Missa de Envio – Pe. Leonardo

No dia 18 de Agosto, liturgia da Assunção de Nossa Senhora, a Paróquia Santo Antônio – Pimentas, se reuniu para participar do seu vigário paroquial, Pe. Leonardo Henrique à Roma (Itália). A cerimonia foi presidida por Leonardo e contou com a presença de alguns membros do clero diocesano, seminaristas, familiares e amigos do reverendo.A homilia, cujo texto na íntegra segue abaixo, foi proferida por Pe. Francisco Veloso, Reitor do Seminário Imaculada Conceição, local onde Pe. Leonardo passou parte de sua caminhada vocacional e seminarística. Leonardo, embarca rumo à cidade eterna, para realizar os estudos, em nível de mestrado, em Ciências Patrísticas.
Confira a homilia e as fotos desta marcante cerimônia.

Missa de Envio - Padre Leonardo

Solenidade da Assunção de nossa Senhora, a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai! Lembremo-nos, celebrar Maria é reconhecer que o centro de nossas vidas é o Senhor Jesus Cristo. E para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de São Paulo: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele creem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como Ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a ele! Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a “Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição, foi elevado ao céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz, agora está perfeitamente unida a Ele na glória. “Fiel é esta palavra: Se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com ele sofremos, com Ele reinaremos”. Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da ressurreição. Aquela que sempre foi “plenamente agraciada”, de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora em plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe! Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama: “Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”. Este senhorio de Cristo aparece hoje radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia clama: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo! Estejamos atentos!

A solenidade recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool. É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo: “O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós – em nosso corpo – pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo”. Então, caríssimos, olhemos para o céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, repitamos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor”! A ele a glória pelos séculos dos séculos.

Outro importante motivo nos trás aqui hoje, o envio do nosso estimado Padre Leonardo Henrique para uma missão, missão de estudar para melhor servir a Igreja, em especial a Igreja de Guarulhos. Fui reitor por um período do Padre Leonardo Henrique e posso garantir o seu grande zelo pela Santa Igreja, pela sua hierarquia que se manifestou clara e vivamente pelos seus estudos. Teve sempre grande preocupação com o saber, pois desde o início de sua formação tinha claro sua responsabilidade de sua futura missão, levar a todos a fazer a experiência com Deus. Era convicto que bem preparado academicamente, poderia melhor exercer sua missão. Sempre foi referência entre os seminaristas pelo seu esforço e capacidade de estudos e sempre estimado e admirado pelos professores na faculdade. Na graduação de Teologia, era sempre elogiado pelos professores, a ponto da coordenadora do curso de Teologia da época, doutora, Ir. Maria Freire, escrever uma carta para o nosso ex.mo rev.mo Bispo Diocesano, Dom Edmilson Amador Caetano, recomendando que o referido padre continuasse os seus estudos acadêmicos. Cursando a graduação em Teologia recebeu a premiação do melhor trabalho de iniciação científica na área de Teologia. Padre Leonardo Henrique sempre foi um “curioso” dos estudos Patrísticos, sempre aguçado em apresentar as verdades da fé do cristianismo ao povo, sempre de uma forma didática e pastoral. Sempre acreditou que com um profundo conhecimento se faria uma maior experiência de fé.  Acredito firmemente que tenha escolhido a área das ciências Patrísticas por ser convicto de que não só para si, mas para os irmãos a ele confiado, em uma Paróquia, ou mesmo em uma Academia, seria de grande riqueza o conhecimento da Patrística, pois certamente nos aproxima da Palavra de Deus. Lembrando o que nosso saudoso São João Paulo II anunciou quando esteve no Brasil a primeira vez em 1981 se referindo aos Padres da Igreja que são eles os melhores interpretes da Sagrada Escritura. Assim sendo, precisamos conhecer os seus ensinamentos para podermos compreender melhor a Palavra, o que certamente Padre Leonardo Henrique fará a todos a quem próximo dele estiver. Com conhecimento maior, será maior a experiência de fé de todos. Esses gigantes da fé da Igreja souberam implantar para sempre o que Jesus nos deixou através dos Apóstolos. Foram obrigados a enfrentar as piores heresias e nesta luta amadureceram os conceitos teológicos, formulando a fé que até hoje professamos sem erro. Padre Leo, sei que corresponderá a todas as expectativas, demonstrando capacidade intelectual, retidão de caráter e obediência às autoridades durante todo o seu tempo de permanência em Roma para seus estudos. Mas digo, estamos aqui, rezando por você e com muita expectativa esperando seu retorno. Confiamos em você, esperamos em você, rezamos por você. Conte conosco, seja firme nesta nova empreitada e que Maria Assunta aos Céus seja a grande intercessora para que você possa ir e possa voltar em paz. Já estamos com saudades. Sê feliz hoje e sempre. Deus o abençoe meu amado filho.

Compartilhe:
Facebook
TWITTER
YOUTUBE
Instagram

Comments are closed.