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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 7

“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

As DGAE 2026-2032 são o instrumento principal no Brasil para a Implementação do Sínodo. A reflexão que pode ser haurida a partir delas servirá para criar uma espécie de “instrumento de trabalho” para a nossa Assembleia Eclesial Diocesana que deveremos realizar no primeiro semestre de 2027. No mês passado propus a reflexão dos sinais de esperança que devem marcar nossa caminhada e experiência de um Deus que caminha conosco. Agora, haurindo das mesmas DGAE, temos que corajosamente  refletir sobre situações que ainda desafiam a evangelização. A “tenda peregrina” da diocese de Guarulhos possui e possui muitas situações que nos desafiam na evangelização. As DGAE a partir do número 27 apresentam tantas das situações que persistem desafiando a evangelização.  Proponho aqui para reflexão algumas situações que, creio, sejam mais candentes em nossa diocese.

É patente ouvir nas paróquias a realidade do enfraquecimento do sentido comunitário, pois tal compromisso implica numa atitude de pertença e responsabilidade com a ação evangelizadora de uma comunidade. Eu mesmo já ouvi pessoas dizerem que são “diocesanas”, pois participam da Eucaristia, novenas, cercos de Jericó e outras celebrações em toda a diocese, mas não têm disposição e tempo de assumirem compromisso com uma comunidade concreta. Outras vão atrás de onde está este ou aquele padre. Assim, temos agentes de pastorais em nossas comunidades sobrecarregados no servir. Além disso, temos as pessoas que – ao menos isso – participam da Eucaristia em suas comunidades, mas não querem saber de envolvimento com a comunidade. Isso também reflete numa outra situação desafiadora para a comunidade que é o ser Igreja em estado permanente de missão. Aqui, em muitos locais, temos um retrocesso, pois esta proposta foi impulsionada pela Conferência de Aparecida em 2007.

É doloroso, mas é verdade, que o contratestemunho de membros da comunidade, inclusive consagrados e ministros ordenados, tem afastado pessoas, de modo especial os irmãos e irmãs mais fracos na fé. Em muitas destas situações aparece o clericalismo, tanto por parte dos ministros ordenados, como por parte dos cristãos leigos e leigas. No entanto, é preciso maturidade para compreender que todos somos pecadores em processo de conversão. O centro da comunidade deve ser o Cristo. As pessoas passam, mas o Cristo é para sempre. Na comunidade sempre podemos encontrar a graça da Palavra e dos Sacramentos. Esta situação causa outro desafio: o enfraquecimento da vida fraterna e da comunhão, pois gera divisões na comunidade.

Os leigos e leigas, por vocação própria, são chamados a serem o fermento do Reino na sociedade.

“A missão própria dos cristãos leigos e leigas os envia a atuar de modo transformador nos muitos espaços onde a vida acontece: na família, no trabalho e na economia; na cultura e educação; nas artes e ciências; na política e comunicação…(DGAE 72).

Acrescentemos aqui a participação política, não somente aquela partidária, mas aquela em que há envolvimento nas políticas públicas. Vemos em nossas comunidades a diminuição de agentes de pastoral junto às pastorais sociais e, assim, mesmo dentro das comunidades assistimos ao frágil protagonismo de parte dos cristãos leigos e leigas.

Ainda no próximo mês vou retomar esta temática. Ainda que o número de desafios seja maior que os sinais de esperança, a Esperança é sempre maior, pois “ela não decepciona”.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo Diocesano de Guarulhos

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Artigos Editorial

“Palavra de Deus e compromisso no Mundo”

Caríssimos leitores e leitoras, nesta edição do mês de setembro, a busca de novos conhecimentos sobre a Sagrada Escritura é a chave principal de leitura a convite do profeta Daniel. Essa busca se dá através da Semana Bíblica, dos grupos de reflexão, da Escola da Palavra, pelas redes sociais e de tantos outros métodos desenvolvidos nas paróquias e dioceses.

O importante é saber que essa busca deve ser permanente e quanto mais conheço muito mais tenho a conhecer sobre a Sagrada Escritura. Só peço um favor a você caríssimo(a) leitor e leitora, procure não se acomodar achando que a Bíblia se resume ao salmo 23, 50 ou 91 e algumas passagens bem conhecidas, mas seja determinado e perseverante em combater as dificuldades de compreensão devido gênero literário e linguagem não comum ao cotidiano.

A exortação apostólica pós-sinodal afirma: “A Palavra divina ilumina a existência humana e leva as consciências a reverem em profundidade a própria vida, porque toda a história da humanidade está sob o juízo de Deus:

“Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, sentar-Se-á, então, no seu trono de glória. Perante Ele reunir-se-ão todas as nações (Mt 25,31-32).

No nosso tempo, detemo-nos muitas vezes superficialmente no valor do instante que passa, como se fosse irrelevante para o futuro. Diversamente, o Evangelho recorda-nos que cada momento da nossa existência é importante e deve ser vivido intensamente, sabendo que cada um deverá prestar contas da própria vida. É a própria Palavra de Deus que nos recorda a necessidade do nosso compromisso no mundo e a nossa responsabilidade diante de Cristo, Senhor da História.” (Verbum Domini 99).

A linha editorial da Revista Diocesana que chega na palma das suas mãos todos os meses de maneira virtual têm como finalidade promover reflexões e propagar notícias sempre iluminadas e impulsionadas pela Palavra de Deus, como por exemplo os artigos desta edição: O caminho de implantação do Sínodo na Igreja; a necessidade da busca do sacramento da reconciliação; a prática da compaixão diante da dimensão humana do sacerdote e os momentos de crise existencial; a elaboração de projetos socias e o compromisso de participação ativa na vida  política da sociedade, promovendo o bem comum para todos; celebrar a diversidade dos carismas através de um grito de Viva a Vida, através da juventude que é o amanhã da no mundo e precisa tomar cuidado com a armadilha da promoção de uma autoestima sem a autocompaixão.

Desejo uma excelente leitura e não esqueça de curtir e compartilhar cada artigo com seus grupos diversos de convivência e de maneira particular com aqueles que não frequentam instituições religiosas e precisam conhecer as ações iluminadas pela Palavra de Deus e assumida pela Igreja no mundo.

Boa leitura e compartilhe!

 

Pe. Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos Enfoque Pastoral

Peregrinos da Palavra e da Esperança: Caminhar, celebrar e acolher

“Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)


 

O mês de setembro reúne, na vida de nossa Igreja particular, importantes celebrações e compromissos pastorais. Ao celebrarmos o Mês da Bíblia, somos convidados a redescobrir a Sagrada Escritura não apenas como um livro que deve ser estudado, mas como Palavra viva, capaz de iluminar a existência, alimentar a fé e orientar nossas escolhas.

Em nossas paróquias e foranias, as Escolas da Palavra, os encontros de formação, os círculos bíblicos e a prática da Leitura Orante demonstram o desejo de nossas comunidades de conhecer e amar cada vez mais a Palavra de Deus. Esse mesmo cuidado deve estar presente na proclamação das leituras durante as celebrações litúrgicas. Quando a Palavra é proclamada com fé, clareza e dignidade, é o próprio Cristo quem fala ao seu povo, instruindo, consolando e chamando cada pessoa à conversão.

A Palavra que toca o coração também nos coloca a caminho. É com esse espírito que realizamos a nossa 12ª Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Aparecida. Reunidas ao redor de nosso bispo diocesano, as paróquias manifestam a beleza da comunhão eclesial. Não caminhamos isoladamente. Somos uma Igreja peregrina, formada por pessoas e comunidades diferentes, mas unidas pela mesma fé, pela mesma esperança e pela missão que recebemos do Senhor.

Aos pés de Nossa Senhora Aparecida, levamos nossas alegrias e preocupações, os frutos de nosso trabalho pastoral e também os desafios que encontramos pelo caminho. A romaria nos recorda que a vida cristã é feita de passos, encontros, perseverança e confiança. Enquanto caminhamos, Deus fortalece nossa fraternidade e renova em nós a certeza de que ninguém precisa atravessar sozinho as dificuldades da vida.

Essa comunhão torna-se concreta quando aprendemos a cuidar uns dos outros. Nesse sentido, o Setembro Amarelo chama nossa atenção para o sofrimento de tantas pessoas que enfrentam a angústia, a solidão e a perda do sentido de viver. Diante dessas realidades, a Igreja deseja ser uma presença próxima, acolhedora e consoladora.

O sacramento da Reconciliação, o acompanhamento espiritual, o atendimento fraterno e a implantação das Pastorais da Escuta são caminhos importantes desse cuidado. Escutar não significa oferecer respostas rápidas para dores profundas. Muitas vezes, a primeira atitude verdadeiramente cristã é permanecer ao lado da pessoa, acolher sua história sem julgamentos e ajudá-la a perceber que sua vida continua tendo valor, dignidade e sentido. Uma escuta paciente pode tornar-se sinal da presença de Deus e abrir uma pequena fresta de esperança onde parecia existir apenas escuridão.

Confiemos todas as ações de nosso Enfoque Pastoral à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Maria foi mulher da escuta, da disponibilidade e do caminho. Acolheu a Palavra de Deus, colocou-se a serviço e permaneceu firme mesmo nos momentos de dor e incerteza. Sob seu olhar materno, queremos aprender a escutar com paciência, anunciar com fidelidade e caminhar unidos. Que a Mãe de Jesus nos ajude a ser uma Igreja que se alimenta da Palavra, celebra a comunhão e acolhe com ternura as pessoas feridas. E que o Senhor renove em nós a coragem de continuar peregrinando, sustentados pela esperança que não decepciona.

 

Padre Marcelo Dias Soares

Coordenador Diocesano de Pastoral

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Artigos Bíblia

Mês da Bíblia 2026: O Livro de Daniel e a Fidelidade em Tempos de Desafio

A Palavra de Deus no Centro da Vida da Igreja

A cada ano, a Igreja Católica no Brasil celebra o Mês da Bíblia — um período dedicado ao aprofundamento da Sagrada Escritura em paróquias, comunidades, seminários e instituições de ensino. Em 2026, o livro escolhido pela Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequeti ca da CNBB é o Livro de Daniel.

A escolha não é arbitrária. Daniel é um livro de resistência espiritual: foi escrito em um período de perse guição religiosa, para fortalecer a fé de um povo que enfrentava pressões para abandonar sua identidade e se render aos poderes dominantes. Sua mensagem central é atemporal: a fidelidade a Deus sustenta o ser humano mesmo nas situações mais adversas.

Por Que Daniel Hoje?

Vivemos em um tempo de múltiplas pressões sobre a fé: relativismo cultural, secularização acelerada, fragmentação das comunidades, crises institucionais. Nesse contexto, Daniel oferece uma sabedoria preciosa: não a da fuga do mundo, mas a da presença fiel no meio do mundo, sem se deixar absorver por ele.

O profeta Daniel é apresentado no livro como um jovem que vive na corte babilOnica, imerso em uma cultura estrangeira e potencialmente hostil à sua fé, e ainda assim mantém sua integridade, sua oração e seu compromisso com Deus. É uma figura que fala diretamente a quem vive a fé em contextos plurais e desafiadores.

Subsídio e Formação para Animadores

A CNBB disponibilizou um subsídio especialmente preparado para o Mês da Bíblia 2026, com aprofundamento bíblico, contextualização histórica e pistas pastorais para análise e celebração do livro de Daniel. Além disso, a Comissão Episcopal realizou um Seminário para Animadores, com sessões formativas online voltadas a quem coordena a celebração do Mês da Bíblia nas comunidades.

Esses materiais são recursos valiosos para estudantes de Teologia, cat equistas, diretores espirituais e animadores de comunidades que desejam aprofundar o estudo das Escrituras com rigor e sensibilidade pastoral.

Teologia Bíblica

O Mês da Bíblia é também uma oportunidade para que seminaristas, religiosos e agentes pastorais renov em seu amor pela Palavra de Deus — que, como lembra o Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum, é alma de toda a Teologia.

Portal CNBB

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Artigos Liturgia

O padre que sofre: esperança e fraternidade diante do suicídio

Falar sobre o suicídio entre os presbíteros exige, antes de tudo, recordar uma verdade que às vezes esquecemos: o padre é um ser humano. Chamado a anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos e cuidar do povo de Deus, ele continua sendo alguém que experimenta cansaço, medo, solidão, crises e fragilidades. Não é herói, muito menos um deus. É um homem chamado por Deus, sustentado pela graça e necessitado, como todos, de cuidado.

A figura de Judas Iscariotes pode ajudar-nos a compreender a gravidade de uma esperança perdida. Mesmo tendo caminhado com Jesus e pertencido à comunidade dos Doze, Judas não conseguiu reconhecer outro caminho depois de sua traição. O Evangelho apresenta seu remorso e sua morte, mas não nos autoriza a transformar sua história em sentença definitiva sobre sua pessoa. O próprio Catecismo recorda que não se deve desesperar da salvação daqueles que atentaram contra a própria vida, pois somente Deus conhece plenamente o coração humano e as circunstâncias que envolvem cada existência.[1]

Também o presbítero pode chegar a um momento em que o sofrimento se torna silencioso. A rotina pastoral, a excessiva disponibilidade, a dificuldade de reconhecer limites, o isolamento e a cobrança por corresponder a um ideal sacerdotal podem produzir um processo de esgotamento. Sanagiotto chama atenção para aquilo que denomina “neurose pastoral”, marcada, entre outros fatores, pelo pouco tempo para si, pelo excesso de trabalho e pelo isolamento do presbitério.[2] Quando o sacerdote passa a acreditar que precisa resolver tudo sozinho, o ministério pode deixar de ser lugar de realização e transformar-se em fonte de profundo sofrimento.

Por isso, é necessário abandonar a imagem do padre que nunca pode fraquejar. Reconhecer limites não diminui a grandeza do sacerdócio, mas é capaz de humanizá-lo. As próprias Diretrizes da CNBB para a formação dos presbíteros ressaltam o conhecimento de si, o reconhecimento das qualidades, defeitos e limites e a importância do acompanhamento personalizado e da psicoterapia.[3] Buscar ajuda não é sinal de fracasso na vocação, mas expressão de responsabilidade diante do dom da própria vida.

Nesse caminho, as virtudes teologais oferecem um horizonte de reconstrução. A fé recorda que Deus permanece presente; a caridade conduz ao cuidado e à fraternidade; e a esperança impede que o sofrimento seja considerado a palavra definitiva. Como ensina o Papa Francisco, a esperança nasce do amor de Cristo e não se reduz a uma espera passiva.[4] É preciso “esperançar”: criar vínculos, partilhar a vida, permitir-se ser acompanhado e reconhecer que ninguém precisa atravessar sozinho as noites da existência.

A fraternidade presbiteral, portanto, não pode ser apenas uma ideia bonita, mas uma prática concreta. Um irmão que pergunta “como você está?”, uma mesa compartilhada, uma conversa sincera ou a coragem de procurar ajuda podem tornar-se instrumentos de preservação da vida. Fé e cuidado psicológico não se excluem; espiritualidade e ciência podem caminhar juntas.

Cuidar do padre é também cuidar da Igreja. Quando permitimos que o presbítero seja simplesmente homem, com sua força e sua fragilidade, abrimos espaço para que a graça encontre uma humanidade verdadeira. E talvez seja justamente aí que a esperança comece novamente a nascer.

Diácono Luis Henrique da Silva Santos

Paróquia N. Sra. Aparecida – Cocaia


[1] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Brasília: CNBB, 2022, n. 2282-2283.

[2] SANAGIOTTO, Vagner. Padres exaustos: a síndrome de burnout no contexto eclesial brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023, p. 21.

[3] CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil: Documento 110. Brasília, DF: Edições CNBB, 2019, n. 130 e 185.

[4] FRANCISCO, Papa. Spes non confundit: Bula de proclamação do Jubileu Ordinário 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024, n. 1 e 3.

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Artigos Falando da Vida

A diferença entre Autoestima e Autocompaixão

Você não precisa ser o maior, basta aceitar ser quem você é.


 

Provavelmente você já leu alguma coisa sobre autoestima, mas talvez ainda não sabe exatamente o que significa. Para muita gente, significa olhar-se no espelho e sentir-se forte, bonito e inteligente, mesmo que isso não seja realidade. Por outro lado, a autocrítica severa parece estar sempre apontando um dedo em direção a si mesmo lembrando que você não é bom o bastante. Numa sociedade competitiva que só valoriza aqueles que se destacam, sentir-se bem quando os seus resultados não são os melhores, é um grande desafio. Como escapar dessa armadilha?

Em primeiro lugar é preciso considerar que a ideia de superioridade sobre outras pessoas é uma postura nada construtiva, pelo contrário, pode gerar fragilidade emocional e dificuldade em aceitar críticas. Uma pessoa com elevada autoestima pode pensar que já sabe tudo e assim se fechar a novos conhecimentos. Existem estudos que ligam a promoção de autoestima infantil ao narcisismo e preconceito na vida adulta. Jovens adolescentes que praticam bullying, alimentam a sua autoestima exercendo domínio sobre os demais revelando a faceta perversa desse jogo que se serve da violência contra as minorias para obter prestígio e poder.

A verdade é que se cairmos nessa cilada de disputar para ver quem é o melhor, estaremos fazendo exatamente o que o sistema quer de nós. A lógica do sistema capitalista é criar uma necessidade para vender uma solução. Por isso qualquer campanha de vendas começa com frases do tipo seja um vencedor, não fique para trás. Mas a questão que precisamos abordar aqui, não é o que você pode ser, mas sim reconhecer quem você é. Nesse sentido, não é possível desenvolver a autoestima sem desenvolver a autocompaixão. A autocompaixão ensina a ser bom e amável consigo, mesmo quando as coisas não vão bem.

Para explicar em palavras simples o que é Autocompaixão, vou usar a definição de Kristin Neff no seu livro Self Compassion: “É a prática de tratar a si mesmo com a mesma gentileza, carinho e compreensão que você ofereceria a um bom amigo”. Ao invés de recorrer a uma autocrítica severa ao enfrentar falhas, dores ou momentos de dificuldade, você compreende que os seus erros são humanos. A autocompaixão ensina que não é necessário ser extraordinário para merecer respeito, afeto e paz de espírito; basta ser inteiramente você. Portanto, abrace o seu passado, presente e futuro; afinal, tudo o que você almeja ser, em última análise, você já é.

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

 

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Artigos CNBB

Eleições 2026

No próximo dia 4 de outubro  teremos a oportunidade de exercer nossa cidadania por meio do voto, uma responsabilidade de todos. É por meio dele que escolhemos os legítimos representantes para governar e legislar em benefício do povo, a fim de que cada cidadão tenha a oportunidade de crescer, desenvolver-se e viver com dignidade e em paz.  

A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política, para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve pôr-se no lugar do Estado, mas também não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça. A Igreja não tem partido, ideologia e nem obriga os fiéis a votarem em determinados candidatos. 

Segundo a Igreja, a atividade política em seu sentido estrito não compete à hierarquia, mas é própria dos leigos. E  por ser a política uma arte nobre, não apenas uma mera atividade de natureza técnica, devem os cristãos,  aqueles que já são ou podem se tornar idôneos, para a difícil arte da política, se preparar para exercê-la, visando o bem comum dos cidadãos. A  propósito o papa Leão XIV lembrou que o político cristão, tem de ser coerente com os princípios cristãos, devem agir e decidir de forma coerente com a própria fé, no exercício de suas responsabilidades públicas. 

Assim, a Igreja tem o dever de orientar os fiéis para que participem democraticamente, com consciência Liberdade e responsabilidade, do processo político eleitoral apontando-lhes critérios éticos e morais, a serem levados em consideração no momento da escolha de seus candidatos aos cargos políticos. Por isso, na hora de decidir o voto, é importante que o eleitor tenha em mente alguns pontos para nortear sua escolha pois, o voto como se costuma dizer não tem preço mas tem consequência. Ele jamais deve ser negociado ou anulado.  

 O voto deve ser consciente livre responsável, não uma troca de favores. Quem vende o voto contribui com a corrupção e tem a mesma parcela de culpa daqueles que o compra.  A Igreja propõe que o eleitor deve procurar conhecer o seu candidato. Constitui, aliás, antiga tradição da Igreja no Brasil, divulgar por ocasião da realização das eleições, orientações aos eleitores visando a correta escolha dos candidatos. É o que nossa diocese Santo André está fazendo, propondo encontros de oração e reflexão, através de um livreto preparado por uma equipe diocesana.  

A  resposta a esta pergunta sobre quem é o candidato podem orientar o eleitor em seu discernimento na escolha do candidato qual é o seu histórico de vida? Quais suas ideias e propostas em relação à família, saúde, educação, meio ambiente, combate à violência ao crime organizado? Seus projetos visam o bem comum, ou somente o interesse pessoal e de grupos, seu nome está envolvido em denúncias de corrupção, ou escândalos éticos ou morais? É ele defensor da democracia da Liberdade de expressão, do respeito às convicções religiosas e da livre manifestação da fé?   

A responsabilidade do eleitor não se encerra com a eleição e posse dos candidatos, ela se estende por todo o período relativo ao mandato do eleito. No exercício dos direitos e deveres concernentes a cada cidadão, compete lhe a acompanhar o desempenho as ações e as decisões políticas e administrativas daqueles que foram eleitos, para governar e legislar no País no Estado no Município onde vivem.  

Cabe exigir dos eleitos coerência e cumprimento dos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. O objetivo final deve ser a construção de uma sociedade justa e pacífica, onde caibam todos.

Dom Pedro Cipollini
Bispo de Santo André (SP) 

Artigo: Portal CNBB.org.br

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Cáritas Diocese

Assembleia Geral Extraordinária da Cáritas

A Cáritas Diocesana de Guarulhos realizou, no dia 09 de setembro de 2026, em sua sede, a Assembleia Geral Extraordinária, reunindo seus associados para tratar de assuntos relacionados à composição dos órgãos estatutários da entidade.

Na ocasião, foram deliberados:

As alterações ocorridas na composição da Diretoria e do Conselho Fiscal;
A formalização da atual composição dos órgãos estatutários da Cáritas Diocesana de Guarulhos.

Também foi apresentado um comunicado, de caráter informativo, sobre a Coordenação Executiva da entidade, reforçando o compromisso da Cáritas com a transparência, a organização institucional e a continuidade de sua missão.

Cáritas Diocesana de Guarulhos

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Artigos Destaques Diocese Eventos Juventude Movimentos Diocesanos Vocação e Seminário

Viva a Vida 2026: Verso L’alto – Rumo Ao Alto!

No dia 6 de setembro, aconteceu a 21ª edição do Viva a Vida, inspirada na vida de São Pier Giorgio Frassati e tendo como tema “Verso l’Alto!”, em português, “Rumo ao Alto!”. A expressão está escrita na última fotografia registrada por Frassati. A escolha do tema se deu em virtude de sua canonização, realizada em setembro de 2025, e da escolha dele e de São Carlo Acutis como baluartes do nosso Viva a Vida.

Apesar do frio e da chuva, nossos jovens, vindos das paróquias da nossa Diocese, marcaram presença antes mesmo da abertura dos portões, às 8h. Toda a programação foi pensada para proporcionar um dia repleto de atividades, imersão e celebração das expressões vocacionais de nossa Diocese.

Ainda pela manhã, sob a grande tenda erguida para acolhê-los, os jovens de diversos MJ’s (Ministérios Jovens da RCC), que se intitularam “Ministério Viva a Vida”, juntamente com o movimento Carna Cristo, animaram a chegada dos jovens e a chamada das foranias. Em seguida, o Ministério de Música da Comunidade Católica Shalom não deixou a juventude parar, cantando e dançando ao som dos grandes sucessos da comunidade. Na sequência, o Irmão Elias, do Instituto Hesed, pregou eloquentemente aos jovens sobre o tema “Vocação e Santidade”, preparando o coração de todos para o ponto alto do nosso Viva a Vida: a Santa Missa, presidida pelo nosso pai e pastor, Dom Edmilson Amador Caetano, o.Cist.

Simultaneamente, no espaço interno do nosso CDP, aconteceu mais uma edição dos stands vocacionais e da exposição das expressões de nossa Diocese: Pastoral Familiar, CNLB, Diaconato Permanente, CRB (Vida Religiosa Consagrada), Caminho Neocatecumenal, Catequese Diocesana, Fraternidade Vitória, Comunidade Católica Divino Esposo, Comunidade Católica Shalom, Comunidade Católica Colo de Deus e o stand do Seminário Diocesano Imaculada Conceição.

Na parte da tarde, a cantora Bruna Brant foi responsável por animar o palco e não deixar os jovens desanimarem por conta do forte frio e da garoa. Em seguida, o Padre Bruno Otenio, vigário da Paróquia Santa Rita de Cássia – Jd. Cumbica, e a Irmã Josi, das Filhas do Santíssimo Redentor e Nossa Senhora das Dores, animaram o 3º concurso de Cosplay “Farmando Aura dos Santos”, que contou com três jovens inspirados em Nossa Senhora de Guadalupe, São Juan Diego e Santa Rita de Cássia.

Por fim, a última atração do nosso dia foi o tão esperado show da Comunidade Católica Colo de Deus, que foi concluído com a Adoração e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

O Viva a Vida, evento promovido pela Diocese de Guarulhos pelo Serviço de Animação Vocacional é, sem sombra de dúvidas, um grande despertar vocacional para a juventude de nossa Igreja. O evento concretiza aquilo que, há muitos anos, vem sendo proposto pelos documentos do Magistério, dentre eles a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit.

A primeira ressalta a importância de um renovado anúncio do Evangelho, sobretudo aos jovens que já não encontram respostas nas estruturas habituais da Igreja para seus anseios e preocupações (EG, 105). A segunda exorta sobre a necessidade do protagonismo juvenil no seio da Igreja, com um ímpeto jovem, pois, como afirma o Papa Francisco, os jovens são “o agora de Deus” (CV, 178; 299).

Com os olhos voltados à juventude do nosso Brasil e em consonância com as DGAE (2026–2032), compreendemos que os jovens são peças-chave para a dinamicidade da Igreja, tendo como horizonte o lema: comunhão, participação e missão.

Os jovens não apenas precisam, mas devem estar inseridos nas discussões e decisões de nossas comunidades e estruturas eclesiais, favorecendo e fortalecendo seu protagonismo único e indispensável.

Que Deus abençoe e proteja nossos jovens. Rumo ao Alto! Rumo ao 22º Viva a Vida!

Sem. Sebastião Fernandes Correia

3º Ano de Teologia – Configuração

Viva a Vida 2026
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Diocese Movimentos Diocesanos Pastorais

Formação com o Conselho Diocesano do ECC

Aconteceu no dia 07 de Setembro o Encontro de Formação com o Conselho Diocesano do ECC (Encontro de Casais com Cristo) da Diocese de Guarulhos.

O Encontro foi realizado pelo casal da Sub-Regional Sul 1, Fábio e Mônica.

Agradecemos cada um que se fez presente e também ao casal Sub-Regional por esse momento de partilha e formação dentro deste Caminho Sinodal de nossa Igreja.

Pe Tiago Ferraz
Diretor Espiritual diocesano do ECC – Diocese de Guarulhos

Confira alguns registros do encontro:

Formação com o Conselho Diocesano do ECC