Diocese de Guarulhos

SÃO PAULO - BRASIL

“O Senhor fez em mim maravilhas.” (Lc 1,49)

Continua a história de fé: Isaac e Jacó

A fé é sempre um diálogo com Deus. No caso dos patriarcas, a vida cotidiana está entrelaçada com a ação de Deus na  história humana. Exemplo disso é o casamento de Isaac (Gn 24) em relação ao qual todos os fatos são atribuídos a Deus.

Na história de Isaac temos um relato breve e semelhanças com a história de Abraão (exemplo: Gn 26, 1 – 11 e 12, 10 – 20) com Isaac a Aliança que Deus fizera com Abraão é renovada (Gn 26, 23 – 25). As tradições sobre Isaac se ligam a um antigo santuário que havia em Bersabeia, onde Abraão também teria estado.

Notamos também a rejeição a casamento com estrangeiras, conforme o costume de um estilo de vida nômade tribal. Neste sentido, Esaú é um mau exemplo: casou-se com uma heteia (Gn 26, 34 – 35).

Nas entrelinhas do texto percebemos a preferência de Deus em relação a Jacó (Gn 27): apesar de ser fruto da armação de Rebeca, a bênção que Jacó recebe de seu pai Isaac é desígnio de Deus (Gn 25, 21 – 26). É notável também a malandragem de Jacó (Gn 25, 29 – 34) para ser abençoado por seu pai (Gn 27, 1 – 29).

O desfecho deste episódio iria marcar o destino de Esaú (Edom), determinando as características de seus descendentes: um povo ora “irmão” ora inimigo de Israel, um povo guerreiro que viveria da rapinagem.

Mais uma vez a exigência de não se casar com estrangeira prevalece por ocasião da fuga de Jacó em relação a seu irmão Esaú: Jacó foge pra casa de Labão, seu tio (Gn 27, 46 – 28, 5).

No caminho para a casa de Labão, Jacó tem um sonho: a escada de anjos que confirma a renovação das promessas de Deus feitas a Abraão e Isaac (Gn 28, 10 – 22).

Chegado à casa de Labão, alguns fatos marcantes podemos ler no texto:

– o encontro com Raquel (Gn 29, 1 – 12): desde então Jacó se apaixona por ela;

– o acolhimento (Gn 29- 13 – 14), conforme o costume da época;

– o casamento com as duas filhas de Labão, Lia e Raquel (Gn 29, 15 – 30); embora fosse um costume da época que hoje nos choca, no entanto, mais tarde, a Lei de Deus iria proibir casamento com duas irmãs (Lv 18, 18);

– os filhos de Jacó (Gn 29, 31 – 30, 24; 35, 16 – 20) que mais tarde iriam compor as doze tribos de Israel ; um outro costume da época que poderia nos chocar: alguns dos filhos de Jacó são filhos com as escravas Bala e Zelfa, a fim de garantir descendência a Jacó.

Quanto ao enriquecimento de Jacó, percebemos novamente a astúcia do mesmo, que, por sua vez, havia sido enganado por seu tio Labão (Gn 30, 25 – 43), sua fuga (Gn 31, 1 – 21) e a perseguição sofrida (Gn 31, 22 – 42).

Todavia, acontecem duas reconciliações:

– com Labão, com um tratado (Gn 31, 43 – 32, 3);

– com Esaú: primeiro o encontro (Gn 32, 4 – 33, 1) e, logo após, a separação (Gn 33, 12 – 17).

São também notáveis dois fatos dramáticos na história de Jacó:

– a luta com o Anjo de Deus (Gn 32, 23 – 33): na qual Jacó (Israel) conseguiu “derrotar” o anjo, fato que marcaria para sempre a relação entre Deus e Israel, por quem Deus sempre zelaria;

– a violência por vingança dos filhos de Jacó em relação aos habitantes de Siquém (Gn 34, 1 – 31), fato que recebeu a reprovação de Jacó.

Por fim, mais uma vez, a Aliança é renovada em Betel (Gn 35, 1 – 14)

Alguns fatos da história de Jacó podem nos chocar, mas é preciso perceber que Deus, na sua infinita misericórdia, vai tentando “escrever certo nas linhas tortas da experiência humana”.

É importante notarmos a intervenção e presença de Deus na vida dos patriarcas, apesar de seus costumes nada ortodoxos para nós hoje. Porém, o texto bíblico nos fala de um Deus que sempre quis estar presente na vida do homem e com ele fazer amizade (Aliança), apesar das limitações do próprio homem.

 

Pe. Éder Aparecido MonteiroComissão de Liturgia

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