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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão participam de retiro no Centro Diocesano

No sábado, dia 10 de outubro de 2026, os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão das Foranias Imaculada, Aparecida e Rosário participaram de um retiro espiritual, marcado por momentos de formação, oração e aprofundamento da fé.

A programação contou com palestra, conduzida pela fundadora da Comunidade Católica Sacratus, Edineuza Xavier ,Adoração ao Santíssimo Sacramento conduzida pelo Diácono Luis Henrique e Santa Missa, presidida pelo Pe. Lucas Kauan ,proporcionando aos participantes uma oportunidade de renovar a espiritualidade e fortalecer a missão de servir à Igreja, especialmente no ministério de distribuição da Sagrada Comunhão.

Durante a homilia , Padre Lucas Kauan , diretor espiritual do Ministério dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão ressaltou a importância do zelo e do amor à Eucaristia, recordando também o testemunho dos Santos Protomártires do Brasil, martirizados no Rio Grande do Norte e reconhecidos como padroeiros dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão. Sua fidelidade a Cristo e à Eucaristia inspira os ministros a viverem com maior dedicação e reverência o serviço que lhes é confiado.

O retiro também convidou os participantes a refletirem sobre o chamado de Deus, a vivência da fé e a necessidade de permanecerem fiéis a Cristo, renovando diariamente suas disposições para o serviço ao altar e à comunidade.

Mais do que um momento de formação, o encontro foi uma oportunidade de fortalecer a comunhão entre os ministros das três foranias e renovar o compromisso de servir ao povo de Deus com fé, humildade, amor e profundo respeito à presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.

Confira alguns registros do retiro:

Retiro dos Ministros da Comunhão
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Mensagem do Papa Leão XIV para o 100º Dia Mundial das Missões

Um em Cristo, unidos na missão


 

Queridos irmãos e irmãs!

Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio XI e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema «Um em Cristo, unidos na missão». Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.

Refletindo sobre o nosso ser um em Cristo e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para «renovar em nós o fogo da vocação missionária» e avançar juntos no empenho pela evangelização, numa «nova era missionária» na história da Igreja (Homilia na Missa pelo Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, 5 de outubro de 2025).

1. Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs

No centro da missão está o mistério da união com Cristo. Antes da sua Paixão, Jesus orou ao Pai: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo 17, 21). Nestas palavras, revela-se o desejo mais profundo do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, a identidade da Igreja, comunidade dos seus discípulos: ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da fraternidade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.

Ser cristão não é, em primeiro lugar, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo. Significa permanecer em Cristo como os ramos na videira (cf. Jo 15, 4), imersos na vida trinitária. Desta união, brota a comunhão recíproca entre os crentes e nasce toda a fecundidade missionária. Sim, como ensinou São João Paulo II, a comunhão representa a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão (cf. Exort. ap. Christifideles laici, 32).

Sendo assim, a primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Em muitas situações, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando, também nas nossas comunidades, isto acontece, o seu testemunho enfraquece. A missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, requer primeiramente corações reconciliados e desejosos de comunhão. Nesta ótica, será importante intensificar o compromisso ecuménico com todas as Igrejas cristãs, aproveitando também as oportunidades suscitadas pela comum celebração do 1700.º aniversário do Concílio de Nicéia.

Por último, mas não menos importante, ser «um em Cristo» chama-nos a manter sempre o olhar voltado para o Senhor, para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, de modo a fazer-nos dizer com admiração: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). Isto será possível na escuta constante da sua Palavra e na graça dos Sacramentos, para sermos pedras vivas da Igreja, chamada hoje a recolher as instâncias fundamentais do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério pontifício, em particular, do Papa Francisco. Realmente, como afirma São Paulo, «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2 Cor 4, 5). Reitero, portanto, as palavras de São Paulo VI: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 22). Tal processo de genuína evangelização começa a partir do coração de cada cristão para depois se expandir a toda a humanidade.

Por conseguinte, quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.

2. Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor

A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: ela está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que assim […] o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.

Nesta perspectiva, vale a pena recordar o lema do Beato Paulo Manna: «Toda a Igreja para o mundo inteiro», que expressa sinteticamente o ideal que animou a fundação, em 1916, da Pontifícia União Missionária. A ela, no seu 110.º aniversário, pelo empenho em animar e formar o espírito missionário de sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, favorecendo a união de todas as forças evangelizadoras, vai o meu reconhecimento e a minha bênção. Com efeito, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. Como o Papa Francisco recordou mais de uma vez, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.

Por isso, estar unidos na missão significa guardar e alimentar a espiritualidade de comunhão e colaboração missionária. Crescendo dia a dia nessa atitude, aprendemos com a graça divina a olhar cada vez mais para os nossos irmãos e irmãs com olhos de fé, a reconhecer com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um, a acolher a diversidade como riqueza, a carregar os fardos uns dos outros e a buscar constantemente a unidade que vem do Alto. Pois temos juntos uma única missão que nos vem de «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4, 5-6). Esta espiritualidade constitui a forma quotidiana do discipulado missionário. Ela ajuda-nos a recuperar uma visão universal da missão evangelizadora da Igreja, superando a fragmentação dos esforços e divisões de facções – “de Paulo”, “de Apolo” – entre os seguidores do único Senhor (cf. 1 Cor 1, 10-12).

Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver com criatividade formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.

A propósito, agradeço às Pontifícias Obras Missionárias pelo serviço à cooperação missionária, que experimentei com apreço já durante o meu ministério no Peru. Estas obras – Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária – continuam a alimentar e a formar a consciência missionária dos fiéis, seja dos pequenos aos crescidos, e a promover uma rede de oração e caridade que une as comunidades de todo o mundo. É significativo que a fundadora da Obra para a Propagação da Fé, a Beata Pauline Marie Jaricot, tenha idealizado, há duzentos anos, o Rosário Vivo, que ainda hoje reúne à distância numerosos fiéis em grupos para rezar pelas necessidades espirituais e missionárias. É importante recordar que, precisamente a partir de uma proposta da Obra para a Propagação da Fé, Pio XI instituiu, em 1926, a celebração do Dia Mundial das Missões, cujas ofertas recolhidas anualmente são por ela distribuídas, em nome do Papa, para as várias necessidades da missão da Igreja. Desta forma, as quatro Obras, em conjunto e cada uma na sua especificidade, continuam a desempenhar um papel precioso para toda a Igreja. Elas são um sinal vivo da unidade e da comunhão missionária eclesial. Convido todos a colaborar com elas com espírito de gratidão.

3. Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus

Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.

A missão dos discípulos e de toda a Igreja é a continuação, no Espírito Santo, da missão de Cristo: uma missão que nasce do amor, que se vive no amor e que conduz ao amor. Tanto é verdade que o próprio Senhor, na sua grande oração ao Pai antes da Paixão, depois de invocar a unidade dos discípulos, conclui assim: «O amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também» (Jo 17, 26). Os Apóstolos, portanto, evangelizaram movidos pelo amor de Cristo e por Cristo (cf. 2 Cor 5, 14). Da mesma forma, ao longo dos séculos, numerosos cristãos, mártires, confessores, missionários, deram a vida para dar a conhecer este amor divino ao mundo. Assim, a missão evangelizadora da Igreja continua guiada pelo Espírito Santo, Espírito de amor, até ao fim dos tempos.

Por isso, desejo agradecer especialmente aos atuais missionários e missionárias ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar. Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!

Admirando os missionários e as missionárias, faço um apelo especial à Igreja: unirmo-nos todos a eles na missão evangelizadora através do testemunho da vida em Cristo, da oração e do contributo para as missões. Muitas vezes, bem o sabemos, «o Amor não é amado», como disse São Francisco de Assis, a quem olhamos de modo particular pelos oitocentos anos do seu trânsito para o Céu. Deixemo-nos contagiar pelo seu desejo de viver no amor do Senhor e de o transmitir ao próximo e ao distante, porque, como ele afirmava, «muito se deve amar o amor d’Aquele que muito nos amou» (São Boaventura de Bagnoregio, Legenda Maior, cap. IX, 1; Fontes franciscanas, 1161). Sentimo-nos também estimulados pelo zelo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: «No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar» (Carta ao reverendo M. Bellière, 24 de fevereiro de 1897).

Animados por estes testemunhos, comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto, especialmente por ocasião do Dia Mundial das Missões, serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados. Cada dom, mesmo o menor entre eles, torna-se um ato significativo de comunhão missionária. Por isso, renovo o meu sincero agradecimento «por tudo o que fareis para me ajudar a ajudar os missionários em todo o mundo» (Videomensagem para o Dia Mundial das Missões 2025). E para promover a comunhão espiritual, deixo-vos, com a minha bênção, esta simples oração:

Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.

Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.

Vaticano, no III domingo do Tempo Comum, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, 25 de janeiro de 2026

LEÃO PP. XIV


 

Saiba mais sobre a Campanha Missionária – Acesse:

Portal: cm.pom.org.br

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O padre que sofre: esperança e fraternidade diante do suicídio

Falar sobre o suicídio entre os presbíteros exige, antes de tudo, recordar uma verdade que às vezes esquecemos: o padre é um ser humano. Chamado a anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos e cuidar do povo de Deus, ele continua sendo alguém que experimenta cansaço, medo, solidão, crises e fragilidades. Não é herói, muito menos um deus. É um homem chamado por Deus, sustentado pela graça e necessitado, como todos, de cuidado.

A figura de Judas Iscariotes pode ajudar-nos a compreender a gravidade de uma esperança perdida. Mesmo tendo caminhado com Jesus e pertencido à comunidade dos Doze, Judas não conseguiu reconhecer outro caminho depois de sua traição. O Evangelho apresenta seu remorso e sua morte, mas não nos autoriza a transformar sua história em sentença definitiva sobre sua pessoa. O próprio Catecismo recorda que não se deve desesperar da salvação daqueles que atentaram contra a própria vida, pois somente Deus conhece plenamente o coração humano e as circunstâncias que envolvem cada existência.[1]

Também o presbítero pode chegar a um momento em que o sofrimento se torna silencioso. A rotina pastoral, a excessiva disponibilidade, a dificuldade de reconhecer limites, o isolamento e a cobrança por corresponder a um ideal sacerdotal podem produzir um processo de esgotamento. Sanagiotto chama atenção para aquilo que denomina “neurose pastoral”, marcada, entre outros fatores, pelo pouco tempo para si, pelo excesso de trabalho e pelo isolamento do presbitério.[2] Quando o sacerdote passa a acreditar que precisa resolver tudo sozinho, o ministério pode deixar de ser lugar de realização e transformar-se em fonte de profundo sofrimento.

Por isso, é necessário abandonar a imagem do padre que nunca pode fraquejar. Reconhecer limites não diminui a grandeza do sacerdócio, mas é capaz de humanizá-lo. As próprias Diretrizes da CNBB para a formação dos presbíteros ressaltam o conhecimento de si, o reconhecimento das qualidades, defeitos e limites e a importância do acompanhamento personalizado e da psicoterapia.[3] Buscar ajuda não é sinal de fracasso na vocação, mas expressão de responsabilidade diante do dom da própria vida.

Nesse caminho, as virtudes teologais oferecem um horizonte de reconstrução. A fé recorda que Deus permanece presente; a caridade conduz ao cuidado e à fraternidade; e a esperança impede que o sofrimento seja considerado a palavra definitiva. Como ensina o Papa Francisco, a esperança nasce do amor de Cristo e não se reduz a uma espera passiva.[4] É preciso “esperançar”: criar vínculos, partilhar a vida, permitir-se ser acompanhado e reconhecer que ninguém precisa atravessar sozinho as noites da existência.

A fraternidade presbiteral, portanto, não pode ser apenas uma ideia bonita, mas uma prática concreta. Um irmão que pergunta “como você está?”, uma mesa compartilhada, uma conversa sincera ou a coragem de procurar ajuda podem tornar-se instrumentos de preservação da vida. Fé e cuidado psicológico não se excluem; espiritualidade e ciência podem caminhar juntas.

Cuidar do padre é também cuidar da Igreja. Quando permitimos que o presbítero seja simplesmente homem, com sua força e sua fragilidade, abrimos espaço para que a graça encontre uma humanidade verdadeira. E talvez seja justamente aí que a esperança comece novamente a nascer.

Diácono Luis Henrique da Silva Santos

Paróquia N. Sra. Aparecida – Cocaia


[1] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Brasília: CNBB, 2022, n. 2282-2283.

[2] SANAGIOTTO, Vagner. Padres exaustos: a síndrome de burnout no contexto eclesial brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023, p. 21.

[3] CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil: Documento 110. Brasília, DF: Edições CNBB, 2019, n. 130 e 185.

[4] FRANCISCO, Papa. Spes non confundit: Bula de proclamação do Jubileu Ordinário 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024, n. 1 e 3.

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Leitura Orante fortalece a caminhada sinodal em nossa Igreja Particular

Pela Equipe Diocesana da Leitura Orante, Celia Soares de Sousa


 

Os encontros da Leitura Orante seguem acontecendo com entusiasmo e expressiva participação, revelando o desejo de nossas comunidades de permanecerem firmes na escuta, reflexão e vivência da Palavra de Deus. Os grupos continuam animados e perseverantes, aprofundando a temática da sinodalidade e fortalecendo a caminhada de fé em nossas comunidades.

A Leitura Orante tem se mostrado um precioso caminho espiritual, permitindo que a Palavra de Deus seja acolhida não apenas como um texto a ser lido, mas como Palavra viva que ilumina nossos passos, orienta nossas escolhas e fortalece nossa missão. Ao nos colocarmos em atitude de oração e escuta, deixamos que o Senhor fale ao coração de cada pessoa e de nossas comunidades.

A Leitura Orante com a temática da Sinodalidade nos prepara para acolher, de maneira criativa, as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Somos chamados a construir uma Igreja cada vez mais marcada pela comunhão, participação e missão, caminhando juntos como povo de Deus.

É motivo de grande alegria contemplar esta pequena porção do povo de Deus da Igreja Particular de Guarulhos assumindo, com fé e entusiasmo, o chamado do nosso Bispo Diocesano, Dom Edmilson. O empenho e a dedicação de tantas lideranças e participantes demonstram o desejo sincero de fazer da Palavra de Deus fonte permanente de vida e transformação.

Louvado seja Deus por todos as pessoas que, com generosidade e perseverança, têm abraçado esta proposta, com fé, fortalecidos pela Palavra e impulsionados pela alegria da missão.

Faça você também a Leitura Orante:

Leitura Orante

Confira alguns registros dos encontros:

Encontros - Leitura Orante - JUN-JUL 2026
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Mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Preservar vozes e rostos humanos

Queridos irmãos e irmãs!

O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém.

Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.

Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.

A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas.

O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.

Não renunciar ao próprio pensamento

Há muito tempo que existem múltiplas evidências de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – rentável para as plataformas – recompensam as emoções rápidas e, ao contrário, penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social.

Veio somar-se a isto uma confiança ingenuamente acrítica na inteligência artificial como “amiga” omnisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, “oráculo” de todos os conselhos. Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica.

Embora a IA possa dar apoio e assistência na gestão de tarefas comunicativas, ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.

Nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta “Powered by AI”, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do génio humano no âmbito da música, da arte e da literatura vão sendo reduzidas a um mero campo de treino para as máquinas.

No entanto, a questão que realmente nos interessa não é o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que nós podemos e poderíamos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com uma inteligente utilização de ferramentas tão poderosas ao nosso serviço. Desde sempre, o ser humano tem sido tentado a apropriar-se do fruto do conhecimento sem o esforço do envolvimento, da pesquisa e da responsabilidade pessoal. Contudo, renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

Ser ou fingir: simulação de relações e da realidade

À medida que navegamos pelos nossos fluxos de informação (feeds), torna-se cada vez mais difícil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com “bots” ou influenciadores virtuais. As intervenções não transparentes destes agentes automatizados influenciam os debates públicos e as escolhas das pessoas. Especialmente os chatbots, baseados em grandes modelos linguísticos (LLM), estão a revelar-se surpreendentemente eficazes na persuasão oculta, através de uma contínua otimização da interação personalizada. A estrutura dialógica e adaptativa, mimética, destes modelos linguísticos é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Esta antropomorfização, que pode até ser divertida, é ao mesmo tempo enganadora, especialmente para as pessoas mais vulneráveis. Porque os chatbots tornados excessivamente “afetuosos”, além de estarem sempre presentes e disponíveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas.

A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades. Isso acontece quando substituímos as relações com os outros pelas relações com a IA treinada para catalogar os nossos pensamentos e, portanto, construir à nossa volta um mundo de espelhos, onde tudo é feito “à nossa imagem e semelhança”. Desta forma, deixamo-nos roubar a possibilidade de encontrar o outro, que é sempre diferente de nós e com o qual podemos e devemos aprender a confrontar-nos. Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade.

Outro grande desafio que estes sistemas emergentes colocam é o da distorção (bias, em inglês), que leva a adquirir e transmitir uma perceção alterada da realidade. Os modelos de IA estão moldados pela visão do mundo de quem os constrói e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estereótipos e preconceitos presentes nos dados a que acedem. A falta de transparência na construção dos algoritmos, a par da inadequada representação social dos dados tendem a manter-nos presos em redes que manipulam os nossos pensamentos, perpetuando e aprofundando as desigualdades e injustiças sociais existentes.

O risco é grande! O poder da simulação é tal que a IA pode também iludir-nos com a construção de “realidades” paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes. Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção.

A isto acrescenta-se o problema da falta de precisão. Os sistemas que apresentam como conhecimento uma probabilidade estatística, na realidade, oferecem-nos, quando muito, aproximações da verdade, que por vezes são verdadeiras “alucinações”. A falta de verificação das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho contínuo de recolha e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança.

Uma possível aliança

Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve, está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da “pessoa do ano de 2025”, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controlo oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar subtilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.

O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas.

Esta aliança é possível, mas tem de se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. Ela pode ser definida, consoante as funções, como honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Porém, em geral, ninguém pode fugir à sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir.

Para quem está no comando das plataformas on-line, isso significa garantir que as próprias estratégias empresariais não sejam norteadas pelo exclusivo critério da maximização do lucro, mas por uma visão clarividente que tenha em conta o bem comum, da mesma forma que cada um deles se preocupa com o bem-estar dos seus filhos.

Aos criadores e desenvolvedores de modelos de IA, é exigida transparência e responsabilidade social em relação aos princípios de criação de projetos e aos sistemas de moderação que estão na base dos seus algoritmos e dos modelos desenvolvidos, de modo a permitir um consentimento esclarecido aos utilizadores.

Igual responsabilidade é pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana. Uma adequada regulamentação pode proteger as pessoas duma ligação afetiva com os chatbots e conter a disseminação de conteúdos falsos, manipuladores ou deturpados, preservando a integridade da informação face à sua simulação enganosa.

Por sua vez, as empresas dos mass media e da comunicação não podem permitir que algoritmos orientados para vencer a qualquer custo a batalha por alguns segundos de atenção a mais prevaleçam sobre a fidelidade aos seus valores profissionais, voltados para a busca da verdade. A confiança do público conquista-se com a precisão e a transparência, não com a corrida por uma participação qualquer. Os conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conteúdo devem ser protegidas. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e num elevado padrão de qualidade.

Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.

O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.

Precisamente por isso, cada vez mais, é urgente introduzir também, em todos os níveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunicação social, a informação e a IA, que algumas instituições civis já estão a promover. Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito. Esta literacia deveria ainda ser integrada em iniciativas mais amplas de educação permanente, alcançando igualmente os idosos e os membros marginalizados da sociedade, que muitas vezes se sentem excluídos e impotentes perante as rápidas mudanças tecnológicas.

A literacia para os meios de comunicação, a informação e a IA ajudará todos a não se adaptarem à tendência de antropomorfização destes sistemas, mas a tratá-los como ferramentas, a recorrer sempre a uma validação externa das fontes – que podem ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA, a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de reclamação. É importante educar e educar-se para utilizar a IA de forma intencional e, neste contexto, proteger a própria imagem (fotos e áudio), o próprio rosto e a própria voz, para evitar que sejam utilizados na criação de conteúdos e comportamentos prejudiciais, como fraudes digitais, ciberbullying, deepfake, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Assim como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital (com uma formação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa perceção da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais são os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conteúdos nos nossos fluxos de informação (feeds), quais são e como podem mudar os pressupostos e modelos económicos da economia da IA.

É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.

Ao propor estas reflexões, agradeço a todos aqueles que estão a trabalhar para os objetivos aqui apresentados e, de coração, abençoo quantos trabalham para o bem comum através dos meios de comunicação.

Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2026.

LEÃO XIV PP.

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Encontros com grupos de comunidades vivenciam prática de espiritualidade

No mês de março, a equipe de subsídios da Leitura Orante da Diocese de Guarulhos (juntamente com nosso Bispo diocesano), promoveu encontros com os grupos das comunidades que vivenciam essa prática tão rica de espiritualidade. Estiveram presentes representantes das foranias Aparecida, Carmo, Rosário, Bonsucesso e Fátima, em momentos marcados pela escuta, partilha e comunhão. As integrantes da equipe tiveram a oportunidade de acolher diversos depoimentos dos participantes, que expressaram, com profundidade, experiências significativas de encontro com a Palavra de Deus, além de apresentarem sugestões que contribuirão para o fortalecimento dessa caminhada nas comunidades.

Durante os encontros, também foi proporcionado um momento formativo sobre a Sinodalidade, tema que orienta as meditações e orações da Leitura Orante ao longo deste ano. A reflexão destacou a importância de caminhar juntos, como Igreja, valorizando a escuta, a participação e a corresponsabilidade de todos. Assim, os encontros não apenas fortaleceram os vínculos entre a equipe e os grupos, mas também renovaram o compromisso de seguir promovendo uma espiritualidade enraizada na Palavra e vivida em comunhão.

Leia e faça a Leitura Orante da Palavra de Deus:

Acesse: https://diocesedeguarulhos.org.br/leitura-orante/

Kátia Neuman – Equipe Diocesana da Leitura Orante

Encontros Leitura Orante com Grupos
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Declaração Final – COP 30

Conversão ecológica, resistência às falsas soluções e compromisso com a justiça socioambiental
“Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados”. Mt5.6

Reunidos em Belo Horizonte, Minas Gerais, no Colégio Marista Dom Silvério, entre os dias 25 e 27 de julho de 2025, representantes dos Regionais Leste 1, Leste 2, Leste 3 e Sul 1 da CNBB, abrangendo os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, assumimos coletivamente o chamado à conversão ecológica, à resistência às falsas soluções climáticas e à construção de um compromisso profético em preparação à COP 30, que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém do Pará.

Diante do colapso climático global, que atinge de forma mais dura os pobres e territórios vulnerabilizados, reconhecemos o fracasso das últimas Conferências do Clima em oferecer soluções concretas. O aquecimento global já ultrapassa 1,5°C, e os acordos internacionais, dominados por interesses econômicos, são insuficientes diante de uma crise sistêmica que ameaça toda a vida. Vivemos um mundo atravessado por múltiplas crises, com guerras e violências, cujo ápice se revela no genocídio em Gaza, expressão extrema de nossa crise civilizatória.

Em nossa região Sudeste do Brasil, o modelo econômico agrava a degradação dos biomas, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, manguezais e zonas costeiras, através do avanço urbano-industrial, da mineração, do agronegócio, da exploração do gás e do petróleo, do uso indiscriminado do agrotóxico e da especulação imobiliária. A contaminação das águas, a perda da biodiversidade, a expulsão de comunidades e a periferização tornam visível a injustiça ambiental e social.

A partir de duas mesas de painéis, uma sobre a Crise Climática e a Justiça Socioambiental e outra sobre a Ruptura com o Modelo Econômico Predatório e Falsas Soluções, nos organizamos em 5 grupos de trabalho para aprofundar cinco eixos da nossa Pré-COP: 1 – Soberania dos Povos, Direitos Territoriais e Justiça Socioambiental; 2 – Justiça Climática e Reparação Histórica; 3 – Ruptura com o Modelo Econômico Predatório, Não à Economia Verde; 4 – Descarbonização e Falsas Soluções; 5 – Centralidade da Vida, Dignidade Humana e Direitos da Terra.

Os grupos convergiram na compreensão de que a crise climática está profundamente ligada, ao sistema capitalista, à injustiça social, ao racismo ambiental e ao extrativismo predatório. Criticaram a chamada economia verde, a mercantilização da natureza e as falsas soluções tecnológicas. Propuseram, em contrapartida, uma ruptura com o modelo econômico vigente e a construção de uma nova economia baseada na justiça socioambiental, na agroecologia e nos saberes ancestrais. Reivindicaram a soberania alimentar e energética, bem como políticas públicas construídas a partir das comunidades e a responsabilização dos grandes poluidores. Destacaram também a necessidade de coerência institucional, incluindo uma atuação profética da Igreja, que deve assumir papel ativo, educativo e articulador nas lutas por direitos, territórios e dignidade.

Denunciaram as falsas soluções, como os mercados de carbono, os megaprojetos de energia e a expansão da mineração, que aprofundam desigualdades e ameaçam territórios sem enfrentar as causas estruturais da crise. A crise climática é inseparável da injustiça social, do racismo ambiental e do extrativismo. Seus impactos recaem sobre os povos indígenas, quilombolas, comunidades periféricas, camponesas, ribeirinhas e tradicionais. É urgente responsabilizar juridicamente os grandes emissores, corporações e governos, e exigir que os compromissos assumidos nas COPs tenham força legal e sanções reais.

Nós bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigas e leigos, presentes nesta Pré-COP, reafirmamos, com esperança, a ecologia integral como eixo da nossa missão evangelizadora, tendo como referências centrais a encíclica Laudato Si’ e a exortação Laudate Deum. Anunciamos a conversão ecológica como caminho de fé e espiritualidade para um mundo novo. Caminho de irmandade universal entre toda criação, como nos convida Francisco de Assis, no Cântico das Criaturas. Propomo-nos a fortalecer as CEBs, as Pastorais Sociais e a Pastoral da Ecologia Integral, com a presença efetiva da Igreja nos territórios e na escuta e convivência ativa junto às populações vulnerabilizadas. A formação de lideranças religiosas e comunitárias deve ser prioridade, que leve ao comprometimento, articulando espiritualidade, saberes tradicionais, ciência e consciência política.

A Igreja deve se manter coerente entre seu discurso e sua prática, evitando recursos e alianças com empresas poluidoras e adotando medidas sustentáveis em suas estruturas. Reafirmamos sua missão profética diante do Estado e do mercado, com atuação firme nas políticas públicas, conselhos, conferências e demais espaços de participação popular, inclusive oferecendo suporte jurídico às lideranças. É compromisso urgente enfrentar o racismo ambiental e as desigualdades estruturais que atingem especialmente povos indígenas, quilombolas, comunidades periféricas e ribeirinhas.

Destacamos a proposta dos Regionais aqui presentes levarem essas diretrizes para a Assembleia dos Bispos, com o objetivo de tornar a Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração em uma comissão nacional permanente, e que se constitua em todos os regionais da CNBB.

Defendemos políticas públicas estruturantes, com participação social, que garantam moradia, água, saneamento e saúde às comunidades em risco socioambiental, assegurando também os direitos da natureza. É essencial atuar nos Planos de Saneamento, Diretores e de Mobilidade Urbana, promovendo justiça espacial e o direito à permanência nos territórios. Rejeitamos propostas como o “PL da devastação”, a lógica da “escala de trabalho 6×1”, e defendemos leis populares, como a “taxação das grandes fortunas”, bem como leis voltadas à justiça climática. Uma ação urgente passa pelo combate ao desmatamento, com foco na preservação dos biomas, e na contenção da urbanização predatória e dos grandes empreendimentos. A preservação das florestas é compromisso espiritual, territorial e ambiental, não financeiro, em diálogo com os povos que nelas vivem.
Em contraste ao modelo capitalista que devasta e aprofunda a crise climática, apontamos para a vida que prevalece apesar de tudo o que acontece.

Anunciamos os modos de vida e os saberes dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que representam formas sustentáveis e harmoniosas de habitar a terra, baseadas no cuidado com a natureza, na coletividade e no respeito aos ciclos da vida. Identificamos, ainda, sinais concretos de esperança presentes nos territórios. Alternativas comunitárias e coletivas, baseadas na economia do cuidado, na agroecologia, na agricultura familiar, na economia solidária, no decrescimento. Expressões para nós de uma Economia de Francisco e Clara. Essas comunidades cultivam uma relação de reciprocidade com os territórios, oferecendo caminhos concretos para a justiça socioambiental e a regeneração da vida. Comprometemo-nos com organizações populares e as iniciativas comunitárias autônomas, como cooperativas e redes de solidariedade.

No cenário internacional, exigimos compromissos vinculantes nas COPs, o cancelamento das dívidas externas e a responsabilização dos países historicamente poluidores.

Confiamos aos nossos Regionais da CNBB, sob as bênçãos de Deus, a continuidade dos trabalhos.

Que a COP 30, em Belém, seja um marco de escuta do grito da Terra e dos Pobres, de denúncia profética das estruturas de morte e de anúncio de novos caminhos para uma sociedade justa e com respeito à natureza. Saudamos, com esperança, a Cúpula dos Povos, onde movimentos e organizações sociais nacionais e internacionais se mobilizam por alternativas reais e por justiça climática. Que as vozes dos territórios sejam ouvidas e respeitadas nas negociações. O tempo é agora. A conversão ecológica é urgente. A justiça climática é inegociável.

“Trabalhem por uma justiça ecológica, social e ambiental”. Papa Leão XIV (Mensagem ao II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o cuidado da Casa Comum realizado na Puc do Rio de Janeiro – maio de 2025).

Pela intercessão de Nossa Senhora da Abadia das águas sujas e de São Francisco de Assis.

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Censo 2022 do IBGE: Em Guarulhos, 43% são católicos e 30% são evangélicos

Divulgado nesta sexta-feira (6), o Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que a Igreja Católica Apostólica Romana segue com o maior número de adeptos em Guarulhos com 43,37%, e 30,08% se declararam evangélicos. A pesquisa destaca o resultado entre os 1.123.377 moradores da cidade acima de 10 anos.

O Censo 2022 destaca os dados sobre os moradores de Guarulhos que são adeptos de alguma outra fé ou de nenhuma: 27.804 (2,48%) disseram ser espíritas, 21.223 (1,89%) se declararam da Umbanda ou Candomblé. Outros 172.421 (15,35%) afirmaram não ter religião, 73.893 (6,58%) eram adeptos de outras religiosidades, 493 (0,04%) acreditavam em tradições indígenas, 551 (0,05%) afirmaram não saber a religião e 1.944 (0,17%) não declararam.

Novo recorte do Censo aponta mudança

Os católicos eram 52,84% da população da cidade no Censo 2010 e agora são 43,37%. Já os evangélicos, eram 28,35% dos guarulhenses e agora são 30,08%.

No Brasil

No Brasil, o Censo apontou que 56,7% da população brasileira se declarou católica e 26,9% afirmou ser evangélica. O catolicismo continua sendo a religião com maior número de fiéis no país, mas atingiu o menor percentual desde 1872, quando era a preferida de 99,7% dos brasileiros. Já o número de evangélicos é o maior já registrado pelo IBGE, mas o ritmo de crescimento está diminuindo em relação aos Censos anteriores.

Pessoas sem religião são 9,3% dos brasileiros; maioria são homens

O Censo 2022 mostrou que a população que se declara sem religião continua aumentando, passando de 7,9% em 2010, para 9,3% em 2022, chegando a 16,4 milhões neste último Censo. A maioria são homens, que representam 56,2% ou 9,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade.

A Região Sudeste, com 10,6% de sua população declarada como sem religião, foi a única com proporção acima da média do país, representando 7,9 milhões de pessoas. A menor proporção estava na Região Sul, 7,1%.

Entre as unidades da federação, as maiores proporções de pessoas sem religião estavam em Roraima e Rio de Janeiro (ambas com 16,9%); as menores estavam no Piauí (4,3%), Ceará (5,3%) e Minas Gerais (5,7%).

Fonte: IBGE e Jornal Click Guarulhos
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Uma só Igreja, um só Pastor, e a Esperança que não decepciona

Em 21 de abril, segunda-feira da Oitava de Páscoa, o mundo recebia com tristeza a notícia do falecimento do Papa Francisco, um dia depois de ter passado em sua frágil condição de saúde no meio dos fiéis reunidos na praça de São Pedro e dar a benção do dia de Páscoa à cidade de Roma e ao mundo. Naturalmente, com sua partida surgiu uma grande expectativa à medida que os fiéis se preparavam para o conclave que escolheria seu sucessor.

A expectativa em torno da escolha de um novo pontífice logo suscitou um renovado interesse pelas tradições da Igreja e questionamentos sobre quem seria o novo papa e quais seriam suas prioridades. Se, por um lado, tais perguntas ecoaram nas paróquias, nas ruas e nas redes sociais, refletindo a esperança do povo católico diante da escolha de seu pastor, por outro, revelaram especulações muitas vezes descompromissadas com a fé e baseadas em visões unilaterais, sensacionalistas e ideológicas.

Mas o que é o papado? É, para início de conversa, uma instituição divina, não humana. Jesus escolheu Simão, pescador galileu, a quem chamou Pedro (pedra), e lhe conferiu a missão de apascentar seu rebanho (Jo 21,17). O Romano Pontífice (construtor de pontes), também conhecido como papa (termo que remete à sua paternidade eclesial), é o sucessor de Pedro, doce Cristo na terra, sinal visível de unidade, servo dos servos de Deus, e enquanto Bispo da diocese de Roma, é cabeça do colégio episcopal, no sentido de ser o primeiro a zelar pelo Depósito da fé e transmiti-lo com fidelidade na caridade do Espírito Santo.

No que diz respeito a eleição papal e ao “conclave” (cum clavis, que significa “com chave”), pode-se dizer que tal eleição remonta aos primeiros sucessores de São Pedro como bispos de Roma, e evoluiu significativamente ao longo dos séculos, refletindo tanto a dinâmica interna da Igreja quanto as influências externas. Inicialmente, os papas eram escolhidos pelo clero e pelo povo de Roma, mas a crescente interferência secular gerou tumultos, como o massacre durante a eleição de São Dâmaso em 366 d.C. Com o tempo, o clero romano assumiu um papel central, levando à criação do conclave por Gregório X no século XI. Uma resposta à necessidade de um processo mais organizado e menos suscetível a influências externas.

Voltando ao presente, depois de um conclave relativamente rápido, os cardeais elegeram o purpurado norte-americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, que foi superior geral da Ordem de Santo Agostinho, bispo em Chiclayo, no Peru, e até então ocupava o cargo de prefeito do Dicastério para os bispos da Cúria romana. Ele escolheu o nome de Leão XIV, uma referência a Leão XIII, papa do final do séc. XIX, que abordou importantes questões sociais durante a Revolução Industrial. O novo pontífice quer continuar esse legado, trabalhando pela justiça social e pelos direitos dos trabalhadores, especialmente diante dos desafios da nova revolução tecnológica e da inteligência artificial.

A eleição do Papa Leão trouxe um sopro de esperança renovada para os católicos. Com um nome que inevitavelmente evoca a coragem e a força, o novo papa já pode ser visto como sinal de uma Igreja enraizada em sua Tradição e em diálogo com os desafios contemporâneos. Nesse sentido, ele é chamado, em um mundo marcado por desigualdades, crises, guerras, polarizações, e sobretudo, pela crise de fé e da própria existência, a trabalhar incansavelmente em prol da evangelização, da justiça social e da dignidade humana. Ele deverá abordar temas atuais, como a crise ambiental, a paz entre os povos e o acolhimento dos migrantes, sempre à luz do Evangelho.

Além disso, o Papa Leão é chamado a dialogar com todos, independentemente de crenças e culturas, construindo pontes e promovendo a unidade em um mundo frequentemente dividido. Que ele possa ser um líder que não apenas proclama, mas também escuta, compreende e acolhe.

A pregação da unidade será um dos grandes desafios do novo Papa. Em um tempo em que as divisões parecem crescer, ele deve ser um farol de esperança – ainda mais nesse ano jubilar no qual somos chamados a refletir a esperança que não decepciona (Rm 5,5) e comemorar o 1700° aniversário do primeiro concílio ecumênico da história, realizado em Niceia, testemunho eclesial de unidade – convidando todos os católicos a se unirem em torno da missão de anunciar o Evangelho da salvação de Jesus Cristo.

Outro desafio do Papa Leão XIV é dar continuidade ao processo sinodal iniciado pelo Papa Francisco, promovendo o diálogo e a participação ativa de todos os membros da Igreja. Essa abordagem sinodal visa fortalecer a comunhão e a colaboração dentro da Igreja, buscando uma maior inclusão e escuta dos fiéis.

Neste novo capítulo da história da Igreja, a eleição do Papa Leão XIV é um convite a renovação da fé e à vivência do amor cristão. Que ele, guiado pelo Espírito Santo, possa conduzir a Igreja sempre com um coração aberto e disposto a servir. Que sua liderança traga esperança, não só para os católicos, mas para toda pessoa humana de boa vontade, reafirmando o compromisso da Igreja com a verdade do Evangelho e a promoção da vida em abundância para todos.

 

Padre Leonardo Henrique

Comissão de Liturgia

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Mensagem para o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2025

Na mensagem, o Santo Padre ressaltou a necessidade de “desarmar a comunicação”, pois a sua real função é gerar esperança e não “medo e desespero, preconceitos e rancores”.

Outro ponto apontado foi a necessidade de atenção para a “dispersão programada da atenção” que, segundo o Papa Francisco, gera um cenário preocupante de distorção da realidade baseada somente em interesses coletivos e individuais de minorias que querem ser predominantes.

A mensagem representa para nós, pasconeiros e pasconeiras, comunicadores católicos, o combustível para seguir a nossa missão de levar sempre a esperança nas comunicações, no qual não são apenas mensagens sem sentido mas conteúdos que representam a nossa referência de esperança: o rosto do Cristo Ressuscitado.

Confira na íntegra:

Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações (cf. 1 Pd 3,15-16)

Queridos irmãos e irmãs!

Neste nosso tempo marcado pela desinformação e pela polarização, no qual alguns centros de poder controlam uma grande massa de dados e de informações sem precedentes, dirijo-me a vós consciente do quanto, hoje mais do que nunca, é necessário o vosso trabalho de jornalistas e comunicadores. Precisamos do vosso compromisso corajoso em colocar no centro da comunicação a responsabilidade pessoal e coletiva para com o próximo.

Ao pensar no Jubileu que estamos a celebrar como um período de graça em tempos tão conturbados, com esta Mensagem gostaria de vos convidar a ser comunicadores de esperança, começando pela renovação do vosso trabalho e missão segundo o espírito do Evangelho.

Desarmar a comunicação

Hoje em dia, com demasiada frequência, a comunicação não gera esperança, mas sim medo e desespero, preconceitos e rancores, fanatismo e até ódio. Muitas vezes, simplifica a realidade para suscitar reações instintivas; usa a palavra como uma espada; recorre mesmo a informações falsas ou habilmente distorcidas para enviar mensagens destinadas a exaltar os ânimos, a provocar e a ferir. Já várias vezes insisti na necessidade de “desarmar” a comunicação, de a purificar da agressividade. Nunca dá bom resultado reduzir a realidade a slogans. Desde os talk shows televisivos até às guerras verbais nas redes sociais, todos constatamos o risco de prevalecer o paradigma da competição, da contraposição, da vontade de dominar e possuir, da manipulação da opinião pública.

Há ainda um outro fenómeno preocupante: poderíamos designá-lo como a “dispersão programada da atenção” através de sistemas digitais que, ao traçarem o nosso perfil de acordo com as lógicas do mercado, alteram a nossa perceção da realidade. Acontece portanto que assistimos, muitas vezes impotentes, a uma espécie de atomização dos interesses, o que acaba por minar os fundamentos do nosso ser comunidade, a capacidade de trabalhar em conjunto por um bem comum, de nos ouvirmos uns aos outros, de compreendermos as razões do outro. Parece que, para a afirmação de si próprio, seja indispensável identificar um “inimigo” a quem atacar verbalmente. E quando o outro se torna um “inimigo”, quando o seu rosto e a sua dignidade são obscurecidos de modo a escarnecê-lo e ridicularizá-lo, perde-se igualmente a possibilidade de gerar esperança. Como nos ensinou D. Tonino Bello, todos os conflitos «encontram a sua raiz no desvanecer dos rostos» [1]. Não podemos render-nos a esta lógica.

Na verdade, ter esperança não é de todo fácil. Georges Bernanos dizia que «só têm esperança aqueles que ousaram desesperar das ilusões e mentiras nas quais encontravam segurança e que falsamente confundiam com esperança. […] A esperança é um risco que é preciso correr. É o risco dos riscos» [2]. A esperança é uma virtude escondida, pertinaz e paciente. No entanto, para os cristãos, a esperança não é uma escolha, mas uma condição imprescindível. Como recordava Bento XVI na Encíclica Spe salvi, a esperança não é um otimismo passivo, antes pelo contrário, é uma virtude “performativa”, capaz de mudar a vida: «Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova» (n. 2).

Dar com mansidão a razão da nossa esperança

Na Primeira Carta de São Pedro (cf. 3, 15-16), encontramos uma síntese admirável na qual se relacionam a esperança com o testemunho e a comunicação cristã: «no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito». Gostaria de me deter em três mensagens que podemos extrair destas palavras.

«No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor». A esperança dos cristãos tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado. A sua promessa de estar sempre connosco através do dom do Espírito Santo permite-nos esperar contra toda a esperança e ver, mesmo quando tudo parece perdido, as escondidas migalhas de bem.

A segunda mensagem pede-nos para estarmos dispostos a dar razão da nossa esperança. É interessante notar que o Apóstolo convida a dar conta da esperança «a todo aquele que vo-la peça». Os cristãos não são, antes de mais, aqueles que “falam” de Deus, mas aqueles que fazem ressoar a beleza do seu amor, uma maneira nova de viver cada pequena coisa. É o amor vivido que suscita a pergunta e exige uma resposta: porque é que viveis assim? Porque é que sois assim?

Por fim, na expressão de São Pedro encontramos uma terceira mensagem: a resposta a este pedido deve ser dada “com mansidão e respeito”. A comunicação dos cristãos – e eu diria até a comunicação em geral – deve ser feita com mansidão, com proximidade: eis o estilo dos companheiros de viagem, na peugada do maior Comunicador de todos os tempos, Jesus de Nazaré, que ao longo do caminho dialogava com os dois discípulos de Emaús, fazendo-lhes arder os corações através do modo como interpretava os acontecimentos à luz das Escrituras.

Por isso, sonho com uma comunicação que saiba fazer de nós companheiros de viagem de tantos irmãos e irmãs nossos para, em tempos tão conturbados, reacender neles a esperança. Uma comunicação que seja capaz de falar ao coração, de suscitar não reações impetuosas de fechamento e raiva, mas atitudes de abertura e amizade; capaz de apostar na beleza e na esperança mesmo nas situações aparentemente mais desesperadas; de gerar empenho, empatia, interesse pelos outros. Uma comunicação que nos ajude a «reconhecer a dignidade de cada ser humano e a cuidar juntos da nossa casa comum» (Carta enc. Dilexit nos, 217).

Sonho com uma comunicação que não venda ilusões ou medos, mas seja capaz de dar razões para ter esperança. Martin Luther King disse: «Se eu puder ajudar alguém enquanto caminho, se eu puder alegrar alguém com uma palavra ou uma canção… então a minha vida não terá sido vivida em vão» [3]. Para isso, precisamos de nos curar da “doença” do protagonismo e da autorreferencialidade, evitar o risco de falarmos de nós mesmos: o bom comunicador faz com que quem ouve, lê ou vê se torne participante, esteja próximo, possa encontrar o melhor de si e entrar com estas atitudes nas histórias contadas. Comunicar deste modo ajuda a tornarmo-nos “peregrinos de esperança”, como diz o lema do Jubileu.

Esperar juntos

A esperança é sempre um projeto comunitário. Pensemos, por um momento, na grandeza da mensagem deste ano de graça: estamos todos – realmente todos! – convidados a recomeçar, a deixar que Deus nos reerga, nos abrace e inunde de misericórdia. E entrelaçadas com tudo isto estão a dimensão pessoal e a dimensão comunitária. É em conjunto que nos pomos a caminho, peregrinamos com tantos irmãos e irmãs, e, juntos, atravessamos a Porta Santa.

O Jubileu tem muitas implicações sociais. Pensemos, por exemplo, na mensagem de misericórdia e esperança para quem vive nas prisões, ou no apelo à proximidade e à ternura para com os que sofrem e estão à margem. O Jubileu recorda-nos que todos os que se tornam construtores da paz «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). E, deste modo, abre-nos à esperança, aponta-nos a necessidade de uma comunicação atenta, amável, refletida, capaz de indicar caminhos de diálogo. Encorajo-vos, portanto, a descobrir e a contar tantas histórias de bem escondidas por detrás das notícias; a imitar aqueles exploradores de ouro que, incansavelmente, peneiram a areia em busca duma pequeníssima pepita. É importante encontrar estas sementes de esperança e dá-las a conhecer. Ajuda o mundo a ser um pouco menos surdo ao grito dos últimos, um pouco menos indiferente, um pouco menos fechado. Que saibais sempre encontrar as centelhas de bem que nos permitem ter esperança. Este tipo de comunicação pode ajudar a tecer a comunhão, a fazer-nos sentir menos sós, a redescobrir a importância de caminhar juntos.

Não esqueçais o coração

Queridos irmãos e irmãs, perante as vertiginosas conquistas da técnica, convido-vos a cuidar do coração, ou seja, da vossa vida interior. O que é que isto significa? Deixo-vos algumas pistas.

Sede mansos e nunca esqueçais o rosto do outro; falai ao coração das mulheres e dos homens ao serviço de quem desempenhais o vosso trabalho.

Não permitais que as reações instintivas guiem a vossa comunicação. Semeai sempre esperança, mesmo quando é difícil, quando custa, quando parece não dar frutos.

Procurai praticar uma comunicação que saiba curar as feridas da nossa humanidade.

Dai espaço à confiança do coração que, como uma flor frágil mas resistente, não sucumbe no meio das intempéries da vida, mas brota e cresce nos lugares mais inesperados: na esperança das mães que rezam todos os dias para rever os seus filhos regressar das trincheiras de um conflito; na esperança dos pais que emigram, entre inúmeros riscos e peripécias, à procura de um futuro melhor; na esperança das crianças que, mesmo no meio dos escombros das guerras e nas ruas pobres das favelas, conseguem brincar, sorrir e acreditar na vida.

Sede testemunhas e promotores de uma comunicação não hostil, que difunda uma cultura do cuidado, construa pontes e atravesse os muros visíveis e invisíveis do nosso tempo.

Contai histórias imbuídas de esperança, tomando a peito o nosso destino comum e escrevendo juntos a história do nosso futuro.

Tudo isto podeis e podemos fazê-lo com a graça de Deus, que o Jubileu nos ajuda a receber em abundância. Por isto, rezo por cada um de vós e pelo vosso trabalho, e vos abençoo.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2025.

Francisco