"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Estamos vivendo a implementação do Sínodo dos Bispos (2021-2024) – Parte 6

As DGAE 2026-2032 são o instrumento principal no Brasil para a Implementação do Sínodo. A reflexão que pode ser haurida a partir delas servirá para criar uma espécie de “instrumento de trabalho” para a nossa Assembleia Eclesial Diocesana que deveremos realizar no primeiro semestre de 2027.

            “Como tenda peregrina no meio da história, a Igreja se deixa interpelar pelos ventos do tempo e pelos passos do povo que nela busca abrigo. Atenta ao que acontece ao redor, ela escuta as vozes que chegam, algumas carregadas de esperança, outras marcadas pela dor. Assim, aprende a discernir os apelos do Espírito. Alargando suas lonas para acolher melhor, inclina-se  sobre  as  alegrias  e  feridas  do  mundo, reconhecendo que, em cada realidade humana, Deus continua  a  falar  e  a  conduzir  seu  povo  pelos caminhos da missão.” (DGAE 17)

Com estas palavras se abre o capítulo segundo das Diretrizes. Este capítulo é fundamental para o discernimento no encaminhamento da missão. Primeiramente são elencados (19-26) os sinais de esperança em geral na Igreja no Brasil, que também se fazem presentes em nossa diocese.

A força da Palavra e da Eucaristia se faz presente de modo especial em nossas comunidades que se reúnem para a celebração do domingo, dia do Senhor. O Senhor tem nos agraciado com um número crescente de ordenações presbiterais, possibilitando a celebração eucarística dominical em grande parte das nossas comunidades. Onde não é possível isso semanalmente, temos a celebração da Palavra. E, com relação à Palavra de Deus, tem crescido também o número dos grupos de reflexão que semanalmente se reúnem para a Leitura Orante da Palavra de Deus, além da reflexão da Palavra de Deus estar presente de maneira central em todos os encontros de programação pastoral. Em algumas comunidades existe a celebração da Palavra durante os dias de semana. Todos os nossos encontros catequéticos para crianças, jovens e adultos partem de alguma forma da Leitura Orante da Palavra de Deus. Nos últimos dois anos nossa Semana Diocesana de Formação versou sobre o tema da centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja.

A força da Palavra na pregação catequética tem dado seus frutos em nossa catequese de Iniciação à vida cristã  de inspiração catecumenal, com catequistas que se aprimoram na formação e catequizandos aproximando-se dos Sacramentos com maior consciência e inserção na vida pastoral das comunidades. Merece destaque o crescimento de participantes na catequese para adultos. Na Páscoa deste ano foram batizados em nossas comunidades mais de 500 catecúmenos.

Evidentemente todo este ardor catequético, não somente para os Sacramentos, mas na evangelização em geral, através de tantos carismas de evangelização presentes na diocese, deve-se ao protagonismo dos leigos e leigas. Há 09 anos temos na diocese o CNLB Guarulhos, Organismo Eclesial, que tem trabalhado especificamente na conscientização da vocação laical, como vocação específica e autônoma na vida da Igreja.

A piedade popular nas suas mais diversas manifestações não deixam de estar presentes em nossas comunidades e grupos de reflexão. Tem sido ao longo dos anos de grande valor, levando a uma participação mais consciente na vivência dos valores do Reino de Deus e participação na Liturgia. O Ano Santo de 2025, com as peregrinações aos três santuários diocesanos (Bonsucesso, Bom Jesus da Cabeça, São Judas) ajudou na espiritualidade de sermos Igreja peregrina e em saída. Os Santuários têm se tornado cada vez mais um local de crescimento espiritual para os fiéis.

            As pastorais sociais – apesar das atuais deficiências – está enraizada na caminhada histórica das nossas comunidades. Não existe uma paróquia sequer em nossa diocese que não tenha ações concretas para vivência da dimensão sociotransformadora do Evangelho. Nossas comunidades não têm sido omissas em serem solidárias nas crises e tragédias. A Cáritas diocesana tem procurado realizar sua missão em algumas situações e está passando por uma reestruturação para melhor servir. Dentro ainda da dimensão sociotransformadora do Evangelho não podemos deixar de mencionar a existência de iniciativas e eventos presentes em nossa diocese que defendem a vida desde a sua concepção até o seu fim natural.

            Seguramente além destes tópicos citados pelas DGAE, cada comunidade poderá enxergar em sua caminhada, tantos outros sinais de esperança que testemunham a força de Deus e sua graça agindo em nós.

Entretanto, o mesmo capítulo segundo das DGAE, elencam  situações que persistem e continuam desafiando-nos na evangelização e transmissão  da fé, tanto no Brasil, como em nossa diocese. (cf DGAE 27-40).  Este é um assunto extenso e deve ser deixado para uma ulterior reflexão.

 

Dom Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

Bispo diocesano

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