Mensagem ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

A coordenação das pastorais sociais da diocese de Guarulhos saúda aos trabalhadores e trabalhadoras, em especial aos de nossa cidade, que celebram o seu dia nesse primeiro de maio. Reafirmamos nosso compromisso e apoio às lutas por justiça e dignidade do trabalho, sobretudo nesse tempo de pandemia vivida pelo mundo e de maneira tão triste e avassaladora em nosso país. Como nos recorda o Papa Francisco, “o trabalho é um elemento fundamental para a dignidade da pessoa. Para usar uma imagem, o trabalho “unge-nos” de dignidade; torna-nos semelhantes a Deus, que trabalhou e trabalha, agindo sempre (cf. Jo 5,17); doa-nos a capacidade de nos mantermos, a nós e à nossa família, de contribuir para o crescimento da própria Nação” (Audiência Geral de 1o de maio de 2013). E reafirmando o fundamental aspecto da dignidade do trabalho é que acompanhamos com tristeza as diversas faces de situações que geram ainda mais exclusão: os retrocessos nas relações trabalhistas, as perdas de direitos, o cenário cada vez mais precário das relações de trabalho, que por vezes não oferece outras alternativas que não à submissão às condições desiguais. Os subempregos, a situação dos trabalhadores autônomos e dos que cada vez mais dependem apenas de si e de suas próprias forças para buscar sua sobrevivência, sem amparo dos governos, sem contar os milhões de desempregados. Tanto tem se falado que o atual momento que estamos vivendo é oportunidade de crescimento, de repensar nossas relações e a maneira de sermos e de estarmos no mundo, e em todos os vínculos que estabelecemos com os outros seres humanos, e com a Casa Comum, e tudo o que nela habita, que precisamos entender nosso papel de fato. Quantos brasileiros estão nas “praças” de nossa atualidade, a esperar por uma oportunidade para trazer o mais elementar para a sobrevivência, como o alimento para a família? Até quando a questão econômica será a mais fundamental? Como valorizar as mulheres trabalhadoras, permitindo que elas possam conciliar os vários papeis que desempenham, especialmente a maternidade e o trabalho?

Na sua Carta Apostólica, com Coração de Pai, dedicada ao Ano de São José que estamos celebrando, o Papa Francisco recorda que São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento de sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

Cabe aos empresários (as) cuidar da qualidade de vida laboral dos seus funcionários (as), pois esses são seu recurso mais valioso enquanto empresa. Ao Estado deve ser reforçado o papel de mediar as relações trabalhistas, para que “ocorram com justiça e equidade” (cf Mater et Magistra, 21). “Cada um de nós criados à imagem e semelhança de Deus, temos, na nossa essência, a vocação para o trabalho. Trabalhar é, pois, muito mais que simplesmente ambicionar dinheiro ou posses. Trata-se de assumir a vocação humana e contribuir para um bem maior- da sociedade, da Casa Comum, de toda a obra da criação”. (cf. CNBB mensagem 1o de maio 2020). O Papa Francisco afirma que a pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa , colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia.

Que possamos juntos, cristãos católicos e todas as pessoas de boa vontade, insistir em esperançar por dias melhores, confiantes na ação de Cristo o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas e está sempre a nos oferecer a Vida Plena e Abundante, que ela sempre prevaleça! Nos coloquemos ao lado daqueles (as) que sofrem e dediquemos nossas preces a todos (as) que ainda são excluídos (as) e vivem sem trabalho digno, na certeza de que o “clamor de todos os trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo – poderoso” (Tg 5,4).

Peçamos a São José operário que encontremos vias por meio das quais possamos colocar em prática o seguinte: nenhuma pessoa, nenhum trabalhador (a), e nenhuma família sem trabalho!

Padre Tarcísio pelas Pastorais Sociais da Diocese de Guarulhos, SP.

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