“Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)
O mês de setembro reúne, na vida de nossa Igreja particular, importantes celebrações e compromissos pastorais. Ao celebrarmos o Mês da Bíblia, somos convidados a redescobrir a Sagrada Escritura não apenas como um livro que deve ser estudado, mas como Palavra viva, capaz de iluminar a existência, alimentar a fé e orientar nossas escolhas.
Em nossas paróquias e foranias, as Escolas da Palavra, os encontros de formação, os círculos bíblicos e a prática da Leitura Orante demonstram o desejo de nossas comunidades de conhecer e amar cada vez mais a Palavra de Deus. Esse mesmo cuidado deve estar presente na proclamação das leituras durante as celebrações litúrgicas. Quando a Palavra é proclamada com fé, clareza e dignidade, é o próprio Cristo quem fala ao seu povo, instruindo, consolando e chamando cada pessoa à conversão.
A Palavra que toca o coração também nos coloca a caminho. É com esse espírito que realizamos a nossa 12ª Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Aparecida. Reunidas ao redor de nosso bispo diocesano, as paróquias manifestam a beleza da comunhão eclesial. Não caminhamos isoladamente. Somos uma Igreja peregrina, formada por pessoas e comunidades diferentes, mas unidas pela mesma fé, pela mesma esperança e pela missão que recebemos do Senhor.
Aos pés de Nossa Senhora Aparecida, levamos nossas alegrias e preocupações, os frutos de nosso trabalho pastoral e também os desafios que encontramos pelo caminho. A romaria nos recorda que a vida cristã é feita de passos, encontros, perseverança e confiança. Enquanto caminhamos, Deus fortalece nossa fraternidade e renova em nós a certeza de que ninguém precisa atravessar sozinho as dificuldades da vida.
Essa comunhão torna-se concreta quando aprendemos a cuidar uns dos outros. Nesse sentido, o Setembro Amarelo chama nossa atenção para o sofrimento de tantas pessoas que enfrentam a angústia, a solidão e a perda do sentido de viver. Diante dessas realidades, a Igreja deseja ser uma presença próxima, acolhedora e consoladora.
O sacramento da Reconciliação, o acompanhamento espiritual, o atendimento fraterno e a implantação das Pastorais da Escuta são caminhos importantes desse cuidado. Escutar não significa oferecer respostas rápidas para dores profundas. Muitas vezes, a primeira atitude verdadeiramente cristã é permanecer ao lado da pessoa, acolher sua história sem julgamentos e ajudá-la a perceber que sua vida continua tendo valor, dignidade e sentido. Uma escuta paciente pode tornar-se sinal da presença de Deus e abrir uma pequena fresta de esperança onde parecia existir apenas escuridão.
Confiemos todas as ações de nosso Enfoque Pastoral à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Maria foi mulher da escuta, da disponibilidade e do caminho. Acolheu a Palavra de Deus, colocou-se a serviço e permaneceu firme mesmo nos momentos de dor e incerteza. Sob seu olhar materno, queremos aprender a escutar com paciência, anunciar com fidelidade e caminhar unidos. Que a Mãe de Jesus nos ajude a ser uma Igreja que se alimenta da Palavra, celebra a comunhão e acolhe com ternura as pessoas feridas. E que o Senhor renove em nós a coragem de continuar peregrinando, sustentados pela esperança que não decepciona.
Padre Marcelo Dias Soares
Coordenador Diocesano de Pastoral


