"O Senhor fez em mim Maravilhas" (Lc 1,49)

Educação não verbal

O que realmente estamos ensinando às nossas crianças?


 

O grande filósofo Immanuel Kant dizia: “Se você castigar uma criança por ser má e a recompensar por ser boa, ela fará o que é certo apenas pela recompensa.” Quando prometemos dar um bom presente à criança, caso ela consiga tirar boas notas ou apresentar bons comportamentos, estamos tentando induzi-la a apresentar bons resultados a curto prazo. No mundo corporativo acontece o mesmo: se você atingir as metas da empresa, ganhará uma promoção. No universo político observamos a mesma dinâmica de conchavos e barganhas. O que tudo isso tem a ver com ética, política e educação infantil?

Se analisarmos a crise constitucional que estamos acompanhando diariamente nos noticiários envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, veremos que esse método é a base da formação de corruptos. As autoridades que controlam o poder agem com base no critério apelidado de toma lá, dá cá, ou seja, eu te dou uma coisa, mas você me dá outra. Creio que é muito difícil mudar um sistema que já está enraizado na sociedade há centena de anos, mas talvez ainda resta alguma esperança de futuro, se educarmos as crianças de modo diferente e é por isso que eu escrevo esse artigo.

Um dos pilares mais importantes do desenvolvimento infantil é a Educação não verbal que explica como as crianças absorvem o mundo ao seu redor. Elas aprendem através do que veem e experimentam seja num jogo de computador ou na interação com adultos. Na nossa sociedade, o que vemos é a corrupção sistêmica instalada em todas as instâncias do poder. Se os pais e educadores reproduzirem esse sistema dentro de casa em sua interação com as crianças, nada vai mudar pois a geração de agora é o modelo ético das gerações futuras.

Creio que o maior exemplo de Educação não verbal da história da humanidade é Jesus Cristo. Ele não ensinou por meio de estratégias políticas do tipo “toma lá, dá cá”, mas através do exemplo vivo do amor desinteressado. Como cristãos, o mínimo que podemos fazer para que mude alguma coisa lá no futuro é agir agora; é ensinar às crianças valores humanos, como respeito, gentileza e compaixão. No entanto, ensinar é muito mais do que fazer discursos bonitos e sim dar exemplos práticos por intermédio de ações concretas e conduta ética. Concluindo, a verdadeira transformação de uma nação não começa nas leis ou na política, mas na semeadura silenciosa do Evangelho no coração das nossas crianças.

 

Romildo R. Almeida

Psicólogo clínico

 

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