“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se sobre as alegrias e feridas do mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua a falar e a conduzir seu povo pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)
Ainda desta vez vamos continuar refletindo sobre as situações que ainda desafiam a evangelização em nossa diocese, seguindo o indicado nas DGAE 27: frágil sintonia com as orientações da CNBB e a resistência ao Concílio Vaticano II; os limites do diálogo com os jovens e adolescentes; a pouca interlocução com os pobres como sujeitos da evangelização.
Existe uma mentalidade em alguns fiéis da nossa Igreja – e isso também acontece em Guarulhos- de que a CNBB tem uma opção político-partidária e age desta maneira nas diretrizes pastorais no Brasil. Isso faz com que – às vezes – alguns irmãos e irmãs propaguem esta mentalidade de fragilizar o escutar a Conferência Espicopal. É sempre dificultoso até mesmo fazer despertar o interesse pelas DGAE, como está acontecendo agora neste momento de escuta em nossa diocese. Alinhado a esta mentalidade aparece – ainda que sem fundamento teológico – a resistência ao Concílio Vaticano II. Graças a Deus, o interesse na participação na última Semana Diocesana de Formação, lança como que uma luz, pois o Catecismo da Igreja Católica é fruto do Concílio Vaticano II. Estamos na região metropolitana e alguns se interessam – não somente pela celebração da Eucaristia no rito antigo – mas alinham-se com as ideias de distorção dos documentos do Vaticano II e, pior, aceitam as opiniões sedevacantistas. Deixam de participar das celebrações e instruções em nossas paróquias para irem em outros lugares participar de associações contrárias à fé da Igreja una, santa, católica e apostólica.
No início de 2020 tivemos a alegria – a partir da Exortação Apostólica pós sinodal Christus Vivit, do Papa Francisco -de realizar uma Assembleia Diocesana de Pastoral especialmente voltada para a Pastoral Juvenil. Infelizmente, a pandemia Covid 19, impossibilitou-nos de levar adiante as prioridades escolhidas. Depois de 02 anos ou de 06 anos, como agora, muitas coisas precisam ser revistas, pois os jovens de 06 anos atrás, na sua maioria, não são mais jovens. Os jovens estão presentes em nossas paróquias. São atuantes. Em muitas situações não se sentem ou não são considerados como protagonistas da evangelização. Muitas comunidades têm dificuldades em aceitar a diversidade das expressões juvenis que hoje aparecem. Dificulta também termos um Setor Juventude diocesano que ajuda neste diálogo com os jovens. O diálogo com os adolescentes também apresenta dificuldades. Progredimos na catequese, mas o pós Crisma ainda não encontrou um eixo de coesão dos adolescentes na comunidade.
O Papa Leão XIV admiravelmente brindou-nos com a “Dilexi te”, uma Exortação Apostólica que fala-nos sobre o amor para com os pobres. O importante é compreender que não se trata simplesmente de uma obra social ou promoção humana para a Igreja. Para além disso, é preciso ter presente que a evangélica opção preferencial pelos pobres, é instrumento de evangelização, a partir dos pobres e com os pobres. Temos várias pastorais sociais na diocese que trabalham com os pobres e também com situações de pobreza existencial. Entretanto, falta-nos ainda ter uma maior interlocução com os pobres como sujeitos da evangelização. Eu também preciso passar por esta conversão evangelizadora e encontrar caminhos pastorais. A propósito as DGAE, no caminho para a missão “Serviço à vida plena para todos”(134-160), especifica a evangélica opção preferencial pelos pobres (136-147) e no número 147 dá-nos preciosas indicações pastorais.
Que as nossas comunidades prossigam animadas na escuta recíproca em bendizer a Deus pelos sinais pastorais de esperança e identificar as situações que desafiam ainda a evangelização. Este será o material para o instrumento de trabalho da Assembleia Eclesial Diocesana de 2027.
Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.
Bispo diocesano


