"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Eleições e saúde mental

As consequências do Estresse Eleitoral


 

“Nunca me senti tão mal assim”. Essa frase foi muito pronunciada no mês de outubro, época das eleições, sobretudo nesta campanha eleitoral polarizada que envolveu dois candidatos radicalmente diferentes. Tanto de um lado como de outro, as pessoas entraram num conflito como se fosse uma guerra em que inimigos tentavam derrotar o oponente a qualquer custo. É uma pena ver um desperdício de energia tão grande numa disputa onde, ao invés de inimigos, deveria haver apenas um povo lutando do mesmo lado, pelos mesmos interesses e pelos mesmos ideais.

Existe uma disfunção psicológica chamada de Estresse Eleitoral, um termo criado por Psicólogos para descrever a sobrecarga emocional provocada por embates políticos intensos. O deputado federal recém-eleito André Janones (Rede – MG) foi um exemplo extremo de como esse fenômeno pode ocorrer.  Após o debate presidencial ocorrido no dia 18 de outubro, o deputado apresentou quadro de arritmia e falta de ar tendo que ser internado na UTI de um hospital em São Paulo. A exposição constante em discussões políticas, marcadas por intensa polarização, hostilidade, desconfiança e incerteza sobre o futuro é o cenário propício para que essa disfunção ocorra.

O excesso de informações, fake news com conteúdos alarmistas nas redes sociais mantém o cérebro em estado de alerta constante causando angústia, ansiedade e insônia. Fora isso, as discussões em grupos de família provocam conflitos que afastam parentes e amigos do convívio social. Quando terminam as eleições e o resultado é proclamado, a expectativa é que tudo acabe e finalmente a vida volte ao normal. Ledo engano, pois ainda vem a vingança na forma de perseguição e ameaças a quem votou no candidato vencedor. Meu Deus, quando teremos paz?

As eleições são como um jogo em que cada lado busca a vitória, mas não existe vitória quando o que está em jogo é a nossa própria vida, nossa saúde mental e principalmente os laços que nos tornam humanos. O inimigo que deve ser derrotado é representado pelo ódio, o preconceito e o medo. A verdade é que somos passageiros que navegam na mesma embarcação. Portanto, desejar que o barco afunde não faz sentido. Temos que remar juntos para que ele continue seguindo na direção certa e chegue num lugar calmo onde floresça a paz. Afinal, apesar das diferenças, somos seres humanos que queremos as mesmas coisas: Queremos estar bem, estar em paz e sermos felizes.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo

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