Páscoa – Centro da Vida Cristã

Caminhando no Ano Litúrgico, onde nos é revelado todo o mistério de Cristo, atualizamos em nossas vidas a presença salvadora do nosso Redentor e fazemos a experiência d’Aquele que está no meio de nós. Deste modo, a liturgia não é um teatro que representa os acontecimentos salvíficos e nos faz sentir emoções do que aconteceu. A liturgia nos faz experimentar no hoje da nossa existência a força do acontecimento salvífico.

Esta edição da Folha Diocesana é publicada no momento que estamos vivendo o final do tempo quaresmal e nos preparamos de modo mais imediato para celebrar aquele acontecimento salvífico que é o centro de todo Ano Litúrgico: a Páscoa.

A Páscoa é o centro do Ano Litúrgico, o centro da nossa existência cristã. A vitória de Cristo dá sentido à nossa existência de discípulos d’Ele. Não seguimos alguém que simplesmente nos deixou belos exemplos e ensinou um amor verdadeiro. Seguimos a Deus que se fez homem e com o seu Amor nos dá a vida eterna. O seu modo de amar é garante da Sua vitória e possibilita a nossa participação nesta vitória.

De que adiantaria tentarmos imitar o modo de Jesus amar, se seu amor fosse somente um exemplo? De que adiantaria termos a prática de Jesus de Nazaré, se o seu modo de viver fosse somente uma filosofia de vida? De que adiantaria a morte de Cristo, se imitando-o pudéssemos produzir a nossa salvação? Aliás, se fôssemos capazes de gerar a nossa própria salvação, não seria necessária a entrega de amor de Jesus.

Chegamos à celebração pascal de 2017 com nossas lutas, expectativas, decepções. Alguns podem ter chegado desanimados, pois após ter experimentado vitórias, novas batalhas aparecem e antigas reaparecem, dando um sentimento de impotência e desilusão diante do que se fez. Individualismo, hedonismo e relativismo que marcam nossa época podem nos fazer querer “aproveitar” o hoje sem olhar para o futuro e nem para o outro. Podem até mesmo fazer perder a esperança. Como não celebramos a Páscoa fazendo teatro de emoções, mas atualizamos a força redentora e libertadora de Deus em nossas vidas, não podemos nos deixar levar por estes “ideais” destruidores da nossa época. Aqui é preciso muita atenção às nossas liturgias que valorizam exageradamente o elemento teatral em detrimento do celebrativo. O teatro é teatro, é sempre “ de mentirinha”; o celebrativo é transmissão da graça, real e atuante.

Novamente o mistério pascal nos chama a encontrar na Cruz gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo o sentido da vida. O mistério pascal nos convida a entrarmos no hoje da nossa história (esta história concreta da vida de cada um de nós) sem medo. O seguimento de Jesus é semente de vida eterna para hoje e para o amanhã. Quem é discipulo do Senhor tem hoje a vida eterna, pode amar e semear o amor, mesmo no enfrentar acontecimentos de morte. Aliás, muito importante detectarmos o que está “me matando” hoje, dentro deste contexto da celebração pascal de 2017, para que também experimentemos a cruz que em Cristo desejo adorar e a vitória que n’Ele e com Ele vou experimentar.

Que a celebração da Páscoa e o tempo litúrgico que se segue nos faça celebrar a certeza da vitória no vivenciar, em todas as circunstâncias, o amor na dimensão da cruz!

+Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano

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