“Mutirão pela vida: por terra, teto e trabalho”

Em meio a toda esta pandemia, estamos vivendo no Brasil a 6ª. Semana Social Brasileira, cujo tema “Mutirão pela vida: por terra, teto e trabalho”, inspira-se no 1º Encontro Mundial  dos Movimentos Populares, que teve a presença do Papa Francisco, em Roma, em outubro de 2014. Este “Mutirão pela vida” associa-se ao “Pacto pelo Brasil e pela vida” do qual a CNBB é signatária, juntamente com outras entidades, desde o ano passado.

Este tema da 6ª. Semana Social Brasileira, encontra apoio e sustentação nas encíclicas papais “Laudato Sì” e “Fratelli Tutti” e nos elementos do programado encontro “Economia de Francisco e Clara”, também promovido pelo Papa Francisco.

Nossa diocese, sob a condução do nosso CNLB Guarulhos (Conselho Nacional de Leigos do Brasil) tem realizado algumas atividades sobre todos estes assuntos.

Neste mês de julho (20-23) teremos a já tradicional Semana Diocesana de Formação que refletirá sobre temas inerentes à Doutrina Social da Igreja que envolvem aspectos da temática da 6ª Semana Social Brasileira. Partindo do Amor de Deus por nós e em nós, iremos refletir como criar uma cultura da ternura e do encontro, criando vias de vivência para a dimensão sócio transformadora do Evangelho.

Acredito que será uma reflexão de grande utilidade e incentivo para vivência ativa e cristã em nossa sociedade, que antes da pandemia já estava fragilizada e flagelada pelo individualismo e, agora, corre o risco de acentuar esta sombra que paira sobre esta mudança de época que estamos vivendo. Precisamos caminhar dentro da perspectiva do bem viver, mesmo em tempos difíceis.

Esta semana tem sido preparada com esmero e carinho, em verdadeiro espírito evangélico. Participemos sem as resistências que afirmam que a realidade social é coisa de  política e de políticos e que não faz parte da vivência do Evangelho e da missão da Igreja.

Se pudesse afirmar algo positivo desta pandemia, diria que ela “obrigou” a sairmos do individualismo, ou ao menos, olharmos para os outros. O Papa Francisco nos convida a não esquecermos as lições do novo coronavírus, aquelas lições que nos fizeram acender esperança nova: “…desejo dar voz a diversos caminhos de esperança…A recente pandemia permitiu-nos recuperar e valorizar tantos companheiros e companheiras de viagem que, no medo, reagiram dando a própria vida. (…) nossas idas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns, que, sem dúvida, escreveram os acontecimentos decisivos da nossa história compartilhada: médicos, enfermeiros e enfermeiras, farmacêuticos, empregados dos supermercados, pessoal de limpeza, cuidadores, transportadores, homens e mulheres que trabalham para fornecer serviços essenciais e de segurança, voluntários, sacerdotes, religiosas… compreenderam que ninguém se salva sozinho.  (Encíclica Fratelli Tutti 54)

No entanto, o Santo Padre alerta que, se as lições não forem aprendidas e a esperança não for devidamente alimentada…: “Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais em um consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá, já não existam “os outros’, mas apenas um “nós”. Oxalá não seja mais um grave episódio da história cuja lição não fomos capazes de aprender. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de respiradores, em parre como resultado de sistemas de saúde que foram sendo desmantelados ano após ano. Oxalá não  seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, livres das fronteiras que criamos. Se não conseguimos recuperar a paixão compartilhada por uma comunidade de pertença e solidariedade, à qual saibamos destinar tempo, esforço e bens, desabará ruinosamente a ilusão global que nos engana e deixará muitos à mercê  da angústia e do vazio. (…) a obsessão por um estilo de vida consumista, sobretudo quando poucos têm possibilidades de o manter, só poderá provocar violência e destruição recíproca. O princípio do “salve-se quem puder” traduzir-se-á rapidamente no lema “todos contra todos”, e isso será pior que a pandemia. (Fratelli Tutti 35-36)

A Semana Diocesana de Formação 2021 quer nos ajudar a aprender as boas lições deste tempo de pandemia e aprimorá-las para o porvir. Participem: 20-23 de julho, das 19h30 às 21h30, pelas redes sociais da nossa diocese.

Por Edmilson Amador Caetano, O.Cist. Bispo diocesano de Guarulhos

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