Diocese de Guarulhos

SÃO PAULO - BRASIL

“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

A ALIANÇA: EXPERIÊNCIA DE FÉ PARA O BEM DE TODOS

No passado, a palavra tinha um valor inestimável. Também na Bíblia a palavra tem força e poder e exige uso consciente e responsável. Na Aliança que Deus firmou com seu povo do Antigo Testamento há regras de inclusão e exclusão.

Israel tem consciência de que Deus o escolheu, o menor dentre os povos (Dt 7, 7 – 8), mas sem excluir outros povos.

A palavra    Aliança” em hebraico, BERIT, tem diferentes sentidos: nas culturas antigas significa tanto o pacto entre duas partes distintas, como refeição por ocasião de um pacto.

No pacto antigo um animal era dividido em duas partes, colocando-as uma em frente a outra. Os dois contratantes envolvidos na aliança passavam entre as partes do animal e tinham o sangue do mesmo como “testemunha” do pacto.

Berit vem também do termo BERITU, que indica o elo de uma corrente que une suas partes.

Na Bíblia, geralmente, a Aliança é um empenho só por parte de Deus: Ele simplesmente promete sem exigir contrapartida. Exemplos: com Noé a Alainaça é simbolizada no arco-íris (Gn 9, 8 – 18); com Abraão é expressa no rito de imprecação (Gn 15, 1 – 9); e com Fineias é a garantia de um sacerdócio eterno (Nm 25, 10 – 13).

Mas também a Aliança (BERIT) aparece na Bíblia

–  como empenho imposto por Deus (Ex 24, 3 – 8)

– reconhecimento dos benefícios recebidos pelo antigo povo de Israel (Dt 29, 1 – 8)

– empenho do povo em assumir o sinal da Aliança com a circuncisão (Gn 17).

Também a Aliança é assumida como empenho recíproco entre Deus e seu povo, como em Dt 16, 17 – 19 e 29, 11 – 13, onde há o empenho de Deus em realizar suas promessas e do povo em ser fiel a Deus.

Para elaborar seus escritos sobre a Aliança, Israel foi influenciado porvários povos. É notável como a estrutura dos textos da Aliança no Deuteronômio se assemelhe à estrutura de textos legislativos assírios. Vejamos Dt 4, 44 – 28, 68. Temos as seguintes partes:

– 4, 44- 49: fala das conquistas do povo libertado do Egito;

– 5 – 11: num prólogo paranético, no qual Deus enumera os benefícios que Ele fez ao povo;

– 26, 16 – 19: Aqui, Deus pede para que seu povo seja fiel;

– 12, 1 – 26, 16: nesta parte do texto Deus estabelece algumas estipulações particulares com normas específicas que devem ser observadas (como lugares de culto, detalhes de sacrifícios, animais puros e impuros, ano sabático, festas religiosas, etc.

– 28, 1 – 46: seção de bênçãos aos que forem fiéis e maldições aos infiéis.

Temos o mesmo esquema em Dt 29 – 30:

– 29, 1b – 8: recordação histórica dos benefícios de Deus ao povo;

– 29, 9 – 14: exigência de fidelidade à Aliança de Deus;

– 29, 15 – 18: orientações de como proceder;

– 30, 1 – 10. 15 – 16: Bênção aos fiéis e maldições aos infiéis (ver também Dt 29, 19 – 27; 30, 1 – 18)

– 30, 19: o céu e a terra são tomados como testemunhas.

A Aliança é inciativa sempre da soberania de Deus e requer a resposta de fé do povo (Dt 30, 15 – 20). O modo do povo responder aos apelos da Aliança vai determinar seu destino: a vida ou a morte, a felicidade ou a desgraça, a bênção ou a maldição.

Deus e seu povo trocam declarações que são seladas numa Aliança (Dt 26, 17 – 19), que deve ser um empenho bilateral assumido livremente e selado com uma solene declaração, numa relação amigável, na qual Deus só preza o bem de seu povo. Quando o povo transgride a Aliança, atrai para si mesmo desgraças que enfrentará na sua história. Percebamos o quanto ainda não atraímos o bem para nós quando nos afastamos da Aliança que Deus estabeleceu conosco pelo Sangue Precioso de seu Filho. Quando a experiência do pecado prevalece em nossas atitudes, atraímos o mal e as maldições para nossa vida pessoal e social.

 

Pe. Éder Aparecido Monteiro – Comissão de Liturgia

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