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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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"A Esperança não decepciona" (Rm 5,5)

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Papa Leão XIV: “O Senhor me chamou para carregar uma cruz e realizar uma missão”

Após a eleição na tarde de 8 de maio, o Papa Leão XIV voltou esta manhã à Capela Sistina para presidir à Santa Missa com todos os membros do Colégio Cardinalício.

No início de sua homilia, fez em inglês uma saudação aos cardeais, repetindo as palavras do Salmo responsorial: “Cantarei um cântico novo ao Senhor, porque ele fez maravilhas”.

“E, de fato, não apenas comigo, mas com todos nós. Meus irmãos cardeais, ao celebrarmos esta manhã, convido-os a refletir sobre as maravilhas que o Senhor fez, as bênçãos que o Senhor continua a derramar sobre todos nós por meio do Ministério de Pedro. O Senhor me chamou para carregar essa cruz e realizar essa missão, e sei que posso contar com cada um de vocês para caminhar comigo, continuamos como Igreja, como uma comunidade de amigos de Jesus, como fiéis para anunciar a Boa Nova, para anunciar o Evangelho.”

Fiel administrador a favor de todo o Corpo místico da Igreja

Em seguida, começou a ler o texto previamente preparado, em que refletiu sobre a frase que Simão Pedro dirige a Jesus, contida no capítulo 16 do Evangelho de Mateus: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’.”

Essas palavras de Pedro, afirma o Papa recém-eleito, expressam em síntese o patrimônio que há dois mil anos a Igreja preserva, aprofunda e transmite através da sucessão apostólica. Ou seja, Jesus é o único Salvador e o revelador da face do Pai.

Citando a “Gaudium et spes” do Concílio Vaticano II, Leão XIV recorda que o Filho de Deus se revela a nós através dos olhos confiantes de uma criança, mostrando-nos assim um modelo de humanidade santa que todos podemos imitar.

Este tesouro agora “é confiado também a mim, para que eu seja um fiel administrador a favor de todo o Corpo místico da Igreja, de modo que esta seja sempre mais cidade colocada sobre o monte (cfr Ap 21,10), arca de salvação que navega através das ondas da história, farol que ilumina as noites do mundo. E isso não tanto pela grandiosidade de suas estruturas, mas pela santidade dos seus membros”.

Chamados a testemunhar a alegria da fé

Retomando o episódio bíblico narrado em Mateus, Leão XIV reflete ainda sobre a resposta de Jesus a Pedro, quando diz “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”.

Não se trata de uma questão banal, afirma o Papa, pelo contrário, é de grande atualidade. Pois há duas possíveis interpretações. A primeira é a que identifica Jesus como uma pessoa sem importância alguma, ao máximo um personagem curioso, como fizeram os habitantes de Cesareia de Filipe. Outra possível resposta é a das pessoas comuns, que veem Jesus não como um charlatão, mas uma pessoa reta, com coragem e que diz coisas justas. Mas o consideram somente um homem e, por isso, no momento do perigo, durante a Paixão, O abandonam.

“Também hoje, não são poucos os contextos em que a fé cristã é considerada algo absurdo destinada a pessoas débeis e pouco inteligentes; contextos em que a ela preferem-se outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer.”

Trata-se de ambientes onde não é fácil testemunhar nem anunciar o Evangelho, e onde quem acredita se vê ridicularizado, contrastado, desprezado, ou, quando muito, suportado e digno de pena.

No entanto, precisamente por isso, são lugares onde a missão se torna urgente, porque a falta de fé, muitas vezes, traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, o esquecimento da misericórdia, a violação da dignidade da pessoa, a crise da família e tantas outras feridas das quais a nossa sociedade sofre, e não pouco.

“Ainda hoje, não faltam contextos nos quais Jesus, embora apreciado como homem, é simplesmente reduzido a uma espécie de líder carismático ou super-homem, e isto não apenas entre quem não crê, mas também entre muitos batizados, que acabam por viver, a este nível, num ateísmo prático.”

Este, portanto, é o mundo que nos está confiado e no qual, como tantas vezes nos ensinou o Papa Francisco, somos chamados a testemunhar a alegria da fé em Jesus Salvador.

Antes de concluir, citou a frase de Santo Inácio de Antioquia ao se encaminhar para o seu martírio: «Então serei verdadeiro discípulo de Jesus, quando o meu corpo for subtraído à vista do mundo» (Carta aos Romanos, IV, 1).

Essas palavras, afirmou, recordam um compromisso irrenunciável para quem, na Igreja, exerce um ministério de autoridade: desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado gastar-se até ao limite para que a ninguém falte a oportunidade de O conhecer e amar.

“Que Deus me dê esta graça, hoje e sempre, com a ajuda da terna intercessão de Maria, Mãe da Igreja.”

 

Por Vatican News
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CNBB divulga mensagem ao Papa Leão XIV: “O Brasil acolhe sua eleição com o coração aberto”

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou em Coletiva de Imprensa nesta quinta-feira, 8 de maio, a “Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, a Sua Santidade, o Papa Leão XIV”.

“O Brasil acolhe sua eleição com o coração aberto. Foram dias intensos de oração, em que todas as nossas comunidades se uniram para rezar pelo sufrágio da alma do Papa Francisco, e depois dos novemdiales, pelo Conclave, para que o Espírito Santo conduzisse o Colégio Cardinalício”, diz um trecho do documento. 

A CNBB manifesta o desejo, inspirada em São José de Anchieta, em caminhar em comunhão com o novo Papa: “Queremos caminhar em comunhão com seu ministério, com espírito sinodal e missionário, para fazer da Igreja cada vez mais uma casa de portas abertas, onde todos se sintam acolhidos, amados e valorizados, especialmente os pobres”.

Confira, abaixo a íntegra da Mensagem da CNBB, em PDF (aqui):

Brasília-DF, 08 de maio de 2025

 

Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, a Sua Santidade, o Papa Leão XIV

 

Santo Padre,

Com profunda alegria e gratidão a Deus, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dirige-se a Vossa Santidade para expressar nossa saudação e nossa unidade pela sua eleição como Bispo de Roma, Sucessor de Pedro e Pastor Universal da Igreja.

O Brasil acolhe sua eleição com o coração aberto. Foram dias intensos de oração, em que todas as nossas comunidades se uniram para rezar pelo sufrágio da alma do Papa Francisco, e depois dos novemdiales, pelo Conclave, para que o Espírito Santo conduzisse o Colégio Cardinalício.

 

Inspirados pelo exemplo dos santos missionários que aqui plantaram as sementes da fé, como São José de Anchieta, queremos caminhar em comunhão com seu ministério, com espírito sinodal e missionário, para fazer da Igreja cada vez mais uma casa de portas abertas, onde todos se sintam acolhidos, amados e valorizados, especialmente os pobres. A luz do Espírito Santo guie constantemente suas decisões, fortaleça sua missão de ser sinal de unidade, amor e esperança para todos os povos, como verdadeiro pastor segundo o coração de Cristo.

 

Maria Santíssima, a Mãe Aparecida, proteja sua vida e seu ministério com seu manto de ternura e amor maternal.

Pedimos sua bênção para todo o povo brasileiro, e desde já, os bispos do Brasil se colocam à inteira disposição de seu pastoreio.

Em Jesus Cristo, Mestre, Pontífice e Bom Pastor.

 

 Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Goiânia – GO
Primeiro vice-presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo de Olinda e Recife – PE
Segundo vice-presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB

 

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As primeiras palavras do Papa Leão XIV após ser apresentado a todo o mundo

Após o anúncio do “Habemus Papam” pelo protociácono, cardeal Dominique Mamberti, o Papa Leão XIV foi apresentado ao mundo inteiro a partir da Sacada Central da Basílica de São Pedro às 19h22, no horário de Roma, 14h22, no horário de Brasília. Dali, dirigiu suas primeiras palavras – em italiano e espanhol – às cerca de 100 mil pessoas presentes na Praça São Pedro e Via da Conciliação, e a todos que o seguiam pelos meios de comunicação. Ao final, concedeu a Indulgência Plenária.

Leia na íntegra as primeiras palavras do novo pontífice:

“A paz esteja com todos vocês!

Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelo rebanho de Deus. Eu também gostaria que esta saudação de paz entrasse em seus corações, chegasse às suas famílias, a todas as pessoas, onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja com vocês!

Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente. Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma!

O Papa que abençoava Roma concedia a sua bênção ao mundo, ao mundo inteiro, naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me prosseguir com essa mesma bênção: Deus nos ama, Deus ama a todos vocês, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com Deus e entre nós, sigamos em frente. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa de sua luz. A humanidade precisa dele como ponte para ser alcançada por Deus e seu amor. Ajudai-nos também vós, e depois uns aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos a todos para sermos um só povo, sempre em paz. Obrigado, Papa Francisco!

Quero também agradecer a todos os meus irmãos cardeais que me escolheram para ser o Sucessor de Pedro e caminhar junto com vocês, como Igreja unida, sempre buscando a paz, a justiça, buscando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para proclamar o Evangelho, para sermos missionários.

Sou filho de Santo Agostinho, um agostiniano, que disse: “com vocês sou cristão e para vocês bispo”. Nesse sentido, podemos todos caminhar juntos rumo àquela pátria que Deus nos preparou.

À Igreja de Roma, uma saudação especial! [Aplausos] Devemos buscar juntos como ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, dialoga, sempre aberta para receber como esta praça com os braços abertos. A todos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo e do amor.

(em espanhol)

Y si me permiten también, una palabra, un saludo a todos aquellos y en modo particular a mi querida diócesis de Chiclayo, en el Perú, donde un pueblo fiel ha acompañado a su obispo, ha compartido su fe y ha dado tanto, tanto para seguir siendo Iglesia fiel de Jesucristo.

[Tradução: E se também me permitem, uma palavra, uma saudação a todos aqueles, e em particular à minha querida Diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou seu bispo, compartilhou sua fé e deu muito, muito para continuar sendo Igreja fiel de Jesus Cristo.]

A todos vocês, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, do mundo inteiro, queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que sempre busca a paz, que sempre busca a caridade, que sempre busca estar próxima, especialmente daqueles que sofrem.

Hoje é o dia da Súplica a Nossa Senhora de Pompeia. Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com sua intercessão e seu amor.

Por isso, gostaria de rezar junto com vocês. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos esta graça especial a Maria, nossa Mãe.”

 

 

Por Vatican News | Foto: Vatican Media

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Dom Edmilson celebra Santa Missa em intenção do conclave na Catedral

Na manhã desta terça-feira, 7 de maio de 2025, foi celebrada, na Catedral, a Santa Missa em intenção do conclave, momento solene de oração pelo discernimento e escolha do novo sucessor de São Pedro. A celebração foi presidida por Dom Edmilson Amador Caetano, bispo diocesano, e concelebrada pelo Pe. Guilherme Rodrigo, vigário da Catedral, e pelo Pe. Leonardo Henrique, vigário da Paróquia São Francisco de Assis, no Gopoúva.

Durante a homilia, Dom Edmilson conduziu os fiéis à reflexão profunda sobre a missão de Jesus Cristo e o papel da Igreja em anunciar a salvação:

A fala do Bispo Dom Edmilson, durante a homilia da missa de hoje, começa com uma oração tradicional cristã, exaltando Jesus Cristo e sua missão de salvação. O bispo expressa seu encontro pessoal com Jesus como forma de conexão com Deus Pai e reafirma que Jesus nunca desiste de salvar a humanidade, oferecendo a vida eterna a todos que o aceitam, mesmo em meio ao pecado e à rejeição.

Dom Edmilson também relembra a perseguição à Igreja primitiva após a morte de Estêvão, que forçou muitos cristãos a deixarem Jerusalém. Cita Filipe, que foi à Samaria para anunciar o Evangelho, mostrando como Deus transforma o sofrimento em oportunidade de missão. Há ainda referência ao apóstolo Paulo e à maneira como Deus se revela mesmo nas situações difíceis da vida.

Ao final da homilia, o bispo faz um apelo aos fiéis para que se unam em oração e fortaleçam o compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. Ele destaca a importância do conclave, o tempo de discernimento na escolha de um novo Papa, como uma ocasião decisiva para renovar o anúncio do Evangelho e reafirmar o chamado à salvação para todos os povos. Dom Edmilson convida todos a pedirem que o Espírito Santo conduza esse processo com sabedoria, fé e coragem apostólica.

Unidos em oração, pedimos ao Senhor que inspire e guie cada passo do conclave, e que a Igreja continue fiel à sua missão de ser sinal de salvação no mundo.

Confira alguns registros da celebração:

Santa Missa em intenção pelo Conclave
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‘‘Quem sou eu para julgar?’’

Quando a humildade se torna sinônimo de grandeza.

No dia 21 de abril deste ano, o mundo acordou com a triste notícia do falecimento do Papa Francisco. Ele se destacou pela coragem e habilidade de comunicação, enfrentando temas difíceis de serem abordados, sobretudo por ser o líder máximo da igreja católica. Quando questionado sobre assuntos conflitantes com a doutrina católica, buscava sempre enfatizar os valores da vida humana. Uma das suas maiores características era a solidariedade e a promoção dos direitos de todos, sempre com a postura de acolhimento e empatia.

Quem sou eu para julgar? Essa frase define bem a essência do Papa Francisco e se tornou título de um livro de sua autoria, que reúne suas reflexões e ensinamentos sobre o tema do julgamento e da misericórdia. O livro se baseia em suas homilias e discursos, abordando a importância de não julgar os outros e de promover uma cultura de acolhimento e compaixão. Exemplo disso, foi quando questionado sobre a posição da igreja em relação aos homossexuais, ele respondeu: “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la”?

Essa frase é uma aula sobre humildade e tolerância, principalmente na época em que estamos vivendo o retorno de ideias fascistas que ameaçam o mundo. Discursos de ódio e intolerância, têm se tornado frequentes em quase todos os países e se propagam nas redes sociais, colocando em risco democracias históricas e a convivência pacífica entre povos e nações. Quem julga se reveste de arrogância e se supõe melhor do que o outro. Ideias desse tipo, não levam em consideração que somos todos humanos, habitamos o mesmo planeta e somos filhos de um mesmo Deus.

Creio que a associação do Papa Francisco à São Francisco de Assis não esteja só no nome. Podemos ver a sua identidade franciscana na sua simplicidade, humildade e senso de justiça. Também na sua coragem na defesa das minorias, na promoção da paz e no diálogo com outras religiões. A sua Encíclica Laudato si é um verdadeiro tesouro que todas as pessoas deveriam ler e estudar. Lá, podemos ver São Francisco no Papa Francisco, denunciando os crimes que estamos cometendo contra a natureza, podemos entender que a ambição humana está destruindo a vida. Como seria bom se tivéssemos um pouco de Francisco em cada um de nós. A mãe terra, agradeceria e como verdadeiros irmãos, poderíamos cantar: Laudato si, Louvado Seja.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

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“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28)

O objetivo do presente artigo é tratar sobre a saudação do enviado de Deus a Maria: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Além disso, aborda a importância de manter a esperança e a alegria, fundamentadas em Cristo Jesus, diante de um cenário social marcado pelo individualismo, isolamento e desvalorização dos valores comunitários. Traz palavras do Papa Francisco que motivam os cristãos a serem mensageiros da Alegria do Evangelho.

Para dar sentido e renovar a alegria dos missionários/as do Caminho, como verdadeiros sujeitos eclesiais, “os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido” (Documento de Aparecida, 41).

A Bem-Aventurada Virgem Maria escutou a Palavra, acolheu-a no coração e deu frutos. Ela é a primeira discipula-missionária cristã. A discípula mais perfeita do Senhor. Seu itinerário é a partir de Cristo. “Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai” (Documento de Aparecida, 266).

Diante disso, Maria, quando foi saudada pelo enviado de Deus, tentou  entender o significado daquela saudação (cf. Lc 1,29): “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” (Lc 1,28).

A saudação que está no Evangelho de Lucas 1,28: “Alegra-te”, é bem conhecida pelos cristãos, por estar no início da Oração da Ave-Maria. A saudação usual em grego (chaíre) corresponde ao latim ave (seja próspero) e ao hebraico shalom (paz) – tem a mesma raiz de “se alegrar” e “encontrar graça” (Lc 1,28.30). Em grego, as palavras “graça”, “gratuidade”, “bondade”, “beleza” e “dom” são aparentadas entre si: descrevem Deus e o seu relacionamento conosco.

“Alegre-se, Maria” (cf. Lc, 1,28) está no contexto da Encarnação de Jesus e também mostra a vocação de Maria e sua resposta generosa. Maria é chamada a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus (Lc 1,14.44.58;2,10). Compromisso que nasce do Batismo, isto é,  de todos os cristãos – Povo de Deus a caminho.

A alegria não foi somente para Maria, mas para o Povo de Deus que ela representa. “Com razão afirmam os santos Padres que Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e com inteira obediência. Como diz Santo Irineu, ‘pela obediência, ela tornou-se causa de salvação para si mesma e para todo o gênero humano” (Lumen Gentium, 56).

A expressão “o Senhor está contigo” (Lc 1,28) quer dizer: tu terás uma missão exigente, mas o Senhor estará ao teu lado, dando-lhe força para realizar o que ele te pede.

A alegria de Maria, anunciada pelo enviado de Deus, expressa pelo evangelista Lucas, irrompe da ação do Espírito Santo que a faz conceber Jesus. Portanto, a Mãe de Deus, como mulher de fé, ao cantar o seu Magnificat louva a Deus pela salvação recebida ao mesmo tempo que recorda a ação e Deus e a sua fidelidade aos pequenos e aos pobres.

No Magnificat,  os cristãos se deparam com a espiritualidade de Maria. Por isso,  a Bem-Aventurada Virgem Maria, discípula missionária de Jesus Cristo, é modelo para todos os cristãos que, alicerçados na esperança, encontram, na Mãe de Deus, a sua testemunha mais fiel.

Diante do atual contexto social atual, onde a realidade para o ser humano se tornou cada vez mais sem brilho e complexa, verifica-se uma forte tendência ao individualismo. Os meios de comunicação invadiram todos os espaços e conversas, inclusive na intimidade dos lares, estimulando competições e distorções dos valores da vida e dos relacionamentos.

A falta de cuidado com a Ecologia Integral, criação de Deus; a ausência de espírito comunitário que provoca isolamento; o desinteresse pelo zelo e cuidado com a dignidade da pessoa humana; e o medo que paralisa, são alguns dos aspectos que dificultam uma dinâmica frutífera na vida comunitária.

Estes, entre outros, aspectos da atualidade tem tentado “roubar” a alegria e a esperança de muitos cristãos. É preciso resistir às tentações e permanecer com Jesus, na profecia e na resistência.

O Santo padre, Papa Francisco comentou que pouco a pouco, o que ele denominou de “psicologia do túmulo”, transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como “o mais precioso elixir do demônio” (Evangelli Gaudium, 83).

Para o pontífice, os cristãos chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, insiste Francisco: “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!”. Ao perceber as tristezas e aridez no que se concerne à fé, “Não deixem que lhes nos roubem a esperança” e “Não deixemos que nos roubem a Comunidade” (Evangelli Gaudium 86, 86 e 89). Aos jovens, disse o Pontífice: “Não tenham medo de sonhar grandes coisas”.

Se a alegria que vem do Senhor muitas vezes é substituída por prazeres momentâneos e passageiros, por medos e desafios, “olhemos para Maria, voltemos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto”, enquanto caminhamos neste mundo como Peregrinos de Esperança, rumo a uma Igreja Povo de Deus, em estilo sinodal.

“Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você”. Certamente Maria conhecia o Salmos 100;  Salmo 16,11; Salmo 33,20-22; Salmo 32,11 que tratam sobre a Alegria. Você não os conhece? Será uma excelente oportunidade para ler, meditar e partilhar esta alegria com sua família, seus amigos e na Comunidade: Povo de Deus, missionários da alegria.

 

Celia Soares de Sousa,

Cristã leiga e teóloga

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Um socorro de Maria

O mês de maio é tradicionalmente relacionado com a pessoa e com a presença da Virgem Maria na vida da Igreja e de seu povo. Nossa Senhora “cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira” (Lumen Gentium, 62).

De fato, a Virgem Maria tem sido o refúgio de tantos cristãos ao longo das eras e, em nossa Diocese, ela tem sido um socorro em uma carência muito relevante: quem aqui não conhece a intercessão de Maria, sob o título de Nossa Senhora das Vocações, para que as vocações possam ser frutuosas e santas em nossas comunidades?

Com uma devoção nascida e presente no Seminário Diocesano de Guarulhos em um tempo que a Diocese apresentava poucas vocações sacerdotais, foi a mediação da Senhora das Vocações e a força da oração do Povo de Deus, que reascendeu a chama vocacional nos diversos jovens de nossas comunidades.

A Mãe de Deus sempre socorre seus filhos que pedem com clemência por socorro. E esse socorro pode ser manifestado de diversas urgências – inclusive pela escassez de vocações.

Você já pediu a intercessão da Virgem Maria para que o Senhor da messe envie muitas e santas vocações para a nossa Diocese? Convido todos a nos dirigirmos a Santa Mãe de Deus e pedirmos seu auxílio e amparo para que não faltem operários para a construção do Reino dos Céus através das diversas vocações.

 

Padre Edson Vitor

Coord. Serviço de Animação Vocacional

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Papa Francisco combateu o bom combate da Fé!

“Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.” (Mt 13, 43)

O dia 21 de abril amanheceu como todos os dias, mas nem tanto assim…
Partiu para junto de Deus, levando na bagagem de sua alma,
Sonhos enraizados nas entranhas de seu coração, eu creio.

Deixou-nos a lembrança de sonhos, o sorriso cândido dos lábios,
Olhar de ternura, de esperança que captava os finos detalhes
Da pureza de uma criança aos de rugas sofridas de um idoso.

Com ele sonhamos um mundo sem conflitos avassaladores,
Que desterram famílias, que partem por vezes para lugar nenhum.
Um grito profético para o fim de uma “guerra mundial em pedaços”.

Memoráveis lições de superação da dor, da enfermidade.
Carregou com serenidade e confiança a cruz cotidiana,
Com fé inquebrantável, esperança enraizada, caridade inflamada.

Sua vida marcada pela simplicidade, despojamento, sem “glamoures”,
Despido de todas honras, e revestido da humildade e simplicidade,
Pescador de homens, de fato, pelo Senhor, coração seduzido.

Seu canto de louvor pela criação ecoará como do outro Francisco,
Nos ajudou a reencantar o mundo, no carinho pela obra do Criador,
Por uma nova Economia e o necessário cuidado de nossa Casa Comum.

Entra Francisco na morada que o Senhor prometeu,
Edificada pelas inúmeras obras de amor vivido,
No Altar do Senhor eternizadas, em cada Eucaristia celebrada.

A Deus rendemos honra, glória, poder e louvor
Aqui ficamos, e enquanto ficamos, em suave Memória.
Edificando uma Igreja Sinodal, Misericordiosa e Missionária.

Somos uma Igreja em saída para as periferias,
Tua exortação gravada como selo para sempre ficou.
Descanse em paz, a coroa da glória receba…

Cremos que o Espírito Santo que te animou e conduziu,
Conosco está, e não nos deixará órfãos.

E há de iluminar para sábia e santa escolha de seu sucessor.

Amém.

Dom Otacílio F. Lacerda

Bispo da Diocese de Guanhães – MG

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Mensagem para o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2025

Na mensagem, o Santo Padre ressaltou a necessidade de “desarmar a comunicação”, pois a sua real função é gerar esperança e não “medo e desespero, preconceitos e rancores”.

Outro ponto apontado foi a necessidade de atenção para a “dispersão programada da atenção” que, segundo o Papa Francisco, gera um cenário preocupante de distorção da realidade baseada somente em interesses coletivos e individuais de minorias que querem ser predominantes.

A mensagem representa para nós, pasconeiros e pasconeiras, comunicadores católicos, o combustível para seguir a nossa missão de levar sempre a esperança nas comunicações, no qual não são apenas mensagens sem sentido mas conteúdos que representam a nossa referência de esperança: o rosto do Cristo Ressuscitado.

Confira na íntegra:

Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações (cf. 1 Pd 3,15-16)

Queridos irmãos e irmãs!

Neste nosso tempo marcado pela desinformação e pela polarização, no qual alguns centros de poder controlam uma grande massa de dados e de informações sem precedentes, dirijo-me a vós consciente do quanto, hoje mais do que nunca, é necessário o vosso trabalho de jornalistas e comunicadores. Precisamos do vosso compromisso corajoso em colocar no centro da comunicação a responsabilidade pessoal e coletiva para com o próximo.

Ao pensar no Jubileu que estamos a celebrar como um período de graça em tempos tão conturbados, com esta Mensagem gostaria de vos convidar a ser comunicadores de esperança, começando pela renovação do vosso trabalho e missão segundo o espírito do Evangelho.

Desarmar a comunicação

Hoje em dia, com demasiada frequência, a comunicação não gera esperança, mas sim medo e desespero, preconceitos e rancores, fanatismo e até ódio. Muitas vezes, simplifica a realidade para suscitar reações instintivas; usa a palavra como uma espada; recorre mesmo a informações falsas ou habilmente distorcidas para enviar mensagens destinadas a exaltar os ânimos, a provocar e a ferir. Já várias vezes insisti na necessidade de “desarmar” a comunicação, de a purificar da agressividade. Nunca dá bom resultado reduzir a realidade a slogans. Desde os talk shows televisivos até às guerras verbais nas redes sociais, todos constatamos o risco de prevalecer o paradigma da competição, da contraposição, da vontade de dominar e possuir, da manipulação da opinião pública.

Há ainda um outro fenómeno preocupante: poderíamos designá-lo como a “dispersão programada da atenção” através de sistemas digitais que, ao traçarem o nosso perfil de acordo com as lógicas do mercado, alteram a nossa perceção da realidade. Acontece portanto que assistimos, muitas vezes impotentes, a uma espécie de atomização dos interesses, o que acaba por minar os fundamentos do nosso ser comunidade, a capacidade de trabalhar em conjunto por um bem comum, de nos ouvirmos uns aos outros, de compreendermos as razões do outro. Parece que, para a afirmação de si próprio, seja indispensável identificar um “inimigo” a quem atacar verbalmente. E quando o outro se torna um “inimigo”, quando o seu rosto e a sua dignidade são obscurecidos de modo a escarnecê-lo e ridicularizá-lo, perde-se igualmente a possibilidade de gerar esperança. Como nos ensinou D. Tonino Bello, todos os conflitos «encontram a sua raiz no desvanecer dos rostos» [1]. Não podemos render-nos a esta lógica.

Na verdade, ter esperança não é de todo fácil. Georges Bernanos dizia que «só têm esperança aqueles que ousaram desesperar das ilusões e mentiras nas quais encontravam segurança e que falsamente confundiam com esperança. […] A esperança é um risco que é preciso correr. É o risco dos riscos» [2]. A esperança é uma virtude escondida, pertinaz e paciente. No entanto, para os cristãos, a esperança não é uma escolha, mas uma condição imprescindível. Como recordava Bento XVI na Encíclica Spe salvi, a esperança não é um otimismo passivo, antes pelo contrário, é uma virtude “performativa”, capaz de mudar a vida: «Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova» (n. 2).

Dar com mansidão a razão da nossa esperança

Na Primeira Carta de São Pedro (cf. 3, 15-16), encontramos uma síntese admirável na qual se relacionam a esperança com o testemunho e a comunicação cristã: «no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito». Gostaria de me deter em três mensagens que podemos extrair destas palavras.

«No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor». A esperança dos cristãos tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado. A sua promessa de estar sempre connosco através do dom do Espírito Santo permite-nos esperar contra toda a esperança e ver, mesmo quando tudo parece perdido, as escondidas migalhas de bem.

A segunda mensagem pede-nos para estarmos dispostos a dar razão da nossa esperança. É interessante notar que o Apóstolo convida a dar conta da esperança «a todo aquele que vo-la peça». Os cristãos não são, antes de mais, aqueles que “falam” de Deus, mas aqueles que fazem ressoar a beleza do seu amor, uma maneira nova de viver cada pequena coisa. É o amor vivido que suscita a pergunta e exige uma resposta: porque é que viveis assim? Porque é que sois assim?

Por fim, na expressão de São Pedro encontramos uma terceira mensagem: a resposta a este pedido deve ser dada “com mansidão e respeito”. A comunicação dos cristãos – e eu diria até a comunicação em geral – deve ser feita com mansidão, com proximidade: eis o estilo dos companheiros de viagem, na peugada do maior Comunicador de todos os tempos, Jesus de Nazaré, que ao longo do caminho dialogava com os dois discípulos de Emaús, fazendo-lhes arder os corações através do modo como interpretava os acontecimentos à luz das Escrituras.

Por isso, sonho com uma comunicação que saiba fazer de nós companheiros de viagem de tantos irmãos e irmãs nossos para, em tempos tão conturbados, reacender neles a esperança. Uma comunicação que seja capaz de falar ao coração, de suscitar não reações impetuosas de fechamento e raiva, mas atitudes de abertura e amizade; capaz de apostar na beleza e na esperança mesmo nas situações aparentemente mais desesperadas; de gerar empenho, empatia, interesse pelos outros. Uma comunicação que nos ajude a «reconhecer a dignidade de cada ser humano e a cuidar juntos da nossa casa comum» (Carta enc. Dilexit nos, 217).

Sonho com uma comunicação que não venda ilusões ou medos, mas seja capaz de dar razões para ter esperança. Martin Luther King disse: «Se eu puder ajudar alguém enquanto caminho, se eu puder alegrar alguém com uma palavra ou uma canção… então a minha vida não terá sido vivida em vão» [3]. Para isso, precisamos de nos curar da “doença” do protagonismo e da autorreferencialidade, evitar o risco de falarmos de nós mesmos: o bom comunicador faz com que quem ouve, lê ou vê se torne participante, esteja próximo, possa encontrar o melhor de si e entrar com estas atitudes nas histórias contadas. Comunicar deste modo ajuda a tornarmo-nos “peregrinos de esperança”, como diz o lema do Jubileu.

Esperar juntos

A esperança é sempre um projeto comunitário. Pensemos, por um momento, na grandeza da mensagem deste ano de graça: estamos todos – realmente todos! – convidados a recomeçar, a deixar que Deus nos reerga, nos abrace e inunde de misericórdia. E entrelaçadas com tudo isto estão a dimensão pessoal e a dimensão comunitária. É em conjunto que nos pomos a caminho, peregrinamos com tantos irmãos e irmãs, e, juntos, atravessamos a Porta Santa.

O Jubileu tem muitas implicações sociais. Pensemos, por exemplo, na mensagem de misericórdia e esperança para quem vive nas prisões, ou no apelo à proximidade e à ternura para com os que sofrem e estão à margem. O Jubileu recorda-nos que todos os que se tornam construtores da paz «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). E, deste modo, abre-nos à esperança, aponta-nos a necessidade de uma comunicação atenta, amável, refletida, capaz de indicar caminhos de diálogo. Encorajo-vos, portanto, a descobrir e a contar tantas histórias de bem escondidas por detrás das notícias; a imitar aqueles exploradores de ouro que, incansavelmente, peneiram a areia em busca duma pequeníssima pepita. É importante encontrar estas sementes de esperança e dá-las a conhecer. Ajuda o mundo a ser um pouco menos surdo ao grito dos últimos, um pouco menos indiferente, um pouco menos fechado. Que saibais sempre encontrar as centelhas de bem que nos permitem ter esperança. Este tipo de comunicação pode ajudar a tecer a comunhão, a fazer-nos sentir menos sós, a redescobrir a importância de caminhar juntos.

Não esqueçais o coração

Queridos irmãos e irmãs, perante as vertiginosas conquistas da técnica, convido-vos a cuidar do coração, ou seja, da vossa vida interior. O que é que isto significa? Deixo-vos algumas pistas.

Sede mansos e nunca esqueçais o rosto do outro; falai ao coração das mulheres e dos homens ao serviço de quem desempenhais o vosso trabalho.

Não permitais que as reações instintivas guiem a vossa comunicação. Semeai sempre esperança, mesmo quando é difícil, quando custa, quando parece não dar frutos.

Procurai praticar uma comunicação que saiba curar as feridas da nossa humanidade.

Dai espaço à confiança do coração que, como uma flor frágil mas resistente, não sucumbe no meio das intempéries da vida, mas brota e cresce nos lugares mais inesperados: na esperança das mães que rezam todos os dias para rever os seus filhos regressar das trincheiras de um conflito; na esperança dos pais que emigram, entre inúmeros riscos e peripécias, à procura de um futuro melhor; na esperança das crianças que, mesmo no meio dos escombros das guerras e nas ruas pobres das favelas, conseguem brincar, sorrir e acreditar na vida.

Sede testemunhas e promotores de uma comunicação não hostil, que difunda uma cultura do cuidado, construa pontes e atravesse os muros visíveis e invisíveis do nosso tempo.

Contai histórias imbuídas de esperança, tomando a peito o nosso destino comum e escrevendo juntos a história do nosso futuro.

Tudo isto podeis e podemos fazê-lo com a graça de Deus, que o Jubileu nos ajuda a receber em abundância. Por isto, rezo por cada um de vós e pelo vosso trabalho, e vos abençoo.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2025.

Francisco

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Artigos Enfoque Pastoral

“Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja”

Como discípulos fervorosos, nossos corações ecoam o ‘sim’ de Maria, aquela que acolhemos não somente como Mãe amorosíssima, mas também como o modelo sublime do ser Igreja. Nela, agraciada em plenitude, contemplamos o ideal da comunidade dos fiéis, incessantemente renovada pela Páscoa gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, e enviada ao mundo como testemunha viva do Reino que Ele instaurou.

Nossa amada diocese irradia a graça divina, que flui abundantemente através de Maria, Mãe de Deus e nossa terna Mãe. Assim também nossa cidade, adornada pela proteção de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, reconhece nela seu farol e guia seguro. Com entusiasmo e fé renovada, celebremos este mês mariano em cada uma de nossas comunidades e em todas as nossas ações pastorais.

Em nosso enfoque pastoral deste mês, voltemos nosso olhar para a vida e o ministério do Papa Francisco. Desde 2013, seu pontificado ressoa como um eloquente chamado à misericórdia e à proximidade com os mais necessitados. Sua ênfase na Igreja como um “hospital de campanha” para aqueles feridos pelas tribulações da vida e sua insistente opção preferencial pelos pobres tocam profundamente a consciência da humanidade. Através de encíclicas luminosas como Laudato Si’ sobre o cuidado da Casa Comum e Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social, Francisco desafia as estruturas globais de egoísmo e injustiça, convidando a um diálogo ecumênico e inter-religioso sincero e fraterno. Sua simplicidade evangélica, seus gestos pastorais concretos e sua constante exortação a uma Igreja menos autorreferencial e mais ardentemente missionária marcam um pontificado que buscou reformar e revitalizar a fé no complexo mundo contemporâneo.

Vivenciaremos neste mês mariano um momento de profunda significância para toda a Igreja: a eleição de um novo Papa. O conclave, tempo denso de expectativa e fervorosa oração, concentra os olhares do mundo na austera beleza da Cidade do Vaticano. A solene reunião dos cardeais eleitores na Capela Sistina, sob o olhar eterno do Juízo Final de Michelangelo, é imersa em um ritual milenar, onde a busca pela vontade divina se entrelaça com a grave responsabilidade de escolher o sucessor de Pedro. A atmosfera é carregada de solenidade e profunda reflexão, enquanto os cardeais, em recolhimento e segredo, depositam seus votos, buscando discernir aquele que o Espírito Santo inspirar a liderar a Igreja Católica neste tempo desafiador. A fumaça que emana da chaminé da Capela Sistina, ora densa e negra, ora anunciadora de esperança em sua brancura, simboliza a espera ansiosa da humanidade por um novo pastor, um guia ungido para conduzir o rebanho de Cristo. A eleição do Papa transcende a mera escolha de um líder religioso; representa a viva esperança de um farol espiritual que inspire a fé, promova incansavelmente a paz e defenda, com coragem e profecia, os valores perenes da justiça e da compaixão.

Como nos recorda o Papa São João Paulo II em sua magistral encíclica Redemptoris Mater: “Maria está presente na história da salvação.” Com júbilo, portanto, reconheçamos a presença constante e amorosa de Nossa Senhora em nossa Igreja Católica, aquela que vela incessantemente por cada um de seus filhos e filhas e continua a interceder por nós, com seu amor materno, junto ao seu Filho dileto, Jesus Cristo. Que a alegria transbordante do Cristo Ressuscitado ilumine abundantemente e fortaleça a todos em seus diversos e preciosos trabalhos pastorais em nossa amada Igreja diocesana.

 

Pe. Marcelo Dias Soares

Coordenador Diocesano de Pastoral