essa fase da vida é marcada pela força, pelos sonhos, pela disposição e pelos projetos futuros. Na vida adulta, por sua vez, a morte frequentemente é interpretada como fracasso, perda ou interrupção dos planos.

Além disso, diante da morte, muitas vezes assumimos uma postura de julgamento. Quando alguém morre em decorrência de uma doença, podemos interpretar sua condição como uma derrota. Quando a causa é um acidente, procuramos identificar culpados, imprudências e responsabilidades. Quando a morte está relacionada ao uso excessivo de álcool, drogas ou a hábitos prejudiciais à saúde, não raramente responsabilizamos a própria pessoa, esquecendo-nos de que por trás daquela história também existem sofrimentos, fragilidades e circunstâncias que nem sempre conhecemos.

A morte, entretanto, não deve ser motivo para julgamentos. Cada existência possui uma história, e cada pessoa merece ser acolhida com dignidade, respeito e misericórdia.

AS PERGUNTAS QUE A MORTE NOS FAZ

Diante da morte, surgem questionamentos que atravessam a experiência humana e também a nossa fé:

  1. Por que precisamos morrer?
  2. Por que pessoas boas também morrem?
  3. O que acontece com aqueles que morreram?
  4. Onde estão os nossos entes queridos?
  5. Será que voltaremos a nos encontrar?
  6. O que será de nós depois da morte?
  7. Afinal, o que a morte tem a nos ensinar?

Essas perguntas podem receber diferentes respostas, conforme a perspectiva científica, filosófica, psicológica ou religiosa. Para nós, cristãos, a Palavra de Deus ilumina essa experiência com uma certeza fundamental: a morte não tem a última palavra.

Jesus nos apresenta a imagem do grão de trigo que precisa morrer para produzir frutos (Jo 12,24). Essa passagem nos convida a compreender que a vida também é feita de entrega, doação e transformação. Muitas vezes, somos chamados a morrer para o egoísmo, para o orgulho e para tudo aquilo que nos impede de amar verdadeiramente.

A Sagrada Escritura também nos revela um Deus bom, misericordioso e compassivo, que deseja a salvação de todos: “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

A morte dos que amamos nos causa sofrimento, mas a fé nos permite olhar para além da ausência física e confiar na misericórdia de Deus.

ESTAR EM DEUS: NOSSA ESPERANÇA

Desde os primeiros anos de catequese, aprendemos a rezar olhando para o céu. Quando manifestamos um desejo, fazemos um pedido ou expressamos nossa esperança, frequentemente levantamos os olhos e dizemos: “Se Deus quiser!”.

Essa atitude também expressa nossa compreensão sobre o destino último da existência humana: estar com Deus, viver em Deus e participar de sua vida eterna.

Deus nos ama e deseja estar em comunhão conosco. A oração sacerdotal de Jesus expressa profundamente esse desejo: que todos permaneçam unidos a Ele, assim como Ele está unido ao Pai (Jo 17).

É nessa perspectiva que compreendemos a esperança cristã: nossos entes queridos não estão simplesmente reduzidos à lembrança ou à saudade. Confiamos que a vida não termina com a morte e que somos chamados à plenitude da comunhão com Deus.

Estar em Deus é experimentar o descanso, a paz e a plenitude que tanto buscamos durante nossa caminhada. É confiar que o amor de Deus é maior do que a própria morte.

A CULTURA DO ENCONTRO E A COMUNHÃO DOS SANTOS

Quando falamos em encontro, geralmente pensamos em presença física, em estar diante de alguém, compartilhar uma conversa, uma refeição ou um momento especial. Mas será que, mesmo estando fisicamente próximos, verdadeiramente temos nos encontrado? Em que momento nos perdemos uns dos outros?

A experiência da morte também pode nos ensinar a recuperar a cultura do encontro.

Reunimo-nos para celebrar a Missa de sétimo dia, recordar os trinta dias de falecimento ou marcar o aniversário de morte de alguém querido. Nessas ocasiões, famílias que muitas vezes estavam distantes voltam a se encontrar. Filhos, irmãos, parentes e amigos se aproximam para recordar histórias, celebrar a vida e preservar o legado de quem partiu.

Com o tempo, percebemos que o encontro com aqueles que morreram assume outra dimensão. Já não acontece na mesa do café da manhã, no almoço de domingo ou nas conversas cotidianas. Passa a ocupar um lugar especial em nossa memória, em nossas orações e em nosso coração.

Quando nos preparamos para encontrar alguém importante, escolhemos uma roupa especial, usamos nosso melhor perfume e, muitas vezes, levamos flores ou um presente. Da mesma maneira, precisamos preparar nossa vida para o encontro definitivo com Deus.

É justamente aqui que encontramos uma das mais belas expressões da nossa profissão de fé: “Creio na comunhão dos santos”.

Somos Igreja peregrina, caminhando neste mundo e buscando a santidade. A morte não interrompe a comunhão daqueles que pertencem a Cristo. A Igreja nos ensina a reconhecer essa comunhão entre os que ainda peregrinam na terra, aqueles que passam pela purificação e os que já contemplam a glória de Deus.

Nossa vocação à santidade começa no Batismo e encontra sua plenitude na vida eterna. Não se trata de uma conquista baseada em méritos pessoais ou em uma espécie de meritocracia espiritual, mas de um dom gratuito, sustentado pela graça e pela misericórdia de Deus.

Acreditar que um dia nos encontraremos novamente não significa ignorar a dor da separação. Significa reconhecer que o amor verdadeiro não se limita à presença física e que nossa esperança está fundamentada na promessa de Cristo.

Será, sem dúvida, um dos mais belos encontros: estar na Casa do Pai, participar de sua mesa e experimentar a plenitude de seu amor.

Diante dessa esperança, fica uma pergunta para nossa reflexão: com que vida estamos nos preparando para esse encontro?

O LUTO E A EXPERIÊNCIA DA DOR

A morte provoca o luto, uma experiência humana que não se limita à perda de alguém. Também podemos vivenciar processos de luto diante do desemprego, do envelhecimento, das mudanças, do crescimento dos filhos e de tantas outras situações que representam rupturas em nossa história.

A psiquiatra e escritora Elisabeth Kübler-Ross tornou conhecidos cinco estágios frequentemente associados ao processo de luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

É importante compreender que esses estágios não acontecem necessariamente nessa ordem, nem são vividos por todas as pessoas da mesma maneira. O luto é uma experiência singular, que exige tempo, acolhimento, respeito e, quando necessário, acompanhamento profissional.

Não existe um prazo determinado para deixar de sentir saudade ou tristeza. Aprender a conviver com a ausência não significa esquecer quem partiu, mas encontrar novas maneiras de continuar vivendo, preservando o amor e as lembranças.

É a partir dessa experiência que podemos retomar nossas últimas perguntas: o que será de nós depois da morte? E, sobretudo, o que a morte nos ensina?

A MORTE NOS ENSINA A VIVER

A morte não nos ensina apenas sobre o descanso do corpo e a esperança da alma em Deus. Ela nos ensina, principalmente, a reconhecer o valor da vida enquanto ainda temos a oportunidade de vivê-la.

Diante de uma celebração exequial ou de uma homenagem a alguém querido, frequentemente fazemos promessas, renovamos propósitos e voltamos para casa com o desejo de sermos pessoas melhores. A dor da despedida nos faz perceber aquilo que, muitas vezes, deixamos para depois: amar, perdoar, abraçar, agradecer, estar presente e ser feliz.

Diante da morte, compreendemos que não queremos apenas existir, mas viver verdadeiramente. Queremos amar e ser amados, construir histórias, fortalecer vínculos e deixar boas lembranças.

A morte nos recorda que o tempo é precioso e que não podemos desperdiçar a oportunidade de fazer o bem.

Somos seres finitos, conscientes de que nossa existência terrena tem um limite. Entretanto, para nós, cristãos, essa consciência não deve produzir desespero, mas esperança e responsabilidade diante da vida.

A morte nos ensina a viver!

Por isso, sejamos livres e generosos nas homenagens aos nossos entes queridos que partiram. Utilizemos flores, orações, camisetas, fotografias, publicações, encontros familiares e momentos de reflexão. Todas essas manifestações podem expressar o carinho, a saudade e a gratidão por aqueles que fizeram parte de nossa história.

Mas que nossas homenagens não sejam apenas recordações de quem partiu. Que também sejam compromissos com aqueles que permanecem conosco. Que saibamos abraçar enquanto há tempo, perdoar enquanto há oportunidade, amar enquanto podemos e valorizar cada encontro.

Que a saudade nos aproxime de Deus e que a esperança da ressurreição ilumine nossa caminhada.

Afinal, aqueles que amamos e que partiram permanecem vivos em nossa memória, em nossa história e, conforme professamos em nossa fé, na esperança da vida eterna em Deus.

Porque, para quem acredita na ressurreição, a morte não é o fim da história. É a esperança de um novo encontro.

 

Pe. Johnny William Bernardo

Pós-graduado em Tanatologia, Luto e Fenômenos da Morte.

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Mês da Bíblia 2026: O Livro de Daniel e a Fidelidade em Tempos de Desafio

A Palavra de Deus no Centro da Vida da Igreja

A cada ano, a Igreja Católica no Brasil celebra o Mês da Bíblia — um período dedicado ao aprofundamento da Sagrada Escritura em paróquias, comunidades, seminários e instituições de ensino. Em 2026, o livro escolhido pela Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequeti ca da CNBB é o Livro de Daniel.

A escolha não é arbitrária. Daniel é um livro de resistência espiritual: foi escrito em um período de perse guição religiosa, para fortalecer a fé de um povo que enfrentava pressões para abandonar sua identidade e se render aos poderes dominantes. Sua mensagem central é atemporal: a fidelidade a Deus sustenta o ser humano mesmo nas situações mais adversas.

Por Que Daniel Hoje?

Vivemos em um tempo de múltiplas pressões sobre a fé: relativismo cultural, secularização acelerada, fragmentação das comunidades, crises institucionais. Nesse contexto, Daniel oferece uma sabedoria preciosa: não a da fuga do mundo, mas a da presença fiel no meio do mundo, sem se deixar absorver por ele.

O profeta Daniel é apresentado no livro como um jovem que vive na corte babilOnica, imerso em uma cultura estrangeira e potencialmente hostil à sua fé, e ainda assim mantém sua integridade, sua oração e seu compromisso com Deus. É uma figura que fala diretamente a quem vive a fé em contextos plurais e desafiadores.

Subsídio e Formação para Animadores

A CNBB disponibilizou um subsídio especialmente preparado para o Mês da Bíblia 2026, com aprofundamento bíblico, contextualização histórica e pistas pastorais para análise e celebração do livro de Daniel. Além disso, a Comissão Episcopal realizou um Seminário para Animadores, com sessões formativas online voltadas a quem coordena a celebração do Mês da Bíblia nas comunidades.

Esses materiais são recursos valiosos para estudantes de Teologia, cat equistas, diretores espirituais e animadores de comunidades que desejam aprofundar o estudo das Escrituras com rigor e sensibilidade pastoral.

Teologia Bíblica

O Mês da Bíblia é também uma oportunidade para que seminaristas, religiosos e agentes pastorais renov em seu amor pela Palavra de Deus — que, como lembra o Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum, é alma de toda a Teologia.

Portal CNBB

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Da condenação ao acolhimento: a esperança cristã diante do suicídio

O Jubileu Ordinário de 2025, convocado pelo Papa Francisco sob o lema Peregrinos de Esperança, recordou à Igreja que anunciar Cristo Ressuscitado significa também reacender a esperança diante das experiências humanas mais profundas de sofrimento. Entre elas, o suicídio permanece como um dos maiores desafios da atualidade, exigindo uma reflexão que una fidelidade ao Evangelho da vida, sensibilidade diante da dor humana e compromisso concreto com a promoção da dignidade da pessoa.

Ao longo da história, o suicídio recebeu diferentes interpretações culturais, filosóficas e religiosas. Entretanto, trata-se de um fenômeno complexo, que não pode ser reduzido a uma única causa, pois envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais, espirituais e comunitárias. A própria sociologia demonstra que a ruptura dos vínculos humanos e a perda do sentido da existência podem contribuir significativamente para o agravamento do sofrimento[1].

Desde os primeiros séculos, a Igreja proclamou a vida como dom sagrado confiado por Deus. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino ofereceram importantes fundamentos para a reflexão moral cristã, reafirmando a inviolabilidade da vida humana. Posteriormente, com o desenvolvimento da Teologia Moral, especialmente após o Concílio Vaticano II, a Igreja passou a contemplar com maior profundidade as circunstâncias concretas vividas por quem enfrenta intenso sofrimento psíquico. Sem relativizar o valor da vida, reconhece a complexidade dessas situações e as confia à infinita misericórdia de Deus[2].

Nesse horizonte, a virtude teologal da esperança apresenta-se como um caminho privilegiado para a promoção da vida. Ela não elimina imediatamente a dor, mas restitui-lhe um sentido. Quando o sofrimento parece obscurecer todo horizonte, a esperança cristã recorda que nenhuma pessoa está abandonada por Deus. Como afirma a bula Spes non confundit, a esperança “não decepciona” (Rm 5,5), porque nasce do amor divino e sustenta o ser humano mesmo nas noites mais escuras. Bento XVI acrescenta que ela transforma o presente, abrindo a vida para um futuro sustentado pela fidelidade de Deus[3].

Promover essa esperança exige atitudes concretas. A prevenção do suicídio não depende exclusivamente da intervenção clínica nem apenas da prática religiosa isolada, mas da integração entre acompanhamento espiritual, cuidado psicológico, fortalecimento dos vínculos comunitários e cultivo da virtude da esperança. Fé e ciência não competem entre si; ao contrário, colaboram na promoção integral da pessoa humana, favorecendo uma autêntica cultura do cuidado.

Assim, o caminho da condenação ao acolhimento expressa o amadurecimento pastoral da Igreja diante de uma realidade profundamente humana. Promover a esperança é, hoje, uma das formas mais concretas de promover a vida. Toda comunidade cristã torna-se verdadeiro sinal do Evangelho quando transforma o acolhimento em presença, a escuta em cuidado e a esperança em compromisso cotidiano com aqueles que sofrem.

[1] DURKHEIM, Émile. O Suicídio: Estudo de sociologia. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2000. MARTINS, Fran. Anualmente, mais de 700 mil pessoas cometem suicídio, segundo OMS. Gov.br: Ministério da Saúde, 2022.

[2] AGOSTINHO, Santo. Cidade de Deus I. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2016. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.V. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2011. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.VI. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2012. CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição pastoral Gaudium et Spes. 1965. CATECISMO da Igreja Católica. Brasília: CNBB, 2022.

[3] FRANCISCO, Papa. Spes non Confundit: Bula de proclamação do jubileu ordinário 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024. BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica Spe Salvi: sobre a esperança cristã. São Paulo: Loyola, 2007.

 

Luis Henrique da Silva Santos

Diácono – Diocese de Guarulhos

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Diocese de Guarulhos lança a obra “Um Barco Pronto para Partir” em noite marcante de resgate histórico e debate pastoral

O Centro Diocesano de Pastoral de Guarulhos foi palco de uma noite memorável de resgate da memória eclesial e reflexão histórica. Trata-se do lançamento solene do livro “Um barco pronto para partir: A missão dos padres canadenses em Guarulhos”, obra organizada pelo estimado Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo. O evento reuniu clérigos, intelectuais, agentes pastorais e fiéis para celebrar a contribuição dos missionários canadenses na construção da Igreja local.

A cerimônia foi aberta pelo Padre Marcos Vinícius, que acolheu o público. A oração inicial e a condução da leitura bíblica foram realizadas pelo Diácono Luis Henrique e pela Irmã Clarícia Gramarin, preparando o ambiente para uma noite de profunda comunhão e reflexão.

Para debater os múltiplos aspectos da obra, formou-se uma rica roda de conversa mediada pelo Padre Marcos Vinícius, contando com a presença de personalidades de destaque da Igreja, da cultura e do meio acadêmico:

  • Dom Edmilson Amador Caetano: Bispo Diocesano de Guarulhos, responsável pela apresentação oficial da obra.
  • Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo: Organizador da obra e autor do prefácio, que compartilhou o processo de resgate histórico.
  • Padre Marcelo Dias Soares: Coordenador Diocesano de Pastoral, responsável pelos discursos de agradecimento e orientações finais.
  • Wellington Alves: Jornalista, que abordou o panorama sobre “O tempo de Exceção no Brasil”.
  • Orlando Fantazzini: Advogado, que contribuiu com reflexões sobre a “Pastoral dos Direitos Humanos”.
  • Caetana Cecília: Socióloga e educadora musical, que palestrou sobre “A renovação Pastoral à Luz do Concílio Vaticano II”.

O evento contou ainda com uma emocionante participação por vídeo do Padre Raimundo Forget, que partilhou sua experiência missionária viva.

A obra do Padre Frizzo é definida por seu caráter comunitário e colaborativo, concebida como um verdadeiro mutirão de memória viva. Como ressalta a mensagem de encerramento do encontro:

“Tecer a bela colcha de retalhos. Creio que desse modo seja mais agradável a apresentação desse trabalho. Tudo feito em mutirão. Analisando tudo que fizeram, nos cabe confirmar: Missão realizada!”.

Após o encerramento da cerimônia, que contou com a bênção final e envio proferidos por Dom Edmilson Amador Caetano, os autores e organizadores realizaram a concorrida sessão de autógrafos.

 

Confira alguns registros da noite de lançamento:

Lançamento do Livro "Um barco pronto para partir" - Pe. Frizzo
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Lançamento do Livro: ‘Um Barco Pronto para Partir’

A Missão dos Padres Canadenses em Guarulhos

Organização: Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo


 

Caríssimos irmãos da Diocese de Guarulhos, Paz e bem!

A Diocese de Guarulhos, como toda Igreja Particular, nasceu da vontade de   Deus e se desenvolveu sob a condução do Espírito Santo, que ao longo da história suscitou vocações, ministérios e carismas   para a edificação do   seu    povo.   Entre aqueles    que generosamente    responderam    a    esse    chamado, destacam-se os missionários canadenses que, entre os anos de 1960 e 1993, contribuíram significativamente para a evangelização, a    promoção   humana   e a estruturação pastoral de muitas comunidades    que compõem hoje a história de nossa Diocese.

Com grande alegria, convidamos a todos para o lançamento do livro Um Barco Pronto para Partir — A Missão   dos Padres    Canadenses   em    Guarulhos, organizado pelo Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo no dia 31 de julho das 2026 às 20h no CDP A obra reúne relatos, testemunhos e reflexões de pessoas que viveram de perto essa extraordinária experiência missionária, tornando-se não apenas narradores, mas verdadeiros protagonistas de uma história que continua a inspirar a caminhada da Igreja em nossa cidade.

Como recorda Dom Edmilson na apresentação da obra, os missionários canadenses   são reconhecidos como verdadeiros “pais fundadores” de muitas de nossas comunidades. Seu trabalho ultrapassou os limites da ação sacramental, alcançando a   formação de lideranças, a promoção da dignidade humana, o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base, a defesa dos mais pobres e a construção das estruturas pastorais que contribuíram para o nascimento e o desenvolvimento da Diocese de Guarulhos.

0 livro nos convida a revisitar uma Igreja profundamente   marcada pelo   espírito do Concilio Vaticano II, pela opção preferencial pelos pobres, pela missão em saída e pelo   compromisso   com a transformação evangélica da sociedade. Como escreve o Pe. Frizzo em seu prefácio, trata-se de um conjunto de narrativas de testemunhas que não contam apenas a história de outros, mas compartilham suas próprias experiências de fé, trabalho, luta, esperança e compromisso com o Reino de Deus.

Mais do que um registro histórico, esta publicação constitui um verdadeiro patrimônio da memória eclesial de Guarulhos.  Ao    conhecer   as trajetórias   desses missionários e religiosas, somos convidados a renovar nossa própria vocação pastoral, fortalecendo o ardor missionário, a comunhão e o compromisso com as comunidades que hoje nos são confiadas.

Participar deste lançamento é uma oportunidade privilegiada para agradecer a Deus pelo legado recebido, homenagear aqueles que construíram os alicerces de nossa Diocese e renovar em nós o desejo de continuar navegando, guiados pelo Espírito Santo, rumo aos desafios do presente e do futuro.

Neste dia, quem adquirir um exemplar da obra ‘Um Barco Pronto para Partir’, receberá a dedicatória do organizador, Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo, e, se possível, também   dos   demais colaboradores e testemunhas que contribuíram para a construção deste importante obra.  Será uma ocasião singular para preservar não apenas um livro, mas um pedaço vivo da história de nossa Diocese, enriquecido pela assinatura daqueles que ajudaram a escrevê-la.

Contamos com a presença fraterna de todos os padres e diáconos para este importante momento de memória, gratidão e celebração da história de nossa Igreja Particular.

 “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4,20).

Fraternalmente,

Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo

 

Lançamento do Livro:

‘Um Barco Pronto para Partir’ — A Missão dos Padres Canadenses em Guarulhos

Organização: Pe. Dr. Antônio Carlos Frizzo

Data: Sexta-feira, 31 de julho

Horário: às 20h

Local: CDP – Centro Diocesano de Pastoral

Av. Gilberto Dini, 519 – Bom Clima

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Os pobres seguem sendo invisíveis

Qual o nosso comportamento diante de uma pessoa que reside na rua? Por qual motivo, apesar de serem tantos, são invisíveis aos nossos olhares? Existe uma política municipal de inclusão?

Esses e outros temas, como as causas que levam as pessoas a residirem na rua, serão refletidos no próximo dia 15 de abril, em aula organizada pelo Escola de Fé e Política Dom Joaquim Justino Carreira.

Organizada em oito núcleos e, em diferentes paróquias, a Pastoral do Povo de Rua distribui diariamente cerca de 200 marmitas aos moradores. O aumento do aluguel, o endividamento das famílias e as constantes ordens judiciais de despejos estão na raiz do aumento da população de rua.

Em Guarulhos cerca de duas mil pessoas residem nessa situação e não encontram, segundo a coordenação da Pastoral, nenhuma ação política para diminuir o problema.

A aula, on-line,  acontece dia 15 de abril, às 19h30 com a presença do assessor nacional Luiz Kohara e poderá ser acompanhada no endereço:

https: meet.google.com/ygi-usqp-kio

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Encontros com grupos de comunidades vivenciam prática de espiritualidade

No mês de março, a equipe de subsídios da Leitura Orante da Diocese de Guarulhos (juntamente com nosso Bispo diocesano), promoveu encontros com os grupos das comunidades que vivenciam essa prática tão rica de espiritualidade. Estiveram presentes representantes das foranias Aparecida, Carmo, Rosário, Bonsucesso e Fátima, em momentos marcados pela escuta, partilha e comunhão. As integrantes da equipe tiveram a oportunidade de acolher diversos depoimentos dos participantes, que expressaram, com profundidade, experiências significativas de encontro com a Palavra de Deus, além de apresentarem sugestões que contribuirão para o fortalecimento dessa caminhada nas comunidades.

Durante os encontros, também foi proporcionado um momento formativo sobre a Sinodalidade, tema que orienta as meditações e orações da Leitura Orante ao longo deste ano. A reflexão destacou a importância de caminhar juntos, como Igreja, valorizando a escuta, a participação e a corresponsabilidade de todos. Assim, os encontros não apenas fortaleceram os vínculos entre a equipe e os grupos, mas também renovaram o compromisso de seguir promovendo uma espiritualidade enraizada na Palavra e vivida em comunhão.

Leia e faça a Leitura Orante da Palavra de Deus:

Acesse: https://diocesedeguarulhos.org.br/leitura-orante/

Kátia Neuman – Equipe Diocesana da Leitura Orante

Encontros Leitura Orante com Grupos
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Mês da Bíblia 2025: Carta aos Romanos

O Mês da Bíblia é destinado a quem quer alimentar sua fé em Jesus Cristo e vivenciá-la comunitariamente, em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Em 2025, o Mês da Bíblia será focado na Carta aos Romanos com o inspirador lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Esse lema, escolhido em uníssono com o Grupo de Reflexão Bíblico Catequética (GREBICAT), ganhou ainda mais significado com a escolha do Papa Francisco para o Jubileu da Encarnação de 2025, demonstrando uma maravilhosa convergência espiritual.

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

Setembro é o mês dedicado, pela Igreja no Brasil, ao aprofundamento da Palavra de Deus. Em 2025, o Mês da Bíblia tem como texto inspirador a Carta aos Romanos, uma das obras mais influentes de São Paulo e um marco da teologia cristã primitiva. O lema escolhido, “A esperança não decepciona” (Rm 5,5), convida nossas comunidades educativas a redescobrir que a vida encontra sentido no amor de Deus, revelado em Cristo e derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.

Tradicionalmente atribuída a São Paulo, a carta é datada entre os anos 55 e 58 d.C., provavelmente escrita em Corinto, embora alguns estudiosos levantem a hipótese de que tenha sido redigida por um discípulo ou membro da comunidade de Roma, devido à sua densidade e estilo teológico. Diferente de outras cartas, Paulo escreve para uma comunidade que não havia fundado, formada por gentios, judeus, prosélitos e tementes a Deus. Esse grupo vivia tensões internas após a volta dos judeus expulsos de Roma pelo Edito de Cláudio (49 d.C.), o que gerava dificuldades de convivência e de unidade no seguimento de Jesus.

A carta possui também objetivos práticos: Paulo planejava levar uma coleta a Jerusalém, buscava ser acolhido pelos romanos e receber apoio para sua futura missão na Espanha. No entanto, mais do que
uma carta de apresentação, trata-se de uma profunda reflexão teológica. Nela, Paulo reafirma que a justificação não vem das obras da Lei, mas da fé em Jesus Cristo, dom gratuito que alcança todos os povos. Destaca ainda o papel de Israel no plano salvífico de Deus, mantendo viva a esperança de sua plena adesão a Cristo, e apresenta as consequências éticas da fé: uma vida marcada pela caridade, pela fraternidade e pela superação de divisões.

O coração da mensagem é a certeza de que “a esperança não decepciona”, porque se enraíza no amor de Deus que nada pode separar do ser humano (cf. Rm 8,39). Esse amor foi revelado em Cristo e é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A Carta aos Romanos, portanto, não é apenas um tratado teológico, mas uma convocação a viver a fé como comunhão, reconciliação e testemunho de esperança em meio às tensões e desafios da vida comunitária.

3 grandes temas pastorais para o mês da Bíblia 2025

Esperança

A Carta aos Romanos nos apresenta a esperança como alicerce da vida cristã: “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Reconhecendo que a vida está marcada por desafios, sofrimentos e limites, Paulo lembra que a esperança cristã não é ingênua nem frágil: ela se ancora na paz com Deus e na certeza de que nada pode nos separar do Seu amor (Rm 8,39).

Essa esperança transforma a vida pessoal e comunitária, sustentando educadores e estudantes a caminhar firmes como peregrinos, confiantes de que a vida tem sentido porque está enraizada no dom de Cristo.

Reconciliação

Em Cristo, Deus nos oferece a reconciliação: somos justificados pela fé e restaurados na amizade com Ele (Rm 5,1-11). A reconciliação não é apenas uma experiência interior, mas um chamado a refazer laços rompidos, a vencer divisões e a superar preconceitos. Paulo lembra à comunidade de Roma que Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2,11), convidando judeus e gentios a se acolherem mutuamente.

Liberdade

Um dos pontos mais fortes da Carta é o anúncio da verdadeira liberdade: em Cristo, somos libertos do pecado, da lei e da morte para viver na novidade do Espírito (Rm 6–8). O batismo é a grande porta dessa experiência: morrer para o pecado e viver para Deus em Cristo (Rm 6,4). Essa liberdade não se confunde com autonomia individualista, mas se realiza no serviço e no amor ao próximo (Rm 13,8-10).

3 DIMENSÕES PARA O USO DA BÍBLIA

1. Oração: a Palavra que gera encontro

A primeira dimensão da animação bíblica é a oração, pois a Sagrada Escritura não é apenas um texto a ser estudado, mas lugar de encontro com Jesus Cristo, Palavra viva do Pai. O contato orante com a Escritura transforma a leitura em diálogo, onde se fala com Deus antes de falar de Deus. Isso gera silêncio interior, escuta atenta e disponibilidade para deixar-se conduzir pelo Espírito.

2. Formação: a Palavra que ilumina a mente e a vida

A segunda dimensão é a formação, porque a Palavra de Deus precisa ser compreendida com maturidade e responsabilidade. A Bíblia é Palavra viva, mas escrita em contextos históricos, sociais e culturais diferentes; exige, portanto, interpretação adequada, em diálogo com a teologia, as ciências e a realidade atual. A formação bíblica liberta do fundamentalismo, abre horizontes para o pensamento crítico e oferece critérios evangélicos para discernir a vida.

3. Anúncio: a Palavra que envia em missão

Por fim, a animação bíblica encontra seu dinamismo pleno no anúncio. A Palavra, quando rezada e assimilada, impele ao testemunho e à evangelização inculturada. O discípulo missionário não guarda para si o encontro com Cristo: anuncia-o em gestos e palavras, contextualizando a Boa-nova na cultura, na linguagem e nas necessidades do tempo presente. Para a escola católica, essa dimensão se concretiza no compromisso educativo que ultrapassa as fronteiras da sala de aula, formando sujeitos capazes de viver e anunciar a esperança cristã no mundo, com sensibilidade pastoral e abertura à diversidade.

Fonte:

Associação Nacional de Educação Católica do Brasil – ANEC

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O Documento Final do Sínodo deve ser acolhido como magistério pontifício

O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, aprovado pelo Papa Francisco em 26 de outubro passado, “participa do Magistério ordinário do Sucessor de Pedro e, como tal, peço que seja acolhido”. O Papa, na Nota de acompanhamento do Documento, assinada no domingo, 24 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, e divulgada na segunda-feira (25/11), reafirma, como disse na ocasião da aprovação, que o documento “não é estritamente normativo” e que “sua aplicação exigirá diversas mediações”. Porém, “isso não significa que não comprometa desde já as Igrejas a fazer escolhas coerentes com o que nele está indicado”. De fato, o documento em si “representa uma forma de exercício do ensinamento autêntico do Bispo de Roma, que traz traços de novidade”, mas corresponde ao que foi afirmado por Francisco em outubro de 2015 sobre a sinodalidade, que é “o quadro interpretativo adequado para compreender o ministério hierárquico”.

Comunhão, participação e missão

O Pontífice confirma que o caminho do Sínodo, iniciado por ele em outubro de 2021, no qual a Igreja, ouvindo o Espírito Santo, foi chamada a “ler sua própria experiência e identificar os passos a serem dados para viver a comunhão, realizar a participação e promover a missão que Jesus Cristo lhe confiou”, prossegue nas Igrejas locais, aproveitando-se precisamente do Documento Final. Um texto que foi “votado e aprovado pela Assembleia em todas as suas partes”, e que também o Papa Francisco aprovou e, ao assiná-lo, ordenou sua publicação, “unindo-me ao ‘nós’ da Assembleia”.

Os temas confiados aos dez grupos de estudo

Recordando o que foi declarado em 26 de outubro, o Papa reitera que “é necessário tempo para chegar a escolhas que envolvam toda a Igreja”, e que “isso vale especialmente para os temas confiados aos dez grupos de estudo, aos quais outros poderão ser acrescentados, tendo em vista as decisões necessárias”. E enfatiza novamente, citando o que escreveu na Exortação pós-sinodal Amoris laetitia, que “nem todas as discussões doutrinárias, morais ou pastorais precisam ser resolvidas com intervenções do magistério”. Assim como “em cada país ou região, podem ser buscadas soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais”.

As indicações que já podem ser acolhidas nas Igrejas locais

Francisco acrescenta que o Documento Final contém indicações que “já podem ser acolhidas agora nas Igrejas locais e nos agrupamentos de Igrejas, levando em conta os diferentes contextos, o que já foi feito e o que ainda resta a fazer para aprender e desenvolver cada vez melhor o estilo próprio da Igreja sinodal missionária”. A partir de agora, escreve o Pontífice, “na relação prevista para a visita ad limina, cada bispo cuidará de relatar quais escolhas foram feitas na Igreja local a ele confiada em relação ao que é indicado no Documento Final, quais dificuldades foram encontradas, e quais foram os frutos”.

As palavras compartilhadas devem ser acompanhadas por ações

A tarefa de acompanhar esta “fase de implementação” do caminho sinodal, conclui o Papa Francisco, é confiada à Secretaria Geral do Sínodo junto com os Dicastérios da Cúria Romana. E ele reafirma ainda, como disse em 26 de outubro, que o caminho sinodal da Igreja Católica “precisa que as palavras compartilhadas sejam acompanhadas por ações”. O Espírito Santo, dom do Ressuscitado, é sua oração final: “sustente e oriente toda a Igreja neste caminho”.

Encontro de Dom Edmilson com os membros das paróquias e comunidades da  Diocese

Entre os dias 26 e 30 de maio nosso Bispo, Dom Edmilson Amador Caetano esteve reunido com os membros de comunidades e CPP’s das paróquias de todas as Foranias da Diocese, para explanar um pouco sobre a implantação do Sínodo dos Bispos em nossa Diocese e realização de algumas questões a serem tratadas em cada comunidade/paróquias e suas realidades.
Confira as questões a serem tratadas pelas paróquias na íntegra:
1.  Quais os itinerários de Iniciação Cristã (e formação permanente na fé) temos em nossa comunidade, além da catequese para a recepção dos Sacramentos? Em qual deles está a minha experiência pessoal?
2.   Quais elementos da espiritualidade sinodal estão presentes em nossa comunidade quais estão deficientes ou ausentes?
3.   O que temos em nossas comunidades que nos faz estar juntos e decidir juntos a vivência da missão da Igreja?
4.   O que falta em nossas comunidades que nos faz estar juntos e decidir juntos a vivência da missão da Igreja?
5.  Evangelizar é a missão essencial da Igreja. Evangelizar “todos, todos, todos”. De quem desses “todos” não estamos tão próximos?
6.   O que temos em nossas comunidades que nos faz estar próximos dos mais pobres e dos excluídos na obra da evangelização?
7.  O que não temos em nossas comunidades que estão impedindo de estar mais próximos dos pobres e excluídos na obra da evangelização?
Confira o Documento Final na íntegra:
diocesedeguarulhos.org.br/subsidios-diocesanos/
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“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28)

O objetivo do presente artigo é tratar sobre a saudação do enviado de Deus a Maria: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Além disso, aborda a importância de manter a esperança e a alegria, fundamentadas em Cristo Jesus, diante de um cenário social marcado pelo individualismo, isolamento e desvalorização dos valores comunitários. Traz palavras do Papa Francisco que motivam os cristãos a serem mensageiros da Alegria do Evangelho.

Para dar sentido e renovar a alegria dos missionários/as do Caminho, como verdadeiros sujeitos eclesiais, “os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido” (Documento de Aparecida, 41).

A Bem-Aventurada Virgem Maria escutou a Palavra, acolheu-a no coração e deu frutos. Ela é a primeira discipula-missionária cristã. A discípula mais perfeita do Senhor. Seu itinerário é a partir de Cristo. “Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai” (Documento de Aparecida, 266).

Diante disso, Maria, quando foi saudada pelo enviado de Deus, tentou  entender o significado daquela saudação (cf. Lc 1,29): “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28).

A saudação que está no Evangelho de Lucas 1,28: “Alegra-te”, é bem conhecida pelos cristãos, por estar no início da Oração da Ave-Maria. A saudação usual em grego (chaíre) corresponde ao latim ave (seja próspero) e ao hebraico shalom (paz) – tem a mesma raiz de “se alegrar” e “encontrar graça” (Lc 1,28.30). Em grego, as palavras “graça”, “gratuidade”, “bondade”, “beleza” e “dom” são aparentadas entre si: descrevem Deus e o seu relacionamento conosco.

“Alegre-se, Maria” (cf. Lc, 1,28) está no contexto da Encarnação de Jesus e também mostra a vocação de Maria e sua resposta generosa. Maria é chamada a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus (Lc 1,14.44.58;2,10). Compromisso que nasce do Batismo, isto é,  de todos os cristãos – Povo de Deus a caminho.

A alegria não foi somente para Maria, mas para o Povo de Deus que ela representa. “Com razão afirmam os santos Padres que Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e com inteira obediência. Como diz Santo Irineu, ‘pela obediência, ela tornou-se causa de salvação para si mesma e para todo o gênero humano” (Lumen Gentium, 56).

A expressão “o Senhor está contigo” (Lc 1,28) quer dizer: tu terás uma missão exigente, mas o Senhor estará ao teu lado, dando-lhe força para realizar o que ele te pede.

A alegria de Maria, anunciada pelo enviado de Deus, expressa pelo evangelista Lucas, irrompe da ação do Espírito Santo que a faz conceber Jesus. Portanto, a Mãe de Deus, como mulher de fé, ao cantar o seu Magnificat louva a Deus pela salvação recebida ao mesmo tempo que recorda a ação e Deus e a sua fidelidade aos pequenos e aos pobres.

No Magnificat,  os cristãos se deparam com a espiritualidade de Maria. Por isso,  a Bem-Aventurada Virgem Maria, discípula missionária de Jesus Cristo, é modelo para todos os cristãos que, alicerçados na esperança, encontram, na Mãe de Deus, a sua testemunha mais fiel.

Diante do atual contexto social atual, onde a realidade para o ser humano se tornou cada vez mais sem brilho e complexa, verifica-se uma forte tendência ao individualismo. Os meios de comunicação invadiram todos os espaços e conversas, inclusive na intimidade dos lares, estimulando competições e distorções dos valores da vida e dos relacionamentos.

A falta de cuidado com a Ecologia Integral, criação de Deus; a ausência de espírito comunitário que provoca isolamento; o desinteresse pelo zelo e cuidado com a dignidade da pessoa humana; e o medo que paralisa, são alguns dos aspectos que dificultam uma dinâmica frutífera na vida comunitária.

Estes, entre outros, aspectos da atualidade tem tentado “roubar” a alegria e a esperança de muitos cristãos. É preciso resistir às tentações e permanecer com Jesus, na profecia e na resistência.

O Santo padre, Papa Francisco comentou que pouco a pouco, o que ele denominou de “psicologia do túmulo”, transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como “o mais precioso elixir do demônio” (Evangelli Gaudium, 83).

Para o pontífice, os cristãos chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, insiste Francisco: “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!”. Ao perceber as tristezas e aridez no que se concerne à fé, “Não deixem que lhes nos roubem a esperança” e “Não deixemos que nos roubem a Comunidade” (Evangelli Gaudium 86, 86 e 89). Aos jovens, disse o Pontífice: “Não tenham medo de sonhar grandes coisas”.

Se a alegria que vem do Senhor muitas vezes é substituída por prazeres momentâneos e passageiros, por medos e desafios, “olhemos para Maria, voltemos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto”, enquanto caminhamos neste mundo como Peregrinos de Esperança, rumo a uma Igreja Povo de Deus, em estilo sinodal.

“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você”. Certamente Maria conhecia o Salmos 100;  Salmo 16,11; Salmo 33,20-22; Salmo 32,11 que tratam sobre a Alegria. Você não os conhece? Será uma excelente oportunidade para ler, meditar e partilhar esta alegria com sua família, seus amigos e na Comunidade: Povo de Deus, missionários da alegria.

 

Celia Soares de Sousa,

Cristã leiga e teóloga