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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 4

Em nossa caminhada diocesana da Implementação do Sínodo dos Bispos 2021-2024, temos um elemento novo e enriquecedor: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE) 2026-2032. O Documento Final do Sínodo é assumido pelas DGAE com direcionamentos concretos para a realidade do Brasil. Os CFPs do mês de maio trataram em cada Forania sobre este assunto.

Os dois primeiros itens do Objetivo Geral  das DGAE permanecem inalterados em relação às DGAE anteriores, e não podiam ter outro enunciado: Evangelizar – Anunciando Jesus Cristo.

O terceiro item explicita a novidade destas DGAE: como Igreja Sinodal. A sinodalidade da Igreja está voltada para a missão. Não teria sentido se a orientação fosse outra. O espírito missionário já é revelado de modo novo no primeiro capítulo, onde a Igreja nos é apresentada como a  Tenda do Encontro. A tenda é fixada por cordas e estacas e assim permanece firme. Esta Tenda é firmada pelas estacas das virtudes teologais, dons infusos por  Deus, fé, esperança e caridade. A tenda tem sempre possibilidade de ser alargada, firmando-se nestas estacas, e ser lugar da acolhida, da hospitalidade, da comunhão com o Deus Uno e Trino. Por outro lado, por ser desmontável e peregrina, ela é imagem da Igreja em saída para ir em missão às várias periferias geográficas e existenciais. Somos peregrinos e trabalhamos na esperança do Reino de Deus. Nessa perspectiva, habitando a tenda da Igreja, buscamos o Eterno entre as coisas que passam, pois não temos aqui morada permanente (Hb 13,14).

A Igreja Sinodal, missionária, por sua vez não se move sem antes escutar os sinais dos tempos, sinais de esperança já presentes na habitação desta tenda e sem dar-se conta de situações persistentes que ainda atrapalham a missão da Igreja. O segundo capítulo das DGAE nos oferecem este panorama.

A Igreja sinodal tem um discernimento que lhe é peculiar e é também toda fonte da sua espiritualidade como, de modo especial, está no primeiro capítulo do Documento Final: Comunhão, Participação e Missão. E esta tríade sinodal é tratada no terceiro capítulo das DGAE que tem por título Discernimento para uma Igreja Sinodal. Entretanto, esta Igreja Sinodal exige conversões radicais do coração e do modo de ser para que seja bem vivenciada a tríade comunhão, participação e missão. As DGAE para tanto, num capítulo especial, o capítulo 6, assumem os capítulos 2,3 e 4 do Documento Final. A este capítulo é dado o título de Compromissos Sinodais e retomam  a conversão das relações, a conversão dos processos e a conversão dos vínculos. O discernimento para uma Igreja Sinodal é inexistente caso não existam estas três conversões.

Quem é esta Igreja Sinodal em missão? É o Povo de Deus em Missão. Este é o título do quarto capítulo das DGAE. Quando criança participei de um movimento infanto-juvenil chamado Juventude Cristã em Marcha que traduzia bem o pensamento da Igreja Povo de Deus, propagado pelo Concilio Vaticano II. Em alguns lugares até se dizia, Igreja, Povo de Deus em marcha. Este “marchar” é indicador do estar em movimento contínuo na missão. Este Povo de Deus é caracterizado pelos seus Organismos (de modo específico no Brasil) e pelas várias iniciativas e missões dentro de cada Organismo, a saber, CNLB (laicato), CNIS (Institutos seculares), CRB (religiosos), CND (Diáconos). CNP (presbíteros) CNBB (bispos).Os membros de cada um destes organismos da Igreja que é sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos (4º elemento do Objetivo Geral), vivem concretamente em comunidades de discípulos missionários (5º elemento do Objetivo Geral).

Alimentada pela Palavra e pelos Sacramentos, geradora de novos filhos na fé, reunida em comunidades vivas, celebrante dos mistérios da salvação e comprometida com a vida plena para todos, a Igreja expressa como abrigo (tenda) fecundo e sempre aberto. Sobre este argumento temos o quinto capítulo das DGAE: Caminhos da Missão. Os caminhos da missão são modos concretos de armar a tenda no hoje da história, não apenas ações, para que nela todos encontrem lugar, sentido e envio na missão. Um destes caminhos, incluído no serviço pleno à vida para todos, está o sexto item do Objetivo Geral: fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres.

            Toda a riqueza desta frutífera união do Documento Final do Sínodo e das DGAE, possui um limite. Nada é definitivo. Estamos a caminho. Provavelmente em 2032 teremos novas DGAE, pois como aponta o sétimo item do Objetivo Geral estamos a caminho da plenitude do Reino de Deus.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo Diocesano

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Novas diretrizes e reflexões promovem a verdadeira alegria da festa permanente no mundo

Querido povo de Deus, com imensa alegria chegamos ao mês de junho, um tempo de muitas festas dedicadas aos santos populares: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro e além disso ainda teremos a festa mundial que é a chamada Copa do Mundo!

Um mês que poderia ser repleto de sinais apenas de alegria, mas infelizmente não é possível, por isso a edição deste mês apresenta inúmeras reflexões sobre a necessidade de novas atitudes para que de fato a festa não seja um momento popular e esportivo como trégua, mas uma realidade permanente da sociedade.

Para alcançar este objetivo a Conferência Nacional dos Bispos no Brasil, entregaram o documento sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e o bispo Dom Emilson Amador Caetano, fez questão de apresentar, às principais lideranças da Igreja, os destaques deste documento fundamental para o futuro quem sabe de uma sociedade verdadeiramente sinodal baseada na comunhão, participação e missão.

As reflexões e iniciativas do Papa Leão XIV também ganham destaque como proposta para uma verdadeira festa permanente, através de uma oração específica para os esportes em vista do campeonato mundial. Que tal a FIFA projetar a oração do Papa nos telões do estádio de esportes na cerimônia de abertura da Copa e no início dos jogos? Que tal não ser apenas uma oração para ficar dentro da Igreja, mas realizada em todos grupos antes dos campeonatos ao longo do ano em todos os lugares?

Outra reflexão do Papa Leão XIV é dada ao mundo pela encíclica sobre a Inteligência Artificial a serviço da humanidade e não ao contrário. Que tal a Inteligência Artificial promover uma verdadeira festa permanente através das redes sociais combatendo a Fake News? Que tal promover as relações presenciais e reais no dia-a-dia da sociedade?

Creio que a Pastoral da Comunicação em mutirão é capaz de aproveitar os recursos da Inteligência Artificial e jamais abrir mão do contato presencial e do encontro face a face de cada pessoa, como aconteceu no Mutirão Diocesano de Comunicação. Um encontro de pessoas capazes de olhar nos olhos, trocar ideias, tocar o outro, perceber no outro uma identidade única e que não pode ser criada nem inventada, mas alimentada pelo encontro com o outro.

A utilização incorreta e excessiva da Inteligência Artificial, promove uma sociedade preconceituosa e promotora da morte tirando a beleza da festa da vida que se dá nas relação com o diferente e não como padrão, como nos alerta o artigo do psicólogo Romildo que  convida a Igreja a evitar acepção de pessoas e na mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sobre o assassinato do bispo de Moçambique, deixando claro que devemos ser uma Igreja Sinodal que acolhe e se importa com todos, todos, todos…como declarava o Papa Francisco.

A busca pela festa permanente é missão da Igreja que conta com novos diáconos ordenados com grande festa pela Igreja e enviados para as diversas realidades e necessidades da Diocese de Guarulhos.

Além destes a Igreja conta com centenas de leigos e leigas que reunidos em grupo realizam a leitura orante em busca da compreensão de uma Igreja sinodal.

Desejo de coração, que os santos Antônio, João Batista e Pedro, intercedam por nós para alcançar com urgência um Arraiá com tendas permanentes do encontro capaz de: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja peregrina e sinodal,  fundada na Palavra e nos Sacramentos, no testemunho de fé, esperança e caridade; formando comunidades de discípulos missionários, valorizando a piedade popular; fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Criação,  a caminho da plenitude do Reino.

Que possamos gritar juntos: Viva o Brasil, viva o esporte, viva a diversidade na unidade, viva a cultura de paz e viva a vida aqui e agora!

Boa leitura e compartilhe!

 

Pe. Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos CNBB Enfoque Pastoral

Oração do Papa para junho propõe o esporte como escola de fraternidade, instrumento de paz e espaço de encontro

Às vésperas de grandes competições esportivas, como a Copa Mundial de Futebol, o Papa Leão XIV dedica sua intenção de oração do mês de junho aos valores do esporte, “para construir comunhão e fraternidade na história”. Por meio da campanha Reza com o Papa, a Rede Mundial de Oracão do Papa convida mensalmente aos cristãos a se unirem às intenções do Pontífice. Assim, em junho, o convite é rezar para que o esporte seja um instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas, promovendo o respeito, a solidaridade e o espírito de superação.

No início de sua oração, o Papa Leão eleva sua súplica ao “Senhor da vida” agradecendo pelo dom do esporte: pelos que “glorificam a Deus com o exercício de seus corpos, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogarem juntos, em equipe”. O Pontífice pede que o esporte seja sempre “escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência”. Também expresa como o esporte tem uma “linguagem universal que aproxima culturas, une povos e promove respeito, solidaridade e superação pessoal”. No final da oração, o Papa se dirige a Deus suplicando que “nunca nos falte o teu Espírito, que faz de nós uma só equipe, unida contigo para construir comunhão e fraternidade na história”.

 

A oração em português

“ORAÇÃO COM O PAPA”
Junho: Pelos valores do esporte
Rede Mundial de Oração do Papa

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Senhor da vida, agradecemos-vos pelo dom do esporte,
por aqueles que glorificam a Deus
com o exercício dos seus corpos,
pelas amizades que nascem no campo
e pela alegria de jogar em equipe.
Vós nos ensinais que na vida, como no jogo,
ninguém se salva sozinho.
Precisamos uns dos outros para crescer,
para aprender a respeitar, superar limites
e celebrar juntos as vitórias alcançadas.
Pedimos-vos que o esporte seja sempre
escola de fraternidade e não de rivalidade vazia,
espaço de encontro e não de exclusão,
caminho de paz e não de violência.
Fazei que aqueles que praticam, treinam ou apoiam
descubram no esporte uma linguagem universal
que aproxima culturas, une povos
e semeia respeito, solidariedade
e superação pessoal.
Senhor Jesus,
que cada esporte seja parábola
de uma vida vivida convosco,
colaborando com esforço e alegria,
vivendo com humildade na derrota
e com gratidão pela vitória
que nos ofereceis na vossa ressurreição.
Que nunca nos falte o vosso Espírito,
que faz de nós uma só equipe, unida convosco
para construir comunhão e fraternidade na história.
Amém.

O esporte como um caminho para construir a paz

Em pouco mais de um ano de pontificado, não é a primeira vez que o Papa Leão XIV recorda à Igreja os valores do esporte. De fato, em 15 de junho de 2025, durante o Jubileu do Esporte celebrado em Roma, falou sobre o esporte como um instrumento de paz: “o esporte é um caminho para construir a paz, porque é uma escola de respeito e lealdade, que faz crescer a cultura do encontro e a fraternidade”. Em sua homilia da Missa, desse mesmo dia, o Pontífice acrescentou ainda que “numa sociedade marcada pela solidão, na qual o individualismo exagerado deslocou o centro de gravidade do “nós” ao “eu”, terminando por ignorar ao outro, o esporte — especialmente quando praticado em equipe —  ensina o  valor da colaboração, de caminhar juntos”, convertendo-se assim em um importante instrumento de recomposição e encontro entre os povos.

Mais recentemente, no mês de abril de 2026, ao receber aos atletas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Milão-Cortina, Leão XIV insistiu nesta mesma visão: “Nos tempos atuais, tão marcado por polarizações, rivalidades e conflitos que desembocam em guerras devastadoras, seu compromiso adquiere um valor ainda maior: o esporte pode e deve converter-se verdadeiramente num espaço de encontro! Não uma exibição de força, mas um exercício de relação”. Para o Papa, os esportistas são chamados a ser testemunhas de uma linguagem universal: “competir sem odiar, ganhar sem humilhar, perder sem perder-se”.

Também o Papa Francisco, no O Vídeo do Papa de agosto de 2016, dedicado a “O esporte, por uma cultura do encontro”, já mostrava como o esporte pode converter-se em um “veículo de fraternidade” entre pessoas de origens distintas.

“Uma ponte de diálogo que transcende fronteiras, línguas e ideologias”

De fato, a cultura do esporte como um instrumento de paz vem de séculos de história, desde as origens dos Jogos Olímpicos. A tradição da Trégua Olímpica — conhecida na Antiga Grécia como Ekecheiria — nasceu no século IX a.C. de um acordo entre cidades-estado em conflito para garantir a participação segura nos Jogos, convertendo o esporte em uma ponte de diálogo e convivência pacífica. Retomando esse espírito, o Comitê Olímpico Internacional (COI) ressuscitou este conceito nos anos 90 com o objetivo de aproveitar o poder transformador do esporte como instrumento de paz e reconciliação.

O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, o Padre Cristóbal Fones, afirma que: “O esporte é um desses espaços únicos onde a humanidade se encontra de verdade. É uma ponte de diálogo que transcende fronteiras, línguas e ideologias. No campo, na pista, na piscina, perssoas de culturas e nações diversas compartilham o esforço, o sacrifício, a alegria da vitória e a dor da derrota. O esporte nos ensina a constância, a disciplina, o valor do trabalho bem feito, a humildade diante dos próprios limites. E talvez o mais belo: nos recorda que ninguém vence verdadeiramente sozinho. Necessitamos do outro. Por isso o Papa nos convida a rezar para que esses valores tão humanos — o respeito, a solidaridade, a superação pessoal — não fiquem somente no ambiente do jogo, mas transformem nossa maneira de viver juntos no mundo”.

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia com disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.

Fonte: Portal CNBB.org.br

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Artigos Falando da Vida

A mãe que abraça os seus filhos

Definitivamente, homossexualidade não é doença


 

                Há muito tempo a palavra homossexualismo deixou de ser usada por uma simples razão: o sufixo “-ismo” remete a doenças ou desvios tais como alcoolismo, tabagismo, etc. Desde 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou o termo da lista das doenças mentais. O termo correto a ser usado é homossexualidade já que o sufixo “-idade” indica condição ou modo de ser. Sendo a homossexualidade uma condição humana, de acordo com os Conselhos de Psicologia e Medicina, ela não pode ser tratada, portanto qualquer terapia de reorientação sexual é considerada crime.

Infelizmente existem alguns profissionais de saúde e líderes de seitas religiosas que se propõem realizar a chamada “cura gay” atribuindo a homossexualidade à traumas da infância, experiências de “vidas passadas”, ação do demônio, etc. Com base nessas falsas crenças realizam-se terapias sem fundamentação científica, rituais de exorcismos, causando sérios danos psicológicos a quem se submete. Essas práticas constituem-se em violência psicológica e podem gerar transtornos que levam a depressão, ansiedade crônica e ideação suicida. Ao contrário, uma atuação humana e cristã, trabalha no sentido de aceitar, acolher e ajudar a pessoa a resolver seus conflitos ligados a sentimentos de inadequação e culpa religiosa.

Aproveitando a metáfora do Papa Francisco que se referiu a missão pastoral da igreja como um “hospital de campanha”, penso que cabe aos cristãos atuar como agentes de primeiros socorros no “campo de batalha” em que nossa sociedade está envolvida. A ferida que deve ser tratada, nesse caso, é a exclusão que impede a participação plena das pessoas tornando-as marginalizadas e reforçando a exclusão que elas já sofrem no campo social. O Papa Leão XIV, seguindo o Papa Francisco, reafirmou recentemente, esse compromisso, acrescentando que estender as mãos abraçando todas as pessoas sem distinção, não fere a moral cristã; pelo contrário, é a sua expressão mais autêntica e concreta já que Jesus, não veio para condenar, mas salvar.

Concluindo, se Jesus em seu tempo, quebrou barreiras sociais, religiosas e culturais para acolher marginalizados, talvez os homossexuais de hoje representem a mulher pecadora, os impuros e os samaritanos daquela época, que também, sofreram discriminações e preconceitos. Sendo assim, abrir as portas do nosso coração e das nossas comunidades, nada mais é do que reafirmar, de forma autêntica, os compromissos de Jesus. Vamos viver a beleza do Evangelho e edificar uma Igreja que, como mãe, abraça os seus filhos.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

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Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 3

O escopo de ser Igreja Sinodal é a missão da Igreja. Não uma missão que alimenta uma pastoral de conservação ou mera manutenção do que já estamos vivendo pastoralmente. Precisamos alargar a abrangência dos destinatários da missão.

            No último artigo lembrei que a primeira atitude importante no ser Igreja Sinodal é a escuta. Não se trata de escutar o outro simplesmente. Trata-se de escutar à luz da Palavra de Deus. Para escutar precisamos ter o “ouvido” do nosso coração purificado pela Palavra de Deus. Recordava da importância da Leitura Orante da Palavra de Deus. No entanto, para o contato com a Palavra, esta é apenas um instrumento. Os caminhos da missão devem ser iluminados primeiramente e antes de tudo pela Palavra. Que cada um possa refletir sobre o que está fazendo para educar o “ouvido” do coração à escuta da Palavra.

É preciso, sim, ter formação bíblica!  Tivemos dois anos de Escola Diocesana de Formação tratando da importância das Escrituras. Você participou? Há quase duas décadas temos a Escola da Palavra que teve início e continua a existir na Forania Aparecida e com tantas outras modalidades está presente nas outras foranias. Você já participou? A Escola Diocesana de Ministérios, no seu currículo, oferece também em sua grade o estudo dos vários livros das Escrituras. A formação da Escola Diocesana de Catequese, na formação dos catequistas tem ensinado a centralidade da Palavra como “material primeiro” de cada encontro catequético. A formação ajuda as lideranças das comunidades a formar equipes litúrgicas e de celebração mais enraizadas na Palavra. Ajuda também a preparar melhor os coordenadores de grupos de rua e reflexão, pois todos os nossos encontros devem partir da Palavra.

Apesar de já ter tocado no assunto anteriormente, mas vale recordar como a Leitura Orante da Palavra ajuda a interpretar a própria história à luz da fé e a discernir os caminhos da missão. Para tanto é preciso recolocar a centralidade da Palavra na vida da comunidade, não somente na preparação das celebrações mas, de modo especial, nas reuniões de decisões da comunidade. Você cultiva a Leitura Orante pessoal? Participa de momentos de Leitura Orante em sua comunidade? Celebra a Palavra?

Evidentemente não temos em nossa diocese todos os instrumentos para a formação no entendimento, escuta e oração com a Palavra de Deus. Que cada irmão e irmã veja o que está presente em sua comunidade e o que não está. Veja se estas formações diocesanas e os subsídios da Leitura Orante Palavra de Deus são divulgados em sua comunidade. Analise se existe uma formação centrada na Palavra de Deus para as equipes de liturgia e de celebração, ou se apenas se reúnem (quando não combinam somente por Whatsapp) para distribuírem tarefas. Os agentes de pastoral, de modo especial os das Pastorais Sociais, cuja ação pastoral tem como destinatário na maioria das vezes, os afastados e excluídos têm buscado formação bíblica e este contato orante com as Escrituras? Os pobres e excluídos têm, antes de qualquer coisa, o direito de receberem o anúncio da Palavra de Deus? Não somos simplesmente assistentes sociais ou uma ONG

A Palavra precisa ser anunciada. Em sua comunidade, por exemplo, existe o Ministério da Visitação que leva o anúncio da Palavra nas famílias, visitando-as periodicamente? Há uma preocupação em anunciar Jesus Cristo aos afastados?

Estamos em tempo de escuta para a implementação do Sínodo em nossa diocese. Caso tenha uma sugestão de como poderíamos melhorar a formação com subsídios e outros instrumentos, faça a caridade de se manifestar.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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Celebremos o mês mariano, exaltando a intercessão e modelo de Maria como serva e mãe da Igreja

Caríssimos irmãos e irmãs, com imensa alegria, saudamos todas as mulheres com o dom da maternidade biológica, outras com o dom de adoção por coração em muitos aspectos na sociedade, e manifestamos a gratidão a Deus por sua existência, de modo especial na vida Igreja através da ação evangelizadora e testemunho de fé.

Nesta edição exaltamos a intercessão e o exemplo de Nossa Senhora para continuar a implantação do Sínodo dos Bispos na Igreja particular de Guarulhos com o artigo de Dom Edmilson que de maneira provocativa elenca inúmeros questionamentos sobre a busca do conhecimento da Palavra de Deus na vida pessoal e comunitária dos cristãos. Vale a pena você ler e deixar-se provocar para bem viver as propostas do Sínodo.

Com a intercessão da Virgem Maria, também contaram os bispos que compõe a Conferência Nacional dos Bispos no Brasil e as diversas equipes que organizaram e acompanharam os trabalhos ao longo de todo período da 62ª Assembleia em Aparecida. O mundo estava com o olhar voltado para o Santuário Nacional de Aparecida todos os dias, de modo especial através das mídias católicas, em cada momento litúrgico e de espiritualidade, entrevistas e debates, transmitidos com muita eficiência e qualidade. A triste realidade, é ver que as “grandes” mídias não se interessam por realizar a cobertura da Assembleia, ao menos que em algum momento exista algo polêmico e escandaloso. É lamentável ver que noticia é o que não dá certo e não aquilo que dá certo e tornará melhor o mundo.

A Igreja como mãe não desiste dos seus filhos e filhas e continuará a promover assembleias que possam direcionar o pensar, o falar e o agir das pessoas no mundo através de diretrizes. Cada cristão deve a partir do lançamento das Diretrizes Gerais da Acão Evangelizadora da Igreja no Brasil, adquirir, conhecer profundamente e propagar nos diversos grupos de convivência dentro e fora da Igreja. Ninguém pode ficar indiferente as propostas das Diretrizes, afinal somos uma Igreja Sinodal, promotora da comunhão, participação e missão. Em Guarulhos, a intercessão mariana é permanentemente alimentada nas casas de formação para sacerdotes por isso todos os anos no mês de maio é celebrada a Festa de Nossa Senhora das Vocações com a finalidade de rezar pelo aumento das vocações e agradecer a Deus e a Virgem Maria pelos que disseram sim ao chamado, aos que deram um passo a mais neste sim recebendo ministérios e pelos que sustentam a estrutura de acolhida vocacional, desde e equipe de formação aos colaboradores diretos e indiretos dos seminários.

Graças ao testemunho de confiança na providência divina e intercessão de Maria, o clero de Guarulhos não para de aumentar com novas ordenações, como acontecerá mais uma vez no dia trinta de maio. Podemos com certeza declarar: “Minha alma exalta o Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Eis que, de agora em diante, todas as gerações me considerarão feliz, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas por mim. Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem. Ele agiu com a força de seu braço. Dispersou os arrogantes de coração. Derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes.” (Lc 1, 46-52).

Nesta edição acompanhamos na integra a primeira mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais na busca de orientar a inteligência artificial para servir à essência humana, e não substituí-la. Essa é a missão permanente da Pastoral da Comunicação que reunidas nas diversas formas de celebração e encontro renovam e fortalecem essa missão.

Parabenizo e agradeço a todos os “pasconeiros”  e “pasconeiras” pelo trabalho realizado de maneira voluntária nas dioceses e que muitas vezes são os que menos aparecem e os que mais vezes são cobrados quando o outro não aparece em suas coberturas.

Continuem fazendo tudo com zelo e servidão pôr amor a Deus e ao próximo, aguardando a recompensa da vida eterna e à exemplo de Nossa Senhora da Comunicação,  serva por amor.

Boa leitura e não esqueça de compartilhar!

 

Pe. Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos Enfoque Pastoral

Uma Igreja que existe para anunciar: voltar ao essencial

Há momentos na vida da Igreja em que é preciso parar e perguntar: afinal, para que existimos? Não para manter estruturas, nem apenas para organizar atividades, mas para algo muito mais profundo e decisivo: anunciar Jesus Cristo.

As novas Diretrizes recordam isso logo no início: a missão recebida de Jesus é clara — “Proclamai o Evangelho” (Mc 16,15). Não é uma opção entre tantas. É a identidade da Igreja. Tudo o que somos e fazemos precisa nascer dessa fonte. Quando isso se perde, a pastoral se torna pesada, repetitiva e sem força transformadora.

Mas há um detalhe importante que o texto nos ajuda a perceber: evangelizar não é apenas falar de Deus. É testemunhar a misericórdia que recebemos. Antes de anunciar, a Igreja experimenta. Antes de ensinar, ela acolhe. Isso muda tudo. O anúncio deixa de ser teoria e passa a ser vida compartilhada.

Outro ponto decisivo é este: Jesus Cristo não é apenas o conteúdo da evangelização — Ele é o próprio Evangelho. Isso significa que evangelizar não é transmitir uma mensagem distante, mas tornar presente uma pessoa viva. Jesus continua a caminhar, a falar, a curar, a acolher — agora através da Igreja.

E como Ele evangeliza? As Diretrizes são muito concretas: com palavras e gestos. Ele anuncia o Reino, mas também se aproxima, serve, toca as feridas, busca quem está perdido. Não exclui ninguém. Vai ao encontro de todos. Esse estilo não é secundário — é o próprio caminho da Igreja hoje.

Por isso, as Diretrizes insistem: não basta repetir métodos antigos. Estamos diante de uma mudança de época. O mundo mudou, as perguntas mudaram, e a forma de anunciar também precisa ser renovada. Mas sem perder o essencial: o centro continua sendo Jesus.

Há ainda um chamado forte à conversão. Não apenas pessoal, mas também das relações, dos processos e dos vínculos. Em outras palavras: não basta querer evangelizar, é preciso mudar o modo de ser Igreja. Torná-la mais aberta, mais acolhedora, mais próxima, mais sinodal.

A imagem da “tenda” ajuda a entender isso. Uma Igreja que não é fechada, mas que se alarga. Que escuta mais. Que acolhe melhor. Que permanece firme na fé, mas com as portas abertas para todos.

No fundo, a Introdução das Diretrizes nos coloca diante de uma pergunta simples e exigente: estamos realmente anunciando Jesus ou apenas mantendo a Igreja funcionando?

Se voltarmos ao essencial, tudo se reorganiza. A fé ganha vida. As comunidades se tornam mais missionárias. E a Igreja volta a ser aquilo que sempre foi chamada a ser: sinal vivo do amor de Deus no mundo.

 

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS)
Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

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Sob a intercessão de Nossa Senhora das Vocações

O mês de maio é tradicionalmente relacionado com a figura da Virgem Maria. Em nossa Diocese – de modo especial em nosso Seminário – a presença de Nossa Senhora se manifesta mais profundamente com o título de Mãe das Vocações. As Casas Formativas em Guarulhos possuem uma grande devoção a essa invocação mariana, pois dela se providenciou muitas e santas vocações para as comunidades em Guarulhos.

Dirigir-se a Nossa Senhora das Vocações é confiar à Mãe de Deus o pedido que o próprio Jesus nos fez nas páginas dos Evangelhos: “Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt 9,38). Depositar, então, essa intenção à Virgem Maria é não somente confiar que Deus continuará a chamar operários, como também é crer que jovens responderão ao chamado de Deus.

Estar sobre essa intercessão de Nossa Senhora das Vocação é ter a certeza de que Deus não vai desamparar o seu povo sobre essa expressa necessidade. E a própria história da Mãe das Vocações em Guarulhos revela que o Senhor da messe não deixa de enviar muitas e santas vocações para as nossas comunidades. Mas, para isso, é necessário a oração e a esperança!

Possamos, portanto, rezar pela intercessão de Nossa Senhora para que os corações de nossos irmãos estejam alicerçados na confiança de um Deus que nos chama e, quem responder esse chamado, realizando em si o fiat mariano, possa realizar o projeto do Senhor em sua vida. E que tenhamos a esperança para tantos jovens possam responder o chamado de Deus e, assim, igualmente a Virgem Maria, serem testemunhas da verdade do Senhor.

 

Padre Edson Vitor

Reitor do Seminário Propedêutico Santo Antônio

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Artigos Falando da Vida

Mãe, esse ser imperfeito

Como curar as feridas e os traumas do passado?


 

Por que a maioria dos problemas psicológicos trabalhados nas sessões de psicoterapia, tem como foco principal o relacionamento com os pais, sobretudo a figura materna? Falta de carinho, repressão, negligência, são geralmente apontados como fatores causais dos transtornos psicológicos.  Será que a mãe é tão culpada assim, ou será que culpar a mãe não passa de uma justificativa para os fracassos pessoais? Não seria mais eficiente se tomássemos posse da nossa liberdade e fizéssemos uso da nossa capacidade de construir nosso destino e sermos responsáveis pela nossa própria história?

A culpabilização da figura materna deve-se muitas vezes ao fato de que a mãe, ou quem assume esse papel, é frequentemente o primeiro espelho de um ser humano. É o modelo primordial da vida do bebê desde o nascimento, é nela e com ela que a criança experimenta os primeiros prazeres e desprazeres da vida. Segundo Melanie Klein, psicanalista freudiana e autora de diversos livros sobre Psicologia infantil, a relação mãe-bebê é o alicerce da estrutura psíquica. Através da amamentação a criança adquire um vínculo de satisfação e ao mesmo tempo de frustração.

O seio materno passa a ocupar um lugar central da vida do bebê à medida em que ele percebe que sem tão precioso objeto, não há vida, não há prazer, nem cuidado. Segundo a autora é nesse contexto que surgem as primeiras manifestações de amor e ódio que vão moldar a personalidade do indivíduo. Mas é exagero afirmar que todas as mazelas psíquicas que acontecem na vida é culpa da mãe. Existem muitos casos de pessoas que foram negligenciadas pelos pais na infância, mas se tornaram exemplos de superação, como Steve Jobs, fundador da Apple, que foi rejeitado pela mãe biológica e entregue para adoção.

A melhor atitude para quem teve uma infância sofrida e desafiadora, marcada por ausência de apego materno, é acreditar que a vida é um dom e que você não nasceu por acaso. Todos, temos um propósito e se você não encontrou o seu, deve procurá-lo exaustivamente; em alguns casos, é necessário fazer psicoterapia. O fato é que precisamos aceitar nossas feridas do passado, reconhecendo o quanto ela dói, mas ao mesmo tempo tratá-las com bondade e autocompaixão. Talvez, o melhor presente que possamos dar às mães e a nós mesmos, seja o perdão autêntico que nasce do entendimento maduro de que a perfeição não existe, pois todos nós somos imperfeitos, incluindo você e sua mãe.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

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Artigos CNBB Liturgia

Mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Preservar vozes e rostos humanos

Queridos irmãos e irmãs!

O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém.

Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.

Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.

A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas.

O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.

Não renunciar ao próprio pensamento

Há muito tempo que existem múltiplas evidências de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – rentável para as plataformas – recompensam as emoções rápidas e, ao contrário, penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social.

Veio somar-se a isto uma confiança ingenuamente acrítica na inteligência artificial como “amiga” omnisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, “oráculo” de todos os conselhos. Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica.

Embora a IA possa dar apoio e assistência na gestão de tarefas comunicativas, ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.

Nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta “Powered by AI”, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do génio humano no âmbito da música, da arte e da literatura vão sendo reduzidas a um mero campo de treino para as máquinas.

No entanto, a questão que realmente nos interessa não é o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que nós podemos e poderíamos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com uma inteligente utilização de ferramentas tão poderosas ao nosso serviço. Desde sempre, o ser humano tem sido tentado a apropriar-se do fruto do conhecimento sem o esforço do envolvimento, da pesquisa e da responsabilidade pessoal. Contudo, renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

Ser ou fingir: simulação de relações e da realidade

À medida que navegamos pelos nossos fluxos de informação (feeds), torna-se cada vez mais difícil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com “bots” ou influenciadores virtuais. As intervenções não transparentes destes agentes automatizados influenciam os debates públicos e as escolhas das pessoas. Especialmente os chatbots, baseados em grandes modelos linguísticos (LLM), estão a revelar-se surpreendentemente eficazes na persuasão oculta, através de uma contínua otimização da interação personalizada. A estrutura dialógica e adaptativa, mimética, destes modelos linguísticos é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Esta antropomorfização, que pode até ser divertida, é ao mesmo tempo enganadora, especialmente para as pessoas mais vulneráveis. Porque os chatbots tornados excessivamente “afetuosos”, além de estarem sempre presentes e disponíveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas.

A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades. Isso acontece quando substituímos as relações com os outros pelas relações com a IA treinada para catalogar os nossos pensamentos e, portanto, construir à nossa volta um mundo de espelhos, onde tudo é feito “à nossa imagem e semelhança”. Desta forma, deixamo-nos roubar a possibilidade de encontrar o outro, que é sempre diferente de nós e com o qual podemos e devemos aprender a confrontar-nos. Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade.

Outro grande desafio que estes sistemas emergentes colocam é o da distorção (bias, em inglês), que leva a adquirir e transmitir uma perceção alterada da realidade. Os modelos de IA estão moldados pela visão do mundo de quem os constrói e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estereótipos e preconceitos presentes nos dados a que acedem. A falta de transparência na construção dos algoritmos, a par da inadequada representação social dos dados tendem a manter-nos presos em redes que manipulam os nossos pensamentos, perpetuando e aprofundando as desigualdades e injustiças sociais existentes.

O risco é grande! O poder da simulação é tal que a IA pode também iludir-nos com a construção de “realidades” paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes. Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção.

A isto acrescenta-se o problema da falta de precisão. Os sistemas que apresentam como conhecimento uma probabilidade estatística, na realidade, oferecem-nos, quando muito, aproximações da verdade, que por vezes são verdadeiras “alucinações”. A falta de verificação das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho contínuo de recolha e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança.

Uma possível aliança

Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve, está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da “pessoa do ano de 2025”, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controlo oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar subtilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.

O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas.

Esta aliança é possível, mas tem de se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. Ela pode ser definida, consoante as funções, como honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Porém, em geral, ninguém pode fugir à sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir.

Para quem está no comando das plataformas on-line, isso significa garantir que as próprias estratégias empresariais não sejam norteadas pelo exclusivo critério da maximização do lucro, mas por uma visão clarividente que tenha em conta o bem comum, da mesma forma que cada um deles se preocupa com o bem-estar dos seus filhos.

Aos criadores e desenvolvedores de modelos de IA, é exigida transparência e responsabilidade social em relação aos princípios de criação de projetos e aos sistemas de moderação que estão na base dos seus algoritmos e dos modelos desenvolvidos, de modo a permitir um consentimento esclarecido aos utilizadores.

Igual responsabilidade é pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana. Uma adequada regulamentação pode proteger as pessoas duma ligação afetiva com os chatbots e conter a disseminação de conteúdos falsos, manipuladores ou deturpados, preservando a integridade da informação face à sua simulação enganosa.

Por sua vez, as empresas dos mass media e da comunicação não podem permitir que algoritmos orientados para vencer a qualquer custo a batalha por alguns segundos de atenção a mais prevaleçam sobre a fidelidade aos seus valores profissionais, voltados para a busca da verdade. A confiança do público conquista-se com a precisão e a transparência, não com a corrida por uma participação qualquer. Os conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conteúdo devem ser protegidas. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e num elevado padrão de qualidade.

Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.

O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.

Precisamente por isso, cada vez mais, é urgente introduzir também, em todos os níveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunicação social, a informação e a IA, que algumas instituições civis já estão a promover. Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito. Esta literacia deveria ainda ser integrada em iniciativas mais amplas de educação permanente, alcançando igualmente os idosos e os membros marginalizados da sociedade, que muitas vezes se sentem excluídos e impotentes perante as rápidas mudanças tecnológicas.

A literacia para os meios de comunicação, a informação e a IA ajudará todos a não se adaptarem à tendência de antropomorfização destes sistemas, mas a tratá-los como ferramentas, a recorrer sempre a uma validação externa das fontes – que podem ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA, a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de reclamação. É importante educar e educar-se para utilizar a IA de forma intencional e, neste contexto, proteger a própria imagem (fotos e áudio), o próprio rosto e a própria voz, para evitar que sejam utilizados na criação de conteúdos e comportamentos prejudiciais, como fraudes digitais, ciberbullying, deepfake, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Assim como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital (com uma formação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa perceção da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais são os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conteúdos nos nossos fluxos de informação (feeds), quais são e como podem mudar os pressupostos e modelos económicos da economia da IA.

É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.

Ao propor estas reflexões, agradeço a todos aqueles que estão a trabalhar para os objetivos aqui apresentados e, de coração, abençoo quantos trabalham para o bem comum através dos meios de comunicação.

Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2026.

LEÃO XIV PP.