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“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

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CNBB EMITE NOTA EM SOLIDARIEDADE AOS YANOMAMI: “AS DORES DE CADA INDÍGENA SÃO TAMBÉM DA IGREJA”

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta terça-feira, 31 de janeiro, uma nota intitulada “Em defesa dos povos originários” motivada pela realidade vivida pelo povo Yanomami que, segundo o documento, é a “síntese da ofensiva contra os direitos dos povos indígenas agravada nos últimos anos”. A realidade, segundo a nota, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismo vinculado à CNBB,  em seu relatório anual.

De acordo com a nota da presidência da CNBB, “a realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro”.

Essa realidade, defende a Conferência, deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. “A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente”, reitera o documento.

Na nota, a CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. A CNBB pede ainda que “diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça”.

A CNBB reforça que a Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. “As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta”. Conheça, abaixo, a íntegra da nota e, aqui, o arquivo em PDF:

Em defesa dos povos originários

 

A ofensiva contra os direitos dos povos indígenas, agravada nos últimos anos, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em seu relatório anual. A realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro.

Essa realidade deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente.

A CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. Diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça. O genocídio dos Yanomamis seja capítulo nunca esquecido na história do Brasil, para que não se repita crime semelhante contra a vida de nossos irmãos.

A Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta.

O momento é de tristeza e desolação, mas a Igreja Católica continuará a trabalhar, intensificando sempre mais as suas ações, em união com muitos segmentos da sociedade e do poder público, para que prevaleça a esperança, confiante de que cada Yanomami será respeitado em sua dignidade de filho e filha de Deus.

Brasília-DF, 31 de janeiro de 2023

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Fonte: cnbb.org.br

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“FALAR COM O CORAÇÃO”, CONVIDA O PAPA NA MENSAGEM PARA O 57º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

O vaticano divulgou nesta terça-feira, 24, a mensagem do Papa Francisco para o 57º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado, este ano, em 21 de maio. A data de divulgação celebra a memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, e neste ano tem como tema Falar com o coração. “Testemunhando a verdade no amor” (Ef 4, 15) 

O Papa Francisco recorda as mensagens anteriores e afirma que “foi o coração que nos moveu para ir, ver e escutar, e é o coração que nos move para uma comunicação aberta e acolhedora”. Permeado por citações e inspirações da Palavra de Deus, o texto recorda que “o apelo para se falar com o coração interpela radicalmente este nosso tempo, tão propenso à indiferença e à indignação, baseada por vezes até na desinformação que falsifica e instrumentaliza a verdade.”

São Francisco de Sales é invocado como um exemplo de quem falava com o coração. Na carta, o Papa Francisco recorda o quarto centenário de sua morte, celebrado em 2023, e a carta apostólica recém lançada. O pontífice recorda que “para ele, a comunicação nunca deveria reduzir-se a um artifício, a uma estratégia de marketing – diríamos nós hoje –, mas era o reflexo do íntimo, a superfície visível dum núcleo de amor invisível aos olhos.”

Considerando o andamento do Sínodo sobre sinodalidade, Fransciso expressa seu desejo para a comunicação neste processo: “uma comunicação que coloque no centro a relação com Deus e com o próximo, especialmente o mais necessitado, e esteja mais preocupada em acender o fogo da fé do que em preservar as cinzas duma identidade autorreferencial. Uma comunicação, cujas bases sejam a humildade no escutar e o desassombro no falar e que nunca separe a verdade do amor.”

O contexto da desinformação e as situações conflituosas no planeta também são citadas pelo Papa, convidando os comunicadores à promoção da cultura da paz. “Precisamos de comunicadores prontos a dialogar, ocupados na promoção dum desarmamento integral e empenhados em desmantelar a psicose bélica que se aninha nos nossos corações.”

Confira a íntegra da mensagem do Papa.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O 57º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 Falar com o coração.

“Testemunhando a verdade no amor” (Ef 4, 15)

Estimados irmãos e irmãs!

Depois de ter refletido, nos anos anteriores, sobre os verbos “ir e ver” e “escutar” como condição necessária para uma boa comunicação, com esta Mensagem para o LVII Dia Mundial das Comunicações Sociais gostaria de me deter sobre o “falar com o coração”. Foi o coração que nos moveu para ir, ver e escutar, e é o coração que nos move para uma comunicação aberta e acolhedora. Após o nosso treino na escuta, que requer saber esperar e paciência, e o treino na renúncia a impor em detrimento dos outros o nosso ponto de vista, podemos entrar na dinâmica do diálogo e da partilha que é, em concreto, comunicar cordialmente. E, se escutarmos o outro com coração puro, conseguiremos também falar testemunhando a verdade no amor (cf. Ef 4, 15). Não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incômoda, mas de o fazer sem amor, sem coração. Com efeito “o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é ‘um coração que vê’”.[1] Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido. Isto leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir no próprio coração também o pulsar do outro. Então pode ter lugar o milagre do encontro, que nos faz olhar uns para os outros com compaixão, acolhendo as fragilidades recíprocas com respeito, em vez de julgar a partir dos boatos semeando discórdia e divisões.

Jesus chama-nos a atenção de que cada árvore se conhece pelo seu fruto (cf. Lc 6, 44). De igual modo “o homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o que é bom; e o mau, do mau tesouro, tira o que é mau; pois a boca fala da abundância do coração” (6, 45). Por conseguinte, para se poder comunicar testemunhando a verdade no amor, é preciso purificar o próprio coração. Só ouvindo e falando com o coração puro é que podemos ver para além das aparências, superando o rumor confuso que, mesmo no campo da informação, não nos ajuda a fazer o discernimento na complexidade do mundo em que vivemos. O apelo para se falar com o coração interpela radicalmente este nosso tempo, tão propenso à indiferença e à indignação, baseada por vezes até na desinformação que falsifica e instrumentaliza a verdade. 

Comunicar cordialmente

Comunicar cordialmente quer dizer que a pessoa que nos lê ou escuta é levada a deduzir a nossa participação nas alegrias e receios, nas esperanças e sofrimentos das mulheres e homens do nosso tempo. Quem assim fala, ama o outro, pois preocupa-se com ele e salvaguarda a sua liberdade, sem a violar. Podemos ver este estilo no misterioso Viandante que dialoga com os discípulos a caminho de Emaús depois da tragédia que se consumou no Gólgota. A eles, Jesus ressuscitado fala com o coração, acompanhando com respeito o caminho da sua amargura, propondo-Se e não Se impondo, abrindo-lhes amorosamente a mente à compreensão do sentido mais profundo do sucedido. De facto, eles podem exclamar com alegria que o coração lhes ardia no peito enquanto Ele conversava pelo caminho e lhes explicava as Escrituras (cf. Lc 24, 32).

Num período da história marcado por polarizações e oposições – de que, infelizmente, nem a comunidade eclesial está imune – o empenho em prol duma comunicação “de coração e braços abertos” não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. De modo particular nós, cristãos, somos exortados a guardar continuamente a língua do mal (cf. Sl 34, 14), pois com ela – como ensina a Escritura – podemos bendizer o Senhor e amaldiçoar os homens feitos à semelhança de Deus (cf. Tg 3, 9). Da nossa boca, não deveriam sair palavras más, “mas apenas a que for boa, que edifique, sempre que necessário, para que seja uma graça para aqueles que a escutam” (Ef 4, 29).

Por vezes, o falar amável abre uma brecha até nos corações mais endurecidos. Encontramos vestígios disto na própria literatura; penso naquela página memorável do cap. XXI do livro Promessi Sposi, onde Luzia fala com o coração ao Inominável até que este, desarmado e atormentado por uma benéfica crise interior, cede à força gentil do amor. Experimentamo-lo na convivência social, onde a gentileza não é questão apenas de «etiqueta», mas um verdadeiro antídoto contra a crueldade, que pode, infelizmente, envenenar os corações e intoxicar as relações. Precisamos daquele falar amável no âmbito dos mass media, para que a comunicação não fomente uma aversão que exaspere, gere ódio e conduza ao confronto, mas ajude as pessoas a refletir calmamente, a decifrar com espírito crítico e sempre respeitoso a realidade onde vivem. 

A comunicação de coração a coração: “Basta amar bem para dizer bem”

Um dos exemplos mais luminosos e, ainda hoje, fascinantes deste “falar com o coração” temo-lo em São Francisco de Sales, Doutor da Igreja, a quem dediquei recentemente a Carta Apostólica Totum amoris est, nos 400 anos da sua morte. A par deste aniversário importante e relacionado com a mesma circunstância, apraz-me recordar outro que se celebra neste ano de 2023: o centenário da sua proclamação como padroeiro dos jornalistas católicos, feita por Pio XI com a Encíclica Rerum omnium perturbationem. Mente brilhante, escritor fecundo, teólogo de grande profundidade, Francisco de Sales foi bispo de Genebra no início do século XVII, em anos difíceis marcados por animadas disputas com os calvinistas. A sua mansidão, humanidade e predisposição a dialogar pacientemente com todos, e de modo especial com quem se lhe opunha, fizeram dele uma extraordinária testemunha do amor misericordioso de Deus. Dele se pode dizer que as suas “palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis” (Sir 6, 5). Aliás uma das suas afirmações mais célebres – “o coração fala ao coração” – inspirou gerações de fiéis, entre os quais se conta São John Henry Newman que a escolheu para seu lema: Cor ad cor loquitur. “Basta amar bem para dizer bem”: constituía uma das suas convicções. Isto prova como, para ele, a comunicação nunca deveria reduzir-se a um artifício, a uma estratégia de marketing – diríamos nós hoje –, mas era o reflexo do íntimo, a superfície visível dum núcleo de amor invisível aos olhos. Para São Francisco de Sales, precisamente “no coração e através do coração é que se realiza aquele sutil e intenso processo unitário em virtude do qual o homem reconhece a Deus”.[2] “Amando bem”, São Francisco conseguiu comunicar com o surdo-mudo Martinho tornando-se seu amigo, e daí ser recordado também como protetor das pessoas com deficiências comunicativas.

É a partir deste “critério do amor” que o santo bispo de Genebra nos recorda, através dos seus escritos e do próprio testemunho de vida, que “somos aquilo que comunicamos”: uma lição contracorrente hoje, num tempo em que, como experimentamos particularmente nas redes sociais, a comunicação é muitas vezes instrumentalizada para que o mundo nos veja, não por aquilo que somos, mas como desejaríamos ser. São Francisco de Sales difundiu em grande número cópias dos seus escritos na comunidade de Genebra. Esta intuição “jornalística” valeu-lhe uma fama que superou rapidamente o perímetro da sua diocese e perdura ainda nos nossos dias. Como observou São Paulo VI, os seus escritos suscitam “uma leitura sumamente agradável, instrutiva e estimulante”.[3] Pensando no atual panorama da comunicação, não são estas precisamente as caraterísticas de que se deveriam revestir um artigo, uma reportagem, um serviço radiotelevisivo ou uma mensagem nas redes sociais? Possam os agentes da comunicação sentir-se inspirados por este Santo da ternura, procurando e narrando a verdade com coragem e liberdade, mas rejeitando a tentação de usar expressões sensacionalistas e agressivas. 

Falar com o coração no processo sinodal

Como já tive oportunidade de salientar, “também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros”.[4] Duma escuta sem preconceitos, atenta e disponível, nasce um falar segundo o estilo de Deus, que se sustenta de proximidade, compaixão e ternura. Na Igreja, temos urgente necessidade duma comunicação que inflame os corações, seja bálsamo nas feridas e ilumine o caminho dos irmãos e irmãs. Sonho uma comunicação eclesial que saiba deixar-se guiar pelo Espírito Santo, gentil e ao mesmo tempo profética, capaz de encontrar novas formas e modalidades para o anúncio maravilhoso que é chamada a proclamar no terceiro milênio. Uma comunicação que coloque no centro a relação com Deus e com o próximo, especialmente o mais necessitado, e esteja mais preocupada em acender o fogo da fé do que em preservar as cinzas duma identidade autorreferencial. Uma comunicação, cujas bases sejam a humildade no escutar e o desassombro no falar e que nunca separe a verdade do amor. 

Desarmar os ânimos promovendo uma linguagem de paz

“A língua branda pode até quebrar ossos”: lê-se no livro dos Provérbios (25, 15). Hoje é tão necessário falar com o coração para promover uma cultura de paz, onde há guerra; para abrir sendas que permitam o diálogo e a reconciliação, onde campeiam o ódio e a inimizade. No dramático contexto de conflito global que estamos a viver, urge assegurar uma comunicação não hostil. É necessário vencer “o hábito de denegrir rapidamente o adversário, aplicando-lhe atributos humilhantes, em vez de se enfrentarem num diálogo aberto e respeitoso”.[5] Precisamos de comunicadores prontos a dialogar, ocupados na promoção dum desarmamento integral e empenhados em desmantelar a psicose bélica que se aninha nos nossos corações, como exortava profeticamente São João XXIII na Encíclica Pacem in terris: “a verdadeira paz entre os povos não se baseia em tal equilíbrio [de armamentos], mas sim e exclusivamente na confiança mútua” (n.º 113). Uma confiança que precisa de comunicadores não postos à defesa, mas ousados e criativos, prontos a arriscar na procura dum terreno comum onde encontrar-se. Também agora, como há 60 anos, a humanidade vive uma hora escura temendo uma escalada bélica, que deve ser travada o mais depressa possível, inclusivamente em termos de comunicação. Fica-se apavorado ao ouvir com quanta facilidade se pronunciam palavras que invocam a destruição de povos e territórios; palavras que, infelizmente, se convertem muitas vezes em ações bélicas de celerada violência. Por isso mesmo há que rejeitar toda a retórica belicista, assim como toda a forma de propaganda que manipula a verdade, deturpando-a com finalidades ideológicas. Em vez disso seja promovida, a todos os níveis, uma comunicação que ajude a criar as condições para se resolverem as controvérsias entre os povos.

Como cristãos, sabemos que é precisamente na conversão do coração que se decide o destino da paz, pois o vírus da guerra provém do íntimo do coração humano.[6] Do coração brotam as palavras certas para dissipar as sombras dum mundo fechado e dividido e construir uma civilização melhor do que aquela que recebemos. É um esforço que é exigido a todos e cada um de nós, mas faz apelo de modo particular ao sentido de responsabilidade dos agentes da comunicação a fim de realizarem a própria profissão como uma missão.

Que o Senhor Jesus, Palavra pura que brota do coração do Pai, nos ajude a tornar a nossa comunicação livre, limpa e cordial.

Que o Senhor Jesus, Palavra que Se fez carne, nos ajude a colocar-nos à escuta do palpitar dos corações, para nos reconhecermos como irmãos e irmãs e desativarmos a hostilidade que divide.

Que o Senhor Jesus, Palavra de verdade e caridade, nos ajude a dizer a verdade no amor, para nos sentirmos guardiões uns dos outros.

Roma – São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2023.

FRANCISCO

 

Fonte: Pascom Brasil e Vatican News

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CNBB DIVULGA NOTA EM QUE REPROVA INICIATIVA DO GOVERNO FEDERAL DE FLEXIBILIZAÇÃO DO ABORTO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quarta-feira, 18 de janeiro, uma nota na qual manifesta reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto a exemplo das últimas medidas do Ministério da Saúde, constantes da Portaria GM/MS de nº 13, publicada no último dia 13.

A portaria permitiu a revogação de outra portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais. A Nota da CNBB pede esclarecimento do Governo Federal considerando que a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha e também sobre a desvinculação do Brasil com a Consenso de Genebra.

No documento, a CNBB reitera que “a hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz e reforça que é preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social”. Confira, abaixo, a íntegra do documento:

A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Nota da CNBB

“Diante de vós, a vida e a morte. Escolhe a vida!” (cf. Dt 30,19)

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não concorda e manifesta sua reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto. Assim, as últimas medidas, a exemplo da desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e a revogação da portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais, precisam ser esclarecidas pelo Governo Federal considerando que a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha.

A hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz. É preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social.

A Igreja, sem vínculo com partido ou ideologia, fiel ao seu Mestre, clama para que todos se unam na defesa e na proteção da vida em todas as suas etapas – missão que exige compromisso com os pobres, com as gestantes e suas famílias, especialmente com a vida indefesa em gestação.

Não, contundente, ao aborto!

Possamos estar unidos na promoção da dignidade de todo ser humano.

 

Brasília-DF, 18 de janeiro de 2023

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

 

Veja aqui a Nota em PDF

 

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18º Congresso Eucarístico Nacional

Às 16h desta terça-feira, 15 de novembro, o Marco Zero de Recife – PE, recebeu a Celebração Eucarística de Conclusão do Congresso.

Com tema “Pão em todas as mesas” e lema “Repartiam o pão com alegria e não havia necessitados entre eles”, o Congresso visa convergir todos os católicos sobre a Santíssima Eucaristia, de forma que busca partilhar testemunhos públicos de fé em Jesus Eucarístico.

O tema que é tão atual e necessário, conversa diretamente com a realidade enfrentada pela população brasileira, a qual a Igreja tem dado tremenda atenção, como exemplo o Dia Mundial dos Pobres e a Campanha da Fraternidade 2023.

O Congresso é um dos eventos mais importantes da Igreja Católica no Brasil e ocorre a cada quatro anos. Entretanto, por causa das complicações da pandemia de Covid-19, a 18º edição, que era para acontecer em 2020, ocorreu neste ano de 2022.

Celebração Eucarística

Presidida por dom António Marto, cardeal e bispo emérito de Leiria-Fátima (Portugal) e enviado especial do Papa Francisco, a Celebração teve início com um cortejo, que contou com a presença de cerca de 1.200 padres e 200 bispos participantes do Congresso, pela Boulevard Rio Branco até a praça do Marco Zero.

Após leitura “Anúncio da Eucaristia” (João 6, 51-58), o Representante do Pontífice fez sua homilia, em que falou sobre a maravilha da presença de Jesus na eucaristia e o que ela significa em nossa vida.

O corpo e o sangue são a expressão da pessoa inteira, com toda a sua vida, com toda a sua história, com todo o seu infinito amor, (…) até a morte na cruz, amor eternizado na ressurreição. (…)

Jesus deixa-nos o dom mais admirável e impensável, o dom da sua presença real, do seu amor infinito e redentor que só ele pode fazer enquanto ressuscitado, para permanecer conosco para sempre, um alimento que nos dá vida verdadeira e eterna.”disse dom António.

Ao tratar sobre como recebemos a hóstia, o bispo emérito explica o significado que tem para nossa vida.

“Quando eu comungo, como é que eu respondo?

Eu respondo ‘amém’, esta resposta é mais do que um simples ‘acredito na presença real’, é também um compromisso que diz ‘sim’ ao senhor: quero receber te com todo o meu coração, quero que entres na minha vida, quero viver do teu amor, quero seguir os teus passos, quero colaborar contigo por um mundo melhor”explicou dom António.

O Representante do Pontífice também falou sobre a importância do Evangelho reverberar em nossa vida e em nossa sociedade e abordou o exemplo vivo que Francisco é de fraternidade, fator fundamental para construirmos o sonho de Deus para toda a humanidade.

Ao final da celebração, foi feita uma procissão com o Santíssimo Sacramento, saindo do Marco Zero e indo até o Pátio da Basílica do Carmo.

Gesto Concreto do 18º Congresso Eucarístico Nacional

Às 9h da manhã desta terça-feira, 15 de novembro, foi inaugurada a Casa do Pão, que marca o 18º CEN. O espaço será destinado ao apoio a parcela da população que mais precisa.

A inauguração contou com o pronunciamento do legado pontifício, dom António Marto, e de dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife.

Nosso bispo, Dom Edmilson, participou ativamente do Congresso realizando algumas celebrações e motivando a cada um com suas orações e preces.

Fonte: Portal A12

Confira algumas fotos do congresso enviadas pessoalmente por nosso Bispo em cada momento do Congresso:

18º Congresso Eucarístico - Recife-PE
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Mensagem da Presidência da CNBB – Conclusão do processo eleitoral 2022

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou no dia 31 de outubro, uma mensagem sobre a conclusão das Eleições 2022.  O momento, segundo a mensagem, “convoca-nos, ainda mais, para a reconciliação, essencial ao novo ciclo que se abre”.

A presidência da CNBB aponta o caminho que todos os brasileiros, indistintamente, precisam trilhar: acompanhar, exigir e fiscalizar aqueles que alcançaram êxito nas urnas. “O exercício da cidadania não se esgota com o fim do processo eleitoral”, diz o documento.

Em um trecho da mensagem, a CNBB cumprimenta candidatos eleitos, deputados, senadores, governadores e presidente da República e “parabeniza ainda o Tribunal Superior Eleitoral por sua atuação no zelo de todo o processo democrático”.

“Todos possam caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço do bem comum, conforme define o nosso amado Papa Francisco. São os votos da CNBB. É o que suplicamos em preces para o nosso país”.

Conheça a íntegra da mensagem abaixo:

PRESIDÊNCIA DA CNBB: “O EXERCÍCIO DA CIDADANIA NÃO SE ESGOTA COM O FIM DO PROCESSO ELEITORAL”

Saúde e paz!

A conclusão das Eleições 2022 convoca-nos, ainda mais, para a reconciliação, essencial ao novo ciclo que se abre. Agora, todos, indistintamente, precisam acompanhar, exigir e fiscalizar aqueles que alcançaram êxito nas urnas. O exercício da cidadania não se esgota com o fim do processo eleitoral.

A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – cumprimenta candidatos eleitos, deputados, senadores, governadores e presidente da República. Parabeniza ainda o Tribunal Superior Eleitoral por sua atuação no zelo de todo o processo democrático.

Todos possam caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço do bem comum, conforme define o nosso amado Papa Francisco. São os votos da CNBB. É o que suplicamos em preces para o nosso país.

Com a materna intercessão de Nossa Senhora Aparecida – Rainha e Padroeira do Brasil, Deus muito abençoe a sua vida e a sua família.

Fraterno abraço, com apreço.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

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43ª Assembleia das Igrejas Particulares (AIP) do Regional Sul 1 da CNBB

Na tarde do dia 14 de outubro, o Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), iniciou a 43ª edição da Assembleia das Igrejas Particulares (AIP).

Reunidos em Aparecida (SP), no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, representantes das seis arquidioceses e 36 dioceses do Estado de São Paulo refletem o tema central “Comunidades Eclesiais Missionárias numa Igreja Sinodal”.

Arcebispos, bispos, padres coordenadores diocesanos de pastoral, três representantes leigos de cada diocese, bem como coordenadores e assessores estaduais de pastorais, movimentos e serviços eclesiais, participam do evento que terminou no dia 16/10.

“A vivência do amor significa ser para o outro. E é isso que o Regional quer ser em comunidades eclesiais missionárias. Todos são chamados a encarnar o amor de Deus! Que possamos, nestes dias, refletir a grandeza do amor e aplicá-lo em nossa realidade pastoral”, motivou o bispo de Guarulhos e vice-presidente do Regional Sul 1, Dom Edmilson Amador Caetano.

Na celebração de abertura, Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo diocesano de Mogi das Cruzes e Presidente do Regional, lembrou os 70 anos da CNBB celebrados ontem, o trabalho articulador de Dom Hélder Câmara para a criação da entidade e a importância da comunhão que as dioceses do Estado de São Paulo devem buscar cada vez mais: “que nossas Igrejas Particulares, reunidas com espírito sinodal, exerçam a unidade”.

PRIMEIRA SESSÃO 

O primeiro momento de reflexão da AIP contou com a análise de conjuntura social e eclesial, a nível de mundo e de Brasil, conduzida pelo Pe. Paulo Renato Campos, assessor político da CNBB.

O padre, que é do clero de São José dos Campos, explicou que, diante do cenário político nacional, a preocupação eclesial se pauta sempre nos valores da vida e nunca de partidos políticos.

“A defesa da vida, pela Igreja, é integral”, enfatizou ao dizer que o testemunho cristão é escancarado na sociedade pela identidade e pelos valores dos fiéis. “Somos ‘gente de Igreja’ e devemos sempre estar prontos a dar razões à nossa esperança. Busquemos o testemunho de unidade na diversidade”, finalizou o assessor.

PELOS PROFESSORES E PROFESSORAS

Na manhã do dia 15, a celebração da Missa iniciou o segundo dia da AIP. Presididos pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, na Eucaristia, os participantes rezaram pelo tema central do encontro e rederam graças pelo dom da vida dos professores e professoras, por ocasião do dia deles, comemorado neste sábado.

“Desde os apóstolos, a Igreja é chamada a renovar-se sempre na missão e ter presente que ela é uma comunidade de discípulos missionários”, e continuou o Dom Odilo: “que o Espírito Santo nos inspire na conversão pastoral para que nossas comunidades se tornem cada vez mais missionárias”.

O Cardeal Scherer falou do caminho de santidade proposto por Santa Teresa de Jesus, padroeira dos professores que celebramos hoje. “O testemunho dela é antes de tudo evidenciar que Deus é o absoluto necessário para nossas vidas”, ressaltou.

CONSAGRAÇÃO DAS ATIVIDADES PASTORAIS À NOSSA SENHORA APARECIDA

As atividades da 43ª Assembleia das Igrejas Particulares (AIP) do domingo, dia 16, tiveram seu início com a Missa no altar central do Santuário Nacional de Aparecida.

O Cardeal Paulo Cézar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília (DF), que já foi bispo em São Carlos, presidiu a Eucaristia com a presença de milhares de romeiros e dos participantes da AIP.

Em sua homilia, Dom Paulo afirmou que o Concílio Vaticano II “é uma bússola segura para o caminho da Igreja”, por ocasião dos 60 anos de sua abertura.

Recordando também os 15 anos da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, Dom Paulo retomou o sentido das peregrinações, “realidade que vivemos neste santuário, onde o nosso amado povo expressa a sua fé viva em gestos simples, mas intensos, porque Deus e sua Santa mãe se manifestam aos simples e humildes”.

Sobre o Santuário Nacional, que recebe milhares de fiéis e, nesta AIP, lideranças pastorais de todo o Estado de São Paulo, o Cardeal Costa ressaltou que Aparecida “é um lugar onde nosso amado povo sente a presença forte do amor de Deus, pois aqui Ele passou e deixou com força a sua marca”.

Por ocasião do 29º Domingo do Tempo Comum, Dom Paulo falou da importância da intimidade com Deus por meio das preces e afirmou que Jesus é o grande orante  e mestre de oração para seus discípulos e para os fiéis de hoje.

“A oração é um diálogo com Jesus. Onde, nesta relação amorosa vamos colocando diante do seu amor as nossas angústias, alegrias e esperanças”, disse.

Dom Pedro Luiz Stringhini, presidente do Regional, Dom Edmilson Amador Caetano, vice-presidente, e o secretário, Dom Luiz Carlos Dias, consagraram as atividades pastorais do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Nossa Senhora Aparecida.

Após a celebração, o arcebispo de Brasília participou da última sessão da AIP que tratou da dimensão missionária do Regional como desdobramento da experiência de fé das Comunidades Eclesiais Missionárias, tema central do encontro pastoral.

 

Fotos e Matéria: Site CNBB Regional Sul 1

Confira algumas fotos da Assembleia abaixo:

43ª Assembleia das Igrejas Particulares (AIP).