SÃO PAULO - BRASIL

“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Artigos Editorial

Família, torna-te aquilo que és!

O amor jamais acabará (1 cor 13,8)


Queridos irmãos e irmãs, chegamos ao mês vocacional, e com toda a Igreja queremos declarar que é Hora da Família, de onde nasce todas as vocações e se manifesta todos os dons.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil convida a celebrar a cada domingo uma dimensão vocacional, de modo especial a Pastoral Familiar,  ao celebrar o dom da paternidade, inicia com esperança e entusiasmo a Semana Nacional da Família 2026.

Para motivar a participação, Dom Bruno Elizeu Versari, presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, recorda: “Este ano, celebramos os 45 anos da Familiaris Consorcio e os 10 anos do Amoris Laetittia.

Unidos em torno da Palavra e da Eucaristia, formamos a família de Deus e a Igreja doméstica. O tema deste ano é “Família, torna-te aquilo que és” e o lema “O amor jamais acabará” (1 Cor 13,8). Desejamos que todos os movimentos e pastorais que têm sua missão junto às famílias se unam para organizar e promover a Semana Nacional da Família”.

Nesta edição unimos encontramos momentos maravilhosos de alegria pela vocação dada por Deus manifestada através do Retiro do Clero; da Semana de Formação Diocesana; da Ação Missionária dos seminaristas; do lançamento do livro “Um Barco pronto para partir” e homenagem a quem com alegria gastou sai vida a serviço do Reino e outras que continuam se gastando com amor pela obra.

Nesta edição também contamos com artigos que alertam sobre o cuidado fundamental com ameaças de pensamentos suicidas e noites com insônia. Ficar atento aos sinais presentes no outro também é uma preocupação de todos os familiares.

Parabéns a todas as vocações!

Vamos rezar juntos por mais realizações vocacionais como rezou o Monsenhor Jonas Abib:

Oração pelas vocações

“Senhor da Messe, Pastor do Rebanho,
Faz ressoar em nossos ouvidos
Teu forte e suave convite:
“Vem e segue-me!”
Derrama sobre nós o Teu Espírito,
Que Ele nos dê sabedoria
Para ver o caminho,
E generosidade para seguir Tua voz!

Senhor, que a messe não se perca
Por falta de operários!
Desperta nossas comunidades para a Missão!
Ensina nossa vida a ser serviço!
Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino
Na vida consagrada e religiosa!

Senhor, que o Rebanho não pereça
Por falta de Pastores!
Sustenta a fidelidade de nossos bispos,
Padres, diáconos e ministros!
Dá perseverança a nossos seminaristas!
Desperta o coração de nossos jovens
Para o ministério pastoral em Tua Igreja!

Senhor da Messe e Pastor do Rebanho,
Chama-nos para o serviço de teu povo.
Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho,
Ajuda-nos a responder: “SIM”. – Amém“.

 

Padre Marcos Vinicius

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos Enfoque Pastoral

Um Barco pronto para partir: Memória que impulsiona a Missão

Há livros que registram acontecimentos. Outros preservam nomes, datas e fatos. Um Barco Pronto para Partir, do Padre Frizzo, faz mais do que isso: ajuda-nos a compreender a identidade pastoral da Diocese de Guarulhos.

Ao narrar a chegada dos missionários canadenses e sua decisiva contribuição para a consolidação da nossa Igreja Particular, a obra revela que o verdadeiro protagonista dessa história não é um grupo de pessoas, mas uma maneira de viver a missão inspirada pelo Concílio Vaticano II.

Os missionários que deixaram sua terra para servir ao povo brasileiro não trouxeram apenas entusiasmo missionário. Trouxeram uma visão de Igreja fundada na comunhão, na participação e na corresponsabilidade. Investiram na formação de leigos e leigas, fortaleceram os Conselhos Pastorais, incentivaram as Comunidades Eclesiais de Base, renovaram a liturgia e ajudaram a consolidar uma pastoral de conjunto que marcou profundamente a caminhada da Diocese.
Talvez aí esteja o maior legado apresentado pelo livro. A principal herança deixada por aqueles missionários não foram os edifícios construídos, mas as pessoas formadas. Comunidades vivas nasceram porque homens e mulheres foram despertados para assumir seu Batismo e colocar seus dons a serviço da evangelização. Os diversos testemunhos reunidos na obra revelam exatamente isso: uma Igreja que cresceu porque acreditou na força transformadora da Palavra, da liturgia e da participação do povo de Deus.

Essa memória possui enorme atualidade. Quando hoje falamos de sinodalidade, formação permanente, pastoral de conjunto e comunidades missionárias, percebemos que não estamos começando um caminho novo. Estamos aprofundando uma herança que ajudou a moldar a identidade da Diocese de Guarulhos desde seus primeiros anos.

O título do livro torna-se, assim, um convite para todos nós. O barco continua pronto para partir. A missão permanece aberta. Cabe à nossa geração acolher o mesmo espírito missionário, fortalecer a comunhão, formar novos discípulos missionários e conduzir a barca da Igreja com a coragem daqueles que confiaram no chamado de Deus e fizeram da própria vida um anúncio vivo do Evangelho.

Ao contemplarmos essa bela herança missionária, nosso olhar volta-se também para a Imaculada Conceição, padroeira de nossa Diocese. Foi ela quem acolheu o chamado de Deus com inteira disponibilidade e colocou-se a caminho para servir. Na escola de Maria aprendemos que toda renovação da Igreja nasce da escuta da Palavra, da confiança na ação do Espírito Santo e da coragem de dizer, todos os dias: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Que a Mãe da Igreja continue conduzindo a barca da Diocese de Guarulhos, para que, fiéis ao legado que recebemos e atentos aos sinais dos tempos, permaneçamos sempre prontos para partir, anunciando Cristo com alegria e esperança.

 

Padre Marcelo Dias Soares
Coordenador Diocesano de Pastoral

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Artigos Bíblia

Da condenação ao acolhimento: a esperança cristã diante do suicídio

O Jubileu Ordinário de 2025, convocado pelo Papa Francisco sob o lema Peregrinos de Esperança, recordou à Igreja que anunciar Cristo Ressuscitado significa também reacender a esperança diante das experiências humanas mais profundas de sofrimento. Entre elas, o suicídio permanece como um dos maiores desafios da atualidade, exigindo uma reflexão que una fidelidade ao Evangelho da vida, sensibilidade diante da dor humana e compromisso concreto com a promoção da dignidade da pessoa.

Ao longo da história, o suicídio recebeu diferentes interpretações culturais, filosóficas e religiosas. Entretanto, trata-se de um fenômeno complexo, que não pode ser reduzido a uma única causa, pois envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais, espirituais e comunitárias. A própria sociologia demonstra que a ruptura dos vínculos humanos e a perda do sentido da existência podem contribuir significativamente para o agravamento do sofrimento[1].

Desde os primeiros séculos, a Igreja proclamou a vida como dom sagrado confiado por Deus. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino ofereceram importantes fundamentos para a reflexão moral cristã, reafirmando a inviolabilidade da vida humana. Posteriormente, com o desenvolvimento da Teologia Moral, especialmente após o Concílio Vaticano II, a Igreja passou a contemplar com maior profundidade as circunstâncias concretas vividas por quem enfrenta intenso sofrimento psíquico. Sem relativizar o valor da vida, reconhece a complexidade dessas situações e as confia à infinita misericórdia de Deus[2].

Nesse horizonte, a virtude teologal da esperança apresenta-se como um caminho privilegiado para a promoção da vida. Ela não elimina imediatamente a dor, mas restitui-lhe um sentido. Quando o sofrimento parece obscurecer todo horizonte, a esperança cristã recorda que nenhuma pessoa está abandonada por Deus. Como afirma a bula Spes non confundit, a esperança “não decepciona” (Rm 5,5), porque nasce do amor divino e sustenta o ser humano mesmo nas noites mais escuras. Bento XVI acrescenta que ela transforma o presente, abrindo a vida para um futuro sustentado pela fidelidade de Deus[3].

Promover essa esperança exige atitudes concretas. A prevenção do suicídio não depende exclusivamente da intervenção clínica nem apenas da prática religiosa isolada, mas da integração entre acompanhamento espiritual, cuidado psicológico, fortalecimento dos vínculos comunitários e cultivo da virtude da esperança. Fé e ciência não competem entre si; ao contrário, colaboram na promoção integral da pessoa humana, favorecendo uma autêntica cultura do cuidado.

Assim, o caminho da condenação ao acolhimento expressa o amadurecimento pastoral da Igreja diante de uma realidade profundamente humana. Promover a esperança é, hoje, uma das formas mais concretas de promover a vida. Toda comunidade cristã torna-se verdadeiro sinal do Evangelho quando transforma o acolhimento em presença, a escuta em cuidado e a esperança em compromisso cotidiano com aqueles que sofrem.

[1] DURKHEIM, Émile. O Suicídio: Estudo de sociologia. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2000. MARTINS, Fran. Anualmente, mais de 700 mil pessoas cometem suicídio, segundo OMS. Gov.br: Ministério da Saúde, 2022.

[2] AGOSTINHO, Santo. Cidade de Deus I. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2016. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.V. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2011. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica vol.VI. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2012. CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição pastoral Gaudium et Spes. 1965. CATECISMO da Igreja Católica. Brasília: CNBB, 2022.

[3] FRANCISCO, Papa. Spes non Confundit: Bula de proclamação do jubileu ordinário 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024. BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica Spe Salvi: sobre a esperança cristã. São Paulo: Loyola, 2007.

 

Luis Henrique da Silva Santos

Diácono – Diocese de Guarulhos

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Artigos CNBB Vida Consagrada

Irmã Maria do Disterro é nomeada consultora do Dicastério para a Vida Consagrada

O Papa Leão XIV nomeou quinze novos consultores para o Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano. Entre os escolhidos, está a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional), irmã Maria do Disterro Rocha Santos. A informação foi divulgada no Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, na manhã desta quinta-feira, 6 de agosto.

Como consultora, Ir. Maria do Disterro passará a colaborar com o Dicastério em estudos, reflexões e iniciativas voltadas à promoção e ao acompanhamento da Vida Consagrada em todo o mundo.

Natural de Picos (PI), irmã Maria do Disterro tem 66 anos e é membro da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, as Irmãs Cordimarianas. Ela acumula um extenso histórico de serviço à Vida Religiosa.

Mestre em Teologia Espiritual, foi Superiora Geral de sua congregação por três mandatos, além de ter atuado como membro da Diretoria da CRB Nacional, da Coordenação da União das Superioras-Gerais de Congregações Brasileiras (USGCB) e na coordenação do Regional Ceará da CRB.

Em 2025, foi eleita presidente da CRB para o triênio 2025-2028. De acordo com a Conferência dos Religiosos, sua eleição representou “sinal da força da escuta atenta aos clamores dos mais necessitados e da mística do cuidado, tão necessárias à missão da CRB neste novo ciclo”.

Nas redes sociais, a CRB destacou o reconhecimento ao serviço que a presidente da CRB Nacional tem dedicado à Vida Religiosa Consagrada no Brasil, colocando sua experiência e seu compromisso a serviço da Igreja universal.

“A CRB Nacional acolhe essa nomeação com alegria e gratidão, reconhecendo-a como um sinal de confiança da Santa Sé e um incentivo à missão da Vida Religiosa Consagrada no Brasil”, lê-se no comunicado.

Fonte: Portal CNBB.org

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Artigos Vida Consagrada

Homenagem – Ir. Altair Zanon

Irmã Altair Zanon, nasceu em Encantado – RS aos 05 de setembro de 1957

Filha de Henrique Zanon e Ertile Andreolli Zanon, era a primeira filha de nove irmãos.

Ingressou na Congregação das Irmãs Paroquiais de São Francisco aos 17 de fevereiro de 1980, na Comunidade São Paulo em Flor da Serra – Medianeira – PR.

Tendo concluído as etapas de formação inicial, emitiu os seus primeiros votos em Bonsucesso – Guarulhos em 1985.

Continuou a formação no Juniorato já atuando nas diversas pastorais nas Comunidades: Jardim Peri – SP; Flor da Serra – Medianeira – PR e Poção de Pedras – MA.

Em 1990, retornou à Bonsucesso para um ano especial em preparação aos votos definitivos. Dia 03 de fevereiro de 1991 professou os votos definitivos em Bonsucesso – Guarulhos – SP. E em seguida foi transferida para Pintópolis – MG.

Em 1993 retornou à Bonsucesso como Mestra de Noviça. Após sua contribuição na formação da Congregação, a partir de 1995 voltou à Pintópolis – MG; e continuou a missão em Poção de Pedras e Bom Lugar – MA; Vila Rosa – SP, Taiobeiras – MG e em Brejo de Areia – MA.

Dentre os diversos cursos, foi formada em Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Exerceu a função de Secretaria Geral da Congregação na Casa Mãe – Lauzane Paulista – SP. E na Cúria Regional de Santana – SP.  Atualmente era membro da Fraternidade São Francisco – Bonsucesso – Guarulhos atuando como membro do Governo Geral e Mestra de Noviça.

No decorrer desses anos, fez parte da coordenação das CRB (Conferencia dos Religiosos do Brasil no Regional de Santana – SP, no Núcleo de Bacabal – MA e na Diocese de Guarulhos – SP.

Com gratidão, recordamos sua vida marcada pela consagração a Deus, pela vivência do carisma da Congregação, a espiritualidade franciscana e pelo serviço generoso à Igreja e ao povo de Deus. Ao longo de sua caminhada religiosa, Irmã Altair procurou testemunhar os valores do Evangelho através da simplicidade, da fraternidade, da oração e da dedicação aos irmãos e irmãs que encontrou em sua missão. Com sorriso fácil sua presença foi motivo de alegria por onde passou.

Como o Apóstolo Paulo dizemos: “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé.” ( 2 Tm 4, 7)

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Artigos Falando da Vida

Mente em alerta, noite em claro

Como vencer a insônia naturalmente?


 

Você acorda no meio da noite e não consegue voltar a dormir. Vira-se na cama de um lado para outro e uma enxurrada de pensamentos invadem a sua mente. Lembranças do passado e preocupações com o futuro. Dessa forma você passa o resto do tempo acordado e o resultado é a falta de concentração, mal humor, além de olheiras marcando o seu rosto. A insônia é uma questão de saúde mental, pois afeta 40% da população brasileira e por trás dessa realidade esconde-se um outro problema ainda maior que é o uso indiscriminado de medicamentos para dormir.

Será que existe um caminho para manter o equilíbrio que não esteja dentro de uma caixa de remédios de tarja preta? É certo que existem doenças físicas e transtornos mentais que provocam insônia crônica e exigem o uso continuo de medicação, mas a maioria dos casos de insônia é provocada por fatores comportamentais e emocionais. São eles: estresse, ansiedade, preocupações em geral, além do uso prolongado de telas. Tudo isso faz com que o cérebro se mantenha em alerta durante a noite, dificultando o sono.

A primeira medida que deve ser tomada contra insônia é a mudança de hábitos noturnos substituindo as telas de TV e smartphones por uma boa leitura. As telas estimulam a liberação de adrenalina e cortisol dificultando o sono, enquanto ler um livro faz exatamente o contrário, ou seja, acalma a mente. Mas o passaporte para ingressar no sono é tirar o foco dos pensamentos e direcioná-lo para as sensações do corpo. Os pensamentos evocam sentimentos e emoções deixando a mente em alerta, ao passo que o foco nas sensações do corpo, especialmente na respiração, induz ao relaxamento promovendo a calma.

Se você sofre de insônia, esses exercícios podem ajudar: Sinta todo o seu corpo em contato sutil com a superfície do colchão e do lençol. Apenas observe as sensações que estão presentes, com curiosidade, sem julgar. Em seguida observe a sua respiração momento por momento, acolhendo as sensações sutis como a temperatura do ar e os movimentos do corpo enquanto respira. Você irá dormir naturalmente em alguns minutos. Outro exercício é contar mentalmente cada expiração, indo de um até dez. Ao chegar no número dez, volte para o número um e reinicie o ciclo. O sono virá em alguns instantes. Pratique todos os dias e lembre-se: o silêncio do corpo é o melhor travesseiro; desarmar o estresse é o primeiro passo para o sono. Durma bem e acorde feliz.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo

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Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 6

As DGAE 2026-2032 são o instrumento principal no Brasil para a Implementação do Sínodo. A reflexão que pode ser haurida a partir delas servirá para criar uma espécie de “instrumento de trabalho” para a nossa Assembleia Eclesial Diocesana que deveremos realizar no primeiro semestre de 2027.

            “Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

Com estas palavras se abre o capítulo segundo das Diretrizes. Este capítulo é fundamental para o discernimento no encaminhamento da missão. Primeiramente são elencados (19-26) os sinais de esperança em geral na Igreja no Brasil, que também se fazem presentes em nossa diocese.

A força da Palavra e da Eucaristia se faz presente de modo especial em nossas comunidades que se reúnem para a celebração do domingo, dia do Senhor. O Senhor tem nos agraciado com um número crescente de ordenações presbiterais, possibilitando a celebração eucarística dominical em grande parte das nossas comunidades. Onde não é possível isso semanalmente, temos a celebração da Palavra. E, com relação à Palavra de Deus, tem crescido também o número dos grupos de reflexão que semanalmente se reúnem para a Leitura Orante da Palavra de Deus, além da reflexão da Palavra de Deus estar presente de maneira central em todos os encontros de programação pastoral. Em algumas comunidades existe a celebração da Palavra durante os dias de semana. Todos os nossos encontros catequéticos para crianças, jovens e adultos partem de alguma forma da Leitura Orante da Palavra de Deus. Nos últimos dois anos nossa Semana Diocesana de Formação versou sobre o tema da centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja.

A força da Palavra na pregação catequética tem dado seus frutos em nossa catequese de Iniciação à vida cristã  de inspiração catecumenal, com catequistas que se aprimoram na formação e catequizandos aproximando-se dos Sacramentos com maior consciência e inserção na vida pastoral das comunidades. Merece destaque o crescimento de participantes na catequese para adultos. Na Páscoa deste ano foram batizados em nossas comunidades mais de 500 catecúmenos.

Evidentemente todo este ardor catequético, não somente para os Sacramentos, mas na evangelização em geral, através de tantos carismas de evangelização presentes na diocese, deve-se ao protagonismo dos leigos e leigas. Há 09 anos temos na diocese o CNLB Guarulhos, Organismo Eclesial, que tem trabalhado especificamente na conscientização da vocação laical, como vocação específica e autônoma na vida da Igreja.

A piedade popular nas suas mais diversas manifestações não deixam de estar presentes em nossas comunidades e grupos de reflexão. Tem sido ao longo dos anos de grande valor, levando a uma participação mais consciente na vivência dos valores do Reino de Deus e participação na Liturgia. O Ano Santo de 2025, com as peregrinações aos três santuários diocesanos (Bonsucesso, Bom Jesus da Cabeça, São Judas) ajudou na espiritualidade de sermos Igreja peregrina e em saída. Os Santuários têm se tornado cada vez mais um local de crescimento espiritual para os fiéis.

            As pastorais sociais – apesar das atuais deficiências – está enraizada na caminhada histórica das nossas comunidades. Não existe uma paróquia sequer em nossa diocese que não tenha ações concretas para vivência da dimensão sociotransformadora do Evangelho. Nossas comunidades não têm sido omissas em serem solidárias nas crises e tragédias. A Cáritas diocesana tem procurado realizar sua missão em algumas situações e está passando por uma reestruturação para melhor servir. Dentro ainda da dimensão sociotransformadora do Evangelho não podemos deixar de mencionar a existência de iniciativas e eventos presentes em nossa diocese que defendem a vida desde a sua concepção até o seu fim natural.

            Seguramente além destes tópicos citados pelas DGAE, cada comunidade poderá enxergar em sua caminhada, tantos outros sinais de esperança que testemunham a força de Deus e sua graça agindo em nós.

Entretanto, o mesmo capítulo segundo das DGAE, elencam  situações que persistem e continuam desafiando-nos na evangelização e transmissão  da fé, tanto no Brasil, como em nossa diocese. (cf DGAE 27-40).  Este é um assunto extenso e deve ser deixado para uma ulterior reflexão.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano

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Diocese de Guarulhos lança a obra “Um Barco Pronto para Partir” em noite marcante de resgate histórico e debate pastoral

O Centro Diocesano de Pastoral de Guarulhos foi palco de uma noite memorável de resgate da memória eclesial e reflexão histórica. Trata-se do lançamento solene do livro “Um barco pronto para partir: A missão dos padres canadenses em Guarulhos”, obra organizada pelo estimado Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo. O evento reuniu clérigos, intelectuais, agentes pastorais e fiéis para celebrar a contribuição dos missionários canadenses na construção da Igreja local.

A cerimônia foi aberta pelo Padre Marcos Vinícius, que acolheu o público. A oração inicial e a condução da leitura bíblica foram realizadas pelo Diácono Luis Henrique e pela Irmã Clarícia Gramarin, preparando o ambiente para uma noite de profunda comunhão e reflexão.

Para debater os múltiplos aspectos da obra, formou-se uma rica roda de conversa mediada pelo Padre Marcos Vinícius, contando com a presença de personalidades de destaque da Igreja, da cultura e do meio acadêmico:

  • Dom Edmilson Amador Caetano: Bispo Diocesano de Guarulhos, responsável pela apresentação oficial da obra.
  • Padre e Doutor Antônio Carlos Frizzo: Organizador da obra e autor do prefácio, que compartilhou o processo de resgate histórico.
  • Padre Marcelo Dias Soares: Coordenador Diocesano de Pastoral, responsável pelos discursos de agradecimento e orientações finais.
  • Wellington Alves: Jornalista, que abordou o panorama sobre “O tempo de Exceção no Brasil”.
  • Orlando Fantazzini: Advogado, que contribuiu com reflexões sobre a “Pastoral dos Direitos Humanos”.
  • Caetana Cecília: Socióloga e educadora musical, que palestrou sobre “A renovação Pastoral à Luz do Concílio Vaticano II”.

O evento contou ainda com uma emocionante participação por vídeo do Padre Raimundo Forget, que partilhou sua experiência missionária viva.

A obra do Padre Frizzo é definida por seu caráter comunitário e colaborativo, concebida como um verdadeiro mutirão de memória viva. Como ressalta a mensagem de encerramento do encontro:

“Tecer a bela colcha de retalhos. Creio que desse modo seja mais agradável a apresentação desse trabalho. Tudo feito em mutirão. Analisando tudo que fizeram, nos cabe confirmar: Missão realizada!”.

Após o encerramento da cerimônia, que contou com a bênção final e envio proferidos por Dom Edmilson Amador Caetano, os autores e organizadores realizaram a concorrida sessão de autógrafos.

 

Confira alguns registros da noite de lançamento:

Lançamento do Livro "Um barco pronto para partir" - Pe. Frizzo
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Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 5

No mês passado disse a respeito das DGAE como elemento fundamental para Implementação do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade.

A imagem que conduz todas as DGAE 2026-2032 é a imagem da TENDA DO ENCONTRO. Esta imagem não substitui a imagem da CASA com os quatro pilares das DGAE 2019-2023, mas amplia a dimensão missionária da ação evangelizadora das nossas comunidades eclesiais, pois esta imagem mostra mais nitidamente uma Igreja em movimento. “Esta tenda, sustentada pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade, é espaço de comunhão, participação e missão. Como o povo que a habita SAÍMOS rumo às periferias geográficas e existenciais.” (DGAE 2026-2032 n. 9) Importante, também é as estacas que sustentam a tenda. Não pode ser qualquer outro tipo de estaca.

Algumas imagens bíblicas adotadas nas DGAE podem ser inspiradoras para nossa compreensão e ação missionária.

A primeira é a imagem da tenda na experiência do povo de Israel no Êxodo. Estar na tenda significava ter proteção. Estar num espaço de acolhida, hospitalidade e lugar de reflexão sobre a aliança com Deus. Estar na tenda significava disponibilidade de colocar-se sempre a caminho, não de acordo com a própria vontade, mas em obediência à Palavra de Deus proclamada por Moisés e seguir para o destino seguinte, conforme à vontade do próprio Deus. “A flexibilidade ou mobilidade da tenda…indica a necessidade de atenção, discernimento, abertura e disponibilidade por parte do povo em seu caminhar por este mundo em constante mudança, respondendo aos sinais por meio dos quais o Senhor fala e indica novos passos.” (DGAE, 11) Alguns autores patrísticos compararam Maria como a tenda da reunião, pois ela foi coberta  pelo poder do “Altíssimo” e foi obediente em seguir pelos caminhos da vontade de Deus.

A segunda imagem foi aquela utilizada na fase continental do Sínodo: Is 54,2, “Alargue o espaço da tua tenda.”. Trata-se de um texto do dêutero Isaias, profeta que animava o povo a retornar para Jerusalém, reconstruí-la e viver sua missão. Não se tratava somente de retornar, reconstruir e continuar “a vidinha de sempre”. Tratava-se na realidade de continuar o projeto de Deus que era mais amplo e envolvia, ainda que em sombras, a missão de Jerusalém acolher todos os povos. Era preciso ter a consciência de não ser um povo voltado para dentro de si mesmo. Daí a necessidade de alargar o espaço da tenda. “Hoje, assumir, para a Igreja, a imagem de uma tenda disposta a alargar seus espaços é recordar a identidade do Povo de Deus peregrino, aberto à graça de Deus e sustentado pelas estacas bem firmes da fé, esperança e caridade.” (DGAE, 12)

A terceira citação é a imagem, se bem que não se trata bem de uma imagem, mas do próprio cumprimento das promessas de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Este “habitou” tem como tradução literal “e armou a sua tenda”. Jesus é a morada de Deus junto à humanidade e assume a nossa humanidade como sua tenda. Na sombra de sua tenda Ele acolhe a nossa fragilidade marcada pelo pecado e caminha conosco, conduzindo-nos por caminhos de vida eterna. Ele conquistou-nos a vida eterna no sacrifício da Cruz, onde Ele mesmo foi sacerdote, altar e vítima; Sumo e eterno sacerdote, é o único Mediador da nossa salvação. Na Cruz, do seu lado aberto pela lança, nasce a Igreja, seu Corpo, que possui a missão de continuar no mundo a Sua Obra redentora. Ora, a Igreja, Corpo de Cristo, como o Cristo no seu corpo, é a tenda  “que alarga seus espaços ao propor a fé àqueles que não são batizados ou que se afastaram da Igreja, acolhendo-os enquanto os acompanha na esperança do encontro com Jesus Cristo. (DGAE, 14). Não somente se alarga nesta direção. Esta Igreja, que acontece e se torna presente nas comunidades eclesiais missionárias, deseja aproximar-se de todos aqueles que sofrem com o egoísmo, fruto do pecado, e causa de tantas mazelas sociais. Enfim, alargar-se rumo às periferias geográficas e sociais.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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Artigos Editorial

A importância do Catecismo da Igreja Católica

Queridos irmãos e irmãs, com imensa alegria chegamos ao mês de julho, mês de formação diocesana que é uma expressão maravilhosa de unidade na diversidade, também ocasião de encontro como oportunidade da partilha de conhecimentos e prática de acolhida.

Neste editorial faço questão como motivação, publicar  o discurso do Papa Francisco aos participantes no encontro por ocasião do xxv aniversário do catecismo da igreja católica promovido pelo pontifício conselho para a promoção da nova evangelização: O vigésimo quinto aniversário da Constituição apostólica Fidei depositum, com a qual São João Paulo II promulgava o Catecismo da Igreja Católica, trinta anos depois da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, é uma significativa ocasião para verificar o caminho entretanto percorrido.

Não foi primariamente para condenar os erros que São João XXIII sonhara e quisera o Concílio, mas sobretudo para permitir que a Igreja chegasse finalmente a apresentar, com uma linguagem renovada, a beleza da sua fé em Jesus Cristo. «É necessário primeiramente – afirmava o Papa, no seu Discurso de abertura – que a Igreja não se aparte do património sagrado das verdades, recebidas dos seus maiores; mas, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida do mundo, que abriram novos caminhos ao apostolado católico» (11/X/1962). «O nosso dever – continuava o Pontífice – é não só guardar este tesouro precioso, como se nos preocupássemos unicamente da antiguidade, mas também dedicar-nos com vontade pronta e sem temor àquele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos» (ibid.).

«Guardar» e «prosseguir» é a incumbência que cabe à Igreja por sua própria natureza, a fim de que a verdade contida no anúncio do Evangelho feito por Jesus possa alcançar a sua plenitude até ao fim dos séculos. Tal é a graça que foi concedida ao Povo de Deus; mas é igualmente uma tarefa e uma missão, cuja responsabilidade carregamos: anunciar de modo novo e mais completo o Evangelho de sempre aos nossos contemporâneos. Assim, com a alegria que provém da esperança cristã e munidos do «remédio da misericórdia» (ibid.), vamos ao encontro dos homens e mulheres do nosso tempo para lhes permitir a descoberta da inexaurível riqueza encerrada na pessoa de Jesus Cristo.

Ao apresentar o Catecismo da Igreja Católica, São João Paulo II afirmava que ele «deve ter em conta as explicitações da doutrina que, no decurso dos tempos, o Espírito Santo sugeriu à Igreja. É também necessário que ajude a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que no passado ainda não tinham surgido» (Const. apost. Fidei depositum, 3). Por isso, este Catecismo constitui um instrumento importante não apenas porque apresenta aos crentes os ensinamentos de sempre para crescerem na compreensão da fé, mas também e sobretudo porque pretende aproximar os nossos contemporâneos, com suas problemáticas novas e diversas, da Igreja, comprometida na apresentação da fé como resposta significante para a existência humana neste momento histórico particular. Assim, não basta encontrar uma nova linguagem para expressar a fé de sempre; é necessário e urgente também que, perante os novos desafios e perspetivas que se abrem à humanidade, a Igreja possa exprimir as novidades do Evangelho de Cristo que, embora contidas na Palavra de Deus, ainda não vieram à luz. Trata-se daquele tesouro feito de «coisas novas e velhas» referido por Jesus, quando convidara os seus discípulos a ensinar o novo por Ele trazido, sem transcurar o antigo (cf. Mt 13, 52).

Uma das páginas mais belas do evangelho de São João é aquela que nos dá a chamada «oração sacerdotal» de Jesus. Antes de enfrentar a paixão e a morte, dirige-Se ao Pai manifestando a sua obediência na realização da missão que lhe fora confiada. As suas palavras são um hino ao amor, incluindo também o pedido de que sejam guardados e protegidos os discípulos (cf. Jo 17, 12-15). Ao mesmo tempo, porém, Jesus reza por todas as pessoas que no futuro hão de acreditar n’Ele, graças à pregação dos seus discípulos, para que também elas sejam congregadas e conservadas na unidade (cf. Jo 17, 20-23). Na frase «esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste» (Jo 17, 3), toca-se o auge da missão de Jesus.

Boa leitura a todos e boa semana de formação!

 

Pe. Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral