Você não precisa ser o maior, basta aceitar ser quem você é.
Provavelmente você já leu alguma coisa sobre autoestima, mas talvez ainda não sabe exatamente o que significa. Para muita gente, significa olhar-se no espelho e sentir-se forte, bonito e inteligente, mesmo que isso não seja realidade. Por outro lado, a autocrítica severa parece estar sempre apontando um dedo em direção a si mesmo lembrando que você não é bom o bastante. Numa sociedade competitiva que só valoriza aqueles que se destacam, sentir-se bem quando os seus resultados não são os melhores, é um grande desafio. Como escapar dessa armadilha?
Em primeiro lugar é preciso considerar que a ideia de superioridade sobre outras pessoas é uma postura nada construtiva, pelo contrário, pode gerar fragilidade emocional e dificuldade em aceitar críticas. Uma pessoa com elevada autoestima pode pensar que já sabe tudo e assim se fechar a novos conhecimentos. Existem estudos que ligam a promoção de autoestima infantil ao narcisismo e preconceito na vida adulta. Jovens adolescentes que praticam bullying, alimentam a sua autoestima exercendo domínio sobre os demais revelando a faceta perversa desse jogo que se serve da violência contra as minorias para obter prestígio e poder.
A verdade é que se cairmos nessa cilada de disputar para ver quem é o melhor, estaremos fazendo exatamente o que o sistema quer de nós. A lógica do sistema capitalista é criar uma necessidade para vender uma solução. Por isso qualquer campanha de vendas começa com frases do tipo seja um vencedor, não fique para trás. Mas a questão que precisamos abordar aqui, não é o que você pode ser, mas sim reconhecer quem você é. Nesse sentido, não é possível desenvolver a autoestima sem desenvolver a autocompaixão. A autocompaixão ensina a ser bom e amável consigo, mesmo quando as coisas não vão bem.
Para explicar em palavras simples o que é Autocompaixão, vou usar a definição de Kristin Neff no seu livro Self Compassion: “É a prática de tratar a si mesmo com a mesma gentileza, carinho e compreensão que você ofereceria a um bom amigo”. Ao invés de recorrer a uma autocrítica severa ao enfrentar falhas, dores ou momentos de dificuldade, você compreende que os seus erros são humanos. A autocompaixão ensina que não é necessário ser extraordinário para merecer respeito, afeto e paz de espírito; basta ser inteiramente você. Portanto, abrace o seu passado, presente e futuro; afinal, tudo o que você almeja ser, em última análise, você já é.
Romildo R. Almeida
Psicólogo clínico


