"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 9

“Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

São tantas ainda as situações que persistem, e novas que surgem, que dificultam a evangelização. As DGAE assinalam estas situações. Algumas – na realidade poucas – estão distantes da nossa realidade. Outras sequer estamos enxergando.

As novas tecnologias e com elas a inteligência artificial, com o que há de bom e ruim, são uma realidade que não temos como ignorar. As possibilidades das fake news que favorecem as polarizações em vários setores nos tem desafiado. As evoluções tecnológicas também ferem a dignidade da pessoa humana quando se privilegia a técnica para descartar o ser humano em vista da economia e do lucro. Aqui são atingidos também, não somente os limites éticos, mas os sociais e ambientais. A casa comum é ferida também. Acrescente-se ainda: racismo, misoginia, xenofobia, feminicídio, homotrasnfobia, aversão aos pobres. Sobre estes últimos e a aversão que sofrem sublinhou o Papa Leão XIV na  Exortação Apostólica “Dilexi te”, 14.  Estas situações “pinceladas” acima são melhores explicitadas nas DGAE 29-33.

Atrelado à questão de aversão às pessoas devido à condição financeira das mesmas está a dependência dos jogos de apostas que as DGAE recordam como um fenômeno que cada vez mais chamam a atenção. (cf DGAE 39).

Um outro grupo de situações que dificultam a evangelização – não desarticulado dos apresentados acima – trata-se da mentalidade que envolve a cultura urbana, como já alertavam as DGAE de 2019. Desta cultura urbana surgem manifestações de uma mentalidade eivada de individualismo, que exacerbando a individualidade fomenta uma religião individualista, educação desmotivada para projetos compassivos e transformadores. Até mesmo o afeto exagerado e/ou exclusivo para com os pets manifestam esta cultura urbana e sua manifestação de individualismo. .(cf  DGAE 34-38)

Acredito que neste emaranhado de situações que ainda dificultam a evangelização o número 28 das DGAE é iluminador: “Percebem-se também, no seio da Igreja, sérios empecilhos para que os fiéis se sintam participantes de uma autêntica comunidade de discípulos missionários de Jesus Cristo. O impacto da cultura  do individualismo sobre as comunidades eclesiais, com o auxílio da cultura digital, tem levado alguns fieis a formarem pequenos grupos que pretendem viver o evangelho à parte da vida social e de forma sectária, dando origem a tristes divisões. Maneiras autoritárias de viver qualquer tipo de liderança também impedem que nossas comunidades sejam lugares acolhedores.”

            Os pontos apresentados neste número 28 merecem uma ulterior e, quanto possível, detalhada menção.

 

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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