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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Cáritas Diocese

Encontro do Projeto Social das atendidas pela Cáritas

Foi realizado na quarta, dia 04 de novembro, no salão da Cáritas, o encontro do projeto social com as atendidas, marcado por momentos de apresentação, integração, reconhecimento e confraternização.

O evento contou com a presença do presidente da Instituição Lucio Luciano, o Diácono Antonio Calixto, voluntários e familiares.
Houve momentos de partilha , confraternização e oração.

A programação incluiu a brincadeira do amigo oculto, proporcionando integração, alegria e fortalecimento de vínculos.

Esteve presente também Mariana e Miriã, representante da assessoria do Deputado Federal Alencar , que informou sobre a destinação de uma nova emenda parlamentar para apoiar novamente o projeto.

O encontro foi marcado por momentos de alegria, gratidão e reconhecimento, celebrando as conquistas das atendidas e reforçando a importância da continuidade das ações sociais.

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Passeio das Atendidas pela Cáritas

No dia 24 de outubro, aconteceu o passeio das atendidas pela Cáritas ao município de Embu das Artes, local escolhido pelas atendidas do Projeto Social Costura e Arte.

O passeio teve como objetivo promover aos atendidos momentos de lazer, cultura e convivência social.

O passeio representou uma importante ação de convivência e valorização do público adulto e idoso atendidos pelo projeto, reafirmando o compromisso do projeto social com a promoção do envelhecimento ativo, o fortalecimento de vínculos e a garantia de oportunidades de lazer e cultura.

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Artigos Voz do Pastor

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 9

“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

São tantas ainda as situações que persistem, e novas que surgem, que dificultam a evangelização. As DGAE assinalam estas situações. Algumas – na realidade poucas – estão distantes da nossa realidade. Outras sequer estamos enxergando.

As novas tecnologias e com elas a inteligência artificial, com o que há de bom e ruim, são uma realidade que não temos como ignorar. As possibilidades das fake news que favorecem as polarizações em vários setores nos tem desafiado. As evoluções tecnológicas também ferem a dignidade da pessoa humana quando se privilegia a técnica para descartar o ser humano em vista da economia e do lucro. Aqui são atingidos também, não somente os limites éticos, mas os sociais e ambientais. A casa comum é ferida também. Acrescente-se ainda: racismo, misoginia, xenofobia, feminicídio, homotrasnfobia, aversão aos pobres. Sobre estes últimos e a aversão que sofrem sublinhou o Papa Leão XIV na  Exortação Apostólica “Dilexi te”, 14.  Estas situações “pinceladas” acima são melhores explicitadas nas DGAE 29-33.

Atrelado à questão de aversão às pessoas devido à condição financeira das mesmas está a dependência dos jogos de apostas que as DGAE recordam como um fenômeno que cada vez mais chamam a atenção. (cf DGAE 39).

Um outro grupo de situações que dificultam a evangelização – não desarticulado dos apresentados acima – trata-se da mentalidade que envolve a cultura urbana, como já alertavam as DGAE de 2019. Desta cultura urbana surgem manifestações de uma mentalidade eivada de individualismo, que exacerbando a individualidade fomenta uma religião individualista, educação desmotivada para projetos compassivos e transformadores. Até mesmo o afeto exagerado e/ou exclusivo para com os pets manifestam esta cultura urbana e sua manifestação de individualismo. .(cf  DGAE 34-38)

Acredito que neste emaranhado de situações que ainda dificultam a evangelização o número 28 das DGAE é iluminador: “Percebem-se também, no seio da Igreja, sérios empecilhos para que os fiéis se sintam participantes de uma autêntica comunidade de discípulos missionários de Jesus Cristo. O impacto da cultura  do individualismo sobre as comunidades eclesiais, com o auxílio da cultura digital, tem levado alguns fieis a formarem pequenos grupos que pretendem viver o evangelho à parte da vida social e de forma sectária, dando origem a tristes divisões. Maneiras autoritárias de viver qualquer tipo de liderança também impedem que nossas comunidades sejam lugares acolhedores.”

            Os pontos apresentados neste número 28 merecem uma ulterior e, quanto possível, detalhada menção.

 

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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Artigos Editorial

“A caridade é sempre necessária e urgente”

Caríssimos leitores e leitoras, nesta edição do mês de outubro dedicada a Dimensão da Caridade como virtude e característica do ser Igreja, somos convidados por Santa Dulce dos Pobres, anjo bom da Bahia, a celebrarmos as inúmeras iniciativas de caridade proporcionada pela Igreja através das pastorais sociais e a nos comprometermos em fazer acontecer melhor cada gesto de promoção do bem comum. Em um artigo escrito para o site da Canção Nova, o professor Felipe Aquino faz a seguinte reflexão: “As virtudes são a disposição habitual e firme de fazer o bem. São desejos de nossa inteligência e vontade que comandam nossos atos, ordenam nossas paixões, e nos guiam segundo a razão e a fé.

A caridade é a virtude teologal (dada por Deus) que nos leva a amar a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. (cf. Cat. n. 1822). Amar o próximo sem ser por amor a Deus é filantropia, mas não caridade.

Jesus fez da caridade “o novo mandamento”. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Assim, manifestou o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.

Por isso disse Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Jesus insistiu com os discípulos: “Permanecei em meu amor. São Paulo disse que: Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda “inimigos” (Rm 5,10).

E Jesus exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que amemos o próximo como o bom samaritano, e amemos como Ele as crianças e os pobres.

São Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:

“A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13,4-7).

Diz ainda o Apóstolo: “Se não tivesse a caridade, nada seria…”. E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude… “se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria”. A caridade é superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais: “Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1 Cor 13,13).

Sabemos que o exercício de todas as virtudes é inspirado pela caridade, que é o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Devemos amar como filhos de Deus e não como escravos por medo, ou como mercenários em busca de recompensa, pois precisamos responder ao amor Daquele “que nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia; ela exige a bondade e a correção fraterna; tem de ser desinteressada e liberal; é amizade e comunhão. Santo Agostinho disse que: “A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.” (Comentário ep. João , 10,4).”

Desejamos a todos um mês maravilhoso de ações verdadeiras e caridosas em favor dos mais necessitados, pois afirma as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja: “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza. Essa opção não é uma escolha meramente sociológica, mas uma exigência que brota do próprio Cristo, que se solidarizou com os mais necessitados”.

Aproveitamos para agradecer a Deus pelas missões concluídas pelos padres e parabenizar por aceitarem a nova missão dada pela Igreja com obediência e disponibilidade.

Boa leitura!

Não esqueça de compartilhar com a família, amigos e grupos sociais.

 

Padre Marcos Vinicius Clementino

Jornalista e Diretor Geral

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Artigos Enfoque Pastoral

Quando a Igreja se torna refúgio

X Dia Mundial dos Pobres: a caridade que ganha rosto e se transforma em acolhida


 

“O Senhor é o refúgio do pobre” (Sl 14,6). Com essas palavras, o Papa Leão XIV nos convida a celebrar, em 15 de novembro, o X Dia Mundial dos Pobres. A mensagem nos recorda uma verdade essencial: não podemos professar nossa fé em Jesus Cristo e permanecer indiferentes ao sofrimento daqueles que vivem à margem da sociedade.

O Evangelho nos apresenta um Deus que se aproxima. Jesus não passou indiferente pelos pobres, enfermos e esquecidos. Reconheceu seus rostos, escutou suas dores e devolveu-lhes a dignidade. Por isso, a caridade não é uma atividade secundária da Igreja. Pertence à sua própria missão de anunciar e testemunhar o amor de Deus.

É nessa perspectiva que a Diocese de Guarulhos está construindo o Espaço Santa Dulce dos Pobres, uma iniciativa que merece o apoio e a participação de nossas comunidades. Inspirado no testemunho da santa brasileira, que dedicou sua vida aos mais necessitados, o espaço será um centro de apoio às equipes da Pastoral do Povo da Rua e aos diversos atendimentos realizados em favor de nossos irmãos e irmãs em situação de rua.

Não se trata de um albergue, mas de uma estrutura destinada a fortalecer o trabalho de acolhida e assistência já realizado pela Igreja. Como recorda Dom Edmilson Amador Caetano, queremos que essa obra seja uma expressão concreta da nossa caridade e da opção preferencial pelos pobres.

Para ajudar na conclusão das obras nos dias 14 e 15 de novembro, toda a Diocese de Guarulhos realizará uma coleta especial. Será uma oferta extraordinária, além do dízimo e da coleta habitual das missas. Cada pessoa poderá contribuir, por meio do envelope preparado para essa finalidade, conforme suas possibilidades e a generosidade do coração.

Essa convocação é dirigida a todos nós. A construção do Espaço Santa Dulce dos Pobres é uma responsabilidade que podemos abraçar juntos. Cada contribuição ajudará a oferecer melhores condições àqueles que dedicam seu tempo ao cuidado dos mais vulneráveis.

O Papa Leão XIV nos recorda que a Igreja é chamada a ser, ela mesma, refúgio para os pobres. Que essa palavra encontre acolhida em nossas paróquias e comunidades. Ao participarmos desta coleta, estaremos ajudando a erguer mais que uma construção: estaremos fortalecendo uma presença de amor, cuidado e esperança.

Que a Imaculada Conceição, nossa Mãe e Padroeira, interceda por nossa Diocese e nos ensine a reconhecer, com a mesma solicitude com que acolheu o Filho de Deus, a presença de Cristo nos irmãos mais necessitados. Sob seu olhar materno, que nossas comunidades cresçam na generosidade e na fraternidade, para que ninguém se sinta esquecido ou abandonado. E que, por nossa presença e nosso cuidado, muitos possam experimentar a verdade que celebramos neste Dia Mundial dos Pobres: o Senhor é o refúgio daqueles que nele esperam.

 

Padre Marcelo Dias Soares
Coordenador Diocesano de Pastoral

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Artigos Liturgia

Mensagem do Papa Leão para a X Jornada Mundial dos Pobres

XXXIII Domingo do Tempo Comum, 15 de novembro de 2026

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O Senhor é o refúgio do pobre (cf. Sl 14, 6)

1. O Senhor é o refúgio do pobre (cf. Sl 14, 6). As palavras do salmista sugerem o caminho que somos chamados a percorrer na perspectiva do X Dia Mundial dos Pobres. Mais uma vez, é necessário recorrer à Palavra de Deus para compreender a importância que os pobres têm na vida da Igreja. A expressão do Salmo torna-se critério de avaliação para avaliar a existência cristã, pois revela o rosto de Deus e reconhece a pobreza humana. Realmente, num momento histórico dramático como foi a destruição do templo de Jerusalém, o povo sentiu-se privado da presença de Deus e experimentou uma miséria material e moral sem precedentes.

De geração em geração, esta Palavra revela-se em toda a sua atualidade. Desde o início, ela mostra a contradição na qual ainda hoje se cai frequentemente. Com efeito, a primeira constatação é esta: «O insensato diz em seu coração: “Não há Deus!”. Corruptas e abomináveis são as suas ações; não há quem faça o bem» (Sl 14, 1). Ela põe em evidência o contraste entre os que se comportam com sabedoria e os que, pelo contrário, levam a vida como se não houvesse nada acima deles. Nota-se, infelizmente, como também nos nossos dias é difundida uma injustiça social que brota duma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória. A perda do sentido de transcendência na vida quotidiana já não é tanto uma negação teórica da existência de Deus; antes, manifesta-se em não considerar a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social.

Os primeiros a sofrer as consequências são os pobres, cujo número, não por acaso, está a aumentar em muitas sociedades. A ausência de Deus faz com que as pessoas já não se coloquem umas ao lado das outras, num clima de respeito mútuo, mas sim umas acima das outras, num clima de domínio e opressão. Assim, é exibida uma lógica mundana de abuso de poder e descarte, que marginaliza e humilha. Nesta condição encontram-se não só pessoas individualmente, mas populações inteiras. As palavras do Salmo ressoam ainda cheias de verdade: «Devoram o meu povo, como quem come pão» (Sl 14, 4).

2. O clamor dos pobres por justiça é hoje abafado por múltiplas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar todos os seus esforços para fazer ouvir as suas reivindicações. O ambiente digital radicaliza o preconceito contra eles e aumenta a cortina de indiferença que envolve as suas causas. Ao pobre não resta senão clamar por Deus (cf. Sl 34,7) e fazer chegar até Ele o seu lamento, com a certeza de ser ouvido, porque Deus é fiel e rico em misericórdia. Os oprimidos, humilhados e indefesos crescem também hoje na certeza de que devem entregar-se a Deus, cheios de confiança e expectativa. Nesta entrega total, renasce o sentido da própria dignidade, reconhecem-se irmãs e irmãos com quem organizar os próprios sonhos, a esperança torna-se silenciosamente realidade. Refugiar-se em Deus equivale a encontrar a proteção verdadeira e segura, aquela que os poderosos não podem garantir e preferem negar.

O pobre, porém, sabe reconhecer melhor do que os outros o essencial, porque vive do essencial. Semelhante a Cristo mais do que qualquer outro, reconhece Deus como seu refúgio, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizê-lo, e está cheio de esperança na justiça divina, que não tardará a manifestar-se. Na noite do abandono e da solidão, o pobre «habita sob a proteção do Altíssimo» (cf. Sl 91, 1). Todos os que estão aflitos, os que sofrem injustiça e são ofendidos, os que estão no sofrimento e na dor, os que estão sozinhos e sem sentido para a vida podem encontrar consolo e nova motivação junto do Senhor.

3. Ser refúgio não é apenas uma promessa, mas torna-se realidade na pessoa de Jesus Cristo. Deus vem habitar entre nós com a encarnação do Filho, que torna concreto e visível o refúgio esperado. Jesus Cristo é verdadeiramente o refúgio de Deus para os pobres. Pela sua obediência ao Pai, Ele desce até ao ponto mais baixo, onde se encontram os últimos. Ele vai ao encontro de todos e oferece a cada um um refúgio seguro: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Em Jesus, Deus não só protege, mas partilha a pobreza humana até à cruz.

Os pobres dos nossos dias são os esquecidos e os marginalizados: privados de uma palavra e de um rosto, e não só do pão. Que eles possam encontrar o Filho de Deus, que se faz próximo de todos sem deixar ninguém de lado. Que o encontrem, antes de mais, naqueles que se dizem cristãos. Na Igreja, seu Corpo, é Jesus quem oferece pão e amizade; traz luz e um horizonte de esperança; pronuncia o nome de cada um e devolve a todos a dignidade. Jesus de Nazaré é o dom de Deus aos pobres. N’Ele, todas as promessas tornam-se realidade. Para todos aqueles que carecem de casa, trabalho, instrução, alimento e saúde, abre-se um novo caminho: a partilha como expressão do Reino de Deus (cf. Mt 5, 3). À obsessão daqueles que acumulam riquezas apenas para si opõe-se a obstinação de Deus que, no testemunho de pessoas de carne e osso, abre o coração e acolhe no seu amor.

4. Em Cristo, portanto, também nós somos chamados a tornarmo-nos pobres e a sermos refúgio para os pobres. A comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados entre as suas próprias paredes. A Igreja, pela sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres. Não esqueçamos o comentário de Santo Agostinho à parábola do homem rico e do pobre Lázaro: «Calou o nome do rico e disse o nome do pobre. O nome do rico andava de boca em boca, mas Deus calou-o; o nome do pobre passava em silêncio, mas Deus revelou-no-lo. […] Tu, que escolherias? Ser pobre como Lázaro ou ser rico como o outro? Não te deixes enganar! Escuta qual foi o fim e repara na má escolha» (Sermo 33A, 4).

Como recordei na Exortação Apostólica Dilexi te, «Deus mostra predileção pelos pobres: a eles primeiramente se dirige a palavra de esperança e libertação do Senhor e por isso ninguém, apesar da condição de pobreza ou fraqueza, deve sentir-se abandonado. E a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser Igreja das Bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres, lugar onde os pobres têm um espaço privilegiado» (n.º 21).

Surgem inevitavelmente algumas perguntas que, neste X Dia Mundial dos Pobres, precisamos urgentemente de fazer ressoar na nossa mente e no nosso coração. Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres? Temos consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta? Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade? Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas? Pronunciamos os seus nomes com ternura divina? A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção? Estas e muitas outras questões obrigam-nos a um sério exame de consciência, para verificar o quanto ainda somos chamados a ser em favor dos pobres e da sua libertação. Então veremos que os pobres se tornam, eles próprios, refúgio para os outros. A experiência da pobreza faz-nos particularmente sensíveis a uma solidariedade renovada perante os desafios.

O amor de Cristo torna-nos, na verdade, participantes da vida de amor de Deus. Neste sentido, os cristãos são chamados não só a procurar refúgio em Deus, mas também a tornar-se, em Deus, um refúgio para os outros, sem «fazer distinção entre quem assiste e quem é assistido, entre quem parece dar e quem parece receber, entre quem aparece pobre e quem sente que oferece tempo, competências, ajuda. Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos, todos sujeitos, cada um portador de uma Palavra singular de Deus. Cada um é um dom para os outros» (Homilia, 17 de agosto de 2025).

5. O oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis convida-nos a recordar como, ao chegar a Roma em peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, ele se compadeceu dos mendigos. Para compreender e experimentar o seu sofrimento, tirou as próprias vestes e trocou-as pelas roupas esfarrapadas de um deles, sentando-se a pedir esmola e passando o dia inteiro no meio dos pobres com alegria de espírito (cf. Fontes Franciscanas, 1405-1406). Queremos testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles. Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência.

Confio que este X Dia Mundial dos Pobres possa constituir uma etapa significativa na redescoberta do rosto de tantos irmãos e irmãs que procuram refúgio em Deus e desejam sentir-se em casa nas nossas comunidades. Mantenhamos viva a obediência à Palavra de Deus, que nos convida à conversão do coração. Possa a Virgem Maria, que na carne crucificada do Filho contemplou o amor de Deus que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 53), interceder por nós.

 

Vaticano, 13 de junho 2026, memória de Santo António de Lisboa.

                                                    

LEÃO PP. XIV

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Artigos Bíblia

A morte nos ensina a viver

Uma reflexão sobre a finitude, a esperança e a comunhão dos santos.


 

Caríssimos irmãos,

Iniciamos o mês de novembro e, aos poucos, nos aproximamos do encerramento do ano litúrgico e, consequentemente, do ano civil. Em breve, iniciaremos o Advento, a Novena de Natal e os preparativos para as celebrações de fim de ano, além do tão esperado período de férias e descanso.

Novembro também é marcado por importantes campanhas de conscientização sobre a saúde masculina e por uma celebração muito significativa para a nossa fé: a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. É justamente sobre a morte, a finitude humana e a esperança cristã que gostaria de refletir com vocês.

Ao longo da história, diferentes áreas do conhecimento, como a Antropologia, a Psicologia, a Filosofia, a Sociologia e a Teologia, dedicaram-se a compreender a morte, os limites da existência humana e aquilo que pode existir para além dela.

Falar sobre a morte, entretanto, nem sempre é fácil. Muitas vezes, o assunto provoca desconforto e acaba se tornando um verdadeiro tabu, algo que evitamos colocar à mesa ou discutir abertamente.

Desde a infância, somos apresentados à morte, mas nem sempre de maneira adequada. Para amenizar a dor das crianças, utilizamos expressões fantasiosas, dizendo que a pessoa querida virou uma estrelinha, foi viajar ou que Deus precisou dela no céu. Na juventude, a morte costuma ser percebida como algo distante, pois essa fase da vida é marcada pela força, pelos sonhos, pela disposição e pelos projetos futuros. Na vida adulta, por sua vez, a morte frequentemente é interpretada como fracasso, perda ou interrupção dos planos.

Além disso, diante da morte, muitas vezes assumimos uma postura de julgamento. Quando alguém morre em decorrência de uma doença, podemos interpretar sua condição como uma derrota. Quando a causa é um acidente, procuramos identificar culpados, imprudências e responsabilidades. Quando a morte está relacionada ao uso excessivo de álcool, drogas ou a hábitos prejudiciais à saúde, não raramente responsabilizamos a própria pessoa, esquecendo-nos de que por trás daquela história também existem sofrimentos, fragilidades e circunstâncias que nem sempre conhecemos.

A morte, entretanto, não deve ser motivo para julgamentos. Cada existência possui uma história, e cada pessoa merece ser acolhida com dignidade, respeito e misericórdia.

AS PERGUNTAS QUE A MORTE NOS FAZ

Diante da morte, surgem questionamentos que atravessam a experiência humana e também a nossa fé:

  1. Por que precisamos morrer?
  2. Por que pessoas boas também morrem?
  3. O que acontece com aqueles que morreram?
  4. Onde estão os nossos entes queridos?
  5. Será que voltaremos a nos encontrar?
  6. O que será de nós depois da morte?
  7. Afinal, o que a morte tem a nos ensinar?

Essas perguntas podem receber diferentes respostas, conforme a perspectiva científica, filosófica, psicológica ou religiosa. Para nós, cristãos, a Palavra de Deus ilumina essa experiência com uma certeza fundamental: a morte não tem a última palavra.

Jesus nos apresenta a imagem do grão de trigo que precisa morrer para produzir frutos (Jo 12,24). Essa passagem nos convida a compreender que a vida também é feita de entrega, doação e transformação. Muitas vezes, somos chamados a morrer para o egoísmo, para o orgulho e para tudo aquilo que nos impede de amar verdadeiramente.

A Sagrada Escritura também nos revela um Deus bom, misericordioso e compassivo, que deseja a salvação de todos: “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

A morte dos que amamos nos causa sofrimento, mas a fé nos permite olhar para além da ausência física e confiar na misericórdia de Deus.

ESTAR EM DEUS: NOSSA ESPERANÇA

Desde os primeiros anos de catequese, aprendemos a rezar olhando para o céu. Quando manifestamos um desejo, fazemos um pedido ou expressamos nossa esperança, frequentemente levantamos os olhos e dizemos: “Se Deus quiser!”.

Essa atitude também expressa nossa compreensão sobre o destino último da existência humana: estar com Deus, viver em Deus e participar de sua vida eterna.

Deus nos ama e deseja estar em comunhão conosco. A oração sacerdotal de Jesus expressa profundamente esse desejo: que todos permaneçam unidos a Ele, assim como Ele está unido ao Pai (Jo 17).

É nessa perspectiva que compreendemos a esperança cristã: nossos entes queridos não estão simplesmente reduzidos à lembrança ou à saudade. Confiamos que a vida não termina com a morte e que somos chamados à plenitude da comunhão com Deus.

Estar em Deus é experimentar o descanso, a paz e a plenitude que tanto buscamos durante nossa caminhada. É confiar que o amor de Deus é maior do que a própria morte.

A CULTURA DO ENCONTRO E A COMUNHÃO DOS SANTOS

Quando falamos em encontro, geralmente pensamos em presença física, em estar diante de alguém, compartilhar uma conversa, uma refeição ou um momento especial. Mas será que, mesmo estando fisicamente próximos, verdadeiramente temos nos encontrado? Em que momento nos perdemos uns dos outros?

A experiência da morte também pode nos ensinar a recuperar a cultura do encontro.

Reunimo-nos para celebrar a Missa de sétimo dia, recordar os trinta dias de falecimento ou marcar o aniversário de morte de alguém querido. Nessas ocasiões, famílias que muitas vezes estavam distantes voltam a se encontrar. Filhos, irmãos, parentes e amigos se aproximam para recordar histórias, celebrar a vida e preservar o legado de quem partiu.

Com o tempo, percebemos que o encontro com aqueles que morreram assume outra dimensão. Já não acontece na mesa do café da manhã, no almoço de domingo ou nas conversas cotidianas. Passa a ocupar um lugar especial em nossa memória, em nossas orações e em nosso coração.

Quando nos preparamos para encontrar alguém importante, escolhemos uma roupa especial, usamos nosso melhor perfume e, muitas vezes, levamos flores ou um presente. Da mesma maneira, precisamos preparar nossa vida para o encontro definitivo com Deus.

É justamente aqui que encontramos uma das mais belas expressões da nossa profissão de fé: “Creio na comunhão dos santos”.

Somos Igreja peregrina, caminhando neste mundo e buscando a santidade. A morte não interrompe a comunhão daqueles que pertencem a Cristo. A Igreja nos ensina a reconhecer essa comunhão entre os que ainda peregrinam na terra, aqueles que passam pela purificação e os que já contemplam a glória de Deus.

Nossa vocação à santidade começa no Batismo e encontra sua plenitude na vida eterna. Não se trata de uma conquista baseada em méritos pessoais ou em uma espécie de meritocracia espiritual, mas de um dom gratuito, sustentado pela graça e pela misericórdia de Deus.

Acreditar que um dia nos encontraremos novamente não significa ignorar a dor da separação. Significa reconhecer que o amor verdadeiro não se limita à presença física e que nossa esperança está fundamentada na promessa de Cristo.

Será, sem dúvida, um dos mais belos encontros: estar na Casa do Pai, participar de sua mesa e experimentar a plenitude de seu amor.

Diante dessa esperança, fica uma pergunta para nossa reflexão: com que vida estamos nos preparando para esse encontro?

O LUTO E A EXPERIÊNCIA DA DOR

A morte provoca o luto, uma experiência humana que não se limita à perda de alguém. Também podemos vivenciar processos de luto diante do desemprego, do envelhecimento, das mudanças, do crescimento dos filhos e de tantas outras situações que representam rupturas em nossa história.

A psiquiatra e escritora Elisabeth Kübler-Ross tornou conhecidos cinco estágios frequentemente associados ao processo de luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

É importante compreender que esses estágios não acontecem necessariamente nessa ordem, nem são vividos por todas as pessoas da mesma maneira. O luto é uma experiência singular, que exige tempo, acolhimento, respeito e, quando necessário, acompanhamento profissional.

Não existe um prazo determinado para deixar de sentir saudade ou tristeza. Aprender a conviver com a ausência não significa esquecer quem partiu, mas encontrar novas maneiras de continuar vivendo, preservando o amor e as lembranças.

É a partir dessa experiência que podemos retomar nossas últimas perguntas: o que será de nós depois da morte? E, sobretudo, o que a morte nos ensina?

A MORTE NOS ENSINA A VIVER

A morte não nos ensina apenas sobre o descanso do corpo e a esperança da alma em Deus. Ela nos ensina, principalmente, a reconhecer o valor da vida enquanto ainda temos a oportunidade de vivê-la.

Diante de uma celebração exequial ou de uma homenagem a alguém querido, frequentemente fazemos promessas, renovamos propósitos e voltamos para casa com o desejo de sermos pessoas melhores. A dor da despedida nos faz perceber aquilo que, muitas vezes, deixamos para depois: amar, perdoar, abraçar, agradecer, estar presente e ser feliz.

Diante da morte, compreendemos que não queremos apenas existir, mas viver verdadeiramente. Queremos amar e ser amados, construir histórias, fortalecer vínculos e deixar boas lembranças.

A morte nos recorda que o tempo é precioso e que não podemos desperdiçar a oportunidade de fazer o bem.

Somos seres finitos, conscientes de que nossa existência terrena tem um limite. Entretanto, para nós, cristãos, essa consciência não deve produzir desespero, mas esperança e responsabilidade diante da vida.

A morte nos ensina a viver!

Por isso, sejamos livres e generosos nas homenagens aos nossos entes queridos que partiram. Utilizemos flores, orações, camisetas, fotografias, publicações, encontros familiares e momentos de reflexão. Todas essas manifestações podem expressar o carinho, a saudade e a gratidão por aqueles que fizeram parte de nossa história.

Mas que nossas homenagens não sejam apenas recordações de quem partiu. Que também sejam compromissos com aqueles que permanecem conosco. Que saibamos abraçar enquanto há tempo, perdoar enquanto há oportunidade, amar enquanto podemos e valorizar cada encontro.

Que a saudade nos aproxime de Deus e que a esperança da ressurreição ilumine nossa caminhada.

Afinal, aqueles que amamos e que partiram permanecem vivos em nossa memória, em nossa história e, conforme professamos em nossa fé, na esperança da vida eterna em Deus.

Porque, para quem acredita na ressurreição, a morte não é o fim da história. É a esperança de um novo encontro.

 

Pe. Johnny William Bernardo

Pós-graduado em Tanatologia, Luto e Fenômenos da Morte.

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Artigos Direito e Família Cristã Movimentos Diocesanos Pastorais

Pastoral do surdo apresenta sua caminhada e propostas ao Clero da Diocese de Guarulhos

No dia 7 de outubro, no Seminário Diocesano Imaculada Conceição, durante a reunião mensal do Clero da Diocese de Guarulhos, foi realizada a apresentação da Pastoral do Surdo, com o objetivo de compartilhar sua história, sua atuação pastoral, os desafios enfrentados e as propostas de trabalho para os próximos anos.

Estiveram presentes o assessor eclesiástico, Pe. Johnny Bernardo; a coordenadora, Keith Silene Gama Ribeiro; a vice coordenadora, Valdinea Maria Reis; e o colaborador Sandro, pessoa surda, residente na cidade de São Bernardo do Campo.

Em um primeiro momento, a equipe reuniu-se com o bispo diocesano, Dom Edmilson, que acolheu prontamente a iniciativa e solicitou que o trabalho da Pastoral fosse apresentado aos padres e diáconos da Diocese, favorecendo, assim, sua divulgação e articulação junto às comunidades paroquiais.

HISTÓRIA E IDENTIDADE DA PASTORAL DO SURDO

A Pastoral do Surdo é um organismo de evangelização vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cuja atuação foi se expandindo pelo território nacional a partir de 1950, com a missão de anunciar o Evangelho e promover a participação das pessoas surdas na vida da Igreja. Atualmente, seu bispo referencial em âmbito nacional é Dom Adilson Pedro Busin. No Regional Sul 1, onde está situada a Diocese de Guarulhos, o bispo assessor é Dom Moacir Aparecido de Freitas.

Na Diocese de Guarulhos, a Pastoral do Surdo iniciou suas atividades em 2013. Ao longo desses anos, desenvolveu diversas iniciativas em diferentes regiões do território diocesano, entre elas: catequese, meditação do Santo Terço e tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) das celebrações e dos sacramentos, especialmente Matrimônio, Eucaristia, Crisma e Reconciliação.

Além das atividades diocesanas, a Pastoral também participa de encontros e iniciativas em âmbito estadual e nacional, como a Romaria Nacional da Pastoral do Surdo ao Santuário Nacional de Aparecida, realizada anualmente em setembro, e o ENAPAS (Encontro Nacional da Pastoral do Surdo).

SETEMBRO: MÊS DE VALORIZAÇÃO DA COMUNIDADE SURDA

Em setembro de 2026, aconteceu, no Santuário Nacional de Aparecida, a 46ª Romaria Nacional da Pastoral do Surdo. Na Diocese de Guarulhos, tivemos a presença do assessor nacional, Pe. Wilson Czaia, que, juntamente com o Pe. Johnny Bernardo, participou da celebração da Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Inocoop, realizando a tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O mês de setembro é especialmente significativo para a comunidade surda, pois reúne importantes datas de conscientização e valorização da língua de sinais e da identidade surda: 23 de setembro, Dia Internacional das Línguas de Sinais; 26 de setembro, Dia Nacional dos Surdos; e 30 de setembro, Dia Internacional do Tradutor e Intérprete.

Essas datas constituem uma oportunidade para fortalecer a conscientização social e eclesial sobre a importância da acessibilidade, da inclusão e do reconhecimento da Libras como língua de comunicação, expressão e evangelização.

DESAFIOS E PERSPECTIVAS PASTORAIS

Entre os principais desafios identificados pela Pastoral do Surdo, tanto em âmbito estadual e nacional quanto na realidade de nossa Diocese, destacam-se:

  1. Ampliar a participação das pessoas surdas nos momentos celebrativos e na vida comunitária da Igreja.
  2. Expandir a oferta de missas e catequeses acessíveis, inclusivas e participativas, contemplando crianças, jovens e adultos surdos.
  3. Identificar e promover a participação das pessoas surdas residentes no município e no território da Diocese de Guarulhos.
  4. Construir uma cultura de acolhimento, respeito e acessibilidade, envolvendo os agentes de pastoral, as lideranças e toda a assembleia litúrgica.
  5. Desenvolver uma proposta de catequese específica para pessoas surdas, em consonância com o caminho de inspiração catecumenal, respeitando suas particularidades linguísticas e culturais.

Diante desses desafios, a Pastoral pretende fortalecer sua atuação por meio das seguintes iniciativas:

  1. Promover a formação de catequistas bilíngues, capacitados para acompanhar pessoas surdas no processo de iniciação à vida cristã.
  2. Desenvolver estudos bíblicos destinados às pessoas surdas e aos intérpretes de Libras.
  3. Oferecer tradução e interpretação em Libras nas missas, celebrações e eventos diocesanos.
  4. Realizar formações on-line e presenciais para agentes de pastoral, com previsão de início em março de 2027.
  5. Promover formação presencial para seminaristas e religiosos da Diocese, utilizando materiais específicos sobre a linguagem litúrgica e sacramental em Libras.

DIÁLOGO, ESCLARECIMENTOS E PARTICIPAÇÃO DO CLERO

Durante aproximadamente 40 minutos, a equipe apresentou a trajetória histórica da Pastoral do Surdo, sua caminhada na Diocese de Guarulhos, as atividades realizadas, os desafios atuais e as perspectivas para o futuro. O momento também foi marcado por questionamentos e contribuições dos participantes.

Entre as questões levantadas, destacaram-se duas: a primeira dizia respeito à maneira como deve ser realizada a confissão sacramental de uma pessoa surda; a segunda tratava de como a Pastoral poderá colaborar diante das necessidades pastorais da Diocese.

Em relação à primeira questão, foi esclarecido que existem diferentes possibilidades de comunicação durante o sacramento da Reconciliação, considerando as particularidades de cada pessoa surda. Entre elas, podem ser utilizados recursos escritos, como perguntas e respostas, a leitura labial, quando possível, e a presença de um intérprete de Libras, observando-se rigorosamente o sigilo sacramental e as disposições do Direito Canônico.

Quanto à segunda questão, a Pastoral reafirmou sua disponibilidade para colaborar com as necessidades diocesanas, oferecendo formações, assessorias e serviços de tradução e interpretação, conforme as solicitações dos párocos e coordenadores pastorais.

UM APELO À COMUNHÃO, AO ACOLHIMENTO E À EVANGELIZAÇÃO

A Pastoral do Surdo dirige um apelo especial a todas as paróquias, aos agentes de pastoral e a todo o povo de Deus: é necessário construir uma verdadeira cultura de busca, encontro, empatia, acolhimento e divulgação. Não basta esperar que as pessoas surdas procurem nossas comunidades; é preciso que a Igreja também vá ao encontro delas, reconhecendo suas necessidades, valorizando sua identidade e garantindo sua participação na vida eclesial.

A Palavra de Deus precisa ser anunciada a todos os povos, sem distinção. No livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos o relato do encontro de Filipe com o eunuco etíope, que, ao ler as Escrituras, questiona: “Como poderei entender, se alguém não me explicar?” (At 8,31). Esse episódio nos recorda a importância do acompanhamento, da comunicação e da mediação para que todos possam compreender e acolher a Palavra de Deus. Assim também, as pessoas surdas não podem ficar à margem desse anúncio: elas precisam ter acesso à Palavra, à catequese, à liturgia e à vida comunitária.

Por fim, a Pastoral reforça a importância da comunhão e do diálogo com os pais e responsáveis por crianças, jovens e adultos surdos, especialmente aqueles que ainda utilizam uma comunicação predominantemente familiar, muitas vezes denominada “sinalização caseira”. Esse diálogo é fundamental para favorecer o contato com a Libras, ampliar as possibilidades de comunicação e promover a integração dessas pessoas na comunidade eclesial.

A missão da Igreja é anunciar Jesus Cristo a todos. Por isso, a acessibilidade não deve ser compreendida apenas como uma adaptação, mas como uma expressão concreta de comunhão, acolhimento e compromisso evangelizador. Afinal, todos têm o direito de ouvir, compreender, celebrar e viver a Palavra de Deus, cada um em sua própria língua e realidade.

 

Pe. Johnny Bernardo

Assessor Diocesano da Pastoral do Surdo

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Artigos Falando da Vida

Eleições e saúde mental

As consequências do Estresse Eleitoral


 

“Nunca me senti tão mal assim”. Essa frase foi muito pronunciada no mês de outubro, época das eleições, sobretudo nesta campanha eleitoral polarizada que envolveu dois candidatos radicalmente diferentes. Tanto de um lado como de outro, as pessoas entraram num conflito como se fosse uma guerra em que inimigos tentavam derrotar o oponente a qualquer custo. É uma pena ver um desperdício de energia tão grande numa disputa onde, ao invés de inimigos, deveria haver apenas um povo lutando do mesmo lado, pelos mesmos interesses e pelos mesmos ideais.

Existe uma disfunção psicológica chamada de Estresse Eleitoral, um termo criado por Psicólogos para descrever a sobrecarga emocional provocada por embates políticos intensos. O deputado federal recém-eleito André Janones (Rede – MG) foi um exemplo extremo de como esse fenômeno pode ocorrer.  Após o debate presidencial ocorrido no dia 18 de outubro, o deputado apresentou quadro de arritmia e falta de ar tendo que ser internado na UTI de um hospital em São Paulo. A exposição constante em discussões políticas, marcadas por intensa polarização, hostilidade, desconfiança e incerteza sobre o futuro é o cenário propício para que essa disfunção ocorra.

O excesso de informações, fake news com conteúdos alarmistas nas redes sociais mantém o cérebro em estado de alerta constante causando angústia, ansiedade e insônia. Fora isso, as discussões em grupos de família provocam conflitos que afastam parentes e amigos do convívio social. Quando terminam as eleições e o resultado é proclamado, a expectativa é que tudo acabe e finalmente a vida volte ao normal. Ledo engano, pois ainda vem a vingança na forma de perseguição e ameaças a quem votou no candidato vencedor. Meu Deus, quando teremos paz?

As eleições são como um jogo em que cada lado busca a vitória, mas não existe vitória quando o que está em jogo é a nossa própria vida, nossa saúde mental e principalmente os laços que nos tornam humanos. O inimigo que deve ser derrotado é representado pelo ódio, o preconceito e o medo. A verdade é que somos passageiros que navegam na mesma embarcação. Portanto, desejar que o barco afunde não faz sentido. Temos que remar juntos para que ele continue seguindo na direção certa e chegue num lugar calmo onde floresça a paz. Afinal, apesar das diferenças, somos seres humanos que queremos as mesmas coisas: Queremos estar bem, estar em paz e sermos felizes.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo

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Comunicados da Chancelaria – Novembro de 2026

Comunicado da Chancelaria

COMUNICADO DE NOMEAÇÕES E TRANSFERÊNCIAS

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist. após a reunião do Colégio de Consultores (03/11/2026) e do conselho de presbíteros da Diocese de Guarulhos (05/11/2026), nomeou:

• Padre Cássio Fernando Araújo Farias, administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Loreto até o dia 14 de dezembro de 2026;

• Padre Marcos Alves da Silva, Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Loreto, a partir de 15 de dezembro de 2026;

• Padre Bruno Santana Aguiar, Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo (Jardim São Paulo), a partir 17 de dezembro de 2026;

Guarulhos, 05 de novembro de 2026.

Padre Weber Galvani Pereira
Chanceler do Bispado