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Artigos Destaques Vocação e Seminário

Santa Missa dos amigos do Seminário e Rito de Admissão às Ordens Sacras

No primeiro sábado de março, 7, aconteceu a tradicional Santa Missa dos Amigos do Seminário no Seminário Diocesano Imaculada Conceição. Na ocasião, a Santa Missa presidida pelo nosso pai e pastor, Dom Edmilson Amador Caetano,o.Cist., bispo diocesano de Guarulhos, admitiu às Ordens Sacras dois seminaristas: Victor de Menezes Paim Silva e William Rodrigues dos Santos, ambos já concluintes do curso de Teologia, em vista do ministério diaconal e presbiteral. Também, admitiu à Ordem Sacra, José Rodrigo Mendonça da Escola Diaconal São Lourenço em vista do ministério diaconal.

            Durante a homilia, Dom Edmilson fez um paralelo sobre a parábola dos Pai das Misericórdias com a vida pessoal de cada um dos candidatos que diante das dificuldades e realidades vividas e a serem vividas são sinais da misericórdia de Deus. Também, o bispo exortou todos os fiéis presentes da importância da oração pelas vocações recordando que além dos três candidatos admitidos, no sábado 14/03/2026, a Igreja ordenará 3 novos diáconos permanentes para o serviço da Palavra e da caridade, além da recém aprovação para o ministério diaconal de 5 seminaristas que serão ordenados em 30/05/2026.

            O rito de admissão às Ordens Sacras inicia com a exortação do bispo de que a Igreja acolhe o propósito dos candidatos a consagrarem-se ao serviço de Deus e da humanidade. Tendo sido, aqueles que serão admitidos, chamados pelo nome, o bispo interroga os candidatos:

– Queres, respondendo ao chamado de Deus, completar a preparação que tornará apto para receber oportunamente o ministério da Igreja pela sagrada Ordem?

– Queres preparar vosso coração de tal maneira que possas servir fielmente ao Cristo, Senhor nosso, e a seu corpo, que é a Igreja?

            Tendo os candidatos assentido às perguntas, o rito se conclui com as preces e a oração do bispo que invoca a benção de Deus sobre eles.

            Roguemos, pois, ao Senhor da messe que continue enviando muitas e santas vocações sacerdotais, diaconais e consagradas para nossa Diocese de Guarulhos, pois a messe é grande e poucos são os operários.

 

Sem. Sebastião Fernandes Correia

3º ano da Teologia – Etapa da Configuração

Confira alguns registros da Santa Missa (Fotos – Ideal Arte):

Rito de Admissão às Ordens Sacras
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Artigos Falando da Vida

A crise habitacional e o pecado social

Por que tantas pessoas não têm onde morar?


 

Um país como o Brasil, com um território que mede 9 milhões de quilômetros quadrados, não deveria ter déficit habitacional e pessoas morando nas ruas, mas tem. Isso é sinal de que algo está errado e não é porque o povo é preguiçoso ou acomodado, como tantos afirmam e sim porque existe desigualdade. Se dividíssemos nosso território equitativamente por habitante, cada um teria direito a aproximadamente 40 mil metros. A realidade é que existem poucas pessoas com muita posse de terra e uma multidão de pessoas sem nada e isso é um pecado; não um pecado individual, mas social.

A Campanha da Fraternidade 2026, aborda justamente essa questão, trazendo um olhar crítico e denunciando a crise habitacional brasileira. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”, a Igreja Católica no Brasil nos convida a entender que ter um teto não é um privilégio, mas um direito humano fundamental e uma exigência da fé. O problema da falta de moradia impacta diretamente a Saúde, Educação e Trabalho. Como ter saúde vivendo em áreas contaminadas sem acesso a higiene básica?  Como estudar sem um ambiente adequado? Como arrumar trabalho formal sem ter um endereço fixo?

Os números do déficit habitacional no Brasil vêm crescendo nos últimos anos. De acordo com dados do IBGE, mais de 6,2 milhões de famílias não possuem uma casa adequada, o que gera 26 milhões de pessoas vivendo em habitações precárias ou improvisadas. O número de pessoas vivendo nas ruas no período pré-pandemia era de 144.000, ao passo que atualmente é de 365.800 atingindo um recorde histórico. Aqui está o Pecado Social que se refere a estruturas que violam a dignidade humana, portanto, combater essa realidade tornou-se um dever sagrado.

Não podemos olhar esse cenário com a justificativa que tantas vezes ouvimos: “é da vontade de Deus”. Não é da vontade Deus e sim da ganância de uma minoria que, através do poder político-econômico, se impõe sobre a maioria. O Pecado Social está presente na violência, no racismo, na pobreza, na corrupção e na falta de direitos básicos à população. A Campanha da Fraternidade nos conclama a sermos como os antigos profetas que denunciaram a opressão e a injustiça. Não basta participar de cultos religiosos, o cristianismo vai além da prática ritualística e exige uma vivência concreta dos ensinamentos de Jesus. Que a compaixão, a justiça e o amor guiem a nossa cristandade.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo

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Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024)

Uma das últimas orientações do Papa Francisco a toda Igreja, ainda quando estava internado no hospital, em fevereiro de 2025, foi autorizar a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos dar prosseguimento à Implementação do Sínodo dos bispos (2021-2024), a partir do Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, participação, missão.

A coordenação deste trabalho, em cada diocese, cabe ao bispo diocesano, assessorado por uma Equipe Diocesana do Sínodo. Esta equipe já existia desde 2021e agora foi ampliada. Este trabalho tem sido feito, com busca de discernimento, de maneira incessante, mas paulatinamente. Não se tata de uma técnica ou modismo que deva ser implantado rapidamente, mas de uma identidade da Igreja que precisa ser redescoberta e estabelecida solidamente, ancorada em bases espirituais inalienáveis.

Para fazer conhecer este Documento Final tivemos até agora (março 2026) três reuniões com os membros dos CPPs. Estas reuniões foram realizadas nas Foranias. De cada uma destas reuniões foram entregues tarefas às paróquias para que, experimentando uma prática sinodal, de alguma maneira fossem sendo encontradas respostas pastorais. Da primeira reunião, após explicitação do primeiro capítulo do Documento Final, os membros do CPP levaram como “lição de casa” um questionário. A segunda reunião foi a devolutiva desse questionário e a “lição de casa”, foi para cada CPP, já com alguma prática sinodal, que escolhesse um dos aspectos pastorais levantados através do questionário, em toda diocese, e deste aspecto fizesse brotar um processo pastoral para que fosse implantado na paróquia. Na terceira reunião, foram apresentados os capítulos segundo e terceiro do Documento Final. E, iniciando um processo de modo sinodal, foi iniciada a revisão dos Estatutos do CPP, em vigor desde 2017 em nossa diocese.

Por que escolhi os membros dos CPPs?  Fiz esta escolha por tratar-se de irmãos e irmãs que estão, juntamente com os pastores de cada paróquia, à frente do discernimento e organização do trabalho evangelizador em cada comunidade. Desta forma, muito mais que com palestras e cursos, possam ir trabalhando esta mentalidade em nossas comunidades.

Alguém pode perguntar ou objetar: Por que não se faz um curso ou Semana Diocesana de Formação sobre este Documento Final? Porque diferentemente de outros documentos do Magistério da Igreja, este documento deve ser aprendido através da experiência, de aspectos mais sensíveis a cada realidade diocesana e conforme o discernimento que vá sendo feito à luz dos sinais dos tempos.

A propósito, a Comissão Diocesana de Pastoral (CODIPA), escutando alguns irmãos e irmãs, achou por bem dar um enfoque mais doutrinal à Semana Diocesana de Formação. O povo tem sede de que seja melhor explicitado os conteúdos da nossa fé. Assim sendo, a partir deste ano iremos, com critério e sem pressa, apresentar/estudar na Semana Diocesana de Formação os conteúdos do Catecismo da Igreja Católica: Creio, Liturgia e Sacramentos, Moral e Oração. Seguramente serão argumentos para mais de uma década.  Vejo nesta escolha uma convergência interessante de acontecimentos. O Catecismo da Igreja Católica atual surgiu após um Sínodo dos bispos em 1985 (20 anos do término do Concílio Vaticano II) e a implementação do Sínodo, assim chamado sobre “a sinodalidade” começa a acontecer no ano em que se celebrou os 60 anos do término do Concílio Vaticano II.

Ao longo deste ano, nesta coluna, irei falando sobre pontos que julgo capitais para a vivência desta Igreja Sinodal dentro da nossa realidade diocesana.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano

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Artigos Editorial

Ser igreja é viver cada proposta e desafio em busca do bem e da paz aqui e agora

Caríssimos irmãos e irmãs, com a graça de Deus iniciamos mais um ano de muitos projetos de comunicação para melhor servir ao Reino de Deus com o anuncio da Boa Nova e sua repercussão. É fundamental que você possa assumir com responsabilidade a missão de ser um(a) propagador(a) deste conteúdo publicado, em primeiro lugar compartilhando está revista nos seus diversos grupos sociais; segundo, enviando as sugestões de pauta e críticas construtivas, e em terceiro lugar enviando conteúdo de reflexão e experiência de fé.

Elaborando essa primeira edição do ano, podemos afirmar que se o ditado popular diz que: “o ano começa depois do carnaval”, para nós o ano começa com o lançamento da Campanha da Fraternidade nas diversas instâncias da Igreja e da sociedade. Por isso está primeira edição da Revista Diocesana é marcada pelo tema da Campanha com sua fundamentação bíblica, teológica e pastoral.

Um tema mais uma vez desafiador por se tratar de uma questão social gravíssima em todo o mundo que é o direito à moradia e as consequências de sua negação. O compromisso deve ser de todos e de cada um, por isso acompanhamos o lançamento nas foranias e na sub-região do estado de São Paulo. Neste momento estamos na fase das reflexões nos diversos grupos e de modo especial através do subsídio CF em Família.

É fundamental perceber que a Igreja vive intensamente todas as propostas ao mesmo tempo por isso nos recorda Dom Edmilson que vivemos também na fase de implementação do Sínodo nas dioceses. Esse processo se dá na reflexão com os diversos membros do Conselho Paroquial de Pastoral que compõe nossas paroquias com a missão de escolher prioridades específicas conforme a realidade paroquial e também de rever o estatuto deste organismo a partir do convite por uma Igreja sinodal.

A caminhada é longa, árdua, porém necessária para alcançar os objetivos do Sínodo, como diz o coordenador diocesano de pastoral, o padre Marcelo Dias: Coragem povo de Deus. Se o Papa Francisco lançou o desafio do Sínodo e o ano da esperança, agora o Papa Leão XIV lançou o ano Franciscano a ser vivida ao longo de 2026. De fato, uma notícia que surpreendeu a todos e até o mesmo, eu acredito, os próprios devotos e filhos de São Franscisco de Assis. Para bem viver este ano Franciscano é muito importante você ler a bula e se informa bem para melhor tomar posse das graças oferecidas nas Igrejas dedicadas a São Francisco de Assis.

Desde já parabenizamos os responsáveis e fiéis destas paróquias e comunidades franciscanas e desejamos muitas graças na partilha da espiritualidade e compromisso do seu padroeiro.

Enfim, desejamos felicidades aos novos seminaristas propedeutas e aos novos diáconos permanentes pelo dom recebido e partilhado.

Que Nossa Senhora das Vocações e São Francisco de Assis, intercedam ao longo de toda a caminhada dos que iniciam e outros que alcançaram um longo caminho percorrido.

Desejo a todos os colaboradores e leitores, paz e bem, aqui e agora!

Padre Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Serviço de Animação Vocacional e Catequese Diocesana promovem as Catequeses Vocacionais

Nos dias 21 e 28 de fevereiro, o Serviço de Animação Vocacional e Catequese Diocesana promovem as Catequeses Vocacionais nas Foranias de nossa Diocese. Com o tema “Vocação como ser humano” para a 2ª etapa do Crisma e a temática “Missão e vida da Igreja” trabalhada para a 3ª etapa do Crisma, as Catequeses Vocacionais foram realizadas com o objetivo de aproximar os jovens para a realidade da vocação, oferecendo aos crismandos aprofundar nos conteúdos antropológicos, sociais, eclesiais e missionários.
 
Com a presença de diversos palestrantes para cada Paróquia na Forania, o encontro ainda realizou momentos de oração, formação e Adoração ao Santíssimo, no qual se encerraram as Catequeses.
 
Padre Edson Vitor
Coordenador do Serviço de Animação Vocacional
 
 
Confira como foram os encontros:

CATEQUESES VOCACIONAIS - 2ª ETAPA:

Catequeses Vocacionais - 2ª Etapa 2026

CATEQUESES VOCACIONAIS - 3ª ETAPA:

Catequeses Vocacionais - 3ª Etapa 2026
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Artigos Diocese Vocação e Seminário

Seminaristas propedeutas realizam o retiro anual

Nos dias 23 a 27 de fevereiro, os seminaristas propedeutas realizaram o retiro de início de ano. Conduzidos pelas pregações do Padre Bruno Santana, vigário da Paróquia Santa Luzia – Mikail, os seminaristas viveram momentos de intimidade com a Palavra de Deus, com as suas histórias vocacionais e com a oferta que realizaram nessa nova etapa de suas vidas.
O retiro, realizado na Abadia de Santa Maria da capital paulista, foi concluído com a presença de nosso Bispo, Dom Edmilson Amador Caetano, que exortou a perseverança, o discernimento e a escuta da voz de Deus no tempo da etapa propedêutica.
Rezemos pelos nossos seminaristas, pela sua fidelidade e santidade em sua caminhada vocacional.
Padre Edson Vitor
Reitor do Seminário Propedêutico Santo Antônio
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Artigos Diocese Vocação e Seminário

Diocese de Guarulhos acolhe oito novos seminaristas no Seminário Propedêutico

A Diocese de Guarulhos acolheu com alegria oito novos seminaristas propedeutas. Ingressando no Seminário Propedêutico Santo Antônio no dia 19 de fevereiro, os seminaristas terão a oportunidade de vivenciar mais profundamente o chamado de Deus, realizando as orações, estudos e convivência fraterna para um integral discernimento vocacional.

O Seminário Propedêutico Santo Antônio encontra-se no bairro do Gopoúva e proporciona um espaço de acolhida, vivência e oração para uma melhor experiência da vocação presbiteral aos candidatos.

São esses os seminaristas que ingressaram no Seminário Propedêutico:

  • Douglas Cruz de Oliveira –  Paróquia São Francisco Xavier
  • Flávio da Silva – Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Inocoop)
  • Gabriel Fachine Couto – Paróquia Santo Antônio (Gopoúva)
  • Gabriel Sousa de França – Paróquia Santo Alberto Magno
  • Henrique Soares Burim – Paróquia Santa Luzia (Mikail)
  • Jefferson Cauã Silva – Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
  • Raphael Faria Costa Souza – Paróquia Santo Antônio (Pimentas)
  • Thiago De Oliveira Da Silva – Paróquia Santa Luzia (Alvorada)

Rezemos pelas vocações sacerdotais de nossa Diocese e rezemos para que o Senhor da messe envie cada mais operários pela intercessão de Nossa Senhora das Vocações e de Santo Antônio.

 

Padre Edson Vitor

Reitor do Seminário Propedêutico Santo Antônio

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Artigos Diocese Dízimo

Congresso Diocesano da Pastoral do Dízimo reúne foranias e marca transição na assessoria

No dia 28 de fevereiro, coordenadores e agentes da Pastoral do Dízimo das diversas foranias da Diocese de Guarulhos participaram do Congresso Diocesano, em um dia marcado por espiritualidade, partilha e renovação da missão.

O encontro que reuniu representantes paroquiais, objetivou fortalecer o compromisso com a evangelização e com a conscientização sobre a importância do dízimo como expressão de fé, gratidão e corresponsabilidade na vida da Igreja, contou com a presença do Padre Cleiton Viana da Silva da paróquia São Pedro Apóstolo da Diocese de Mogi das Cruzes, convidado para conduzir a reflexão central do Congresso.

Além dos momentos de reflexão e espiritualidade, o Congresso também foi marcado por uma importante transição na assessoria diocesana da pastoral. O padre Italo Sá, que até então exercia a função de assessor diocesano da Pastoral do Dízimo, despediu-se oficialmente da missão, sendo agradecido por seu empenho, dedicação e trabalho realizado junto às foranias ao longo de seu serviço.

Na ocasião, foi acolhido como novo assessor diocesano o padre Leonardo Lopes, atualmente vigário no Santuário Nossa Senhora do Bonsucesso, que assume a missão com o compromisso de dar continuidade ao trabalho de formação, animação e unidade da pastoral em toda a Diocese.

O Congresso reforçou a importância da unidade entre as foranias e renovou o entusiasmo dos agentes para o trabalho pastoral ao longo de 2026, reafirmando que o dízimo é um gesto de amor à Igreja e de participação ativa na construção do Reino de Deus.

Confira alguns registros do congresso:

Congresso Diocesano do Dízimo 2026
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Artigos CNBB Destaques

A Palavra de Deus como realidade viva

Ao tratar da relação entre Escritura e Tradição, Leão XIV destacou que ambas formam uma única realidade viva, transmitida ao longo das gerações sob a ação do Espírito Santo.


 

Na Audiência Geral do dia 28 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV conduziu a Igreja a uma reflexão profunda sobre a Palavra de Deus como realidade viva, dinâmica e inseparável da Tradição. Ao retomar os grandes temas da Dei Verbum, o Pontífice recordou que a Revelação não pertence apenas ao passado, nem pode ser reduzida a um texto fixo ou a uma memória histórica: ela acontece, continua a se comunicar e se atualiza na vida concreta do povo de Deus.

Essa compreensão provoca uma pergunta fundamental: como escutamos hoje a Palavra de Deus? Ela é acolhida como força que interpela, transforma e orienta a existência, ou permanece confinada ao âmbito do ritual e do discurso religioso? Em um tempo marcado pela aceleração, pelo excesso de informações e pela superficialidade das escutas, o Papa convida a Igreja a redescobrir a centralidade de uma escuta profunda, paciente e comprometida.

Ao tratar da relação entre Escritura e Tradição, Leão XIV destacou que ambas formam uma única realidade viva, transmitida ao longo das gerações sob a ação do Espírito Santo. A Tradição não é repetição mecânica nem simples conservação do passado, mas processo vital, no qual a fé é compreendida, aprofundada e testemunhada em novos contextos históricos. Diante disso, surge outra questão decisiva: somos uma Igreja que transmite a fé como herança viva ou apenas como um conjunto de fórmulas a serem preservadas?

A Palavra de Deus, recordou o Papa, cresce na medida em que é acolhida, meditada e vivida. Ela se revela na escuta comunitária, na liturgia, na vida pastoral e nos desafios do mundo contemporâneo. Isso exige maturidade espiritual e discernimento, pois nem toda mudança é fidelidade, assim como nem toda conservação é garantia de autenticidade. Aqui emerge uma pergunta particularmente atual: como discernir, à luz do Espírito, o que é desenvolvimento legítimo da fé e o que é perda de seu sentido original?

Leão XIV também sublinhou a responsabilidade de toda a Igreja na guarda e na transmissão do depósito da fé. Essa missão não é exclusiva do Magistério, mas envolve pastores, teólogos, educadores e fiéis leigos. Tal afirmação provoca outra inquietação: de que modo cada cristão assume sua corresponsabilidade na transmissão da fé, especialmente às novas gerações? A Palavra anunciada encontra coerência na vida vivida?

Ao final de sua catequese, o Papa convidou os fiéis a retomarem o espírito da Dei Verbum, lembrando que Escritura, Tradição e Magistério só podem ser compreendidos em profunda unidade. Separá-los empobrece a fé; mantê-los unidos fortalece a Igreja em sua missão evangelizadora. Em tempos de crise de sentido, polarizações e fragilidade dos vínculos, permanece a pergunta que atravessa toda a audiência: estamos dispostos a deixar que a Palavra de Deus continue a nos converter, ou preferimos moldá-la às nossas certezas e conveniências?

A audiência do Papa Leão XIV, portanto, não se limita a uma explicação doutrinal, mas se apresenta como um chamado à conversão da escuta, à maturidade da fé e ao compromisso com uma Tradição verdadeiramente viva, capaz de falar ao coração do ser humano de hoje sem perder sua fidelidade ao Evangelho.

Nosso Bispo, Dom Edmilson, esteve presente na audiência Papal no dia 28 de janeiro em comunhão com o Regional Sul 1 da CNBB que segue fazendo com grupos, as visitas ao pontífice em Roma durante este início de ano.

Confira a audiência Papal deste dia 28/01/2026:

Confira algumas fotos de Dom Edmilson com o Papa Leão XIV:

Fonte: Vatican Media

Visita a Roma - Dom Edsilson
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Artigos Falando da Vida

Gratidão e Ciência

Por que é importante cultivar a gratidão?

É normal ouvir falar sobre gratidão nos ambientes religiosos, pois ela tem tudo a ver com os princípios que norteiam a maioria das religiões. A gratidão é vista como uma forma de agradecer as coisas boas da vida, as bênçãos e reconhecer a bondade presente nas outras pessoas. Ela é um ponto central no Cristianismo e aparece muito no Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Espiritismo e principalmente, no Budismo. Em todas essas crenças, ser grato é algo ativo, que se manifesta em orações, rituais e ajuda ao próximo.

Todavia o tema gratidão tem recebido cada vez mais atenção da ciência, sobretudo na Psicologia, devido aos seus inúmeros benefícios para o bem-estar físico e mental. A partir da perspectiva psicológica, a gratidão é vista como um sentimento que envolve o reconhecimento e apreciação pelo que sentimos, através de experiências internas ou externas. Estudos mostram que pessoas que praticam a gratidão regularmente tendem a experimentar níveis mais elevados de felicidade, menor incidência de depressão, além de uma maior resiliência diante de adversidades.

Do ponto de vista neurocientífico, a prática da gratidão ativa áreas do cérebro relacionadas à dopamina e à serotonina, neurotransmissores ligados ao sentimento de prazer e bem-estar. Essa resposta neuroquímica reforça o impacto positivo dessa emoção no cérebro, criando um ciclo de reciprocidade emocional. Por fim, a psicologia aponta que desenvolver a gratidão não é apenas uma atitude momentânea, mas uma habilidade que pode reconfigurar o cérebro e gerar um padrão positivo de saúde mental.

Existe uma área da Psicologia, chamada de Psicologia Positiva, que se concentra no estudo do bem-estar humano e segundo essa abordagem, cultivar a gratidão ajuda a mudar o foco da mente, saindo do modelo tradicional de remediação de problemas, para o modelo positivo que busca as condições que nos fazem efetivamente felizes. Técnicas como registros diários de gratidão, onde a pessoa escreve coisas pelas quais é grata, têm se mostrado eficazes na promoção de emoções positivas e na redução do estresse.

Para concluir, aqui vai uma prática simples que ajuda a cultivar gratidão reconfigurando o cérebro para um modelo positivo: Faça uma retrospectiva de sua vida no decorrer deste ano e enumere todos os acontecimentos pelos quais você é grato. Avalie o processo mais que o resultado, reconheça o quanto você se empenhou em cada tarefa e deixe emergir dentro de si, um sentimento puro de gratidão. Eu, por exemplo, sou grato por todos os artigos que escrevi nessa revista no decorrer do ano e por todos os leitores que, através dessa coluna, se conectaram comigo formando um ciclo maravilhoso de dar e receber.

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico