sexta-feira , 31 outubro 2014

Igreja se despede de Dom Eugênio Sales

É com pesar que a Igreja noticia o falecimento do arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio, Cardeal dom Eugênio de Araújo Sales, na noite de segunda-feira, 9 de julho de 2012. Aos 91 anos, dom Eugênio faleceu em casa, no Rio de Janeiro.

Seu lema, fundamentado na Carta de São Paulo aos Coríntios, era: “Impendam et Superimpendar” (2Cor 12,15: “De mui boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos mais, seja menos amado por vós”). Era o mais antigo cardeal da Igreja Católica.

 O corpo de dom Eugênio chegará na Catedral de São Sebastião às 12h desta terça-feira, dia 10 de julho, onde, segundo informações postadas no facebook e no twitter do Arcebispo do Rio, dom Orani João Tempesta,  acontecerá o velório do cardeal, com missas de duas em duas horas.

O sepultamento será na própria Catedral, no final da tarde de quarta-feira, 11 de julho.

Trajetória eclesiástica

 Em 1936, quando era Bispo de Natal Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, Eugenio ingressa no Seminário Menor de São Pedro. Após o Curso de Humanidades, foi enviado ao Seminário Maior da Prainha em Fortaleza. Lá permaneceu de 1937 a 1943.

Sua ordenação diaconal ocorreu no dia 16 de março de 1943. Na manhã do dia 21 de novembro do mesmo ano foi ordenado sacerdote por Dom Marcolino na antiga Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, em Natal e celebrou a primeira missa por ocasião da festa da padroeira com a homilia proferida por Monsenhor Paulo Herôncio.

No início do seu ministério sacerdotal recebeu a nomeação para Coadjutor da Paróquia de Nova Cruz e Capelão do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Em 1944, transferido para Natal, foi designado Capelão do Colégio Marista, Diretor Espiritual e Professor do Seminário São Pedro.

Já quase no final da vida de dom Marcolino, “venerado Arcebispo e Pastor marcante dos principais anos do sacerdócio do Pe. Eugenio” – nas palavras do monsenhor Raimundo Menezes Brasil -, o Papa Pio XII o elegeu Bispo Titular de Tibica e Auxiliar de Natal.Sua sagração ocorreu a 15 de agosto de 1954 na Igreja Matriz do Alecrim, em Natal. O arcebispo do Maranhão, dom José de Medeiros Delgado foi o sagrante; consagrantes, os Bispos de Mossoró e Caicó, dom Eliseu Simões Mendes e dom José Adelino Dantas.

Em virtude da saúde frágil do Arcebispo, dom Eugênio Sales é nomeado Administrador Apostólico “sede plena” de Natal em 6 de janeiro de 1962; função exercida até 1964. Neste ano é também nomeado Administrador Apostólico “sede plena” da Arquidiocese de Salvador. Às 15h do dia 30 de agosto tomou posse no Palácio da Sé. Até a posse de seu sucessor em Natal, permanece no governo das duas dioceses.

No dia 29 de outubro de 1968, foi nomeado pelo Papa Paulo VI como arcebispo de Salvador.

Datada de 28 de março de 1969 é carta na qual o Papa Paulo VI comunica oficialmente a escolha de dom Eugênio Sales para o Colégio Cardinalício. Durante o Consistório realizado entre os dias 28 de abril e 01 de maio do respectivo ano, é criado Cardeal.

No dia 13 de março de 1971 foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro por Sua Santidade o Papa Paulo VI.

Nota oficial da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga Nota Oficial de pesar pela morte do cardeal dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro. O secretário geral da Conferência, dom Leonardo Steiner, manifesta solidariedade com o povo e o arcebispo da arquidiocese do Rio de Janeiro e com os familiares de dom Eugênio, particularmente com seu irmão, dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal (RN).

Leia a Nota:

Nota de condolência pelo falecimento

do Cardeal dom Eugenio de Araújo Sales

A Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) recebe, com profundo pesar, a notícia da morte do Cardeal dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro (RJ), ocorrida no final da noite desta segunda-feira, 9 de julho de 2012.

Dom Eugênio é uma verdadeira página da história da Igreja no Brasil. Seu caminho de vida percorrido como padre e bispo está associado aos marcos do trajeto feito pela comunidade dos discípulos missionários de Cristo neste país. Ordenado padre em 1943, desempenhou trabalho pastoral na então diocese de Natal (RN) onde veio a ser bispo auxiliar da já arquidiocese de Natal, em 1954, por nomeação do Papa Pio XII. Nomeado como arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, em 1968, criado Cardeal no Consistório de 1969, dom Eugênio ficou na Bahia até ser transferido pelo Papa Paulo VI para a arquidiocese do Rio de Janeiro, em 1971, lugar onde exerceu seu pastoreio até a renúncia aceita pelo Papa João Paulo II, em 2001.

Inspirado pelo seu lema episcopal, “Impendam et Superimpendar” (alusão a 2Cor 12, 15: “Quanto a mim, de muito boa vontade gastarei o que for preciso e me gastarei inteiramente por vós”), dom Eugênio foi Padre Conciliar do Vaticano II, criador da Campanha da Fraternidade e também apoiou o Movimento de Educação de Base e as Comunidades Eclesiais de Base. Homem de vasta cultura, sempre teve admiração por parte da sociedade brasileira. Por tudo isso e pela sua expressão de pastor, dom Eugênio foi uma permanente referência da Igreja nos momentos mais significativos da vida social e política no Brasil. Ele jamais se recusou a dar sua palavra firme, ortodoxa, clara a respeito dos mais importantes princípios da vida moral tanto da pessoa quanto da sociedade.

Era um comunicador que chegava, com facilidade, ao entendimento da opinião pública, mesmo depois de se tornar arcebispo emérito do Rio de Janeiro, dom Eugênio manteve publicação regular de seus textos em um blog na internet. Recentemente, por ocasião da Páscoa deste 2012, ele mesmo determinou que seria publicado um último artigo no qual ele escreveu: “Ao passo que a alegria, presságio do transcendente, faz-nos sentir algo superior às experiências comuns, ela, todavia, acorda em nós o mais próprio, o mais íntimo de nós mesmos. Será que não está inscrita na experiência pura e honesta da alegria uma tênue e todavia forte certeza de que a mais profunda realidade de nosso ser é imagem do eterno? Este estado de alma é como uma atmosfera jubilosa de nossa mente, que se reflete em nossos sentimentos e que se irradia em nossos relacionamentos humanos”.

Despedimos-nos de dom Eugênio com este sentimento que ele antevia em sua reflexão, isto é, com “presságio de transcendência”. Agradecemos a Deus pela sua caminhada cheia de frutos para a vida da Igreja e do povo e nos solidarizamos com seus familiares, especialmente com seu irmão dom Heitor Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal, com a arquidiocese do Rio de Janeiro e com dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. Nossa oração nos consola na certeza de sua páscoa e na esperança de que esse nosso irmão compartilhava da convicção que nos foi deixada pelo apóstolo de que a “a coroa da justiça” está reservada para ele pelo Senhor, o justo juiz, que dará essa coroa, “não somente a ele, “mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação”( 2 Tm 4,8).

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

Em 22 de setembro de 2001, passa o governo da Arquidiocese do Rio a dom Eusébio Oscar Scheid.

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